Poucos lugares do Japão ficaram tão devastados pela guerra quanto Okinawa. Além de terem sido palco de sangrentas batalhas, as ilhas foram ocupadas pelos norte-americanos depois da rendição japonesa e muitos locais ficaram sob escombros. Do meio deles, produtores de awamori retiravam o koji negro, uma espécie endêmica de um fungo onipresente na gastronomia japonesa. Assim, eles foram reativando a produção desta bebida e, simbolicamente, revivendo o espírito do povo de Okinawa.
Como o saquê nihonshu, o awamori é produzido com o arroz.
Como o saquê nihonshu, o awamori é produzido com o arroz. As semelhanças não são muitas além dessa. Mesmo o grão usado na produção dessa bebida típica de Okinawa é diferente. Aqui se usa a variante tailandesa, mais comprida e resistente que o arredondado e pequeno sakamai, matéria-prima do nihonshu.
O koji negro é essencial na produção do awamori. Como esses fungos produzem ácido cítrico, são capazes de matar as bactérias que se proliferariam facilmente no mosto por causa do calor quase tropical de Okinawa.
Além da inoculação do arroz com o koji, há o processo de destilação que torna o awamori uma bebida completamente diferente do nihonshu, que é fermentado. Com teor alcoólico que transita entre 30 e 43%, o awamori é mais forte neste quesito que o saquê nihonshu, que raramente passa de 16%.
Kusu é o nome dado ao maturado. O processo de envelhecimento é feito em potes de cerâmica por, pelo menos, três anos. Como a maturação é um processo tradicional do awamori, muitos produtores fazem bebidas ainda mais velhas, algumas passadas de geração em geração. Conta-se que antes da guerra era possível encontrar em Okinawa garrafas de awamori com 100 e até 200 anos. Esses vasilhames, infelizmente, foram perdidos nos ataques e bombardeios.
Outra prática comum é misturar awamori novo com maturados, criando blends de diversas épocas. Bebida de sabores marcantes, o awamori pode ser consumido diluído em água, on the rocks ou puro, além de ser usado em coquetéis.
A menos de 2 horas de distância de Tóquio fica um dos lugares mais belos e misteriosos da província de Kanagawa. Daiyuzan é o nome mais popular para o Saijoji, um templo budista com mais de seis séculos de história, encravado nas montanhas da desconhecida cidade de Minami-ashigara. De fácil acesso, ainda fica difícil saber porque o local é praticamente desconhecido, mesmo dos habitantes da própria província de Kanagawa e da capital japonesa, sempre ávidos por experiências fora das grandes cidades.
Como acontece com Hakone, a entrada para Daiyuzan é a estação de Odawara, atendida pelas linhas Tokaido do trem-bala Shinkansen e da JR East. Daqui, é preciso embarcar na linha Daiyuzan para uma viagem de cerca de 25 minutos até a estação terminal. Por fim, uma linha de ônibus leva até a entrada do templo Saijoji, onde já se começa a sentir que estamos entrando num lugar especial.
O Saijoji é um templo da escola Soto que é a maior das três escolas da linhagem zen do budismo japonês. O zen tem como representação mais conhecida a meditação sentada, conhecida como zazen. Na escola Soto, essa prática é chamada de shikantaza e se caracteriza pela não existência de cantos ou de âncoras, ou seja, situações ou objetos a serem usados como foco de atenção.
O templo foi fundado por Ryoan Emyo, um dos maiores mestres do zen-budismo Soto. Conta-se que uma águia atacou o mestre, roubando-lhe seu kasaya, o manto usado pelos monges budistas. Ryoan Emyo seguiu a ave e, nas montanhas de Ashigara, encontrou suas vestes no alto de pinheiro. O mestre começou a meditar embaixo da árvore e, algum tempo depois, o kasaya caiu em seu colo, sobre o seu ombro esquerdo. Ele entendeu que era um sinal e iniciou o processo de construção do Saijoji no local, transformando o espaço num monastério, onde ensinou a meditação zen por quase duas décadas antes de falecer aos 75 anos.
O espaço de 1,3 milhão de metros quadrados é quase três vezes maior que a Cidade do Vaticano e é formado por dezenas de construções, de pagodas a capelas, espalhadas pela floresta de cedros e cortada por rios e quedas d’água. Uma rota principal leva do magnífico portão de madeira da entrada do templo até o espaço do monastério, passando por uma bela pagoda e conduzindo montanha acima até o Okunoin, uma capela acima de uma escada de 354 degraus.
Em todas as partes é possível ver diversos animais lendários e figuras folclóricas e religiosas. Nenhuma delas é mais presente que o tengu, uma criatura das montanhas, de nariz comprido e comportamento agitado. Conta a lenda que, quando Ryoan Emyo começou a construir o templo, um de seus discípulos, Douryo, se transformou num tengu e veio ajudá-lo com seus poderes sobrenaturais. Diz-se, também, que o próprio Ryoan se transformou num tengu após a sua morte e protege a mata e a floresta em Daiyuzan.
Outra imagem icônica do templo é o Takageta (lê-se “taká-guetá”), um par de sandálias de madeira gigantes, considerado o maior do Japão. O geta é o calçado usado pelos tengu e diz-se que ele tem poderes mágicos. Quando o par está bem alinhado, pode trazer harmonia ao casal. Por isso há tantos geta ofertados nesta área do templo.
