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MIYAZAKI

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DEZ DICAS PARA CURTIR A TERRA DO SOL

Sendo um país insular, o Japão realmente é privilegiado com vistas e paisagens de tirar o fôlego. De norte a sul, o litoral recortado é cheio de atrações especiais para quem curte atividades ao ar livre. Mas não é só isso. O arquipélago montanhoso também é repleto de possibilidades para quem gosta de caminhada, escalada e atividades semelhantes. Tudo isso temperado com uma cultura antiga e rica.

Antigamente conhecida como Hinata, a Terra do Sol, Miyazaki não é diferente. A província, que ocupa o sudeste da ilha de Kyushu, ainda é pouco desbravada pelos turistas estrangeiros. Isso quase sempre quer dizer um turismo mais tranquilo, sem riscos de hordas de gente apenas atrás de um clique para as redes sociais. Nesta edição, o GUIA JP vai te dar 7 dicas para você curtir a província de Miyazaki na paz, na tranquilidade e sem pressa.

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Takachiho

Pode-se dizer que a cidade que fica nas montanhas de Miyazaki é a área turística mais conhecida da província. Também pudera. Takachiho é cortada por um estreito desfiladeiro que serve de leito para o Rio Gokase que, em si, já é uma paisagem épica. Tudo ganha muito mais dimensão quando se sabe que o entorno do desfiladeiro é palco de uma das lendas de origem do Japão. Na parte superior da garganta fica o Lago Onokoro, no centro do qual existe uma rocha considerada pela lenda a primeira ilha do arquipélago japonês. Foi sobre esta rocha que os deuses Izanagi e Izanami se casaram e deram origem à terra e ao povo do Japão. Caminhe pela margem do desfiladeiro para ver uma das paisagens mais belas da região, incluindo uma cachoeira que alimenta o rio. Outra forma de curtir a paisagem e a energia do lugar é fazendo um passeio de bote pelo rio (¥3000/30 minutos).

Em outra área da cidade fica o Santuário Takachiho, um dos mais importantes espaços xintoístas da localidade. Situado no meio de uma floresta de cedros, o santuário com suas construções de madeira se mescla com a paisagem natural no entorno. À noite, o local é palco do Yokagura, uma performance que reencena as lendas de criação do Japão em 33 atos e com instrumentos e figurinos tradicionais. Apresentado todos os sábados entre novembro e março — ou seja, no inverno —, o espetáculo dura toda a noite e pode ser maçante para quem não entende japonês. Ainda assim, os turistas podem ter uma ideia da arte em apresentações diárias de cerca de 1 hora (¥1000), em que quatro atos do espetáculo são apresentados num espaço dentro do santuário. É uma experiência única.

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Santuário Takachiho

Outro local que não pode faltar na sua lista é o Santuário Amanoiwato. De acordo com a lenda, a deusa do sol Amaterasu vivia sofrendo bullying dos seus irmãos. Irritada com a situação, ela se trancou numa caverna e deixou o mundo às escuras. Então, os deuses tiveram que fazer de tudo para convencê-la a sair e devolver a luz ao mundo. Diz-se, então, que o santuário foi criado bem próximo da caverna onde a deusa se isolou. A área, considerada sagrada para os xintoístas, não é acessível aos visitantes, mas é possível vê-la de um pequeno mirante. No entanto, seguindo o leito do rio que passa bem ao lado do santuário, você pode visitar um outro ponto importante, considerado uma zona de energia pelos fiéis, a Caverna Amanoiwasukawara. Na lenda, este é o local onde os deuses se reuniram tentando achar uma solução para o isolamento de Amaterasu. A caverna, com suas pedras e um portal torii, é mágica.

