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Saber dizer não

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Alguma vez você já se viu fazendo algo contra sua vontade por “não saber” dizer não? Já mentiu para as pessoas com quem se relaciona, como inventar compromissos ou desculpas, toda vez que não queria fazer algo que era solicitado, com receio de magoar o outro, ou por medo do que o outro pudesse pensar a seu respeito? Já deixou de dizer não, a fim de agradar os outros, deixando de lado seus compromissos? Saiba que esse comportamento pode ser prejudicial e até levar a questões psicossomáticas.

É uma característica do ser humano o desejo de se sentir aceito e de evitar situações em que possa ser rejeitado. Por isso, o receio de frustrar as expectativas de alguém é, em certa medida, natural, contudo existe um limite entre se doar e o completo se anular, dizendo “sim” para tudo. São várias as possíveis origens desse comportamento, uma delas é a autoestima baixa e a história de vida, algumas pessoas ficam presas ao rótulo de boazinhas, de maneira que ao falar “não”, acabam se vendo em situação de constrangimento, pois aquela resposta não era esperada. Dizer sim para o outro, quando essa resposta não está de acordo com o que quer, é dizer não para os próprios desejos, o que pode levar a uma angústia, ansiedade, se desdobrando em diversos problemas de saúde física, mental e emocional.

Perceber que tem esse hábito é o primeiro passo, buscar entender o que te leva a dizer sim, analisar e trabalhar emocionalmente tal questão, torna a mudança de atitude mais consciente e duradoura. Também é importante compreender que você é o protagonista da própria vida e tem direito de falar não, e isso pode não ser tão catastrófico quanto a sua fantasia (a respeito do que o outro vai pensar/sentir). Aprender a colocar limites saudáveis e dizer “não” quando realmente quer, descobrir quais sentimentos positivos o “não” pode também trazer ajuda. É possível começar com pequenas ações no cotidiano, com pessoas que tenha mais facilidade em dizer não, sem se sentir desconfortável, e assim ir ganhando mais segurança para dizer não em situações maiores. Isso o tornará uma pessoa mais sincera consigo mesma, consequentemente trazendo mais estabilidade emocional.

Vanessa Lima é psicóloga (CRP 08/27797) graduada pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), tem pós-graduação em Gestalt Terapia pelo Instituto Gestalt de Curitiba.

A ocasião faz o profissional

Entramos no penúltimo mês do ano e em um momento que, ao que tudo indica, a vida começa a voltar à normalidade. Começamos a traçar nossas perspectivas e objetivos para 2022 cheios de esperança e munidos da grande experiência que os dois últimos anos nos proporcionou.

Nossos jovens, em especial os que estão terminando o ensino médio, anseiam por suas cerimônias de formatura ao mesmo tempo em que sentem-se inseguros sobre os passos que darão daqui para frente. Seja seguindo os passos de seus pais ou trilhando um caminho totalmente novo, esse é o momento de planejar antes de decidir.

Aliás, “planejamento” foi a palavra chave da 5ª Feira de Educação que realizamos no último dia 7 de outubro. Praticamente todos os convidados a interagirem com os estudantes das escolas brasileiras situadas em nossa jurisdição frisaram a importância do planejamento para continuar os estudos. E temos que concordar que o planejamento é fundamental também para a formação da poupança familiar, para o sucesso de empreendimentos, para a solidificação da carreira profissional e até mesmo para adquirirmos bens com segurança financeira.

Por isso, gostaria de destacar a importância do planejamento de investimento em educação superior e profissionalizante por parte de nossos jovens e de seus responsáveis. Ao organizar a Feira, percebemos o grande interesse de universidades e outras instituições educacionais em ter os estudantes brasileiros como seus futuros alunos. Essa demanda vem acompanhada de vagas direcionadas a esses estudantes, bem como de exames de admissão diferenciados e facilitados. É fato que essas instituições, em sua maioria particulares, visam lucro com novos alunos. Uma matéria, que tem como fonte a Kyodo News e que foi repercutida em diversas mídias japonesas no final de setembro, relatou que novas matrículas em cursos de quatro anos em 46,4% das universidades privadas japonesas foram menores do que a quantidade de vagas oferecidas. A diminuição populacional e a impossibilidade de ingresso de estudantes intercambistas vindos do exterior são atribuídas na matéria como prováveis causas para a queda nos números.

Considerando que momentos de crise são transformados em oportunidade por visionários, essa, talvez, represente a ocasião ideal para os estudantes brasileiros no Japão se capacitarem nas modalidades técnicas e/ou universitárias a fim de garantir o ingresso no mercado de trabalho formal em um futuro próximo.

Sabemos da seriedade do problema que o declínio da taxa de natalidade causa à sociedade japonesa. Há mais de uma década que o país vem sofrendo com a diminuição de sua população. Com isso, o mercado de trabalho sofre com a falta de mão de obra em todos os setores e, portanto, além dos trabalhos braçais, cada vez mais o Japão necessitará de profissionais especializados em todas as áreas. Nossos jovens têm todas as condições para ocupar essas vagas de agora em diante.

Aproveitar a oportunidade que está a nossa frente, planejar o investimento em educação e traçar objetivos claros podem ser o caminho para a realização dos sonhos de nossos estudantes e a chance de a comunidade brasileira atingir um patamar de prestígio dentro da sociedade japonesa, assim como aconteceu com os imigrantes japoneses no Brasil.

 

João de Mendonça Lima Neto

Cônsul-Geral do Brasil em Tóquio.

Assumiu o Consulado-Geral do Brasil em Tóquio em fevereiro de 2018.

Graduou-se em filosofia e economia pela Universidade de Sofia nos anos 70 e serviu como diplomata na Embaixada em Tóquio nos anos 90.

Como Embaixador, serviu em Hanoi e Abu Dhabi e como diplomata em Paris, Assunção, Londres e Xangai.

Seu hobby é fotografia.