Localizado em meio à natureza, cheio de lendas e história, Daiyuzan é aquilo que os japoneses gostam de chamar de power spot, um local para recarregar as baterias, que vale muito a visita. Só não conta para ninguém, tá?
SERVIÇO
DAIYUZAN
Kanagawa-ken Minami-ashigara-shi Daiyucho 1157
Das 6 às 16 horas.
Entrada franca.
Osaka costuma confundir a cabeça de quem visita o Japão
Osaka costuma confundir a cabeça de quem visita o Japão. Nem era para ser assim. Como no caso de São Paulo e do Rio de Janeiro, a palavra Osaka é usada para se referir à província (o equivalente aos estados do Brasil) e à sua capital. Província de Osaka, capital Osaka: simples assim.
Tanto a província quanto a cidade são potências econômicas do Japão. O Produto interno bruto provincial representa uma fatia de 4% do PIB do país e é equivalente ao da Noruega. A cidade, por sua vez, tem um PIB equivalente ao da Nova Zelândia. E isso não vem de hoje! Historicamente, Osaka sempre aparece como uma das áreas mais vibrantes do país. Mercadores construíram a reputação de Osaka para a circulação de bens e serviços, algo que dura até os dias de hoje.
Sabendo isso, alguém pode imaginar que os osaquenses são gente sisuda e que vive para o trabalho. Mas esta é uma definição que passa longe do espírito da cidade e da província. O povo de Osaka é tido como alegre, descontraído e muito bem humorado. Aliás, muitos humoristas e músicos de sucesso são da província, que tem uma vida cultural agitadíssima. A noite de Osaka também não decepciona. Mas nenhuma característica fala mais do povo local do que a paixão pela gastronomia. Come-se muito e bem em várias localidades da província.
Nesta edição, o JP Guide te dá dicas para conhecer atrações imperdíveis na sua viagem pela província de Osaka. Vamos nessa?
Comendo até cair na capital
Diferente dos toquiotas, mais sérios e formais, os osaquenses são abertos e divertidos.
Qualquer pessoa que segue no Instagram algum brasileiro que vive no Japão vai encontrar ali alguma foto de Osaka. Nossos patrícios adoram a cidade e são muitos os motivos para isso. Diferente dos toquiotas, mais sérios e formais, os osaquenses são abertos e divertidos. São traços de personalidade que se refletem no ambiente. A cidade de Osaka, por exemplo, é barulhenta, colorida e até um pouco caótica. São características que acabam caindo bem aos brasileiros, que costumam ser expansivos.
A relação dos osaquenses com a comida é intensa
Dotonbori é a epítome do jeito osaquense de ser. Esta zona comercial da cidade é formada por calçadões e atrai milhares de pessoas todos os dias. Nas margens do canal que corta Dotonbori, funcionam restaurantes e alguns deles costumam até ter mesas do lado de fora, o que é pouco comum no Japão. Aqui fica um dos marcos do bairro, a roda gigante da loja de departamentos Don Quijote. Bem, roda é mesmo jeito de falar porque, diferentemente do que conhecemos, em Dotonbori o negócio tem o formato de um retângulo com as bordas curvadas.
Esta não é a única extravagância de Dotonbori. À noite, brilham no canal os luminosos de neon que fazem Osaka parecer uma concepção dos 60 do que seria uma cidade do futuro. No entanto, as luzes escondem um mundo ainda mais interessante, formado por restaurantes que oferecem o melhor da gastronomia popular de Osaka como o okonomiyaki, o kushikatsu, o fugu e, claro, o takoyaki, tão popular no Japão quanto a coxinha.
A relação dos osaquenses com a comida é intensa. Em Osaka, a expressão kuidaore define. A palavra é formada pelos caracteres para comer (食) e cair (倒) e, portanto, quer dizer “comer até cair”. Num primeiro olhar, a ideia mais clara que a palavra trás é encher o bucho até tombar. Porém, os locais enxergam um significado mais profundo: o de comer ao ponto de gastar todo o dinheiro que se tem. Portanto, se você é do tipo que se aventura gastronomicamente, tenha cuidado com o bolso. São tantas opções de restaurantes e comidas gostosas que mesmo os locais reconhecem que calha de você gastar todo o orçamento da sua viagem em comida, sem ter saído de Osaka. Seguem algumas dicas de pratos que você não pode deixar de provar quando for visitar Osaka.
Ao seu gosto, okonomiyaki
“Okonomi” quer dizer “ao seu gosto” e “yaki”, “grelhado”.
Uma espécie de panqueca super turbinada, o okonimiyaki é um dos pratos-assinatura de Osaka. Tão extravagante quanto a cidade em si, este rango esconde uma origem humilde. Popularizada no pós-guerra, a massa quase líquida feita de farinha era uma opção num momento em que o arroz era caro demais ou difícil demais de conseguir. Colocada para cozinhar numa chapa quente, a massa aceita o que você tiver como cobertura. Daí o nome do prato. “Okonomi” quer dizer “ao seu gosto” e “yaki”, “grelhado”. Carnes, vegetais, frutos do mar, tudo orna com a panqueca que leva ainda um molho próprio, adocicado e toneladas de maionese, flocos de bonito katsuobushi, alga nori em tiras e gengibre. Um dos melhores okonomiyaki de Osaka é o do Kiji, que fica na área conhecida como Shin-umeda, no entorno das estações centrais de trem da cidade.