MIYAZAKI
A ilha do amor

Aoshima está localizada em Miyazaki, capital da província, e costuma atrair os visitantes por uma mistura de paisagem natural e fé. Localizada a cerca de 30 minutos de trem do centro da cidade, a pequena ilha é bem próxima do “continente”, acessível por uma ponte que pode ser cruzada a pé. Já na chegada, se a maré estiver baixa, você verá o Oni no Sentaku Ita, algo que pode ser traduzido como “o tanque do oni”, uma criatura folclórica do Japão. Trata-se de uma formação rochosa basáltica no formato de ondas, que lembra um tanque de lavar roupas. No centro da ilha fica o Santuário Aogashima que, dentre outras coisas, é procurado pelos locais que estão em busca de matrimônio. Até o antigo imperador Akihito esteve no local com a consorte, a agora imperatriz-emérita Michiko.

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Cavalos selvagens

O Cabo Toi fica no extremo sul de Miyazaki e é quase uma ode à longuíssima costa da província, banhada pelo Oceano Pacífico. No local, onde fica um farol, havia um forte no período dos samurais. Diz-se que esta é a origem dos cavalos selvagens, os quais recebem os visitantes que chegam na localidade. Animais teriam sido abandonados por lá há cerca de 300 anos, período este em que puderam se adaptar à região e ter seus descendentes continuarem vivendo por lá. Isolada, a área também é o lar de um dos mais espetaculares santuários à beira-mar do Japão. Não espere opulência, no entanto. O espaço sagrado é pequeníssimo e só pode ser visto à distância, já que ele é encravado na encosta de um monte que, por causa dos deslizamentos de pedra, deixou de ser acessível aos visitantes. Conta-se que o local era usado por um monge decidido a se isolar sozinho por ali.

Cavalos selvagens

 

A casa do Pai

Outra paisagem dramática é o costão onde foi construído o Santuário Udo, dedicado a Yamasachihiko, pai de Jinmu, o mítico primeiro imperador do Japão. Conta a lenda que Jinmu teria nascido na caverna onde o santuário está erguido e que pedras em formato de seios o nutriram quando bebê. Por isso, acredita-se que fazer uma prece e beber a água que escorre das rochas do local seja favorável para a gravidez. Casais, em especial os recém-casados, também costumam visitar o santuário e pedir graças e proteção ao matrimônio. A vista do mar no local também parece um milagre e é, sem dúvida, uma das mais belas do Japão.

Santuário Udo

 

Onsen nostálgico

Em termos de águas termais, Miyazaki fica devendo à sua vizinha, a província de Kagoshima. No entanto, na borda entre as duas unidades geográficas fica Kyomachi Onsen, uma estância de águas termais que é considerada a melhor de Miyazaki. A localidade é simples e sua história também não é tão longa. Descoberta no início do século 20, a fonte esguichou num estrondo durante uma escavação. Por isso, o local era chamado de Estância do Trovão. Praticamente todos os estabelecimentos do local permitem a entrada de não hóspedes nos banhos de águas termais. Além disso, três escalda-pés estão espalhados na pequena área da pacata estância. Vários eventos são realizados ao longo do ano na localidade, com destaque à queima de fogos de verão.

Onsen nostálgico

 

Frango

Dados do governo japonês revelam que Miyazaki é a municipalidade japonesa onde mais se come frango no Japão. Vários pratos feitos com a popular carne são reconhecidos como a cara da província. Diz-se que o costume é antigo. Um dos pratos mais conhecidos feitos com frango é o chicken namban, um frango empanado coberto por um molho tártaro. Embora o prato tenha sido criado em meados do século 20, a técnica de fritura por imersão foi herança dos europeus que circulavam em Kyushu no período das Grandes Navegações. Eles eram chamados de bárbaros do sul, namban em japonês, nome que acabou sendo dado a alimentos marinados e fritos por imersão.

