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Okayama – Na Terra do Sol

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Okayama Na Terra do Sol

Uma das províncias mais industrializadas da região de Chukoku, Okayama ainda é pouco explorada por visitantes internacionais. Autoproclamada “Terra do Sol”, Okayama faz jus ao título. Mesmo no mês mais frio do ano, janeiro, a média de temperatura fica na casa dos refrescantes 18 graus. Nesta edição, o Guia JP traz para você dicas de como explorar a província. Confira.

Na capital

Mais de um terço da população da província vive na capital, a cidade de . Foi no século 16, com a construção de um castelo, que a localidade se tornou o centro político e militar de Bizen, que corresponde à atual parte sul da província de Okayama.
Para fazer contraste e oposição ao imponente Castelo de Himeji — de cor branca — o senhor feudal local Ukita Naoie decidiu construir uma fortificação de cor preta no exterior, fazendo com que Okayama ganhasse a alcunha de U-jo (“castelo do corvo”, em japonês). Com o tempo, a construção ganhou detalhes dourados e o apelido de Kin U-jo, fazendo referência a este detalhe. Ouro, em japonês, se diz “kin”.

Na Era Meiji, o castelo se tornou propriedade do Ministério da Defesa do país e abandonado. Os fossos foram aterrados e o castelo seguiu se deteriorando. Bombardeada na Segunda Guerra Mundial, a fortificação foi ao chão e os trabalhos de reconstrução começaram somente duas décadas depois. Como ocorreu com outros castelos, o novo prédio foi feito em concreto e se transformou numa espécie de museu, aberto ao público.

Vizinho à fortificação, o Okayama Korakuen, um jardim com mais de três séculos de história. Construído em 1700 pelo senhor feudal Ikeda Tsunemasa, o espaço é uma das provas do poderio da família na região. No século 19, o jardim ganhou a forma atual. A principal propriedade, chamada de Enyo-tei, foi construída para receber o daimyo (senhor feudal) em suas visitas à região. Além da casa, o jardim tem tudo o que se pode esperar de um espaço paisagístico japonês do seu estilo: lago, córregos, belos arranjos de flora e muita beleza. Tudo isso faz jus à fama do jardim, considerado um dos três mais belos do Japão.

 

Nos canais de Kurashiki

Não muito distante da cidade de Okayama fica Kurashiki, um dos lugares históricos mais belos e bem preservados do Japão. Antiga região produtora de arroz, o sul da província necessitava de uma forma de escoar sua produção e uma rede de canais foi construída na área hoje ocupada pela cidade de Kurashiki, cujo nome é bem literal e pode ser entendido como “local dos armazéns”.

Bikan é o bairro da cidade conhecido como a área antiga dos mercadores e é cheia de armazéns de madeira pintados de branco e cobertos com telhas pretas. Margeados de salgueiros, os canais são habitados por carpas e navegáveis em tour com barqueiros vestidos com roupas típicas. Já os armazéns foram readaptados e abrigam lojas, cafés e museus, permitindo que o público sinta um pouco o clima da época. Aliás, para manter as coisas bem próximas de como eram no passado, o centro histórico não tem fiação elétrica aparente.

Um dos meios de conhecer um pouco da vida dos mercadores de Kurashiki é visitar a casa de um deles e isso pode ser feito na Residência Ohashi. Construída no final do século 18, a construção é um belo exemplar do estilo de residências urbanas chamadas em japonês de machiya. A família Ohashi era extremamente poderosa na região e isso pode ser visto nos elegantes salões com piso de tatami e nas belas pinturas que ornam as portas corrediças. O espaço impressiona ainda mais quando soubemos que a casa é repleta de elementos arquitetônicos que eram reservados à classe guerreira, mostrando a importância da família na região.

 

Nos canais de Kurashiki

Em Bikan fica, também, o , o primeiro espaço de exposição de arte ocidental do Japão. Fundado em 1930, num prédio no estilo neoclássico construído para este fim, o museu tem uma coleção que inclui obras de Monet, Gauguin, Matisse e Monet.

