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Alison Aguiar, Head do Banco do Brasil no Japão e Ásia-Pacífico.

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De vendedor de rua a executivo do banco mais sustentável do mundo.

O sucesso inspirador de uma pessoa que supera adversidades e alcança grandes conquistas é sempre bom de ser compartilhado.

 

Neste caso, estamos falando de alguém que veio de uma família pobre e, apesar das dificuldades, não desistiu de seus sonhos.

Ele estudou com determinação, trabalhou com dedicação e se tornou o Head de um
banco.

Sua história de vida é um exemplo de como a força de vontade e a determinação podem superar qualquer obstáculo e alcançar o sucesso.

Vamos conhecer mais sobre essa trajetória e descobrir as lições que podemos aprender com Alison Aguiar da Costa, Head do Banco do Brasil no Japão e Ásia-Pacífico.

Natural do estado de Mato Grosso, Alison tem 39 anos, dos quais 1 ano e 5 meses
são morando aqui no Japão.

De família humilde, filho de mãe-solo, aos 7 anos vendia bolo nas ruas de terra na cidade natal. “O bolo vendido era o dinheiro para o ingrediente do bolo do dia seguinte”, recorda.

Também foi engraxate, vendedor de picolé e garçom de churrascaria. Com 14 anos
era empacotador de supermercado, época em que carregava muita caixa para os clientes.

Alison sacrificava boa parte da renda com preparatório para a faculdade. Do salário de 180 reais, 130 reais iam para custear os estudos. Aos 15 entrou na faculdade de Ciências da Computação.

“Com toda aquela dificuldade, sabia que para sair daquela situação, somente a educação poderia fazer a diferença”, previa o jovem.

Passou a conciliar o trabalho de empacotador com a faculdade.

Em 2003 prestou concurso e entrou no Banco do Brasil em Cuiabá/MT. Desde então, passou por diversos cargos, sendo gerente em agências e em Superintendência no Rio de Janeiro, Gerente de soluções na diretoria de distribuição do Banco em Brasília, e liderou as Superintendências de varejo do Banco no Amapá, Piauí e São Paulo. Nesta última, coordenava 330 unidades do Estado, num total de 3.300 funcionários.

Formado em Ciências da Computação, ele já foi programador, desenvolvedor e conseguiu agregar essa visão da área de TI com a de negócios.

O currículo é extenso. Mestre em Economia, Inovação e Competitividade, Cientista de Computação, Pós-graduado em Gestão de Negócios pelo IBMEC/RJ, Pós-graduado em Gestão de Pessoas. Tem Formação para Executivos e Gerentes no Exterior pelo Insper/SP., Formação em Business English em Londres/UK e em Toronto/Canadá. Possui ainda Certificado em Global Trade pela International Chamber of Commerce
(ICC).

“Nosso objetivo aqui é somar e agregar valor, não apenas para pessoas físicas, mas também para empresas”, resumiu o gerente.

Alison admite que é da área de TI, mas sempre teve uma veia comercial muito forte.

E é isso que vamos ver na entrevista exclusiva que Alison concedeu à Guia JP.

 

J1Talks

Entrevista

GUIAJP: O que te trouxe ao Japão?

ALISON: Sempre tive muita vontade de ter uma etapa da minha carreira no exterior.
Então fiz duas formações em idiomas no exterior, uma no Canadá e outra em Londres, para ir me preparando tanto na questão do idioma como da cultura.

O Banco tem uma preparação para ser executivo no exterior. Passei pelo processo interno e me tornei apto a assumir uma oportunidade onde o BB possui presença no exterior, como Nova Iorque, Londres, Shangai, Tóquio, Frankfurt, Miami e Paraguai.

Foi uma grata surpresa o convite para vir ao Japão, uma cultura fantástica, que proporciona um aprendizado riquíssimo. Este não é um projeto apenas pessoal, mas familiar.

GUIAJP: Com toda sua experiência, você tem algum projeto pessoal de algum
problema que gostaria de resolver?

ALISON: O Banco já é um grande projeto, porque são temas que a gente acaba estudando e se dedicando. Por causa do Mestrado em Economia, acabei me aproximando do sistema de startups. Participei de feiras e eventos e comecei a trilhar a carreira de Scrum Master lá no Brasil.

É um projeto pessoal no sentido de querer entender mais essas iniciativas, de me aproximar, o que de alguma forma retroalimenta o conhecimento que a gente tem dentro da empresa.

Hoje a gente fala de incumbentes e insurgentes. Incumbentes são as empresas já estabelecidas e insurgentes as empresas que estão chegando.