Frango

Shochu

Quando se fala de bebida alcoólica, o Japão é conhecido pelo saquê — nihonshu, em japonês — um fermentado feito de arroz. No entanto, o sul do Japão é dominado pelos destilados, o shochu, em que o cereal que não falta na mesa do japonês é apenas um dos ingredientes. Na real, o shochu pode ser feito com batata-doce, trigo sarraceno, açúcar mascavo e até borra de saquê. A técnica de destilação veio de Okinawa, província mais ao sul do país, e se espalhou por Kyushu, incluindo Miyazaki. Com sabores e teor alcoólico mais fortes que o do saquê, o shochu tem ganhado espaço mundo afora nas receitas de coquetelaria. Um dos meios de provar e conhecer melhor a bebida é nos restaurantes e izakayas ou visitar uma fábrica como a Sato, que fica em Nobeoka, e produz um shochu feito com castanha japonesa.

Shochu

 

Texto: Roberto Maxwell 

Por que meditar?

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Talvez você se faça essa pergunta porque, provavelmente, tem ouvido falar bastante sobre meditação atualmente.

De fato, a meditação é uma novidade para nós ocidentais porque a nossa cultura não tem essa prática disponível, nem na tradição familiar ou religiosa, nem nos hábitos e costumes sociais.

Mas a cultura da meditação é muito antiga, temos registros arqueológicos em argila de pessoas meditando em lótus, de 3000 anos antes de Cristo, encontrados na região da Índia. Em lugares como Japão, China, Índia, Nepal, Vietnã e Tailândia, por exemplo, o ato de meditar faz parte da cultura, e é passado de geração a geração pela família e pelas tradições religiosas, especialmente Budismo, Taoísmo e Hinduísmo.

A tradição religiosa ocidental é representada principalmente pelo cristianismo e nesta tradição, o ato de meditar foi perdendo seu espaço ao longo dos anos, embora alguns santos católicos como São Thomas de Aquino, Santo Agostinho e Santa Teresa D’avila, utilizavam a meditação em suas práticas de oração contemplativa.

A descoberta da meditação como forma de encontrar o bem-estar, no entanto, é recente, e estabelece relação direta com a ciência. Há cerca de 35 anos, alguns cientistas resolveram investigar a meditação e se surpreenderam com os resultados satisfatórios que ela apresenta. O médico americano Jon Kabatt Zin é um dos precursores dessas descobertas, quando desenvolveu um protocolo científico com meditação para a redução de stress em pacientes com dor crônica. As revelações favoráveis à meditação apresentadas nesse estudo chamaram a atenção da comunidade científica que, desde então, envolve-se cada vez mais com pesquisas que exploram a atividade meditativa, buscando, sobretudo, atestar seus benefícios para a saúde geral e a melhora da qualidade de vida.

A meditação mais usada no Ocidente é a Meditação Mindfulness, ela tem origem nos fundamentos filosóficos deixados por Buda e sua aplicação não apresenta vinculação religiosa. A prática consiste em permanecer em silêncio durante alguns minutos diários, sem interagir com os pensamentos e direcionando a atenção para um foco, chamado de âncora atencional, para onde dirigimos a atenção toda vez que nos distraímos do momento presente. A âncora atencional pode ser a respiração, o tato, a audição, a visão, enfim, os sentidos que nos ancora no momento presente.

Dentre os principais benefícios de Mindfulness, podemos destacar: a) calma, desenvolvemos a habilidade de estabelecê-la e, a partir dela, regulamos várias funções e emoções; b) controle da ansiedade, tanto para preveni-la, quanto para tratá-la; c) foco, toda a atenção plena treinada durante a prática vai para a vida, melhorando nossa atenção, concentração e memória; d) bem-estar psicológico, porque aprendemos na meditação a regular nossas emoções, tornamo-nos menos impulsivos e ganhamos espaço para escolher a melhor resposta emocional.

Mas o principal benefício da prática de Mindfulness, segundo a ciência, é a lucidez. Costumo brincar que o Buda se iluminou e que nós encontramos a gambiarra da iluminação através da meditação. A lucidez nos permite lidar com os fatos e situações com muito mais clareza, sem esforço, porque ganhamos visão para lidar com qualquer situação.