Publicou vários livros e textos.

Você sabia? Tóquio tem uma das maiores redes de rodovias expressas do mundo

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Quase 14 milhões de pessoas vivem na província metropolitana de Tóquio (東京都/Tōkyō-to, em japonês). Se incluirmos aí a Região Metropolitana, ou seja, a área urbana contígua diretamente no entorno de Tóquio, o número de residentes chega a mais de 37 milhões. É a maior zona urbanizada do planeta! Dá para imaginar, então, que um dos maiores desafios dessa megalópole seja a mobilidade.

Você sabia? Tóquio tem uma das maiores redes de rodovias expressas do mundo

Entre as coisas que mais surpreendem quem visita a capital japonesa, além da rede de transporte público, são os engarrafamentos. Ou melhor, a quase inexistência deles. A metrópole criou um sistema viário eficiente, jogando a circulação pesada de veículos para vias elevadas (ou subterrâneas) chamadas de kô-soku dôro (高速道路). São autoestradas expressas e pedagiadas, usadas principalmente por veículos a serviço, mas acessíveis para automóveis e motocicletas particulares.

 

Na região mais central de Tóquio, foram criados anéis rodoviários expressos interconectados que ligam os diversos bairros. Esse sistema é chamado de Shutoko (首都高), uma abreviação da expressão em japonês para Vias Expressas Metropolitanas da Capital. São mais 300 km de estradas, na maior parte elevadas, com algumas seções subterrâneas. A Shutoko tem limites de velocidade entre 50 e 80 km e o preço do pedágio varia de acordo com a distância percorrida e o tamanho do veículo. Os preços são considerados relativamente elevados para pessoas físicas mas a possibilidade de circular rapidamente entre uma parte e outra da metrópole atende bem aos interesses das empresas, já que as rotas são conectadas também com as rodovias nacionais que ligam o país de norte a sul.

 

Você sabia? Tóquio tem uma das maiores redes de rodovias expressas do mundo

 

Apesar da praticidade, as vias expressas de Tóquio foram pensadas numa época em que a concepção de espaço urbano tinha um outro olhar sobre os carros. Assim, os anéis rodoviários foram construídos de uma forma que pouco consideravam o espaço das pessoas. Um exemplo de como a problemática é percebida nos dias de hoje é o caso da Ponte Nihonbashi, um marco histórico da capital japonesa. É desta ponte que se contam as distâncias de Tóquio com relação a todos os demais locais do Japão.

 

Você sabia?

Construída inicialmente no século 17, a Nihonbashi cruza um dos muitos canais existentes na área mais central de Tóquio e fica numa região que se desenvolveu através da presença de artesãos e comerciantes, que migraram em massa para a então nova cidade de Edo, transformada do dia para a noite no centro militar do Japão. Dinâmica, a área foi crescendo e se transformando junto com o país e, atualmente, é uma região com prédios inspirados no neoclassicismo europeu e novas construções de arquitetura imponente, mas elegante. A ponte também teve várias formas ao longo do tempo. A atual é feita de pedra, em dois arcos. Mas pouca gente consegue notá-la. Como as vias expressas aproveitaram os espaços dos canais para evitar custos de remoção, um dos viadutos foi construído exatamente em cima da ponte, decretando sua quase invisibilidade. Projetos para a remoção do elevado já foram pensados mas esbarram num problema: custos.

 

Uma solução que vem sendo aplicadas nas vias mais recentes é a construção abaixo do nível do solo. Tem funcionado, em termos de impacto no ambiente social. No entanto, a longo prazo, a ideia mais realista é mesmo focar na diminuição da frota de veículos, investindo, principalmente, na reestruturação do espaço urbano para que os deslocamentos sejam reduzidos ao mínimo possível.

NARA – Patrimônios da Humanidade

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Repleta de natureza e história, a província que viu o nascer do Japão que conhecemos hoje

 

Quando se fala da história da Terra do Sol Nascente, Kyoto é a primeira grande referência. Não tinha como ser diferente já que a cidade foi capital do país por mais de mil anos. Mas nada do que admiramos em Kyoto existiria da forma que existe se não houvesse Nara. Distante cerca de uma hora da antiga capital milenar e da Osaka dos mercadores, Nara foi o primeiro lugar onde o budismo formou raízes. E elas foram tão profundas que estão lá até os dias de hoje. Não é à toa que a província tem duas regiões tombadas pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, na capital Nara e nas montanhas de Yoshino. Nesta edição, o GUIA JP vai te levar para conhecer esses lugares. Vem com a gente!

NARA - Patrimônios da Humanidade

 

A primeira capital permanente do Japão

O período foi curto, apenas 74 anos, a começar de 710. Mas a cidade de Nara, capital da província, é tida como a primeira capital “permanente” do Japão. Em outras palavras, Heijo — como a cidade era chamada — foi escolhida e se desenvolveu com a intenção de encerrar um ciclo histórico em que cada imperador que subia ao trono escolhia uma localidade para ser a capital do país.

Era a época que o budismo começava a se firmar no Japão, trazido da China por estudiosos de ambos os países. Nara se tornou um dos mais importantes polos da nova religião na Terra do Sol Nascente. Acontece que os monastérios cresceram demais e se tornaram poderosos a ponto de incomodar o monarca. Foi quando a corte decidiu sair de Nara e se mudar, inicialmente, para Nagaoka e, depois, para Kyoto, de onde reinou por mil anos.

Nara perdeu o poder político, mas a importância religiosa continuou e é visível até os dias de hoje. Templos e santuários são os principais pontos turísticos de Nara. O Todaiji é o mais conhecido deles. Em seu entorno fica o Parque Nara, o Santuário Kasuga, o Museu Nacional de Nara, dentre outros pontos interessantes da antiga capital.experiência única.