Kiji Osaka-fu Kita-ku Kakudacho 9−20, subsolo do Shin-umeda Shokudogai [mapa]
Espetinho de… tudo
Localizado no agitado bairro de Namba, a matriz do Sakura é considerada um dos melhores restaurantes de kushiage da cidade.
Diz-se que o kushikatsu surgiu em Osaka no final dos anos 1920, quando a proprietária de um pequeno restaurante no bairro de Shinsekai começou a oferecer espetinhos de carne empanada, fritos por imersão. Kushi é o palitinho, o espeto; katsu é o empanado. O sucesso veio rápido. Pudera. Também chamados de kushiage (a segunda parte lê-se “ague”, que quer dizer fritura por imersão), os espetinhos eram uma forma barata e rápida de comer com satisfação. Atualmente, os kushikatsu são feitos com qualquer coisa: peixes, verduras, legumes e outros pratos também entram na roda, ou melhor, na fritadeira. Mas não confunda o kushiage com o yakitori, o espetinho de frango grelhado no carvão.
Localizada no agitado bairro de Namba, a matriz do Sakura é considerada um dos melhores restaurantes de kushiage da cidade.
Esta espécie de baiacu muito popular entre os japoneses possui uma substância potencialmente letal em várias partes de seu corpo.
O fugu apavora. Esta espécie de baiacu muito popular entre os japoneses possui uma substância potencialmente letal em várias partes de seu corpo. Removê-las corretamente requer conhecimento e prática e, por isso, somente cozinheiros e vendedores licenciados podem manusear o ingrediente. Em Osaka, o peixe é apelidado de “teppo”, uma palavra que significa “arma”, numa brincadeira com o potencial de letalidade do bicho.
No entanto, o sistema de controle funciona. São quase inexistentes os casos de acidentes com carne de fugu e a esmagadora maioria dos que ocorreram nos últimos 20 anos rolaram entre pessoas sem experiência em limpar o peixe que o pescaram e consumiram. Versátil, o fugu pode ser servido cru (como sashimi), frito, empanado e cozido. As ovas também são consumidas e consideradas uma iguaria.
Em Osaka, um dos restaurantes de fugu mais conhecidos é o Fugutenjin.
Se nós amamos de paixão as coxinhas de galinha, os osaquenses nutrem o mesmo sentimento pelo takoyaki. Ambos têm características em comum: são bolinhos com recheio e são extremamente populares. As semelhanças param aí. O takoyaki é feito com uma massa líquida que fica bem mais leve que a da coxinha. O recheio é de polvo, um animal não muito popular entre os brasileiros.
Além disso, o takoyaki é grelhado em um utensílio próprio, que tem o mesmo princípio de uma torradeira só que com compartimentos em formato de meia lua no qual vários bolinhos são produzidos ao mesmo tempo. Aliás, ver o preparo do takoyaki já é uma experiência em si mesmo.
Encontrar um bom lugar para comer o bolinho de polvo em Osaka nem é difícil. Mas se você quiser uma dica, o Tako Tako King tem cinco lojas na cidade. A matriz fica em Shinsaibashi, outro bairro que vale super a pena explorar.
Tako Tako King Matriz Osaka-fu Osaka-shi Chuo-ku Higashi Shinsaibashi 2-4-25 1o. andar
[mapa]
Off-Osaka
O entorno de Osaka é cheio de cidades de diversos portes e muitas delas têm coisas interessantes para fazer. Veja algumas dicas:
Folhas de outono em Minoo
Folhas de outono em Minoo
A menos de 30 minutos de trem do centro de Osaka, Minoo é o primeiro refúgio dos osaquenses quando eles estão cansados do caos urbano. Trata-se de um vale florestado com uma trilha que leva a uma cachoeira de cerca de 30 metros de altura. Trilha é modo de falar já que o caminho é bem pavimentado e bastante plano. No outono, quando as folhas das árvores decíduas começam a ficar amareladas ou vermelhas, o local atrai milhares de visitantes. Nesta época do ano, alguns restaurantes locais servem o momiji tempurá. Neste prato, as folhas de carvalho, símbolos do outono, são empanadas e fritas. Outro ponto que merece a visita é o Ryuanji, um belo templo budista no meio do caminho da trilha de 3 km entre a estação e a cachoeira.
Parque Minoo estação onde começa a trilha: Minoo, na linha Hankyu Minoo[mapa]
entrada franca
Catacumbas antigas em Sakai
Kofun é o nome dado aos antigos túmulos megalíticos do Japão.
Kofun é o nome dado aos túmulos megalíticos dos séculos 3 a 6 da era cristã, encontrados em várias partes do centro e do sul do Japão. A palavra em si significa “túmulo antigo”. A mais impressionante destas catacumbas, que ocupa uma área de quase 3 km de circunferência, pode ser encontrada em Sakai, uma cidade-dormitório densamente povoada nos subúrbios de Osaka.