Como veem, são muitos os benefícios. Aprender a meditar é, portanto, uma prática que todos merecem incorporar em suas vidas.

 

Viviane Giroto

Especialista em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Sciences et Techniques du Corps – ISRP – Paris, France

Ph.D. em Psicologia pela UFRJ

https://vivianegiroto.com.br/

Terapia – Um ato de coragem

Aproveitando o finzinho de Agosto, mês em que comemoramos o dia do Psicólogo (27/08), e o mês de prevenção ao suicídio no decorrer de setembro, resolvi falar hoje sobre a importância da psicologia do ponto de vista do profissional: é comum ouvirmos nossos clientes nas primeiras sessões dizerem que não sabem o que vão falar, ou que tinham medo de buscar um psicólogo com medo de julgamento. E eu vou contar para vocês agora o que eu respondo para eles: É PRECISO TER CORAGEM PARA PROCURAR AJUDA!

Não vai no psicólogo quem tem problemas, pois no fundo, e em diferentes contextos, todos temos problemas; vai para a terapia quem quer resolvê-los, e isso exige CORAGEM! O psicólogo fica orgulhoso com cada pequeno ato de coragem do seu cliente, desde a iniciativa de nos mandar uma mensagem, até ver as mudanças comportamentais que os levaram a buscar a psicologia, incluindo o aumento de autoconhecimento, autoestima, melhora nas suas relações amorosas e sociais, entre tantos outros benefícios.

Este texto, então, tem um único objetivo (que alguns podem achar bem audacioso): desmistificar a figura do psicólogo, tirar de você que está aqui lendo este texto a ideia de que o psicólogo é uma pessoa que não erra, que sabe todas as respostas, que julga, que não sofre… E não sermos essa pessoa considerada “perfeita” é fundamental para a criação de vínculo com os clientes (que pode ser você, por que não?) quando esses tomam a iniciativa de nos procurar.

Por isso, se ao ler esta matéria você ficou curioso(a) para saber como é falar com um psicólogo, ou conhece alguém que esteja precisando, entre em contato com a nossa equipe que eu e os nossos psicólogos ficaremos felizes em presenciar seus atos de coragem de perto!

 

Psicóloga
Yohana Barros Alécio
CRP 08/27803
Psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná
Mestra em Educação pela Universidade Federal do Paraná

Psicóloga do Projeto Sakura.

Projeto Sakura – Atendimento psicológico no Japão

www.projetosakura.com.br

Tokushima

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Entre o mar e a montanha, encante-se com uma das províncias mais desconhecidas do Japão

 

Mesmo os japoneses conhecem pouco de Tokushima. Localizada em Shikoku, a menor das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, a província é sinônimo de isolamento desde tempos imemoriais. Foi para cá que o clã de Taira fugiu depois de ser derrotado nas Guerras Genpei. O isolamento fez com que o Vale de Iya se desenvolvesse num ritmo próprio, cercado de mistérios e crenças locais.

 

Mas não foi só isso. Bem conectada ao continente, a área litorânea de Tokushima foi um importante centro de produção de índigo, um corante azul que se tornou associado ao Japão. Sal, açúcar, tabaco e outros produtos colocaram Awa, o antigo nome da província, no mapa, bem como os festivais do Bon, a celebração dos mortos/ancestrais do Japão, regada a muito saquê. Nos grandiosos festivais, desenvolveu-se o que hoje chamamos de Awa Odori, um bailado em que as mãos se mexem como ondas e os pés vão para frente e para trás.

 

Nesta edição, o GUIA JP te leva para conhecer os mistérios e os recantos da terra do Awa Odori, Tokushima. Embarque com a gente.

 

Tokushima

 

Os redemoinhos

 

Conhecidos em todo o Japão, os redemoinhos de Naruto são a atração turística mais conhecida da província de Tokushima. Banhado pelas águas que circulam entre o Oceano Pacífico e o Mar Interior de Seto, o Estreito de Naruto tem um complexo sistema de correntes marinhas que gera o fenômeno.