NARA - Patrimônios da Humanidade

Nara – Todaiji

Construído no ano de 752, o Todaiji foi mais do que um templo. Em sua época de ouro, ele era considerado o equivalente a uma faculdade. Aspirantes vinham de todos os lugares do país para estudar no Todaiji. O complexo era tão grande — e poderoso — que, pode-se dizer, foi a principal causa da saída da corte de Nara. Os prédios remanescentes não representam, nem de longe, a real extensão do Todaiji nos seus primeiros séculos de existência.

Com pouco mais de 25 metros de altura, o Nandaimon — algo como “grande portal sul” — é a entrada na área do templo a partir do Parque Nara. A construção de madeira foi inaugurada em 1203. Dois guardiães de madeira também fazem parte da obra. As estátuas representam os Nio, divindades guerreiras. Toda a construção é tombada como Tesouro Nacional do Japão.

O Daibutsuden, o prédio principal, é a maior construção de madeira do mundo. Ainda assim, sua área construída atual de 2878 m², datada da virada do século 17 para o 18, é apenas ⅔ do tamanho original. A construção impressiona já de fora. Mesmo a uma certa distância é difícil enquadrá-la na lente do telefone celular. Mas é dentro que se pode perceber sua dimensão, em especial a altura (48 metros). O espaço abriga uma das maiores estátuas de bronze de buda do Japão — o “Daibutsu” do nome quer dizer “Grande Buda”. A imagem de 15 metros de altura representa Vairocana, que fica no centro na mandala dos Cinco Budas da Meditação. A posição das mãos da estátua significa “não tenha medo”.

O salão é cheio de outras estátuas de diversas épocas, além de uma maquete em que é possível entender a extensão do templo em sua época dourada. Outro ponto de destaque é um dos pilares do templo que tem um buraco do tamanho da narina da estátua. A longa fila no local se explica pela crença de que, ao passar pelo buraco, o indivíduo ganha a Iluminação na próxima vida. A ver.

NARA - Patrimônios da Humanidade
A casa dos cervos

Símbolos de Nara, os cervos selvagens que circulam pela cidade também são considerados Tesouro Nacional. Atualmente, cerca de 1200 animais vivem no Parque Nara e arredores. A localidade é considerada a casa dos cervos por mais de 1300 anos. Adorados como mensageiros dos deuses, os ruminantes são protegidos por lei há séculos. Até 1637, era crime passível de pena capital matar um deles.

Em duas ocasiões, os animais quase desapareceram do parque. No século 19, com a Restauração Meiji, eles foram considerados indesejáveis. Registros mostram que, no ano de 1873, o rebanho chegou a apenas 38 cabeças. Após a Segunda Guerra Mundial, como resultado da caça ilegal, o número de veados no parque também foi a menos de 100.

Apesar de viver em proximidade com os humanos, os cervos de Nara são animais selvagens. Os visitantes são encorajados a oferecer aos animais as bolachas vendidas no local. (Elas são preparadas especialmente para eles, portanto são alimentos seguros.) Porém, é preciso cuidado. Seja cortês com o animal. Brincadeiras como oferecer e tirar o lanchinho costumam irritá-los. Evite carregar as bolachas no bolso. O faro dos cervos é bom e eles costumam ir atrás de quem esconde a ração. Além disso, não deixe as crianças sozinhas com os animais, nem as force brincar com eles.

Mas os veados não são a única atração do Parque Nara. Na primavera, parte da área fica coberta de cerejeiras rosadas. Além disso, o amplo espaço é excelente para fazer fotografias e brincar com crianças.
Quem tem interesse por arte sacra também não pode deixar de visitar o Museu Nacional, que também está localizado no parque. O espaço tem uma das mais belas e ricas coleções permanentes de arte budista do Japão. Vale a visita.

A casa dos cervos

Na seara dos deuses da Terra

Junto com o budismo, o xintoísmo forma a dupla de religiões mais praticadas pelos japoneses. Na realidade, uma não exclui a outra. Desde a chegada dos ensinamentos de Buda no século 7 que as duas religiões estão lado a lado no escopo da fé dos japoneses. Não é incomum ter espaços xintoístas dentro de templos budistas, apesar da separação oficial entre as duas religiões ter sido imposta pela Restauração Meiji. Diferente do budismo, o xintoísmo não tem escritos sagrados transmitindo os ensinamentos. O ideário gira em torno dos fenômenos da natureza, que são tidos como manifestações divinas. Essa conexão com o entorno não considera homem e natureza como elementos distintos.

O Kasuga Taisha é o principal santuário de Nara e fica a poucos minutos de caminhada do Museu Nacional e do Todaiji. Ele também foi construído no século 8 como instrumento de proteção para a capital que estava se formando. O Kasuga era, também, o santuário protetor do clã Fujiwara, o mais poderoso do Japão na época.

O espaço é composto por diversas construções salpicadas numa área extremamente arborizada. Até um Jardim Botânico existe no local, com todas as 250 espécies de plantas descritas no Man’yoshu, a mais antiga coletânea de poemas do Japão, publicada no século 8. Muita gente visita o local nos meses de abril e maio para ver as glicínias em flor.

Embora pequeno, o prédio principal do santuário tem enorme valor arquitetônico. Tanto que seu estilo de construção é conhecido justamente como kasuga, com a fachada principal construída no lado de uma das empenas e formando uma varandinha. Charmoso com suas lanternas, o espaço merece a visita.

Na seara dos deuses da Terra

A montanha de cedros

Localizado a cerca de 1 hora e 40 da capital, Yoshino é uma das localidades mais mágicas da província de Nara. A localidade é conhecida como um dos mais interessantes destinos de primavera do Japão. Isso porque o Monte Yoshino é coberto por cerejeiras — fala-se de 30 mil pés — que explodem em cor-de-rosa no início de abril.