Visto do alto, o Daisenryo Kofun parece uma ilha em formato de fechadura cercada por um fosso de águas esverdeadas. Estudos indicam que o Daisenryo foi construído para ser a última morada do imperador Nintoku, que reinou no século 6. Indicam porque o espaço é considerado sagrado pela Família Imperial japonesa e entrar na ilha em si não é permitido. Ainda assim, é possível passear na floresta que se formou no entorno do túmulo, além de visitar o Museu Municipal de Sakai, que fica logo em frente e conta a história do local ou o que se sabe de lá. E bem no entorno do museu ficam pelo menos outros quatro sítios arqueológicos.
Daisenryo Kofun – Museu Municipal de Sakai
Osaka-fu Sakai-shi Sakai-ku Mozusekiuncho 2 Chome [mapa] Obs.: O local está em obras até março de 2021. Uma parte do museu é acessível ao público durante este período, de forma gratuita.
Um festival selvagem
O festival de Kishiwada é um dos festivais mais agitados do Japão.
Se tem um festival que é a cara de Osaka é o Kishiwada Danijiri Matsuri que rola no mês de setembro, no fim de semana antes do feriado de Reverência aos Idosos. Danjiri são santuários móveis, em formato de carros alegóricos de 14 metros de altura e 400 kg, que circulam levando as divindades para um passeio pela comunidade. Como estamos falando de Osaka, pode levar fé que este não vai ser um passeio monótono.
Para fazer as curvas nas estreitas ruas de Kishiwada, os danjiri são puxados em um arranque só pelos jovens rapazes pelas esquinas, num autêntico estilo Velozes e Furiosos. E como se já não bastasse em termos de aventura, os participantes viajam no teto dos danjiri num passeio que só perde para os dos surfistas de trem que eram populares no Brasil nos anos 1980. Adrenalina pura!
Surgido no início do século 18, o festival de Kishiwada é só mais popular entre uma série de eventos com danjiri que rolam na província de Osaka entre setembro e outubro.
Kishiwada Danjiri Matsuri data: meados de setembro, no fim de semana anterior ao feriado de Reverência aos Idosos local: a parada dos danjiri rola entre a estação de Kishiwada e o castelo da cidade [mapa]
Olá! Este mês quero compartilhar com vocês um texto produzido pela nossa equipe. Acredito que as dicas sejam muito relevantes e importantes para quem está interessado em se aventurar nesse ramo. Boa leitura!
Quando você pensa em lançar uma marca no Japão, em primeiro lugar, antes de procurar um profissional de marketing ou design, é essencial ter um público definido. Com o público definido, os profissionais têm mais chance de acertar no trabalho para a criação de marca.
PÚBLICO
Antes de mais nada, ao iniciar um negócio, seja online ou offline, os empreendedores precisam definir o público. Mesmo que seu sonho seja grande, o ideal é começar pequeno. Dessa forma, uma alternativa é iniciar seu negócio para os brasileiros no Japão. Afinal, a comunidade brasileira no Japão é de apenas 211 mil, sendo assim, mais acessível do que os 126 milhões de japoneses.
Mesmo porque, no início do seu negócio, quantas pessoas irá atender por dia? Terá capacidade inicial de atingir milhares de pessoas?
Outro ponto importante para analisar em relação ao público que deseja atender: você conhece bem o seu comportamento?
Enfim, ao responder essas perguntas, talvez fique mais claro quem será seu público inicial e como irá atendê-lo.
PRODUTO
Logo após escolher o público, o próximo passo será definir o produto ou serviço que irá oferecer e quais serão os diferenciais além do preço. É muito importante definir essa parte antes de buscar profissionais para trabalhar no marketing. Os valores que os empreendedores colocam nos produtos ou serviços não vêm de fora, mas sim do coração e da alma dos empreendedores.
Lembra que falamos de atender 211 mil brasileiros ou 126 milhões de japoneses anteriormente? Pois aqui, há a previsão futura de escala na compra, fabricação ou capacidade de atendimento de acordo com o crescimento das vendas. Como irá suportar as dores do crescimento? De onde virá o financiamento para todo o processo?
CANAIS
Por último, antes de buscar profissionais de marketing, você precisará definir seus canais de comunicação e vendas. Com o fácil acesso à internet e a alta capacidade logística mundial, você pode entregar seus produtos e serviços para qualquer parte do mundo. Mas pode também iniciar com uma loja física, que atende apenas o público da região ou online/offline.
Enfim, o ideal neste caso é escolher um canal para iniciar, pois quanto mais canais de vendas e atendimento tiver, mais tempo e esforço será necessário para atender a todos.
CRIAÇÃO DE MARCA
Após decidir seu público, seu produto ou serviço e seus canais de vendas e atendimento, ficará mais claro para os profissionais de marketing e design entenderem seu posicionamento e também como poderão trabalhar seus valores e a percepção desse valor através do público.
Os principais elementos na criação de marca são:
Nome ou “naming”, é o elemento principal da marca. O processo de escolha leva em conta a sua facilidade de lembrança e associação à empresa, ao produto, ao serviço ou projeto. A escolha do nome pode ser familiar ou mercadológica. Ao ressaltar o próprio nome, ou o nome da família, a marca pode carregar muitos valores pessoais e confundir com os valores da empresa. Há casos de sucesso no mercado da moda, mas há poucos nomes familiares no mercado de tecnologia, por exemplo.
