Home Viagem MIYAZAKI

MIYAZAKI

0
MIYAZAKI

DEZ DICAS PARA CURTIR A TERRA DO SOL

Sendo um país insular, o Japão realmente é privilegiado com vistas e paisagens de tirar o fôlego. De norte a sul, o litoral recortado é cheio de atrações especiais para quem curte atividades ao ar livre. Mas não é só isso. O arquipélago montanhoso também é repleto de possibilidades para quem gosta de caminhada, escalada e atividades semelhantes. Tudo isso temperado com uma cultura antiga e rica.

Antigamente conhecida como Hinata, a Terra do Sol, Miyazaki não é diferente. A província, que ocupa o sudeste da ilha de Kyushu, ainda é pouco desbravada pelos turistas estrangeiros. Isso quase sempre quer dizer um turismo mais tranquilo, sem riscos de hordas de gente apenas atrás de um clique para as redes sociais. Nesta edição, o GUIA JP vai te dar 7 dicas para você curtir a província de Miyazaki na paz, na tranquilidade e sem pressa.

 

Takachiho

Pode-se dizer que a cidade que fica nas montanhas de Miyazaki é a área turística mais conhecida da província. Também pudera. Takachiho é cortada por um estreito desfiladeiro que serve de leito para o Rio Gokase que, em si, já é uma paisagem épica. Tudo ganha muito mais dimensão quando se sabe que o entorno do desfiladeiro é palco de uma das lendas de origem do Japão. Na parte superior da garganta fica o Lago Onokoro, no centro do qual existe uma rocha considerada pela lenda a primeira ilha do arquipélago japonês. Foi sobre esta rocha que os deuses Izanagi e Izanami se casaram e deram origem à terra e ao povo do Japão. Caminhe pela margem do desfiladeiro para ver uma das paisagens mais belas da região, incluindo uma cachoeira que alimenta o rio. Outra forma de curtir a paisagem e a energia do lugar é fazendo um passeio de bote pelo rio (¥3000/30 minutos).

Em outra área da cidade fica o Santuário Takachiho, um dos mais importantes espaços xintoístas da localidade. Situado no meio de uma floresta de cedros, o santuário com suas construções de madeira se mescla com a paisagem natural no entorno. À noite, o local é palco do Yokagura, uma performance que reencena as lendas de criação do Japão em 33 atos e com instrumentos e figurinos tradicionais. Apresentado todos os sábados entre novembro e março — ou seja, no inverno —, o espetáculo dura toda a noite e pode ser maçante para quem não entende japonês. Ainda assim, os turistas podem ter uma ideia da arte em apresentações diárias de cerca de 1 hora (¥1000), em que quatro atos do espetáculo são apresentados num espaço dentro do santuário. É uma experiência única.

Santuário Takachiho

Outro local que não pode faltar na sua lista é o Santuário Amanoiwato. De acordo com a lenda, a deusa do sol Amaterasu vivia sofrendo bullying dos seus irmãos. Irritada com a situação, ela se trancou numa caverna e deixou o mundo às escuras. Então, os deuses tiveram que fazer de tudo para convencê-la a sair e devolver a luz ao mundo. Diz-se, então, que o santuário foi criado bem próximo da caverna onde a deusa se isolou. A área, considerada sagrada para os xintoístas, não é acessível aos visitantes, mas é possível vê-la de um pequeno mirante. No entanto, seguindo o leito do rio que passa bem ao lado do santuário, você pode visitar um outro ponto importante, considerado uma zona de energia pelos fiéis, a Caverna Amanoiwasukawara. Na lenda, este é o local onde os deuses se reuniram tentando achar uma solução para o isolamento de Amaterasu. A caverna, com suas pedras e um portal torii, é mágica.

A ilha do amor

Aoshima está localizada em Miyazaki, capital da província, e costuma atrair os visitantes por uma mistura de paisagem natural e fé. Localizada a cerca de 30 minutos de trem do centro da cidade, a pequena ilha é bem próxima do “continente”, acessível por uma ponte que pode ser cruzada a pé. Já na chegada, se a maré estiver baixa, você verá o Oni no Sentaku Ita, algo que pode ser traduzido como “o tanque do oni”, uma criatura folclórica do Japão. Trata-se de uma formação rochosa basáltica no formato de ondas, que lembra um tanque de lavar roupas. No centro da ilha fica o Santuário Aogashima que, dentre outras coisas, é procurado pelos locais que estão em busca de matrimônio. Até o antigo imperador Akihito esteve no local com a consorte, a agora imperatriz-emérita Michiko.