A localidade também é conhecida pela produção de cedro. A atividade extrativista já gerou muita riqueza para a região, bem como problemas ambientais. No momento, a ideia tem sido desenvolver a economia de forma sustentável, incluindo aí o turismo. No sopé da montanha, às margens do Rio Yoshino, fica uma das atrações criadas para revitalizar a cidade, fazendo homenagem à economia local. Trata-se da Yoshino Cedar House, um projeto arquitetônico conjunto entre o Airbnb, o arquiteto Go Hasegawa e a comunidade da região.

 

A montanha de cedros

Construída majoritariamente de cedro, a casa é feita com 28 tipos de madeiras da região, todas extraídas e beneficiadas por trabalhadores locais. A arquitetura também faz uma homenagem aos estilos japoneses de construção. O telhado, em formato de triângulo isósceles, é inspirado nas casas tradicionais de Yoshino. Já a fachada, que fica no lado oposto das empenas, é formada por um engawa, um espaço que fica num intervalo entre o interno e o externo da casa e lembra uma varanda. No interior, tanto a mobília quanto boa parte dos utensílios também são feitos de madeira. Um luxo!

O sistema de administração é diferente dos outros imóveis do Airbnb. Como a casa não é uma propriedade comum, não há um anfitrião. A Yoshino Cedar House é gerida pela própria comunidade através de uma cooperativa. São 31 pessoas que se revezam no serviço de receber os visitantes e 40% da renda da propriedade é revertida para os projetos da comunidade. Como a casa não fica perto de nenhum ponto turístico, é bom planejar bem. No entanto, a estadia é uma excelente oportunidade para quem procura experiências fora da rota.

A montanha de cedros

Flores na montanha

Mas a grande atração de Yoshino é, sem dúvida, o “festival” cor-de-rosa criado pelas flores de cerejeira no início da primavera. Para ver bem as flores, é preciso subir o Monte Yoshino, o que pode ser feito de ônibus, a partir da estação ferroviária que leva o nome da cidade. Vale a pena visitar alguns dos templos e santuários da região.

O Kinpusenji é o mais importante deles. Yoshino é uma montanha sagrada para os praticantes do budismo Shugendo, uma escola esotérica que se originou no Japão como uma mistura de crenças budistas, xintoístas, taoístas e animistas de outras origens. Parte do sítio tombado pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade, o templo foi fundado na segunda metade do século 7. Com 34 metros de altura, o salão principal é a segunda maior estrutura de madeira do Japão. Dentro dele, três estátuas de Zao Gongen — o protetor das montanhas de Yoshino — podem ser apreciadas. Para os fiéis, a visita é uma oportunidade única para agradecer pelas maravilhas desfrutadas na província de Nara.

Flores na montanha

MIYAZAKI

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DEZ DICAS PARA CURTIR A TERRA DO SOL

Sendo um país insular, o Japão realmente é privilegiado com vistas e paisagens de tirar o fôlego. De norte a sul, o litoral recortado é cheio de atrações especiais para quem curte atividades ao ar livre. Mas não é só isso. O arquipélago montanhoso também é repleto de possibilidades para quem gosta de caminhada, escalada e atividades semelhantes. Tudo isso temperado com uma cultura antiga e rica.

Antigamente conhecida como Hinata, a Terra do Sol, Miyazaki não é diferente. A província, que ocupa o sudeste da ilha de Kyushu, ainda é pouco desbravada pelos turistas estrangeiros. Isso quase sempre quer dizer um turismo mais tranquilo, sem riscos de hordas de gente apenas atrás de um clique para as redes sociais. Nesta edição, o GUIA JP vai te dar 7 dicas para você curtir a província de Miyazaki na paz, na tranquilidade e sem pressa.

MIYAZAKI

 

Takachiho

Pode-se dizer que a cidade que fica nas montanhas de Miyazaki é a área turística mais conhecida da província. Também pudera. Takachiho é cortada por um estreito desfiladeiro que serve de leito para o Rio Gokase que, em si, já é uma paisagem épica. Tudo ganha muito mais dimensão quando se sabe que o entorno do desfiladeiro é palco de uma das lendas de origem do Japão. Na parte superior da garganta fica o Lago Onokoro, no centro do qual existe uma rocha considerada pela lenda a primeira ilha do arquipélago japonês. Foi sobre esta rocha que os deuses Izanagi e Izanami se casaram e deram origem à terra e ao povo do Japão. Caminhe pela margem do desfiladeiro para ver uma das paisagens mais belas da região, incluindo uma cachoeira que alimenta o rio. Outra forma de curtir a paisagem e a energia do lugar é fazendo um passeio de bote pelo rio (¥3000/30 minutos).

Em outra área da cidade fica o Santuário Takachiho, um dos mais importantes espaços xintoístas da localidade. Situado no meio de uma floresta de cedros, o santuário com suas construções de madeira se mescla com a paisagem natural no entorno. À noite, o local é palco do Yokagura, uma performance que reencena as lendas de criação do Japão em 33 atos e com instrumentos e figurinos tradicionais. Apresentado todos os sábados entre novembro e março — ou seja, no inverno —, o espetáculo dura toda a noite e pode ser maçante para quem não entende japonês. Ainda assim, os turistas podem ter uma ideia da arte em apresentações diárias de cerca de 1 hora (¥1000), em que quatro atos do espetáculo são apresentados num espaço dentro do santuário. É uma experiência única.

MIYAZAKI

Santuário Takachiho

Outro local que não pode faltar na sua lista é o Santuário Amanoiwato. De acordo com a lenda, a deusa do sol Amaterasu vivia sofrendo bullying dos seus irmãos. Irritada com a situação, ela se trancou numa caverna e deixou o mundo às escuras. Então, os deuses tiveram que fazer de tudo para convencê-la a sair e devolver a luz ao mundo. Diz-se, então, que o santuário foi criado bem próximo da caverna onde a deusa se isolou. A área, considerada sagrada para os xintoístas, não é acessível aos visitantes, mas é possível vê-la de um pequeno mirante. No entanto, seguindo o leito do rio que passa bem ao lado do santuário, você pode visitar um outro ponto importante, considerado uma zona de energia pelos fiéis, a Caverna Amanoiwasukawara. Na lenda, este é o local onde os deuses se reuniram tentando achar uma solução para o isolamento de Amaterasu. A caverna, com suas pedras e um portal torii, é mágica.