Cores, são elementos que marcam a comunicação visual. Existe um estudo psicológico em relação às cores e seus efeitos no uso delas para compor marcas e materiais de comunicação. Nesse caso, nem sempre a cor favorita combina com o público e o tipo de produto a ser oferecido.
Símbolos, são elementos que irão compor a marca, sejam animais, formas ou figuras geométricas. Um exemplo prático para entender os símbolos das marcas é lembrar da garrafa do refrigerante preto e o símbolo dos tênis de atletas olímpicos.
Fontes, ou tipografia, é o tipo de letra que será usado para representar o nome da empresa, do produto ou serviço, na comunicação com o mercado. Ao escrever um texto desses num blog ou num editor de texto no computador, você precisa escolher uma fonte. Não é uma escolha aleatória, cada fonte tem um significado para quem lê.
Logotipo, ou logo, é o conjunto dos elementos acima que formam uma marca. Às vezes, somente com as cores e símbolos, como no caso de um círculo verde numa caneca branca. Quanto mais fácil de lembrar, mais eficiente será seu logotipo.
PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO
Até aqui, você entendeu as decisões e os elementos que precisa escolher para desenvolver sua marca. Porém, a sua marca não é algo estático, sem conexão. Ela precisa contar uma história e passar essa mensagem através dos elementos escolhidos.
Essa história é composta por Visão, Missão e Valores. Sua visão é o que enxerga para sua marca no futuro. A missão é composta pelo propósito e o objetivo. Nesse sentido, os valores são a parte mais importante, pois a marca irá traduzi-los para o mercado que irá ou não os perceber.
O trabalho da J1Seeds na criação de marca envolve todo esse processo. Entender seus valores, alinhar com sua visão e missão para entregar o melhor material visual aos seus clientes e futuros clientes. Fazer com que seu público perceba esses valores em todos os pontos de contato da marca, seja nas redes sociais, em impressos ou locais físicos.
COMO TRABALHAMOS
Ao escolher a J1Seeds para a criação de marca e desenvolvimento, nosso primeiro contato é para entender aonde você quer chegar. O passo seguinte é receber um briefing para desenvolver o trabalho.
Um grande abraço e até a próxima.
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Próxima de Kyoto e Osaka, a província de Wakayama quase não se beneficia dessa localização e, infelizmente, ainda está fora do roteiro da maioria dos estrangeiros que visitam o Japão. Montanhosa, a província sofre, de certo modo, com o difícil acesso às áreas mais interessantes. Ainda assim, nem todos os lugares são isolados. A região do Monte Koya, por exemplo, está numa distância de Osaka que permite até um bate-e-volta. Já as rotas de peregrinação da Península de Kii exigem um pouco mais de esforço, apesar de estarem dentro da área de uso do JR Pass. Neste artigo, vamos falar do sagrado na província de Wakayama e deixar algumas dicas para você conhecer alguns dos mais belos e mais importantes templos e santuários da Terra do Sol Nascente.
Koya, a montanha sagrada
Para muitas pessoas em viagem, a porta de entrada para Wakayama é o Monte Koya, também conhecido pelo seu nome em japonês Koya-san. Porta de entrada talvez seja uma expressão que passe uma ideia errônea sobre a localização do Monte Koya, isolado nas montanhas da província. De qualquer modo, Koya-san é a localidade mais conhecida de Wakayama e é seu principal chamariz turístico.
Considerado um dos mais importantes locais sagrados do Japão, o Monte Koya é o centro da denominação Shingon do budismo. Esta escola chegou no país no século 9, com o retorno do monge Kukai ao Japão. Kukai é uma figura central nas muitas mudanças que ocorreram no cenário do budismo japonês em sua época, que tem início com a saída da corte de Nara.
Considerado um dos mais importantes locais sagrados do Japão, o Monte Koya é o centro da denominação Shingon do budismo.
Nara era um forte centro budista e, por isso, seus monges e escolas tinham muito poder político, o que incomodava o imperador e sua corte. A mudança da corte e, por consequência, do poder político foi só uma das medidas adotadas para esvaziar a força dos monges de Nara. Kanmu, o imperador naquele ano de 803, ordenou uma expedição de estudiosos e diplomatas à China. Era comum este tipo de missão assim que um mandante subia ao trono, mas a realocação da capital, inicialmente para Nagaoka e, depois, para Heian (atual Kyoto) acabou fazendo com que a expedição saísse muitos anos depois de sua ascensão.
Kukai não era um monge conhecido à época mas conseguiu, por meio de influências, fazer parte da expedição. Fluente em chinês, ele teve papel importante quando uma tempestade acabou tirando a frota da rota prevista e dois dos barcos acabaram parando em um local totalmente diferente. Foi uma carta escrita por ele que permitiu o desembarque da tripulação e, com isso, Kukai deu início aos seus estudos no budismo na China. Somente no ano seguinte que o monge encontrou com o respeitado mestre Huiguo. Em seu relato do encontro, Kukai deixa claro que o mestre, já idoso, estava à sua espera e ele foi iniciado imediatamente nos estudos da doutrina. Ele foi o último discípulo de Huiguo. Com a morte do mestre chinês, seus ensinamentos foram desaparecendo na China. Graças a Kukai e à escola Shingon que os conhecimentos de Huiguo se mantiveram vivos.