 

Por conta da maré, a corrente formada pelas águas que atravessam o pequeno espaço entre a cidade de Naruto e a ilha de Awaji muda de direção ao longo do dia. Além disso, a diferença de profundidade entre o meio do estreito — até 100 metros — e as costas — mais rasas —, faz com que os redemoinhos surjam em profusão e num tamanho grande, alguns com até 20 metros de circunferência.

 

A melhor forma de observar — e experimentar — o fenômeno é pegar um barco na costa de Naruto. Existem dois serviços diferentes que partem do mesmo porto, com custo a partir de ¥1400/pessoa. O melhor horário para ver os redemoinhos vai depender do dia. Por isso, sempre vale a pena checar o site da operadora (uzusio.com) para saber qual o melhor horário de embarque. A previsão é semanal e reservas podem ser feitas pelo próprio site.

 

Tokushima

 

Experiências em fermentação

 

Quem achar que não ficou suficientemente tonto nas águas agitadas da experiência com os redemoinhos, pode tirar o resto do dia para fazer uma visita à Honke Matsuura, a produtora do saquê Narutotai. O sudoeste do Japão não é exatamente uma região conhecida pela produção desta bebida típica japonesa. No entanto, algumas fábricas conseguiram criar reputação na produção de saquês de qualidade. A Honke Matsuura é uma delas.

 

Desde 2011, sob o comando de Matsuura Motoko, uma das poucas mulheres em sua posição na indústria do saquê, a empresa vem encontrando novos caminhos através do mercado internacional. A fábrica aceita visitas, em especial na sua área histórica, onde é possível saber como a produção do saquê era feita no passado. Além disso, quem visita é convidado a provar os saquês da empresa. A entrada é franca mas é preciso fazer reserva.

 

Bem ao lado da Honke Matsuura fica a Fukuju, uma fábrica de shoyu com 180 anos de história. O famoso molho de soja ganhou o mundo na sua forma mais industrial, mas basta provar um shoyu produzido de forma artesanal para sentir a diferença. A Fukuju matura seu produto por, no mínimo, um ano e entrega um molho aromático e saboroso de altíssimo nível.

 

Na fábrica, é possível ver o processo de produção, incluindo os incríveis tonéis de fermentação em madeira, que explicam muito da artesania da produção tradicional do shoyu. A ideia é justamente mostrar ao visitante como um molho tão difundido pode ser extremamente complexo em sabores, dependendo da forma como ele é criado. Depois da visita ao espaço de produção, você pode provar e comparar os produtos da casa e, claro, comprar o seu.

 

Tokushima

 

 

Montanhas inexploradas

 

O Vale de Iya é um dos locais mais remotos do Japão. A área montanhosa e esparsamente habitada é um convite para quem gosta de viagens tranquilas e sem aglomerações. Esculpido por milênios pelo Rio Yoshino, que alterna entre áreas tranquilas e corredeiras caudalosas, excelentes para a prática do rafting.

 

Várias empresas exploram a prática e atendem a cerca de 40 mil visitantes por ano. A GoGo Adventure, por exemplo, oferece planos para o dia inteiro (a partir de ¥9000), meio dia (a partir de ¥7500) e até um Rafting & Forest Course, com aventuras no rio e na floresta (a partir de ¥9600). As empresas oferecem os equipamentos, mas é preciso levar toalha e, claro, a troca de roupas.

 

Quem curte mais a contemplação pode aproveitar as belezas naturais da região, em especial das ravinas de Oboke e Koboke, com seus paredões de pedra que formam o caminho em que o rio de cor esmeralda corta o vale. No outono, a vegetação da região começa a caducar e a mudar de cor, ficando amarela e vermelha, um fenômeno chamado em japonês de koyo. O Vale de Iya é um dos locais mais belos do Japão nesta época do ano.