MIYAZAKI
A ilha do amor

Aoshima está localizada em Miyazaki, capital da província, e costuma atrair os visitantes por uma mistura de paisagem natural e fé. Localizada a cerca de 30 minutos de trem do centro da cidade, a pequena ilha é bem próxima do “continente”, acessível por uma ponte que pode ser cruzada a pé. Já na chegada, se a maré estiver baixa, você verá o Oni no Sentaku Ita, algo que pode ser traduzido como “o tanque do oni”, uma criatura folclórica do Japão. Trata-se de uma formação rochosa basáltica no formato de ondas, que lembra um tanque de lavar roupas. No centro da ilha fica o Santuário Aogashima que, dentre outras coisas, é procurado pelos locais que estão em busca de matrimônio. Até o antigo imperador Akihito esteve no local com a consorte, a agora imperatriz-emérita Michiko.

MIYAZAKI

Cavalos selvagens

O Cabo Toi fica no extremo sul de Miyazaki e é quase uma ode à longuíssima costa da província, banhada pelo Oceano Pacífico. No local, onde fica um farol, havia um forte no período dos samurais. Diz-se que esta é a origem dos cavalos selvagens, os quais recebem os visitantes que chegam na localidade. Animais teriam sido abandonados por lá há cerca de 300 anos, período este em que puderam se adaptar à região e ter seus descendentes continuarem vivendo por lá. Isolada, a área também é o lar de um dos mais espetaculares santuários à beira-mar do Japão. Não espere opulência, no entanto. O espaço sagrado é pequeníssimo e só pode ser visto à distância, já que ele é encravado na encosta de um monte que, por causa dos deslizamentos de pedra, deixou de ser acessível aos visitantes. Conta-se que o local era usado por um monge decidido a se isolar sozinho por ali.

Cavalos selvagens

 

A casa do Pai

Outra paisagem dramática é o costão onde foi construído o Santuário Udo, dedicado a Yamasachihiko, pai de Jinmu, o mítico primeiro imperador do Japão. Conta a lenda que Jinmu teria nascido na caverna onde o santuário está erguido e que pedras em formato de seios o nutriram quando bebê. Por isso, acredita-se que fazer uma prece e beber a água que escorre das rochas do local seja favorável para a gravidez. Casais, em especial os recém-casados, também costumam visitar o santuário e pedir graças e proteção ao matrimônio. A vista do mar no local também parece um milagre e é, sem dúvida, uma das mais belas do Japão.

Santuário Udo

 

Onsen nostálgico

Em termos de águas termais, Miyazaki fica devendo à sua vizinha, a província de Kagoshima. No entanto, na borda entre as duas unidades geográficas fica Kyomachi Onsen, uma estância de águas termais que é considerada a melhor de Miyazaki. A localidade é simples e sua história também não é tão longa. Descoberta no início do século 20, a fonte esguichou num estrondo durante uma escavação. Por isso, o local era chamado de Estância do Trovão. Praticamente todos os estabelecimentos do local permitem a entrada de não hóspedes nos banhos de águas termais. Além disso, três escalda-pés estão espalhados na pequena área da pacata estância. Vários eventos são realizados ao longo do ano na localidade, com destaque à queima de fogos de verão.

Onsen nostálgico

 

Frango

Dados do governo japonês revelam que Miyazaki é a municipalidade japonesa onde mais se come frango no Japão. Vários pratos feitos com a popular carne são reconhecidos como a cara da província. Diz-se que o costume é antigo. Um dos pratos mais conhecidos feitos com frango é o chicken namban, um frango empanado coberto por um molho tártaro. Embora o prato tenha sido criado em meados do século 20, a técnica de fritura por imersão foi herança dos europeus que circulavam em Kyushu no período das Grandes Navegações. Eles eram chamados de bárbaros do sul, namban em japonês, nome que acabou sendo dado a alimentos marinados e fritos por imersão.

Frango

Shochu

Quando se fala de bebida alcoólica, o Japão é conhecido pelo saquê — nihonshu, em japonês — um fermentado feito de arroz. No entanto, o sul do Japão é dominado pelos destilados, o shochu, em que o cereal que não falta na mesa do japonês é apenas um dos ingredientes. Na real, o shochu pode ser feito com batata-doce, trigo sarraceno, açúcar mascavo e até borra de saquê. A técnica de destilação veio de Okinawa, província mais ao sul do país, e se espalhou por Kyushu, incluindo Miyazaki. Com sabores e teor alcoólico mais fortes que o do saquê, o shochu tem ganhado espaço mundo afora nas receitas de coquetelaria. Um dos meios de provar e conhecer melhor a bebida é nos restaurantes e izakayas ou visitar uma fábrica como a Sato, que fica em Nobeoka, e produz um shochu feito com castanha japonesa.

Shochu

 

Texto: Roberto Maxwell 

Por que meditar?

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Talvez você se faça essa pergunta porque, provavelmente, tem ouvido falar bastante sobre meditação atualmente.

De fato, a meditação é uma novidade para nós ocidentais porque a nossa cultura não tem essa prática disponível, nem na tradição familiar ou religiosa, nem nos hábitos e costumes sociais.

Mas a cultura da meditação é muito antiga, temos registros arqueológicos em argila de pessoas meditando em lótus, de 3000 anos antes de Cristo, encontrados na região da Índia. Em lugares como Japão, China, Índia, Nepal, Vietnã e Tailândia, por exemplo, o ato de meditar faz parte da cultura, e é passado de geração a geração pela família e pelas tradições religiosas, especialmente Budismo, Taoísmo e Hinduísmo.