Por exemplo, temos a Microsoft, uma empresa incumbente, mas que mesmo com a chegada de outras iniciativas, como o Linux, um sistema operacional aberto, conseguiu reforçar sua proposta de valor e se manter não apenas viva no mercado, mas como uma das empresas mais valiosas do planeta.

O Banco do Brasil, com 214 anos, é uma das 10 empresas mais antigas do mundo, é uma empresa incumbente e se mostra cada vez mais inovadora.

No Japão há 51 anos, nosso objetivo é manter viva nossa operação, reformular, inovar, melhorar a experiência dos clientes.

 

GUIAJP: No Brasil Startup Pitch (capa da edição anterior), falamos do investimento através de fundos de investimentos em startups. Como esse processo funciona no BB?

ALISON: Primeiro parabéns, porque o BSP foi uma ótima iniciativa, um primeiro grande passo, na medida em que aguça o apetite de vários outros empreendedores.

O BB foi o primeiro banco a criar uma plataforma para a atração de startups, há mais de 8 anos.

Também foi o primeiro banco brasileiro que criou uma unidade no Vale do Silício, no sentido de estar mais próximo das startups, de não encará-las como ameaça, mas sim como uma grande oportunidade.

A bancalização ainda é um passo importante no mundo.

Com a chegada das fintechs, observamos que os bancos teriam uma grande oportunidade de melhorar seus serviços e produtos.

O BB tem um fundo de investimento que tem autonomia para escolher as melhores startups.

GUIAJP: Entre os projetos apresentados, algum chamou sua atenção?

ALISON: O que está sendo muito discutido é o ambiente das stable coins, com necessidade de maior regularização. O governo japonês está vendo a melhor forma de estruturar o framework para esse ambiente.

O sistema de pagamento digital, incluindo remessas, pagamentos internacionais, real
digital, está sofrendo muita disrupção.

Aqui no Japão, me chama a atenção a grande quantidade de iniciativas voltadas para os meios de pagamento.

Te dou um exemplo: a jornada dos estrangeiros para abrir uma conta no Japão é bem difícil. Aqui exigem preenchimento de formulários e até o carimbo (inkan).

Temos algumas startups oferecendo a verificação automatizada de documentos.
Essa iniciativa exige especialização e o BB pode se integrar e trazer para o nosso
sistema.

Durante muito tempo pesquisamos. Após encontrarmos a melhor, fizemos um processo de integração com nosso sistema digital boarding.

Sendo assim, muito em breve, em cerca de 3 meses, vamos entregar para nossos clientes uma jornada totalmente simples e fluida de abertura de conta, tudo através do celular.

GUIAJP: Outra impressão que temos é que o público japonês tem mais resistência ao digital. Isso não pode atrapalhar o projeto?

ALISON: De fato há uma preferência por meios tradicionais dessa comunidade. Mas existe espaço, apetite, a necessidade das pessoas por uma jornada mais simples.

Não podemos ter uma única forma de atender nossos clientes.

Essa diversidade é muito boa para a gente poder inovar. Na nossa equipe temos japoneses, brasileiros, peruanos, chineses e nepaleses. Temos clientes americanos, japoneses, brasileiros, peruanos, nepaleses, espanhóis, cubanos, com diferentes faixas de idade, trabalhadores e empresários.

Vamos pegar o exemplo do trabalhador brasileiro. Cada hora custa muito caro para ele. Precisamos entregar uma jornada digital simples, rápida. E fazemos isso com nosso atendimento 24×7, em português, e com nosso aplicativo.

E temos ainda o investidor japonês. Para ele, precisamos ter outro approach. Um atendimento personalizado, por videoconferência, presencialmente.

Precisamos nos adaptar para cada perfil, de acordo com as personas.

GUIAJP: Do ponto de vista de inovação, o que podemos esperar do Banco hoje?

ALISON: Temos um grande pipeline de inovação no Banco. Modernizando nosso sistema, vai nos propiciar uma nova etapa.

Esse mecanismo é como uma espécie de lego, onde conectamos soluções externas com nossos sistemas. Estamos habilitando essa plataforma de API’s para podermos acoplar com mais facilidade e agilidade.

O serviço não precisa ser necessariamente feito por nós, mas podemos entregar o serviço para nosso cliente.

Somos sempre lembrados pelo atendimento a pessoas físicas. Mas quero lembrar que temos atendimento para empresas, importadores e exportadores que têm algum vínculo com o Brasil. Temos mais de 250 empresas atendidas localmente.