 

Tokushima

Vale de Iya

 

Mas as atrações mais conhecidas da região são, sem dúvidas, as pontes pênseis feitas de cipó, cuja origem remonta ao século 12, quando o clã de Taira foi derrotado nas Guerras Genpei e se refugiou nas montanhas remotas de Iya. No passado, treze pontes conectavam as duas margens do vale. Apenas três delas chegaram aos dias de hoje.

 

Com 45 metros de extensão, a Iya Kazurabashi é a maior delas. Suspensas a 14 metros de altura, as pontes são reconstruídas a cada três anos, com cabos de aço sob um revestimento de cipó, garantindo a segurança dos visitantes.

 

As duas outras pontes remanescentes formam um complexo chamado Oku-Iya Niju Kazurabashi, algo que pode ser entendido como as Pontes Casadas de Oku-Iya. Localizadas numa área ainda mais remota do vale, elas são menos visitadas que a sua colega mais famosa.

 

Tokushima

 

A maior delas se chama Otto no Hashi, ou Ponte Marido, e tem 44 metros de extensão. Ela fica próxima a uma pequena cachoeira. Uma pequena rota pavimentada conecta esta ponte à outra, menor, chamada Ponte Esposa, cuja extensão é de 22 metros. Outra atração da área é a Ponte dos Macacos Selvagens, uma espécie de teleférico movido a tração humana, usado antigamente para o transporte de pessoas e produtos entre as duas margens do vale.

 

Tokushima

 

 

Uzushio – Barcos Turísticos

Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Naruto-cho Tosadomariura Oge 264-1.
Site: uzusio.com.
Horário: partidas das 9 às 16:20.
Valor: a partir de ¥1400.
https://goo.gl/maps/4ELo2xuZcvyWWL216

 

Fábrica de Saquê Honke Matsuura
Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Oasacho Ikenotani Yanaginomoto 19.
Dia e horário: segunda a sábado, das 9 às 17 horas.
Obs.: a reserva é antecipada.
Entrada franca.
https://goo.gl/maps/H6MGiueQCYGpeSaL8

 

Fábrica de Shoyu Fukuju
Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Oasacho Ikenotani Asa Oishi 8.
Dia e horário: segunda a sábado, das 9 às 17 horas.
Entrada franca.
https://goo.gl/maps/eH75ZJKYcyUSr89k7

 

Texto: Roberto Maxwell

O poder da compaixão

A ciência tem nos evidenciado que o cultivo da compaixão é a chave para o contentamento. As principais descobertas referem-se à ativação de um composto químico no cérebro, ligado à euforia, cada vez que praticamos a compaixão.

Quando você sente compaixão por alguém, imediatamente você recebe o sentimento de compaixão em si mesmo. Diferente do que se imagina, quando agimos em direção a aliviar o sofrimento de alguém, a conexão que se estabelece é a do amor, não da dor.

Isso porque a qualidade da conexão se aprofunda nesta situação, quando nos desgrudamos de nós mesmos e, neste ponto, criamos espaço para a alegria se manifestar. Sempre que ficamos muito felizes ocorre isso, nos esquecemos de nós por um tempo.

O sentido da vida torna-se mais claro e abundante quando agimos com gentileza, porque não há nada mais importante do que nos sentirmos importantes. Por isso a compaixão é muito mais do que dar, ajudar, ela pressupõe um entendimento comum da nossa condição humana, que é o sofrimento e o desejo de encontrar a felicidade.

Centros de pesquisas como o da “Compaixão e altruísmo” da Stanford University, (http://ccare.stanford.edu/), desenvolvem há décadas pesquisas relativas ao papel do altruísmo e da compaixão no desenvolvimento do comportamento humano. O que esta nova ciência tem revelado, é que esses valores compõem a nossa natureza humana, são partes verdadeiras de quem somos.

