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Aposentadoria no Japão: o que todo estrangeiro precisa saber

Trabalhar no Japão envolve mais do que cumprir jornada, ganhar em ienes e aprender a separar o lixo. Um dos pontos mais importantes (e muitas vezes ignorado) é o sistema de aposentadoria japonês, que também se aplica a estrangeiros legalmente registrados. Entender como funciona pode evitar surpresas e garantir que seus anos de trabalho resultem em segurança para o futuro.

O que é o sistema de aposentadoria japonês?

O Japão possui dois sistemas principais de aposentadoria, ambos gerenciados pelo governo:

Kokumin Nenkin (国民年金) — Pensão Nacional:

Voltado para autônomos, estudantes, freelancers ou qualquer pessoa com mais de 20 anos que não está empregada em uma empresa com contrato formal. A contribuição mensal é fixa e obrigatória.

Kōsei Nenkin (厚生年金) — Pensão dos Trabalhadores:

Voltada para trabalhadores com contrato de empresa. A contribuição é proporcional ao salário e é dividida entre empregado e empregador. Essa categoria inclui cobertura adicional além da aposentadoria básica, como benefícios por invalidez e pensão para dependentes.

Estrangeiros também precisam contribuir?

Sim. Todos os residentes no Japão com mais de 20 anos devem contribuir para o sistema de aposentadoria, inclusive estrangeiros com visto de longa duração, visto de trabalho ou de cônjuge.

Não contribuir pode gerar problemas, como:

-Impedimento de renovar o visto;

-Dificuldades na solicitação de benefícios sociais;

-Perda de direitos futuros à aposentadoria ou reembolso.

Quanto tempo preciso contribuir?

O tempo mínimo de contribuição para ter direito à aposentadoria é de 10 anos (120 meses), conforme estipulado pelo governo japonês desde 2017. Antes disso, o mínimo era 25 anos.

E se eu for embora do Japão?

Se você trabalhou e contribuiu com o sistema por menos de 10 anos, pode ter direito ao Pagamento Único de Rescisão (脱退一時金) — um reembolso parcial das contribuições feitas ao Kokumin Nenkin ou Kōsei Nenkin. O pedido deve ser feito até dois anos após sair do Japão.

Atenção: ao receber o pagamento único, você abre mão de qualquer direito a aposentadoria futura no Japão.

E se eu quiser somar com o tempo do Brasil?

O Japão e o Brasil possuem um Acordo de Previdência Social. Isso permite que o tempo de contribuição em um país seja contabilizado no outro, evitando contribuições duplas e facilitando a obtenção de benefícios.

Por exemplo: se você trabalhou 5 anos no Japão e 10 no Brasil, pode usar o tempo somado para atingir os requisitos de aposentadoria em ambos os países.

Como saber se estou contribuindo?

Se você trabalha formalmente, a empresa geralmente faz o desconto automático no salário. O valor aparece no holerite com os termos:

厚生年金保険料 (Kōsei Nenkin Hokenryō) — contribuição da pensão dos trabalhadores.

健康保険料 (Kenkō Hokenryō) — contribuição para o seguro de saúde.

Se for autônomo ou estudante, você deve se registrar e pagar diretamente ao escritório local da previdência ou através de boletos.

Outros pontos importantes: 

-Verifique se sua empresa está realmente fazendo o pagamento (casos de irregularidade existem!).

-Mantenha um registro dos comprovantes de pagamento.

-Se tiver dúvidas, procure o escritório da Japan Pension Service (Serviço de Pensão do Japão) da sua cidade (年金事務所).

-Aplicativos e sites oficiais oferecem serviços em inglês e outros idiomas.

-Esteja atento aos prazos, principalmente se planeja sair do Japão.

A aposentadoria pode parecer distante, mas é um direito que se constrói com informação e responsabilidade. Estar regular com o sistema japonês é uma forma de cuidar do seu futuro e ter segurança, dentro ou fora do Japão.

Compartilhe com quem também precisa entender mais sobre isso. Informação é poder — e, neste caso, também é previdência!

Filho em casa nas férias? Veja como manter a segurança e o bem-estar no calorão

O verão no Japão pode ser bonito, mas também exige cuidados — especialmente com as crianças, que ficam mais tempo em casa durante as férias escolares. Altas temperaturas, umidade elevada e maior exposição ao sol podem representar riscos à saúde e ao bem-estar dos pequenos.

Neste guia, você confere orientações práticas para manter as crianças seguras, hidratadas e protegidas durante os dias mais quentes.

  1. Atenção aos sinais de insolação
    O calor intenso do verão japonês pode levar a quadros de insolação. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão (厚生労働省), os sintomas mais comuns incluem tontura, náusea, dor de cabeça e confusão mental.

