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Fernando Ulrich – “O bitcoin é imparável”

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Bitcoin, o inicio do Fim?
O bitcoin é uma forma de dinheiro sem autoridade central por trás, descentralizada, que podia ser uma alternativa ao sistema financeiro.

 

“O bitcoin é imparável”

Com mais de 500 mil seguidores no YouTube, Fernando Ulrich conta como a principal moeda digital da atualidade pode revolucionar o modo com o qual enxergamos o dinheiro.

“É necessário ter concorrência no campo da moeda”, afirma, sem medo de se envolver em polêmicas, Fernando Ulrich. Conhecido como um dos maiores especialistas em criptomoedas do Brasil, Fernando lançou, em 2014, o primeiro livro em língua portuguesa sobre o tema. Desde então, se tornou referência internacional no assunto e criou um canal no YouTube para compartilhar e popularizar conhecimento sobre o tema.

De malas prontas para desembarcar na Terra do Sol Nascente, Ulrich é uma das atrações do Expo Talks Japan, o maior evento sobre investimentos e planejamento financeiro do país. A edição 2022 será realizada no dia 20 de novembro, no Centro Cultural Patio Chiryu e contará, ainda, com a presença da planejadora financeira e consultora Viviane Ferreira.

Mês passado, Ulrich participou do J1 Talks, o podcast de empreendedorismo made in Japan produzido pela J1, que também publica o Guia JP. Selecionamos algumas partes desta conversa para você conhecê-lo melhor. Confira.

Apresentação

Tenho hoje 42 anos, 20 anos de experiência no mercado de trabalho, focado quase sempre em finanças corporativas, investimentos e mercados. Tive passagens por uma multinacional na área de elevadores, a ThyssenKrupp. Isso foi na década retrasada, de 2002 a 2009, quando eu tive a possibilidade e a sorte de viajar o mundo inteiro. Depois, eu fiz um mestrado em Economia. A minha formação é em administração de empresas no Brasil, pela PUC de Porto Alegre, e com mestrado em Economia, que eu fiz depois dessa minha passagem pela ThyssenKrupp em Madri, na Espanha.

Em seguida, trabalhei com fusões e aquisições, com incorporação imobiliária no negócio familiar e também tive uma passagem pelo Banco Indusval & Partners, pela XP Investimentos. Hoje estou como Head de Educação na Liberta Investimentos, onde atuo desde novembro de 2019.

Bitcoin: a moeda na era digital, o livro

Foi publicado em março de 2014 e foi o primeiro livro em língua portuguesa sobre o bitcoin. Meu foco de interesse quase sempre foi o Banco Central, dinheiro, sistema financeiro, mercados e era realmente o que mais me apaixonava. Comecei a descobrir esse tal do bitcoin em 2013 e estudei de verdade, não apenas com desdém como costumava ser a minha abordagem até então. Caí da cadeira pelas possibilidades que o bitcoin, na minha visão, estava abrindo.

Foi publicado em março de 2014 e foi o primeiro livro em língua portuguesa sobre o bitcoin.

O bitcoin é uma forma de dinheiro sem autoridade central por trás, descentralizada, que podia ser uma alternativa ao sistema financeiro. Sou um entusiasta da livre iniciativa, defensor do livre mercado ou da livre concorrência. Acredito que o livre mercado consegue oferecer soluções melhores, com qualidade melhor e com preço mais baixo. Por isso, entendo que também era necessário ter concorrência no campo da moeda. É uma heresia falar isso para qualquer economista hoje em dia, mas eu entretinha essa ideia porque, sabe, a gente pode ter concorrência de moedas. Era algo que o Friedrich August Henrik, economista da Escola Austríaca que ganhou o Prêmio Nobel em 1974, dizia.

Quando eu entendi a segurança e como a tecnologia do bitcoin funcionava, caí da cadeira. Virei um fascinado entusiasta quase que instantaneamente e comecei a pesquisar cada vez mais. Escrevi alguns artigos para o site do Instituto Mises Brasil e comecei a escrever o livro no final do ano de 2013. Ele foi publicado em março de 2014. Então, lá se vão quase nove anos do livro e quase dez anos que eu estou estudando nesse mercado. Já sou um veterano nesse mundo.

Gestão da moeda e concorrência

Em certa medida, estamos vendo hoje vários países no mundo com inflação mais alta. Isso tem a ver com a gestão da moeda. Quem gere a moeda é o Banco Central, que tem o monopólio de emissão desta mercadoria.