Cavalos selvagens

O Cabo Toi fica no extremo sul de Miyazaki e é quase uma ode à longuíssima costa da província, banhada pelo Oceano Pacífico. No local, onde fica um farol, havia um forte no período dos samurais. Diz-se que esta é a origem dos cavalos selvagens, os quais recebem os visitantes que chegam na localidade. Animais teriam sido abandonados por lá há cerca de 300 anos, período este em que puderam se adaptar à região e ter seus descendentes continuarem vivendo por lá. Isolada, a área também é o lar de um dos mais espetaculares santuários à beira-mar do Japão. Não espere opulência, no entanto. O espaço sagrado é pequeníssimo e só pode ser visto à distância, já que ele é encravado na encosta de um monte que, por causa dos deslizamentos de pedra, deixou de ser acessível aos visitantes. Conta-se que o local era usado por um monge decidido a se isolar sozinho por ali.

 

A casa do Pai

Outra paisagem dramática é o costão onde foi construído o Santuário Udo, dedicado a Yamasachihiko, pai de Jinmu, o mítico primeiro imperador do Japão. Conta a lenda que Jinmu teria nascido na caverna onde o santuário está erguido e que pedras em formato de seios o nutriram quando bebê. Por isso, acredita-se que fazer uma prece e beber a água que escorre das rochas do local seja favorável para a gravidez. Casais, em especial os recém-casados, também costumam visitar o santuário e pedir graças e proteção ao matrimônio. A vista do mar no local também parece um milagre e é, sem dúvida, uma das mais belas do Japão.

 

Onsen nostálgico

Em termos de águas termais, Miyazaki fica devendo à sua vizinha, a província de Kagoshima. No entanto, na borda entre as duas unidades geográficas fica Kyomachi Onsen, uma estância de águas termais que é considerada a melhor de Miyazaki. A localidade é simples e sua história também não é tão longa. Descoberta no início do século 20, a fonte esguichou num estrondo durante uma escavação. Por isso, o local era chamado de Estância do Trovão. Praticamente todos os estabelecimentos do local permitem a entrada de não hóspedes nos banhos de águas termais. Além disso, três escalda-pés estão espalhados na pequena área da pacata estância. Vários eventos são realizados ao longo do ano na localidade, com destaque à queima de fogos de verão.

 

Frango

Dados do governo japonês revelam que Miyazaki é a municipalidade japonesa onde mais se come frango no Japão. Vários pratos feitos com a popular carne são reconhecidos como a cara da província. Diz-se que o costume é antigo. Um dos pratos mais conhecidos feitos com frango é o chicken namban, um frango empanado coberto por um molho tártaro. Embora o prato tenha sido criado em meados do século 20, a técnica de fritura por imersão foi herança dos europeus que circulavam em Kyushu no período das Grandes Navegações. Eles eram chamados de bárbaros do sul, namban em japonês, nome que acabou sendo dado a alimentos marinados e fritos por imersão.

Shochu

Quando se fala de bebida alcoólica, o Japão é conhecido pelo saquê — nihonshu, em japonês — um fermentado feito de arroz. No entanto, o sul do Japão é dominado pelos destilados, o shochu, em que o cereal que não falta na mesa do japonês é apenas um dos ingredientes. Na real, o shochu pode ser feito com batata-doce, trigo sarraceno, açúcar mascavo e até borra de saquê. A técnica de destilação veio de Okinawa, província mais ao sul do país, e se espalhou por Kyushu, incluindo Miyazaki. Com sabores e teor alcoólico mais fortes que o do saquê, o shochu tem ganhado espaço mundo afora nas receitas de coquetelaria. Um dos meios de provar e conhecer melhor a bebida é nos restaurantes e izakayas ou visitar uma fábrica como a Sato, que fica em Nobeoka, e produz um shochu feito com castanha japonesa.

 

Texto: Roberto Maxwell 

Não há comentários

Deixe uma respostaCancelar resposta

Sair da versão mobile