Como prevenir:

-Evite atividades ao ar livre entre 10h e 15h.

-Mantenha as crianças em ambientes ventilados e com ar-condicionado.

-Ofereça líquidos com frequência — mesmo que elas digam que não estão com sede.

  1. Hidratação é prioridade
    A Agência de Gerenciamento de Incêndios e Desastres do Japão (FDMA) recomenda que crianças bebam água a cada 30 a 60 minutos, mesmo sem sentir sede. Sucos naturais e bebidas com eletrólitos (como Pocari Sweat) podem ser úteis em casos de exposição prolongada ao calor. Evite refrigerantes e bebidas açucaradas em excesso, que aumentam a sensação de sede e não hidratam de forma eficaz.
  1. Roupas leves e protetor solar
    Roupas de algodão, cores claras e chapéus com abas largas ajudam a proteger do sol sem superaquecer o corpo. De acordo com a Sociedade Japonesa de Dermatologia Pediátrica, é recomendável o uso de protetor solar infantil com FPS acima de 30, mesmo para brincadeiras curtas no quintal ou na varanda.
  1. Evite ambientes abafados
    Em dias úmidos, mesmo dentro de casa, a temperatura pode ultrapassar níveis seguros. Se não tiver ar-condicionado, o uso de ventiladores, cortinas térmicas e desumidificadores pode ajudar. Atenção: segundo dados da Japan Meteorological Agency, a temperatura interna ideal é entre 25ºC e 28ºC.
  1. Cuidado com o tempo de tela
    Durante as férias, é comum que o tempo de televisão, jogos ou celular aumente. No entanto, especialistas em desenvolvimento infantil, como os do National Center for Child Health and Development, alertam para o excesso: pode afetar o sono, causar irritabilidade e até prejudicar a visão.

Você pode:

-Estabelecer horários fixos para o uso de telas.

-Promover brincadeiras offline, como desenho, leitura e jogos educativos.

  1. Proteção contra insetos
    O calor também traz mosquitos e outros insetos indesejados. Use telas nas janelas e repelentes infantis (como Skin Vape ou Pigeon), que são amplamente recomendados por pediatras japoneses. Também é possível usar adesivos com citronela ou dispositivos elétricos próprios para ambientes com crianças.
  1. Supervisão é tudo
    Mesmo em casa, acidentes acontecem. Portas de correr, escadas, objetos cortantes e água (em baldes ou banheiras) exigem atenção redobrada. De acordo com dados do Consumer Affairs Agency do Japão, quedas e acidentes domésticos são as principais causas de visitas ao pronto-socorro durante as férias escolares.
  1. E para pais que trabalham? Opções e alternativas
    Muitos pais não conseguem folgar durante as férias escolares. Se este é seu caso, aqui vão algumas soluções comuns e seguras no Japão:

Programas de cuidado após a escola (学童 / gakudō)
-Atendem crianças do ensino fundamental durante as férias.
-Oferecem supervisão, refeições e atividades recreativas.
-As inscrições são feitas com antecedência, geralmente pela escola ou prefeitura local.

Serviços de babysitter
-Sites como Kodomoni ou CareFinder Japan oferecem cuidadores com experiência e idiomas variados.
-Há opções com cuidadores certificados, e algumas empresas aceitam pagamento por hora ou período fixo.

Ajuda de familiares ou comunidade
-Caso tenha familiares ou amigos de confiança por perto, combine revezamentos de cuidado.
-Algumas comunidades organizam clubes de verão ou encontros em parques e centros culturais.

Flexibilização no trabalho
-Algumas empresas oferecem sistema de home office parcial ou horário flexível.

-Desde 2022, o governo japonês tem incentivado medidas de equilíbrio trabalho-família, com subsídios para empresas que apoiam pais com filhos pequenos.

As férias de verão são um momento precioso em família. Com alguns cuidados simples — e atenção ao clima — é possível garantir um ambiente seguro, confortável e cheio de boas memórias. Aproveite os dias com seus filhos, e lembre-se: bem-estar começa com informação e prevenção.

Furou o pneu? O que fazer (e não fazer) nas estradas japonesas

Se deparar com um pneu furado no Japão pode ser estressante — especialmente quando as regras de trânsito e os serviços de emergência são diferentes do que estamos acostumados. Neste guia, você vai encontrar orientações práticas sobre o que fazer, o que evitar e como agir com segurança e tranquilidade.