A tradição religiosa ocidental é representada principalmente pelo cristianismo e nesta tradição, o ato de meditar foi perdendo seu espaço ao longo dos anos, embora alguns santos católicos como São Thomas de Aquino, Santo Agostinho e Santa Teresa D’avila, utilizavam a meditação em suas práticas de oração contemplativa.

A descoberta da meditação como forma de encontrar o bem-estar, no entanto, é recente, e estabelece relação direta com a ciência. Há cerca de 35 anos, alguns cientistas resolveram investigar a meditação e se surpreenderam com os resultados satisfatórios que ela apresenta. O médico americano Jon Kabatt Zin é um dos precursores dessas descobertas, quando desenvolveu um protocolo científico com meditação para a redução de stress em pacientes com dor crônica. As revelações favoráveis à meditação apresentadas nesse estudo chamaram a atenção da comunidade científica que, desde então, envolve-se cada vez mais com pesquisas que exploram a atividade meditativa, buscando, sobretudo, atestar seus benefícios para a saúde geral e a melhora da qualidade de vida.

A meditação mais usada no Ocidente é a Meditação Mindfulness, ela tem origem nos fundamentos filosóficos deixados por Buda e sua aplicação não apresenta vinculação religiosa. A prática consiste em permanecer em silêncio durante alguns minutos diários, sem interagir com os pensamentos e direcionando a atenção para um foco, chamado de âncora atencional, para onde dirigimos a atenção toda vez que nos distraímos do momento presente. A âncora atencional pode ser a respiração, o tato, a audição, a visão, enfim, os sentidos que nos ancora no momento presente.

Dentre os principais benefícios de Mindfulness, podemos destacar: a) calma, desenvolvemos a habilidade de estabelecê-la e, a partir dela, regulamos várias funções e emoções; b) controle da ansiedade, tanto para preveni-la, quanto para tratá-la; c) foco, toda a atenção plena treinada durante a prática vai para a vida, melhorando nossa atenção, concentração e memória; d) bem-estar psicológico, porque aprendemos na meditação a regular nossas emoções, tornamo-nos menos impulsivos e ganhamos espaço para escolher a melhor resposta emocional.

Mas o principal benefício da prática de Mindfulness, segundo a ciência, é a lucidez. Costumo brincar que o Buda se iluminou e que nós encontramos a gambiarra da iluminação através da meditação. A lucidez nos permite lidar com os fatos e situações com muito mais clareza, sem esforço, porque ganhamos visão para lidar com qualquer situação.

Como veem, são muitos os benefícios. Aprender a meditar é, portanto, uma prática que todos merecem incorporar em suas vidas.

 

Viviane Giroto

Especialista em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Sciences et Techniques du Corps – ISRP – Paris, France

Ph.D. em Psicologia pela UFRJ

https://vivianegiroto.com.br/

Terapia – Um ato de coragem

Aproveitando o finzinho de Agosto, mês em que comemoramos o dia do Psicólogo (27/08), e o mês de prevenção ao suicídio no decorrer de setembro, resolvi falar hoje sobre a importância da psicologia do ponto de vista do profissional: é comum ouvirmos nossos clientes nas primeiras sessões dizerem que não sabem o que vão falar, ou que tinham medo de buscar um psicólogo com medo de julgamento. E eu vou contar para vocês agora o que eu respondo para eles: É PRECISO TER CORAGEM PARA PROCURAR AJUDA!

Não vai no psicólogo quem tem problemas, pois no fundo, e em diferentes contextos, todos temos problemas; vai para a terapia quem quer resolvê-los, e isso exige CORAGEM! O psicólogo fica orgulhoso com cada pequeno ato de coragem do seu cliente, desde a iniciativa de nos mandar uma mensagem, até ver as mudanças comportamentais que os levaram a buscar a psicologia, incluindo o aumento de autoconhecimento, autoestima, melhora nas suas relações amorosas e sociais, entre tantos outros benefícios.

Este texto, então, tem um único objetivo (que alguns podem achar bem audacioso): desmistificar a figura do psicólogo, tirar de você que está aqui lendo este texto a ideia de que o psicólogo é uma pessoa que não erra, que sabe todas as respostas, que julga, que não sofre… E não sermos essa pessoa considerada “perfeita” é fundamental para a criação de vínculo com os clientes (que pode ser você, por que não?) quando esses tomam a iniciativa de nos procurar.

Por isso, se ao ler esta matéria você ficou curioso(a) para saber como é falar com um psicólogo, ou conhece alguém que esteja precisando, entre em contato com a nossa equipe que eu e os nossos psicólogos ficaremos felizes em presenciar seus atos de coragem de perto!

 

Psicóloga
Yohana Barros Alécio
CRP 08/27803
Psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná
Mestra em Educação pela Universidade Federal do Paraná

Psicóloga do Projeto Sakura.

Projeto Sakura – Atendimento psicológico no Japão

www.projetosakura.com.br

Tokushima

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Entre o mar e a montanha, encante-se com uma das províncias mais desconhecidas do Japão

 

Mesmo os japoneses conhecem pouco de Tokushima. Localizada em Shikoku, a menor das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, a província é sinônimo de isolamento desde tempos imemoriais. Foi para cá que o clã de Taira fugiu depois de ser derrotado nas Guerras Genpei. O isolamento fez com que o Vale de Iya se desenvolvesse num ritmo próprio, cercado de mistérios e crenças locais.

 

Mas não foi só isso. Bem conectada ao continente, a área litorânea de Tokushima foi um importante centro de produção de índigo, um corante azul que se tornou associado ao Japão. Sal, açúcar, tabaco e outros produtos colocaram Awa, o antigo nome da província, no mapa, bem como os festivais do Bon, a celebração dos mortos/ancestrais do Japão, regada a muito saquê. Nos grandiosos festivais, desenvolveu-se o que hoje chamamos de Awa Odori, um bailado em que as mãos se mexem como ondas e os pés vão para frente e para trás.