Retornado ao Japão, Kukai foi ganhando respeito na corte e, depois de anos de serviços distintos, o agora mestre recebeu a autorização para fundar um retiro espiritual no Monte Koya, que foi crescendo ao longo dos anos até se tornar o que conhecemos hoje. Koya abriga mais de uma centena de templos budistas e, com sua atmosfera tranquila no meio da natureza, tem recebido turistas do mundo todo, inclusive estrangeiros em busca de conforto espiritual e tranquilidade.
Dormindo num templo
Uma das experiências mais recomendadas do Monte Koya é o shukubo, o pernoite dentro de um templo budista. Antiga prática para atender peregrinos tornada atração turística, o shukubo é uma pequena janela dentro da rotina de práticas da religião. Após o check-in, os visitantes participam do shakyo, uma espécie de meditação através da cópia de sutras, textos sagrados do budismo. Com uma simplicidade rústica, os quartos de piso de tatami também são uma parte interessante da experiência, assim como dormir no futon, um fino mas aconchegante colchonete. Nas épocas mais frias, aquecedores são usados no ambiente que é bastante básico.
A estadia no templo costuma incluir duas refeições frugais, no estilo adotado pelos monges. É a chance de provar o shojin ryori, a gastronomia monástica, completamente vegana. Iguarias como o gelatinoso kon-nyaku e a nata de soja yuba são servidas junto com legumes e verduras da estação, alguns deles selvagens. Tudo é servido em pequenas porções preparadas e apresentadas com muito esmero.
A estadia no templo costuma incluir duas refeições frugais, no estilo adotado pelos monges.
Os hóspedes podem visitar outros espaços do templo e participar de cerimônias como as orações matutinas que começam, perdão pelo trocadilho, religiosamente às 6 da manhã. Aqui existe a chance de participar do goma, um dos mais importantes rituais do budismo Shingon. Nesta cerimônia, o fogo — que representa o conhecimento infinito de Buda — é usado para queimar pequenas placas alongadas de madeira que representam os nossos desejos que, dentro do budismo, é reconhecido como a raiz do sofrimento humano. Enquanto a fogueira arde, os participantes fazem suas preces para Fudo Myo-o, um deus guerreiro que também é o patrono do fogo e uma das mais importantes divindades do budismo Shingon.
Misticismo e história
Visitar templos e mergulhar na atmosfera sagrada do local é o principal atrativo do Monte Koya. Dois espaços são bem importantes neste sentido: o Okunoin e o Kongobuji. Localizado numa área mais afastada do centro da cidadezinha, o primeiro é o templo dedicado a Kukai, que depois da morte recebeu o nome de Kobo Daishi. De acordo com as crenças budistas, aliás, é ali que o mestre segue em estado de meditação eterna, à espera de Miroku Nyorai, o buda do futuro.
Na crença de que estar perto do mestre pode levar à salvação, um grande número de personalidades importantes e senhores feudais construíram seus mausoléus no local que também é coberto de árvores. Atualmente, existem 200 mil tumbas na área ocupada pelo Okunoin, o que faz do templo, também, o maior cemitério do país. Da entrada principal até o Gobyo, o espaço de eterna meditação do Kobo Daishi, são mais de 2 quilômetros de caminhada, passando por pontes e outros espaços religiosos de extrema importância. Portanto, ao visitar, mantenha o respeito e siga as regras de cada local com relação a fotos, comidas e bebidas.
Um dia comum na rotina do Okunoin.
Já o Kongobuji é o principal monastério da escola Shingon. O hoje considerado salão principal foi construído em 1593 por Toyotomi Hideyoshi — um importante senhor feudal que teve papel essencial na unificação do Japão — em dedicatória à sua mãe que havia morrido. Com o tempo, o salão foi absorvido pelo templo vizinho e ganhou funções religiosas mais altas. Por isso, a visita a ele é um mergulho na história do budismo do século 16 em diante, em especial na arte sacra e na arquitetura.
O Ohiroma, por exemplo, é um imponente salão de reuniões com piso de tatami, cujas portas corrediças são folheadas a ouro e cobertas de pinturas de grous feitas no século 16. Este e outros salões são uma verdadeira aula de história da arte do Japão, com pinturas de épocas que se estendem até o século 20.
A mais recente das obras de arte do Kongobuji é o Banryutei, considerado o maior jardim de pedras do Japão. Criado em 1984, ele é formado por rochas trazidas da ilha de Shikoku, uma das quatro maiores do Japão e local de origem do Kobo Daishi. As rochas representam dragões emergindo de um mar de nuvens.
Uma rota de peregrinação na natureza
As belas montanhas de Wakayama não atraíram somente os seguidores do budismo Shingon. Há mais de mil anos, peregrinos têm construído rotas para visitar templos, santuários e outros espaços sagrados na Península de Kii, que abarca também o território da província vizinha de Mie. Esta rede de rotas recebe o nome de Kumano Kodo, algo como “Antigo Caminho de Kumano” e é tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. A única outra rota de peregrinação com o mesmo status no mundo é o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Cinco são as rotas, partindo de diferentes pontos como o Monte Yoshino, em Nara; o Monte Koya; e o Santuário Ise, em Mie. As trilhas que atravessam a montanha são difíceis, perigosas e exigem preparação prévia. Por isso, a maioria dos turistas escolhe fazer apenas uma parte doelas, como experiência.