Procuramos criar parcerias para facilitar essa experiência, para que o empresário perca o menor tempo possível para suas atividades.

GUIAJP: Temos a impressão de que o Brasil é muito mais avançado que o
Japão nos projetos de cashless. O que você acha?

ALISON: Está correto. Quando chegamos ao Japão temos a ideia de tecnologia. Mas
especificamente no sistema financeiro, de experiência do cliente, o Brasil está alguns
passos à frente. Já abandonamos o cheque, o fax, temos a revolução do Pix, que foi puxada pelo Banco Central.

Esse sistema veio de uma dor, que foi o período inflacionário da economia brasileira. Tínhamos que ter um sistema ágil. O mercado brasileiro é referência no que tange a experiência do cliente.

Estamos tentando trazer um pouco dessa agilidade para o sistema japonês.

Os trabalhadores estrangeiros da Ásia, do Vietnã, Filipinas, Indonésia e Tailândia têm
dificuldades em lidar com recursos financeiros no Japão.

Queremos melhorar a experiência desses clientes por meio do sistema de digital
boarding, facilitar os meios de pagamento, oferecer um cartão de crédito, financiamento e empréstimos. Esse é nosso objetivo. Naturalmente existe uma jornada, por isso trabalhamos muito nesse sentido.

GUIAJP: Supondo que exista uma iniciativa, como seria o processo junto ao BB?

ALISON: Como vimos no BSP, havia uma iniciativa voltada para facilitar a jornada das empreiteiras. Se de alguma forma isso tiver conexão com o serviço de pagamentos, podemos fazer junto com nossa TI, organizar para integrar esse serviço com nossa solução interna.

Mesmo que seja um pequeno serviço que melhore alguma ponta da jornada, podemos sentar, conversar, integrar e desenvolver em conjunto.

GUIAJP: Qual a visão do japonês sobre o Banco?

ALISON: Temos uma quantidade expressiva de clientes japoneses, que têm a visão de o Banco ser a imagem do Brasil aqui.

Eles são interessados em diversificar os investimentos.

Pelo quinto ano consecutivo somos o banco mais sustentável do mundo. Quase 300 bilhões de reais da nossa carteira de ativos são categorizados como ativos sustentáveis. Isso é uma grande marca aqui no Japão e acabamos atraindo mais
investidores por isso.

Também fazemos parcerias com bancos locais. Eles têm interesse em investir no Brasil até mesmo pela presença de grandes empresas japonesas no país, grandes tradings, empresas do setor automobilístico.

O Japão tem a necessidade de zerar ou equalizar sua emissão de CO2 até 2050. Dentro desse compromisso, o Brasil é um país que pode gerar crédito de carbono e o BB atua na comercialização desses créditos em sistema de plataforma.

Recentemente realizamos um evento para os investidores institucionais falando sobre o mercado de carbono brasileiro. Outro dado importante é que 30% de todo potencial de crédito de carbono de floresta do mundo vem do Brasil.

Temos o papel de dar apoio, de impulsionar a cadeia comercial. O Banco do Brasil está aqui em Tóquio e em Shangai representando a Ásia. Enquanto a unidade de Shangai cobre a China, aqui de Tóquio cobrimos os demais 32 países asiáticos.

GUIAJP: Como funciona a questão do fuso horário, já que são 12 horas de diferença entre Brasil e Japão?

ALISON: É uma grande experiência. Tentamos nos organizar da melhor forma. No começo foi um tanto exaustivo, mas vamos nos acostumando. Estamos à disposição nessa missão de representar o país e o Banco.

Para fazer negócio é 24×7. Negócio não tem hora.

GUIAJP: Em relação à remessa de dinheiro, qual a posição do Banco do
Brasil?

ALISON: Nosso cliente quer um ambiente seguro, ágil e com preço que faça sentido.

O Banco do Brasil tem a solidez e segurança de que os recursos enviados chegam ao destino. Temos atendimento em português e conferimos que tudo está de acordo com as regulações e cumprindo as leis.

Mas estamos sempre melhorando a jornada dos nossos clientes. Temos parcerias com bancos peruanos, com bancos asiáticos e estamos integrando com o Pix no Brasil.

Não queremos competir com as empresas de remessas. Queremos ser um banco completo para nossa comunidade, não apenas na remessa, como também na gestão dos seus recursos.

Por exemplo. No Japão, é comum abrir uma conta para a criança quando ela nasce. Recentemente lançamos a conta para o menor de idade no Banco do Brasil. Queremos trabalhar a cultura financeira, a questão das mesadas. Isso é muito importante.