A tese da Escola Austríaca é que apenas um arranjo de livre concorrência pode prover um dinheiro saudável, um dinheiro forte, que não vai ser depreciado. Essa é a essência do argumento de livre concorrência no âmbito monetário. Partindo dessa ideia, é preciso ter concorrência de moedas.

É aí que entram as criptomoedas. O dinheiro não é algo estático. A gente não usa semente de cacau ou conchas há 5 mil anos. O dinheiro vai evoluindo. Formas superiores de moeda vão sendo adotadas e as anteriores, ultrapassadas, vão sendo descartadas. Mas quando a gente chegou no século 20, meio que cessou — ou proibiram — a evolução do dinheiro. Os bancos centrais tomaram conta e proibiram praticamente qualquer tipo de concorrência de moeda.

Bitcoin como alternativa
O bitcoin surge como uma alternativa porque, ao contrário do ouro e de alguma outra moeda privada, ou bitcoin é tecnologicamente superior porque ele é imparável. Como é uma rede distribuída ou descentralizada, não tem um ponto único de falha, não tem como nenhum governo, órgão regulador, exército, marinha que consiga parar o sistema.

Isso não quer dizer que o bitcoin vai se tornar o dinheiro corrente, vai substituir o dólar e tudo mais. Isso são outros quinhentos, é outra parte da história. Porém, pelo menos em teoria, isso pode acontecer e o fato de ser uma tecnologia descentralizada permite com que isso aconteça.

O bitcoin representa a liberdade, não apenas de escolher a moeda mas, também, de produzir moeda. Porque as duas coisas são importantes. Em alguns países, há mais liberdade de escolha de moeda, embora não de produção de moeda. No Japão, por exemplo, a moeda é o iene e todo mundo tem que usar o iene. Só o iene que tem curso legal, mas você pode escolher usar o dólar. Também pode escolher o euro, mas pra pagar imposto é só o iene.

No Brasil a gente tem as chamadas leis de curso legal forçado, que é um passo além. Isso não apenas torna o real a única moeda em território nacional, capaz de liquidar dívidas pré-contratadas e impostos, como também significa que é uma contravenção recusar o real. Se eu tenho uma loja, alguém chega e quer comprar o meu produto, eu não posso recusar pagamento em reais. Nos Estados Unidos é possível, mas, no Brasil, isso é crime.

A tecnologia

O bitcoin é um sistema que tem muita ordem, embora sem autoridade central. Porém, alguém precisa validar transações e assegurar que ninguém vai gastar dinheiro do outro, que não vai haver desvio de fundos, etc. A tarefa de validação de transações é feita de forma voluntária por qualquer participante e há uma recompensa para quem desempenhar essa tarefa de segurança.

Para ganhar essa recompensa e validar as transações, é preciso provar para o restante da rede que você teve trabalho para fazer a tarefa. É a chamada Prova de Trabalho — ou Proof of Work no jargão da rede — que consiste em executar uma função criptográfica que demanda muita energia e força computacional.

Quanto mais pessoas se dedicam a essa tarefa — porque querem ganhar a recompensa —, mais difícil fica essa Prova de Trabalho. Então ela vai crescendo e aumentando cada vez mais em dificuldade. Todo esse processo que eu estou descrevendo de forma simplificada é o que é chamado de mineração do bitcoin. Esse é o coração da rede, o que mantém a rede pulsando.

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Blockchain

Essas transações são registradas num grande arquivo digital chamado blockchain, que é o livro contábil da rede. Lá estão registradas todas as transações e todos os participantes da rede que fazem parte desse processo. Todos têm uma cópia idêntica desse blockchain que, a cada dez minutos em média, vai sendo atualizada de forma sincronizada. Então todos os participantes têm uma cópia fiel, autêntica e que é constantemente atualizada. Todo esse processo é feito de forma voluntária e descentralizada, sem ter um agente central coordenando os trabalhos de todo mundo. As próprias regras do sistema incentivam o comportamento honesto. É sempre mais rentável atuar de acordo com as regras do que tentar perverter o sistema em benefício próprio. Isso é até uma antítese dos sistemas tradicionais porque é um modelo de segurança aberto.

O J1Talks é um podcast produzido com a perspectiva e insights de empreendedores brasileiros inseridos na comunidade brasileira do Japão

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