Tokushima

Leitura obrigatória

Roberto Maxwell
Roberto Maxwellhttp://www.tokyoaijo.com
Radicado no Japão desde 2005, atua como produtor de conteúdo multimídia e acumula trabalhos como repórter, documentarista, produtor e palestrante. Apaixonado por viagens, dedica-se a percorrer o arquipélago e registrar suas maravilhas e contradições.

Entre o mar e a montanha, encante-se com uma das províncias mais desconhecidas do Japão

 

Mesmo os japoneses conhecem pouco de Tokushima. Localizada em Shikoku, a menor das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, a província é sinônimo de isolamento desde tempos imemoriais. Foi para cá que o clã de Taira fugiu depois de ser derrotado nas Guerras Genpei. O isolamento fez com que o Vale de Iya se desenvolvesse num ritmo próprio, cercado de mistérios e crenças locais.

 

Mas não foi só isso. Bem conectada ao continente, a área litorânea de Tokushima foi um importante centro de produção de índigo, um corante azul que se tornou associado ao Japão. Sal, açúcar, tabaco e outros produtos colocaram Awa, o antigo nome da província, no mapa, bem como os festivais do Bon, a celebração dos mortos/ancestrais do Japão, regada a muito saquê. Nos grandiosos festivais, desenvolveu-se o que hoje chamamos de Awa Odori, um bailado em que as mãos se mexem como ondas e os pés vão para frente e para trás.

 

Nesta edição, o GUIA JP te leva para conhecer os mistérios e os recantos da terra do Awa Odori, Tokushima. Embarque com a gente.

 

Tokushima

 

Os redemoinhos

 

Conhecidos em todo o Japão, os redemoinhos de Naruto são a atração turística mais conhecida da província de Tokushima. Banhado pelas águas que circulam entre o Oceano Pacífico e o Mar Interior de Seto, o Estreito de Naruto tem um complexo sistema de correntes marinhas que gera o fenômeno.

 

Por conta da maré, a corrente formada pelas águas que atravessam o pequeno espaço entre a cidade de Naruto e a ilha de Awaji muda de direção ao longo do dia. Além disso, a diferença de profundidade entre o meio do estreito — até 100 metros — e as costas — mais rasas —, faz com que os redemoinhos surjam em profusão e num tamanho grande, alguns com até 20 metros de circunferência.

 

A melhor forma de observar — e experimentar — o fenômeno é pegar um barco na costa de Naruto. Existem dois serviços diferentes que partem do mesmo porto, com custo a partir de ¥1400/pessoa. O melhor horário para ver os redemoinhos vai depender do dia. Por isso, sempre vale a pena checar o site da operadora (uzusio.com) para saber qual o melhor horário de embarque. A previsão é semanal e reservas podem ser feitas pelo próprio site.

 

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Experiências em fermentação

 

Quem achar que não ficou suficientemente tonto nas águas agitadas da experiência com os redemoinhos, pode tirar o resto do dia para fazer uma visita à Honke Matsuura, a produtora do saquê Narutotai. O sudoeste do Japão não é exatamente uma região conhecida pela produção desta bebida típica japonesa. No entanto, algumas fábricas conseguiram criar reputação na produção de saquês de qualidade. A Honke Matsuura é uma delas.

 

Desde 2011, sob o comando de Matsuura Motoko, uma das poucas mulheres em sua posição na indústria do saquê, a empresa vem encontrando novos caminhos através do mercado internacional. A fábrica aceita visitas, em especial na sua área histórica, onde é possível saber como a produção do saquê era feita no passado. Além disso, quem visita é convidado a provar os saquês da empresa. A entrada é franca mas é preciso fazer reserva.

 

Bem ao lado da Honke Matsuura fica a Fukuju, uma fábrica de shoyu com 180 anos de história. O famoso molho de soja ganhou o mundo na sua forma mais industrial, mas basta provar um shoyu produzido de forma artesanal para sentir a diferença. A Fukuju matura seu produto por, no mínimo, um ano e entrega um molho aromático e saboroso de altíssimo nível.