Outro espaço que merece a visita em Kurashiki é o Momotaro Karakuri Museum. Momotaro é o protagonista de uma das lendas mais populares do folclore japonês, que se passa nas regiões agrícolas hoje localizadas entre Okayama e Kurashiki.

A história conta que uma lavadeira sem filhos achou um pêssego gigante flutuando no rio e o levou para casa. Quando ela e o marido abriram a fruta, encontraram um garoto a quem deram o nome de Momotaro (algo como “menino-pêssego”). Conta-se, então, que o corajoso rapaz partiu de casa anos depois com uma trouxa com bolinhos de farinha de arroz para enfrentar os demônios de uma ilha, acompanhado de um cachorro, um faisão e um macaco.

No Momotaro Karakuri Museum são expostos brinquedos e objetos de diversos tipos inspirados na lenda do menino-pêssego. Interessante e divertido!

 

Na ilha do cachorro

Não espere um exército de caninos te esperando no porto ao chegar em Inujima. O animal homenageia a ilha por causa de uma pedra que lembra a silhueta de um cão sentado. No entanto, você não sairá de Inujima decepcionado. Localizada no Mar Interior de Seto — o Mediterrâneo Japonês —, a ilhota faz parte de mais um empreendimento do grupo Benesse, especializado em resgatar comunidades ameaçadas pela depopulação através da arte. Antes de virar o que é hoje, Inujima era uma área de mineração, com o granito a partir do século 17 e, depois, com o cobre.

A antiga refinaria do metal é um dos principais sítios de visitação na ilha. Transformado numa galeria de arte contemporânea, a antigamente desolada paisagem, símbolo da decadência econômica de Inujima, agora recebe obras de Yanagi Yukinori, um artista que tem como tema o nacionalismo e a globalização. No Inujima Seirensho Art Museum, ele homenageia o escritor Mishima Yukio, um dos grandes críticos da modernização e da ocidentalização do Japão. O prédio, ainda, tem um sofisticado sistema de reciclagem da água através de plantas, uma espécie de ode a um mundo sustentável.

Obras de arte também ocupam partes da área residencial da ilha num projeto chamado Art House Project. São cinco espaços em diferentes partes da vila principal de Inujima. Num deles é possível ver as formas geométricas multicoloridas de Beatriz Milhazes, uma das artistas contemporâneas brasileiras mais bem conceituadas mundo afora.

 

 

Castelo de Okayama

Okayama-ken Okayama-shi Kita-ku Marunouchi 2 Chome-3-1
O castelo está fechado para obras até novembro de 2022.
https://goo.gl/maps/cRwWGSDCYTSTTLfn8

Okayama Korakuen
Okayama-ken Okayama-shi Kita-ku Korakuen 1-5
¥410 (com descontos para idosos e estudantes)
7:30 às 18:00 (20 de março até o final setembro) e 8 às 17 horas (do início de outubro até 19 de março)
https://g.co/kgs/EQpSoq

Residência Ohashi

Okayama-ken Kurashiki-shi Achi 3 Chome-21-31
¥550 (com descontos para idosos e estudantes)
A residência está temporariamente fechada por causa da pandemia.
https://goo.gl/maps/Mp7JZ87Vh71WWTzk6

Museu de Arte Ohara
Okayama-ken Kurashiki-shi Chuo 1 Chome-1-15
¥1500
9 às 17 horas
https://goo.gl/maps/YKC5EQH7Hmf9uXGX9

Momotaro Karakuri Museum
Okayama-ken Kurashiki-shi Honmachi 5-11
¥600
10 às 17 horas
https://goo.gl/maps/hu4DjN1aVaoP4A3r9

Inujima Seirensho Art Museum
Okayama-ken Okayama-shi Higashi-ku Inujima 327-4
¥2100 (incluindo as obras no Art House Project e o Life Garden
https://goo.gl/maps/jxhAnEFhbmTs6tUe6

 

Texto: Roberto Maxwell

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