A compaixão é entendida no contexto de cunho religioso há muito tempo, estando muitas vezes associada a um tipo de bondade não disponível na vida real, como uma pessoa santa, por exemplo. A base moral para viver e agir em um mundo compassivo, contudo, exige firmeza e também luta; quando olhamos para madre Teresa, Martin Luther King e Dalai Lama, não temos a imagem de indivíduos fracos, estes são indivíduos poderosos, profundamente compassivos, mas bem poderosos.

O compromisso para se combater injustiças pressupõe uma base moral interna forte e sustentável, que dá a firmeza e a coragem necessárias para agir compassiva e austeramente ao mesmo tempo, uma base ética. A meditação, como projeto de educação emocional, passa pela ética da compaixão.

 

Viviane Giroto

Especialista em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Sciences et Techniques du Corps – ISRP – Paris, France

Ph.D. em Psicologia pela UFRJ

https://vivianegiroto.com.br/

Violência Psicológica: O que é e como identificar

Recentemente, no dia 01 de julho de 2021, o Plenário do Senado aprovou o PL 741/2021 que trata do projeto de lei que inclui no Código Penal Brasileiro o crime de violência psicológica contra a mulher. A pena atribuída a quem causar dano emocional à mulher será de reclusão de seis meses a dois anos e o pagamento de multa. Mas o que é violência psicológica? E por que a importância de tornar a violência psicológica um crime?

A violência contra a mulher não tem fronteiras e ocorre independentemente de idade, raça, etnia, classe social e religião. A violência psicológica é uma das formas mais comuns de violência contra a mulher e, infelizmente, muita mulheres a vivenciam sem perceber e se dar conta do que está acontecendo. A violência psicológica, muitas vezes, é subestimada por ser velada e silenciosa, mas deixa marcas profundas na autoestima e saúde mental das mulheres, limitando a sua capacidade de autonomia. Existem várias formas e modos de violência psicológica, e compreender quais são e suas consequências para a vítima é um modo de prevenção e alerta para as mulheres, uma vez que a violência psicológica é tão perversa quanto a física e frequentemente é o primeiro passo que levará a outros tipos de violência.

Segundo a lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), a violência psicológica é “entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima, ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento, ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões” por meio de “ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

Apesar de a lei Maria da Penha definir o conceito de violência psicológica, o que já foi um avanço, ela não era considerada crime, por isso da importância desta proposta legislativa – PL 741/2021 – ser aprovada. Pois até hoje, as mulheres encontram dificuldades para registrar a prática de violência psicológica nas delegacias, já que ela não estava prevista no Código Penal. Com a aprovação desta lei, a mulher não precisará exibir marcas no corpo para comprovar que foi vítima de uma violência, pois além da violência física, a violência psicológica também será considerada crime.

Se o seu parceiro ou parceira te humilha, manipula, ofende, menospreza, ridiculariza, tem ciúme excessivo e quer te controlar, você pode estar sendo vítima de violência psicológica. Se ele diz frequentemente que “isso é coisa da sua cabeça” ou “você é doida”, você pode estar sendo vítima de violência psicológica. Baixa autoestima, estresse, ansiedade e depressão são alguns dos efeitos que a violência psicológica provoca nas mulheres.

Muitas vezes não é fácil identificar a violência psicológica e sair de um relacionamento abusivo, por isso, a ajuda de um psicólogo é essencial na identificação e, sobretudo, na superação deste ciclo de violência.

 

Psicóloga
Juliana Fernanda de Barros
CRP 06/11635
Psicóloga do Projeto Sakura desde 2016.

Projeto Sakura – Atendimento psicológico no Japão

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O empreendedorismo brasileiro

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Olá, sou o Embaixador João de Mendonça, Cônsul-Geral do Brasil em Tóquio, e gostaria de falar um pouco sobre empreendedorismo.