Nos associamos ao Seven Bank. Nosso cliente pode fazer qualquer transação em qualquer terminal da loja de conveniência, sem o cartão. Só com o celular é possível fazer uma transação de forma fluida.

GUIAJP: Analisando tudo que você disse, percebemos um posicionamento da marca no mercado. A diferença não está só no que se vê, mas em cada ação somada.

ALISON: O primeiro CNPJ do Brasil é do Banco do Brasil.

Cito isso para dizer que é uma honra estar numa companhia sólida, alinhada às melhores práticas de mercado. Temos um planejamento de 5 anos.

Para rejuvenescer nossos quadros, estamos com um concurso no Brasil na área de TI, para desenvolver nossa área. Hoje em dia, o banco está se parecendo com uma empresa de tecnologia, não só como banco.

Muitas empresas brasileiras crescem tanto que precisam estar no exterior. E para estar no exterior, precisam de parceiros comerciais. Para isso, o Banco do Brasil está presente.

GUIAJP: Você traz conceitos de empreendedor, não de executivo de grande empresa. De onde vem essa veia de empreendedor?

ALISON: Venho de uma família humilde. Desde pequeno vendia bolo, picolé, fui engraxate.

Minha família era comerciante. Sou da área de TI, mas tenho essa veia comercial muito forte.

Penso que a cabeça de empreendedor vem do inconformismo. Precisamos entender que hoje podemos ser melhor que ontem. Ter um pensamento de contínuo desenvolvimento. Desaprender e reaprender.

E isso é extremamente importante hoje, pois as profissões estão mudando.

Anos atrás fiz curso de datilografia. Isso era um diferencial na época. Mas depois, não mais.

O ponto é: a gente precisa estar em contínuo desenvolvimento. Sempre há oportunidade de se desenvolver para ações que gerem mais valor agregado, mais criatividade.

Investir no nosso próprio capital humano é fundamental. Esse investimento traz um diferencial competitivo. Não é fácil, não é simples.

Quando fui fazer capacitação em idiomas, fui com custo próprio, abri mão de duas
férias. No Mestrado abri mão de várias noites de sono, finais de semana. Tudo é
questão de escolha.

É fato que pessoas com maior nível educacional, em setores com alta demanda, têm salários maiores.

Precisamos nos lançar para os desafios, ter fé. Nem sempre dá certo. Mas é preciso ter persistência e resiliência.

GUIAJP: Você nos deu uma perspectiva de antagonismo no que diz respeito ao
movimento empreendedor, que diz como se fosse algo ruim ser carreirista. Mas
vendo sua trajetória, percebemos que sua base empreendedora fez você criar
ações intraempreendedoras.

ALISON: De fato. O filme ̈O menino que descobriu o vento ̈ mostra isso. Que você
pode empreender mesmo num ambiente que não te favorece.

Tem sempre algum espaço que você pode empreender, mesmo dentro da própria
empresa.

Mesmo numa empresa tradicional, você pode ter uma atitude de dono. No sentido
de ser responsável pelo lugar. Ver se a luz está apagada, se tem lixo no chão.
Maximizar resultados e engajar as pessoas. Isso não é só o presidente que deve fazer.

 

GUIAJP: Para finalizar, deixe uma mensagem para nossos leitores.

ALISON: Penso que se a gente quer ter um salário melhor, que investimento estamos fazendo em nós mesmos para isso?

Se a gente investe em conhecimento novo, isso passa a ser diferencial apenas por um tempo, por isso precisamos estar sempre em desenvolvimento.

E é nesse sentido que estamos buscando apoiar, em breve divulgaremos parceria com uma grande universidade brasileira pra incentivar a formação, especialização e geração de renda.

Estudos falam que as pessoas vão ter até 4 profissões ao longo da vida. Se não está feliz, precisa dar um salto de fé e procurar outro projeto de vida. Isso exige coragem.

Já tive diversas carreiras dentro do BB. Chegou um momento em que eu não tinha
mais o que aprender, e me desafiei. Isso gera desconforto. A vinda ao Japão foi isso.

Precisamos aproveitar nossa vitalidade para ter um projeto de vida, que nos traga
felicidade e senso de realização.

Em relação ao Banco do Brasil, queremos chegar à marca de 100 mil clientes aqui no
Japão. Fazer um trabalho que melhore a experiência dos nossos clientes, contribuir para que as famílias tenham mais renda e patrimônio. Queremos manter a relevância e o legado para nossa comunidade.

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