1. Avalie a situação com calma
Se sentir que o pneu está murcho ou que o carro está indo de lado, reduza a velocidade gradualmente e estacione fora da pista, em local seguro — se possível, em um acostamento. Acenda o pisca-alerta para sinalizar o risco, mantenha os passageiros dentro do carro e caminhoneiros, motociclistas e até pedestres podem passar com mais cuidado.

2. Trocar o pneu ou usar o kit de emergência?
Se seu carro tem estepe e você sabe trocar pneu, use-o: é uma solução rápida e eficaz.

Se só tem kit reparo, saiba que eles são temporários. Segundo o Centro de Defesa do Consumidor no Japão, kits podem falhar em cortes profundos ou na lateral do pneu; nunca substituem totalmente o estepe.

3. Itens essenciais no porta-malas

Mesmo em estradas urbanas, mantenha sempre:

  • Triângulo de sinalização
  • Bangalô refletivo ou colete
  • Macaco e chave de roda (se tiver estepe)
  • Luvas, lanterna e compressor portátil

Segundo o NCAC, muitos motoristas não conhecem o conteúdo dos kits de reparo, e carros sem estepe completo podem gerar problemas.

4. Quando chamar o socorro — JAF

A Japan Automobile Federation (JAF) oferece assistência 24 h, com serviço em inglês e português. Ligue para #8139 (ou 0570‑00‑8139) e informe:

  • Localização precisa
  • Tipo de problema (pneu furado, pane, etc.)
  • Marca, modelo e cor do carro

5. O que não fazer
Evite dirigir com o pneu totalmente murcho — isso pode danificar a roda e comprometer o controle do veículo. E nunca pare no meio da pista: o risco de acidentes é alto. Sempre priorize a sua segurança e a dos demais.

6. Como se preparar para o inverno
Se você usar pneus de neve (obrigatórios em certas regiões), verifique se seus kits de reparo ou estepe são compatíveis — alguns oficinas não fazem conserto em pneus studless. E lembre-se: as trocas entre pneus de verão e inverno geralmente custam cerca de ¥10.000 por temporada em garagens locais.


Um pneu furado não precisa virar dor de cabeça. No Japão, saber onde parar, montar o estepe corretamente, e contar com o suporte da JAF pode transformar uma situação difícil em algo simples de resolver. Com preparação, é possível dirigir com mais tranquilidade — mesmo nas estradas cobertas de neve.

👉 Quer mais dicas práticas para viver com segurança e tranquilidade no Japão? Acesse jpguide.co e acompanhe nossos conteúdos!

#37 Ele fundou e vendeu 2 startups no Japão – Gustavo Dore

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Para o Gustavo, no Japão é mais difícil encontrar o “verdadeiro” pão de queijo mineiro do que fundar e vender startups para japoneses.

Este episódio é uma aula sobre estratégias de vendas, marketing e financiamento de negócios escaláveis.

O nosso entrevistado, Gustavo Dore é um dos poucos fundadores de startups que fez o ciclo completo no Japão. Fundou duas startups, conseguiu investimento anjo, de VC’s e fez 2 saídas (retorno do capital aos investidores).

Escute com atenção suas dicas e acompanhe suas redes sociais.

Obs.: Conteúdo em japonês.

https://www.linkedin.com/in/gustavodore
https://youtube.com/@dorejp

Mitos e verdades sobre a educação japonesa

A educação japonesa é frequentemente reconhecida mundialmente por sua disciplina, rigor e resultados acadêmicos sólidos. Para muitos descendentes de japoneses, especialmente no Brasil, esse modelo educacional é um reflexo presente na forma como famílias e comunidades vivem e educam as novas gerações. Mas o que é mito e o que é verdade sobre essa educação tão respeitada? E como esses valores tradicionais ainda ecoam na vida dos nipo-brasileiros?

Regras rígidas: mito ou realidade?

Um dos estereótipos mais comuns sobre a educação japonesa é a ideia de que ela é extremamente rígida e autoritária, com regras severas que limitam a criatividade e a liberdade dos estudantes. De fato, as escolas japonesas têm regras claras sobre uniformes, horários, comportamento e responsabilidades dos alunos, como a limpeza das salas e áreas comuns — uma prática que promove senso de responsabilidade coletiva.

Entretanto, estudos mostram que essa rigidez não é sinônimo de repressão, mas de um sistema que busca equilibrar disciplina com respeito mútuo e colaboração (Japan Ministry of Education, Culture, Sports, Science and Technology – MEXT). A estrutura rígida serve para criar um ambiente estável e propício para o aprendizado, onde a autodisciplina é incentivada desde cedo.

Valores como disciplina e hierarquia

A disciplina é um dos pilares da educação japonesa e está ligada a conceitos culturais profundos, como o respeito à autoridade, à hierarquia e ao grupo. O senso de coletividade prevalece sobre o individualismo — um valor que se reflete na organização das turmas, nas atividades em grupo e até na forma como os alunos ajudam a manter a escola limpa.