Há mais de mil anos, peregrinos têm construído rotas para visitar templos, santuários e outros espaços sagrados na Península de Kii
Três santuários são considerados os principais do Kumano Kodo e eles são chamados em japonês de Kumano Sanzan: o Hongu Taisha, o Hayatama Taisha e o Nachi Taisha. É possível visitar os três em um fim de semana, usando transporte público. No entanto, como os horários — tanto de trem quanto de ônibus — são bem esparsos, o ideal é planejar bem a viagem para ganhar tempo. Entre os santuários existem pequenas cidades que oferecem estalagens, quase sempre os tradicionais ryokan (lê-se com o ‘r’ brando como em ‘carinho’).
A árvore e a pedra
Localizado perto do litoral, o Hayatama Taisha é o ponto de partida para quem chega de trem. Ele fica a cerca de 1,5 quilômetro de distância da estação de Shingu, a maior da região. Fundado no século 12, o santuário foi reconstruído recentemente e é conhecido pela cor vermelha. Além dos salões de devoção, fica no espaço do santuário uma árvore de mais de 800 anos de idade. Para o xintoísmo, uma árvore pode ser a morada de um kami, uma divindade, quase sempre vinculada à natureza.
A origem deste Hayatama Taisha está conectada a uma pedra que fica numa área a menos de 1 quilômetro de distância e hoje é conhecida como Santuário Kamikura. De acordo com a lenda, três kami desceram à Terra nesta rocha que fica no topo de uma colina. Chamada em japonês de Gotobiki-iwa, a rocha sagrada é hoje a base de um pequeno salão de orações. A escadaria íngreme pode ser um desafio para pessoas com problema de mobilidade, mas não é impossível de se fazer, desde que com calma e cuidado.
O Kamikura também é o ponto de partida da procissão do Festival Oto. Na noite do dia 6 de fevereiro, cerca de 2 mil homens amarrados por cordas na cintura, descem a colina com tochas acesas, em oração pela colheita e pela família. Descrito como uma “cachoeira de fogo montanha abaixo”, o festival é tido como um dos mais belos e comoventes do Japão.
Santuário Kamikura, encravado numa rocha.
Entre a natureza e as águas termais
Construído originalmente às margens do meândrico Rio Kumano, o Hongu Taisha, como o seu próprio nome diz em japonês, é o principal dos santuários do Kumano Kodo. Ele é dedicado não somente à sua própria divindade mas, também, à deusa-mãe Amaterasu e às entidades dos outros dois santuários que formam a tríade Kumano Sanzan. Registros apontam para a sua existência no século 9, mas é provável que ele seja bem mais antigo que isso. Com as constantes enchentes causadas pelo rio, o Hongu Taisha se mudou para o alto de uma colina próxima ao seu local de origem, mas um portal de 33 metros de altura, que costuma ser iluminado nos festivais de virada do ano, foi construído para marcar o ponto de fundação do santuário.
Ponto central das rotas que compõem o Kumano Kodo, o Hongu Taisha é um santuário de arquitetura austera mas nem por isso pouco importante. Feito de materiais crus, ele é completamente integrado ao entorno, coberto por árvores. O teto do salão principal é feito de cedro, uma das cinco árvores sagradas do xintoísmo, abundante na região.
No entorno do Hongu Taisha ficam localizadas três estâncias de águas termais que têm sua origem como ponto de parada para os peregrinos do Kumano Kodo. Wataze Onsen é a menor delas e é onde fica o maior banho termal a céu aberto do Japão. Ele fica dentro do ryokan Watarase Onsen é acessível a não-hóspedes.
No inverno, os locais escavam o leito do rio de onde a água termal brota e fazem uma piscina aberta ao público chamada de Sennin-buro.
Já a maior das três estâncias é Kawayu Onsen. São diversos ryokan de estilos e tamanhos diferentes, localizados à margem do Rio Oto. No inverno, os locais escavam o leito do rio de onde a água termal brota e fazem uma piscina aberta ao público chamada de Sennin-buro. O uso é misto e gratuito.
Yunomine Onsen, por sua vez, é conhecida pelo Tsuboyu, incluído no conjunto tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Trata-se de um pequeno banho de águas termais localizado à beira de um córrego e coberto por uma cabana de madeira. O banho era usado pelos peregrinos do passado como forma de purificação e preparo para a chegada ao Santuário Hongu. É possível usar o banho, que é privativo, por 30 minutos e deve ser reservado assim que se chega em Yunomine. Outro banho público, este mais recente, também existe no local.
De Yunomine, parte a perna final, cerca de 3 quilômetros, da rota que leva até o Hongu Taisha. Com algumas partes íngremes, a caminhada pode ser exigente para quem não é habituado a esse tipo de atividade. Ainda assim, não é necessário nenhum equipamento especial para percorrê-la, somente um bom calçado e roupas adequadas. Num ritmo razoável, o caminho até o principal santuário pode levar até 1 hora e meia.