 

Nesta edição, o GUIA JP te leva para conhecer os mistérios e os recantos da terra do Awa Odori, Tokushima. Embarque com a gente.

 

Tokushima

 

Os redemoinhos

 

Conhecidos em todo o Japão, os redemoinhos de Naruto são a atração turística mais conhecida da província de Tokushima. Banhado pelas águas que circulam entre o Oceano Pacífico e o Mar Interior de Seto, o Estreito de Naruto tem um complexo sistema de correntes marinhas que gera o fenômeno.

 

Por conta da maré, a corrente formada pelas águas que atravessam o pequeno espaço entre a cidade de Naruto e a ilha de Awaji muda de direção ao longo do dia. Além disso, a diferença de profundidade entre o meio do estreito — até 100 metros — e as costas — mais rasas —, faz com que os redemoinhos surjam em profusão e num tamanho grande, alguns com até 20 metros de circunferência.

 

A melhor forma de observar — e experimentar — o fenômeno é pegar um barco na costa de Naruto. Existem dois serviços diferentes que partem do mesmo porto, com custo a partir de ¥1400/pessoa. O melhor horário para ver os redemoinhos vai depender do dia. Por isso, sempre vale a pena checar o site da operadora (uzusio.com) para saber qual o melhor horário de embarque. A previsão é semanal e reservas podem ser feitas pelo próprio site.

 

Tokushima

 

Experiências em fermentação

 

Quem achar que não ficou suficientemente tonto nas águas agitadas da experiência com os redemoinhos, pode tirar o resto do dia para fazer uma visita à Honke Matsuura, a produtora do saquê Narutotai. O sudoeste do Japão não é exatamente uma região conhecida pela produção desta bebida típica japonesa. No entanto, algumas fábricas conseguiram criar reputação na produção de saquês de qualidade. A Honke Matsuura é uma delas.

 

Desde 2011, sob o comando de Matsuura Motoko, uma das poucas mulheres em sua posição na indústria do saquê, a empresa vem encontrando novos caminhos através do mercado internacional. A fábrica aceita visitas, em especial na sua área histórica, onde é possível saber como a produção do saquê era feita no passado. Além disso, quem visita é convidado a provar os saquês da empresa. A entrada é franca mas é preciso fazer reserva.

 

Bem ao lado da Honke Matsuura fica a Fukuju, uma fábrica de shoyu com 180 anos de história. O famoso molho de soja ganhou o mundo na sua forma mais industrial, mas basta provar um shoyu produzido de forma artesanal para sentir a diferença. A Fukuju matura seu produto por, no mínimo, um ano e entrega um molho aromático e saboroso de altíssimo nível.

 

Na fábrica, é possível ver o processo de produção, incluindo os incríveis tonéis de fermentação em madeira, que explicam muito da artesania da produção tradicional do shoyu. A ideia é justamente mostrar ao visitante como um molho tão difundido pode ser extremamente complexo em sabores, dependendo da forma como ele é criado. Depois da visita ao espaço de produção, você pode provar e comparar os produtos da casa e, claro, comprar o seu.

 

Tokushima

 

 

Montanhas inexploradas

 

O Vale de Iya é um dos locais mais remotos do Japão. A área montanhosa e esparsamente habitada é um convite para quem gosta de viagens tranquilas e sem aglomerações. Esculpido por milênios pelo Rio Yoshino, que alterna entre áreas tranquilas e corredeiras caudalosas, excelentes para a prática do rafting.

 

Várias empresas exploram a prática e atendem a cerca de 40 mil visitantes por ano. A GoGo Adventure, por exemplo, oferece planos para o dia inteiro (a partir de ¥9000), meio dia (a partir de ¥7500) e até um Rafting & Forest Course, com aventuras no rio e na floresta (a partir de ¥9600). As empresas oferecem os equipamentos, mas é preciso levar toalha e, claro, a troca de roupas.

 

Quem curte mais a contemplação pode aproveitar as belezas naturais da região, em especial das ravinas de Oboke e Koboke, com seus paredões de pedra que formam o caminho em que o rio de cor esmeralda corta o vale. No outono, a vegetação da região começa a caducar e a mudar de cor, ficando amarela e vermelha, um fenômeno chamado em japonês de koyo. O Vale de Iya é um dos locais mais belos do Japão nesta época do ano.

 

Tokushima

Vale de Iya

 

Mas as atrações mais conhecidas da região são, sem dúvidas, as pontes pênseis feitas de cipó, cuja origem remonta ao século 12, quando o clã de Taira foi derrotado nas Guerras Genpei e se refugiou nas montanhas remotas de Iya. No passado, treze pontes conectavam as duas margens do vale. Apenas três delas chegaram aos dias de hoje.

 

Com 45 metros de extensão, a Iya Kazurabashi é a maior delas. Suspensas a 14 metros de altura, as pontes são reconstruídas a cada três anos, com cabos de aço sob um revestimento de cipó, garantindo a segurança dos visitantes.

 

As duas outras pontes remanescentes formam um complexo chamado Oku-Iya Niju Kazurabashi, algo que pode ser entendido como as Pontes Casadas de Oku-Iya. Localizadas numa área ainda mais remota do vale, elas são menos visitadas que a sua colega mais famosa.

 

Tokushima

 

A maior delas se chama Otto no Hashi, ou Ponte Marido, e tem 44 metros de extensão. Ela fica próxima a uma pequena cachoeira. Uma pequena rota pavimentada conecta esta ponte à outra, menor, chamada Ponte Esposa, cuja extensão é de 22 metros. Outra atração da área é a Ponte dos Macacos Selvagens, uma espécie de teleférico movido a tração humana, usado antigamente para o transporte de pessoas e produtos entre as duas margens do vale.

