Daiyuzan: um segredo bem guardado em Kanagawa

Leitura obrigatória

Roberto Maxwell
Roberto Maxwellhttp://www.tokyoaijo.com
Radicado no Japão desde 2005, atua como produtor de conteúdo multimídia e acumula trabalhos como repórter, documentarista, produtor e palestrante. Apaixonado por viagens, dedica-se a percorrer o arquipélago e registrar suas maravilhas e contradições.

A menos de 2 horas de distância de Tóquio fica um dos lugares mais belos e misteriosos da província de Kanagawa. Daiyuzan é o nome mais popular para o Saijoji, um templo budista com mais de seis séculos de história, encravado nas montanhas da desconhecida cidade de Minami-ashigara. De fácil acesso, ainda fica difícil saber porque o local é praticamente desconhecido, mesmo dos habitantes da própria província de Kanagawa e da capital japonesa, sempre ávidos por experiências fora das grandes cidades.

Como acontece com Hakone, a entrada para Daiyuzan é a estação de Odawara, atendida pelas linhas Tokaido do trem-bala Shinkansen e da JR East. Daqui, é preciso embarcar na linha Daiyuzan para uma viagem de cerca de 25 minutos até a estação terminal. Por fim, uma linha de ônibus leva até a entrada do templo Saijoji, onde já se começa a sentir que estamos entrando num lugar especial.

O Saijoji é um templo da escola Soto que é a maior das três escolas da linhagem zen do budismo japonês. O zen tem como representação mais conhecida a meditação sentada, conhecida como zazen. Na escola Soto, essa prática é chamada de shikantaza e se caracteriza pela não existência de cantos ou de âncoras, ou seja, situações ou objetos a serem usados como foco de atenção.

O templo foi fundado por Ryoan Emyo, um dos maiores mestres do zen-budismo Soto. Conta-se que uma águia atacou o mestre, roubando-lhe seu kasaya, o manto usado pelos monges budistas. Ryoan Emyo seguiu a ave e, nas montanhas de Ashigara, encontrou suas vestes no alto de pinheiro. O mestre começou a meditar embaixo da árvore e, algum tempo depois, o kasaya caiu em seu colo, sobre o seu ombro esquerdo. Ele entendeu que era um sinal e iniciou o processo de construção do Saijoji no local, transformando o espaço num monastério, onde ensinou a meditação zen por quase duas décadas antes de falecer aos 75 anos.

O espaço de 1,3 milhão de metros quadrados é quase três vezes maior que a Cidade do Vaticano e é formado por dezenas de construções, de pagodas a capelas, espalhadas pela floresta de cedros e cortada por rios e quedas d’água. Uma rota principal leva do magnífico portão de madeira da entrada do templo até o espaço do monastério, passando por uma bela pagoda e conduzindo montanha acima até o Okunoin, uma capela acima de uma escada de 354 degraus.

Em todas as partes é possível ver diversos animais lendários e figuras folclóricas e religiosas. Nenhuma delas é mais presente que o tengu, uma criatura das montanhas, de nariz comprido e comportamento agitado. Conta a lenda que, quando Ryoan Emyo começou a construir o templo, um de seus discípulos, Douryo, se transformou num tengu e veio ajudá-lo com seus poderes sobrenaturais. Diz-se, também, que o próprio Ryoan se transformou num tengu após a sua morte e protege a mata e a floresta em Daiyuzan.

Outra imagem icônica do templo é o Takageta (lê-se “taká-guetá”), um par de sandálias de madeira gigantes, considerado o maior do Japão. O geta é o calçado usado pelos tengu e diz-se que ele tem poderes mágicos. Quando o par está bem alinhado, pode trazer harmonia ao casal. Por isso há tantos geta ofertados nesta área do templo.

Localizado em meio à natureza, cheio de lendas e história, Daiyuzan é aquilo que os japoneses gostam de chamar de power spot, um local para recarregar as baterias, que vale muito a visita. Só não conta para ninguém, tá?

SERVIÇO

DAIYUZAN
Kanagawa-ken Minami-ashigara-shi Daiyucho 1157
Das 6 às 16 horas.
Entrada franca.

- Publicidade -spot_img

Ver mais

Deixe uma resposta

- Publicidade -spot_img

Artigos recentes