A cachoeira sagrada
Afastado cerca de 50 quilômetros do santuário principal fica o mais impressionante visualmente dos Três Santuários de Kumano, o Nachi Taisha. Não há dúvidas de que a fama se deve a uma cachoeira de 133 metros de altura, considerada a mais alta queda contínua do Japão, que junto com a pagoda do santuário forma a paisagem mais instagramada da província de Wakayama.
Como se deve imaginar, a cachoeira é considerada sagrada e não é somente pelo xintoísmo mas, também, pelo budismo que se espalhou na região no século 9, especialmente por conta da presença da escola Shingon. No Nachi Taisha é possível ver como as duas religiões se amalgamaram de forma profunda em várias partes do Japão. No espaço ocupado pelo santuário fica o Templo Seigantoji.
O festival é uma prova de como a fé e a natureza andam integradas e formam um conjunto de beleza singular nesta que é uma das mais encantadoras províncias do Japão, Wakayama.
Localizado no alto de uma montanha, o Nachi Taisha é o de acesso mais difícil entre os Kumano Sanzan. É possível chegar de ônibus ou de carro até a base do santuário, mas muitos fiéis preferem subir pela belíssima Daimonzaka, uma escadaria de pedra com 267 degraus construída entre cedros, canforeiros e bambus. Num bom ritmo é possível subir a escadaria em 30 minutos.
No dia 14 de julho, o Nachi Tashi recebe o Festival Nachi-no-hi, o terceiro maior festival de fogo do Japão. A procissão sai do santuário e segue até a cachoeira e conta com doze andores do tipo de mikoshi — cada um com 6 metros de altura e decorado com ventoinhas e espelhos — e 12 tochas de mais de 50 quilos cada. O festival é uma prova de como a fé e a natureza andam integradas e formam um conjunto de beleza singular nesta que é uma das mais encantadoras províncias do Japão, Wakayama.
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Que o whisky japonês está entre os melhores do mundo já não é novidade para ninguém. Prêmios internacionais e reconhecimento dos grandes produtores mundiais já nem são mais surpresa para quem acompanha o universo do whisky. Por isso, já é comum que os aficionados por esta bebida escocesa de nascimento queiram conhecer melhor seus polos de produção aqui no Japão. Várias fábricas de whisky realizam passeios guiados, quase sempre em japonês. Porém, a visita pode ser feita de várias outras maneiras, de acordo com a instalação. Na província de Hokkaido, no norte do Japão, fica a mais antiga fábrica de whisky do país. Localizada em Yoichi, numa extensa área ocupada por prédios que fazem a gente acreditar que está na Europa, a pioneira fábrica da Nikka é o local ideal para quem quer conhecer as origens da produção do whisky no Japão.
Assim como a cerveja, o destilado maltado chegou à Terra do Sol Nascente no século 19, junto com a abertura do país para o Ocidente. E não é coincidência que a sua produção tenha começado em Hokkaido. A região mais gelada do país era, na época, uma fronteira de expansão para qual o governo japonês tinha planos de ocupação e desenvolvimento. Sendo assim, havia diversos estímulos para quem desejasse abrir negócios na região. O projeto de colonização juntamente com as condições climáticas favoráveis ofereceram as condições necessárias para negócios que não tinham precedentes no país como a produção de whisky.
Mas não foi rápido que a ideia pegou por aqui. A primeira fábrica de whisky, hoje propriedade da marca Suntory, foi fundada somente em 1924 e na província de Kyoto. Quem participou dessa fundação foi um japonês chamado Taketsuru Masataka que, depois de alguns anos trabalhando na produção de saquê, foi para a Escócia conhecer melhor o whisky e seus segredos. Lá, ele conheceu a escocesa Jessie Roberta “Rita” Cowan e os dois se apaixonaram. Taketsuru voltou para o Japão anos depois, trazendo consigo seu grande amor, Rita, e sua grande paixão, o whisky. Masataka ajudou a atual Suntory a fundar sua destilaria e, depois, partiu para Hokkaido para começar junto de Rita o grande projeto de sua vida, a Nikka. Em 1934, eles fundaram a fábrica de Yoichi e, o que veio depois, virou história!
Tudo isso e mais é contado num aconchegante e muito bem organizado museu que fica no terreno da fábrica. Antes de visitar o museu, no entanto, é preciso participar do passeio guiado pelas instalações (gratuito). No final desse rolê, você pode tomar uma bebidinha na faixa. Quem quiser conhecer mais sobre os whiskies da empresa também pode aproveitar o espaço de degustação que é a entrada para o museu. Além dos rótulos clássicos, opções que só podem ser degustadas, de forma paga, estão disponíveis no local. Mesmo que você esteja meio de pilequinho, dê uma atenção para a exposição que é em japonês e inglês. Vale super a pena conhecer a história de perseverança que resultou no fato de um país sem nenhuma tradição na área se tornar num dos melhores produtores de whisky do mundo.
SERVIÇO
Nikka – Fábrica de Yoichi
endereço: Hokkaido Yoichi-cho Kurokawa-cho 7-6
entrada e tour gratuitos (com possibilidade de degustação paga)
reserva antecipada obrigatória pelo site da fábrica