 

Tokushima

 

 

Uzushio – Barcos Turísticos

Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Naruto-cho Tosadomariura Oge 264-1.
Site: uzusio.com.
Horário: partidas das 9 às 16:20.
Valor: a partir de ¥1400.
https://goo.gl/maps/4ELo2xuZcvyWWL216

 

Fábrica de Saquê Honke Matsuura
Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Oasacho Ikenotani Yanaginomoto 19.
Dia e horário: segunda a sábado, das 9 às 17 horas.
Obs.: a reserva é antecipada.
Entrada franca.
https://goo.gl/maps/H6MGiueQCYGpeSaL8

 

Fábrica de Shoyu Fukuju
Endereço: Tokushima-ken Naruto-shi Oasacho Ikenotani Asa Oishi 8.
Dia e horário: segunda a sábado, das 9 às 17 horas.
Entrada franca.
https://goo.gl/maps/eH75ZJKYcyUSr89k7

 

Texto: Roberto Maxwell

O poder da compaixão

A ciência tem nos evidenciado que o cultivo da compaixão é a chave para o contentamento. As principais descobertas referem-se à ativação de um composto químico no cérebro, ligado à euforia, cada vez que praticamos a compaixão.

Quando você sente compaixão por alguém, imediatamente você recebe o sentimento de compaixão em si mesmo. Diferente do que se imagina, quando agimos em direção a aliviar o sofrimento de alguém, a conexão que se estabelece é a do amor, não da dor.

Isso porque a qualidade da conexão se aprofunda nesta situação, quando nos desgrudamos de nós mesmos e, neste ponto, criamos espaço para a alegria se manifestar. Sempre que ficamos muito felizes ocorre isso, nos esquecemos de nós por um tempo.

O sentido da vida torna-se mais claro e abundante quando agimos com gentileza, porque não há nada mais importante do que nos sentirmos importantes. Por isso a compaixão é muito mais do que dar, ajudar, ela pressupõe um entendimento comum da nossa condição humana, que é o sofrimento e o desejo de encontrar a felicidade.

Centros de pesquisas como o da “Compaixão e altruísmo” da Stanford University, (http://ccare.stanford.edu/), desenvolvem há décadas pesquisas relativas ao papel do altruísmo e da compaixão no desenvolvimento do comportamento humano. O que esta nova ciência tem revelado, é que esses valores compõem a nossa natureza humana, são partes verdadeiras de quem somos.

A compaixão é entendida no contexto de cunho religioso há muito tempo, estando muitas vezes associada a um tipo de bondade não disponível na vida real, como uma pessoa santa, por exemplo. A base moral para viver e agir em um mundo compassivo, contudo, exige firmeza e também luta; quando olhamos para madre Teresa, Martin Luther King e Dalai Lama, não temos a imagem de indivíduos fracos, estes são indivíduos poderosos, profundamente compassivos, mas bem poderosos.

O compromisso para se combater injustiças pressupõe uma base moral interna forte e sustentável, que dá a firmeza e a coragem necessárias para agir compassiva e austeramente ao mesmo tempo, uma base ética. A meditação, como projeto de educação emocional, passa pela ética da compaixão.

 

Viviane Giroto

Especialista em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Sciences et Techniques du Corps – ISRP – Paris, France

Ph.D. em Psicologia pela UFRJ

https://vivianegiroto.com.br/

Violência Psicológica: O que é e como identificar

Recentemente, no dia 01 de julho de 2021, o Plenário do Senado aprovou o PL 741/2021 que trata do projeto de lei que inclui no Código Penal Brasileiro o crime de violência psicológica contra a mulher. A pena atribuída a quem causar dano emocional à mulher será de reclusão de seis meses a dois anos e o pagamento de multa. Mas o que é violência psicológica? E por que a importância de tornar a violência psicológica um crime?

A violência contra a mulher não tem fronteiras e ocorre independentemente de idade, raça, etnia, classe social e religião. A violência psicológica é uma das formas mais comuns de violência contra a mulher e, infelizmente, muita mulheres a vivenciam sem perceber e se dar conta do que está acontecendo. A violência psicológica, muitas vezes, é subestimada por ser velada e silenciosa, mas deixa marcas profundas na autoestima e saúde mental das mulheres, limitando a sua capacidade de autonomia. Existem várias formas e modos de violência psicológica, e compreender quais são e suas consequências para a vítima é um modo de prevenção e alerta para as mulheres, uma vez que a violência psicológica é tão perversa quanto a física e frequentemente é o primeiro passo que levará a outros tipos de violência.

Segundo a lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), a violência psicológica é “entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima, ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento, ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões” por meio de “ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

Apesar de a lei Maria da Penha definir o conceito de violência psicológica, o que já foi um avanço, ela não era considerada crime, por isso da importância desta proposta legislativa – PL 741/2021 – ser aprovada. Pois até hoje, as mulheres encontram dificuldades para registrar a prática de violência psicológica nas delegacias, já que ela não estava prevista no Código Penal. Com a aprovação desta lei, a mulher não precisará exibir marcas no corpo para comprovar que foi vítima de uma violência, pois além da violência física, a violência psicológica também será considerada crime.

Se o seu parceiro ou parceira te humilha, manipula, ofende, menospreza, ridiculariza, tem ciúme excessivo e quer te controlar, você pode estar sendo vítima de violência psicológica. Se ele diz frequentemente que “isso é coisa da sua cabeça” ou “você é doida”, você pode estar sendo vítima de violência psicológica. Baixa autoestima, estresse, ansiedade e depressão são alguns dos efeitos que a violência psicológica provoca nas mulheres.

Muitas vezes não é fácil identificar a violência psicológica e sair de um relacionamento abusivo, por isso, a ajuda de um psicólogo é essencial na identificação e, sobretudo, na superação deste ciclo de violência.

 

Psicóloga
Juliana Fernanda de Barros
CRP 06/11635
Psicóloga do Projeto Sakura desde 2016.

Projeto Sakura – Atendimento psicológico no Japão

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