 

Na fábrica, é possível ver o processo de produção, incluindo os incríveis tonéis de fermentação em madeira, que explicam muito da artesania da produção tradicional do shoyu. A ideia é justamente mostrar ao visitante como um molho tão difundido pode ser extremamente complexo em sabores, dependendo da forma como ele é criado. Depois da visita ao espaço de produção, você pode provar e comparar os produtos da casa e, claro, comprar o seu.

 

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Montanhas inexploradas

 

O Vale de Iya é um dos locais mais remotos do Japão. A área montanhosa e esparsamente habitada é um convite para quem gosta de viagens tranquilas e sem aglomerações. Esculpido por milênios pelo Rio Yoshino, que alterna entre áreas tranquilas e corredeiras caudalosas, excelentes para a prática do rafting.

 

Várias empresas exploram a prática e atendem a cerca de 40 mil visitantes por ano. A GoGo Adventure, por exemplo, oferece planos para o dia inteiro (a partir de ¥9000), meio dia (a partir de ¥7500) e até um Rafting & Forest Course, com aventuras no rio e na floresta (a partir de ¥9600). As empresas oferecem os equipamentos, mas é preciso levar toalha e, claro, a troca de roupas.

 

Quem curte mais a contemplação pode aproveitar as belezas naturais da região, em especial das ravinas de Oboke e Koboke, com seus paredões de pedra que formam o caminho em que o rio de cor esmeralda corta o vale. No outono, a vegetação da região começa a caducar e a mudar de cor, ficando amarela e vermelha, um fenômeno chamado em japonês de koyo. O Vale de Iya é um dos locais mais belos do Japão nesta época do ano.

 

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Vale de Iya

 

Mas as atrações mais conhecidas da região são, sem dúvidas, as pontes pênseis feitas de cipó, cuja origem remonta ao século 12, quando o clã de Taira foi derrotado nas Guerras Genpei e se refugiou nas montanhas remotas de Iya. No passado, treze pontes conectavam as duas margens do vale. Apenas três delas chegaram aos dias de hoje.

 

Com 45 metros de extensão, a Iya Kazurabashi é a maior delas. Suspensas a 14 metros de altura, as pontes são reconstruídas a cada três anos, com cabos de aço sob um revestimento de cipó, garantindo a segurança dos visitantes.

 

As duas outras pontes remanescentes formam um complexo chamado Oku-Iya Niju Kazurabashi, algo que pode ser entendido como as Pontes Casadas de Oku-Iya. Localizadas numa área ainda mais remota do vale, elas são menos visitadas que a sua colega mais famosa.

 

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A maior delas se chama Otto no Hashi, ou Ponte Marido, e tem 44 metros de extensão. Ela fica próxima a uma pequena cachoeira. Uma pequena rota pavimentada conecta esta ponte à outra, menor, chamada Ponte Esposa, cuja extensão é de 22 metros. Outra atração da área é a Ponte dos Macacos Selvagens, uma espécie de teleférico movido a tração humana, usado antigamente para o transporte de pessoas e produtos entre as duas margens do vale.

 

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Uzushio – Barcos Turísticos

Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Naruto-cho Tosadomariura Oge 264-1.
Site: uzusio.com.
Horário: partidas das 9 às 16:20.
Valor: a partir de ¥1400.
https://goo.gl/maps/4ELo2xuZcvyWWL216

 

Fábrica de Saquê Honke Matsuura
Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Oasacho Ikenotani Yanaginomoto 19.
Dia e horário: segunda a sábado, das 9 às 17 horas.
Obs.: a reserva é antecipada.
Entrada franca.
https://goo.gl/maps/H6MGiueQCYGpeSaL8

 

Fábrica de Shoyu Fukuju
Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Oasacho Ikenotani Asa Oishi 8.
Dia e horário: segunda a sábado, das 9 às 17 horas.
Entrada franca.
https://goo.gl/maps/eH75ZJKYcyUSr89k7

 

Texto: Roberto Maxwell

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