O brasileiro é um povo naturalmente empreendedor. O medo de inovar e de se lançar no mercado não faz parte do temperamento de nossos compatriotas. Basta olhar a quantidade significativa de empresas e companhias que surgem todos os anos no Brasil. Digo isso com base em minha experiência profissional na carreira diplomática, na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI – e, mais recentemente, à frente de nosso Consulado-Geral do Brasil em Tóquio.

Na minha atual passagem pelo Japão, tenho visto muitos exemplos de brasileiros que obtiveram sucesso apesar de enfrentarem grandes adversidades, a começar pela língua. Não é novidade para ninguém que o mercado consumidor japonês é caracterizado pela sua alta exigência em termos de qualidade. Justamente por isso, um produto bem aceito pelo consumidor japonês tem grande chance de fazer sucesso em outros países. O caminho inverso, no entanto, não é verdadeiro, ou seja, produtos bem vendidos em outros países muitas vezes não conseguem boa aceitação no Japão.

Algumas características marcam nossos nacionais que aqui foram bem-sucedidos. A primeira que gostaria de destacar é a persistência e a confiança no potencial de seus negócios. Inserir-se em qualquer mercado consumidor leva tempo e, por isso, sujeita o empreendedor às oscilações naturais da economia. Assim, é natural que em algumas fases a empresa prospere mais do que em outros períodos. Daí a importância de se criar um fundo de reserva, capaz de manter o negócio funcionando durante os meses de maior retração das atividades.

A segunda característica presente em todos os empresários bem-sucedidos é a permanente abertura ao novo: tanto em termos relacionados à inovação de seus produtos quanto no que diz respeito à capacitação técnica pessoal. Ao se lançar no mercado, não é raro que o empreendedor perceba não dominar uma série de conhecimentos básicos a respeito dos quais só veio a tomar ciência no dia a dia de seu negócio. Os empresários de sucesso demonstram uma alta capacidade de contínuo aprendizado, buscando sempre familiarizar-se com técnicas, termos, produtos e métodos que, aplicados à sua empresa, farão diferença positiva em favor de sua competitividade.

Ciente de que informação e capacitação são dois lados de uma mesma moeda, em minha gestão do Consulado-Geral em Tóquio tenho buscado fomentar o estudo, o treinamento técnico e o espírito empreendedor de nossos nacionais. Assim, dei início a uma série de mesas-redondas com empresários locais que, a cada edição, conta com empresários grandes e pequenos, estabelecidos e iniciantes, além de incluir mulheres empreendedoras. Ao contar um pouco de suas trajetórias e retirar dúvidas, os empresários participantes inspiram jovens empreendedores aspirantes. Os eventos servem ainda para a troca de experiências e “networking” entre os palestrantes e o público.

Outra inciativa importante é a série de programas em formato de “live”, denominada “Fale com o Cônsul-Geral”. A cada edição do programa, recebo um convidado especial para tratar de temas de interesse da comunidade brasileira. Em mais de uma ocasião, debati com especialistas sobre a questão da capacitação técnica e do aprendizado da língua japonesa, buscando estimular e ressaltar a importância do permanente estudo. Sobre cursos de treinamento técnico, o posto lançou em sua página do Facebook uma lista de diversos cursos gratuitos ou de baixo custo para capacitação profissional. Todos voltados ao público estrangeiro. A iniciativa foi realizada em parceria com a ABC Japan e com o Conselho de Cidadãos de Tóquio e pode ser acessada em https://www.facebook.com/ConsuladoemToquio/photos/a.716090865111091/3995394990513979/

Sei que na atualidade, a crise sanitária global, afetou negativamente as atividades econômicas do Brasil e de outros países. No entanto, ao mesmo tempo em que o contexto atual representa um desafio, pode se transformar em uma oportunidade de negócio caso o empreendedor tenha uma boa ideia, confiança em seu negócio e abertura para novidades. Desejo a todos muito sucesso em suas trajetórias empresariais e coloco nosso Consulado-Geral em Tóquio à disposição para o que puder ajudar nesse sentido.