Esses valores podem parecer desafiadores para culturas mais individualistas, mas para muitos nipo-brasileiros, eles são parte da identidade que fortalece laços familiares e comunitários. A hierarquia, por exemplo, é vista como uma forma de respeito entre pessoas, presente tanto nas escolas quanto em casa e no trabalho.

O impacto para os nipo-brasileiros

Para a comunidade nipo-brasileira, esses valores educacionais continuam influenciando gerações, mesmo longe do Japão. Pais e avós muitas vezes reforçam a importância da disciplina, do respeito e do esforço nos estudos, transmitindo uma herança cultural que ajuda a manter viva a conexão com suas raízes.

Por outro lado, muitos jovens enfrentam desafios para conciliar esses ensinamentos tradicionais com as culturas mais flexíveis e individualistas do Brasil e do Japão moderno. A busca por um equilíbrio entre respeito às tradições e liberdade para se expressar tem gerado debates importantes dentro dessas comunidades.

Verdade: a educação japonesa vai além da sala de aula

Mais do que técnicas e regras, a educação no Japão valoriza o desenvolvimento integral do indivíduo — incluindo a formação do caráter, o senso de responsabilidade social e a importância do trabalho em equipe. Essa abordagem é refletida nas atividades extracurriculares, no envolvimento dos pais e no esforço para criar cidadãos conscientes e colaborativos.

Mito: educação japonesa é para todos igual

Apesar do modelo uniforme, existe diversidade dentro do sistema educacional japonês, e as experiências podem variar de acordo com a região, tipo de escola (pública, privada, internacional) e outras condições sociais. Além disso, o Japão está em constante evolução, incorporando novas metodologias para estimular a criatividade e o pensamento crítico dos alunos.

Para os descendentes, entender esses mitos e verdades é essencial para navegar entre culturas, preservar tradições e construir seu próprio caminho, respeitando o passado, mas também abraçando o futuro.

Verão chegou e os insetos também: proteja sua casa no Japão

Com a chegada do verão japonês, os insetos voltam a dar as caras — e não são poucos. Baratas, mosquitos e até formigas são presença frequente em casas e apartamentos durante os meses mais quentes. O aumento da temperatura, junto da umidade típica da estação, cria o ambiente ideal para a proliferação desses visitantes indesejados.

Mas a boa notícia é: com algumas medidas simples (e produtos que você encontra em qualquer farmácia ou loja de 100 ienes), é possível manter sua casa protegida.

Verão

Telas, limpeza e umidade: os três pilares da prevenção

A primeira linha de defesa começa na estrutura da casa. Verifique se as telas de proteção das janelas (網戸 / amido) estão bem ajustadas e sem furos — elas impedem que mosquitos e moscas entrem.

Manter a casa limpa e seca também é essencial. O lixo orgânico deve ser bem vedado e descartado com frequência. Restos de comida, gordura e até um copo com água parada podem atrair pragas. Use desumidificadores em ambientes fechados para evitar mofo e locais úmidos que atraem baratas.

Produtos populares no Japão que funcionam

Nas prateleiras, os campeões de venda continuam os mesmos:

  • Para mosquitos:
    • Skin Vape e Saratect são sprays corporais eficazes.
    • Dispositivos elétricos com refil, como o No-Mat, funcionam bem para quartos e salas.
    • O tradicional espiral anti-mosquito (katori senkō) ainda é útil em áreas abertas.
Skin vape
  • Para baratas:
    • As armadilhas Black Cap e Gokiburi Hoi Hoi são eficientes e duram semanas.
    • Sprays como Goki Jet Pro eliminam o inseto na hora.
    • Para prevenir, produtos como Earth Red oferecem uma “bomba” de inseticida para uso único e abrangente.
Gokiburi
Earth Red

Crianças, pets e alternativas mais seguras

Se você tem bebês, crianças pequenas ou animais em casa, opte por repelentes naturais ou armadilhas sem veneno. Há versões com óleos essenciais e até armadilhas adesivas sem componentes tóxicos.

Outro recurso interessante são os sprays de congelamento: eles paralisam o inseto instantaneamente, sem espalhar veneno no ar.

E se for picado?

Farmácias japonesas oferecem pomadas eficientes contra coceiras e inflamações causadas por picadas, como Muhi Alpha e Una Kowa. Ambas são vendidas sem receita.

Una Kowa
Muhi Alpha

O recado do JP Guide

Combater os insetos no verão japonês não precisa ser um pesadelo. Com um pouco de planejamento, produtos certos e atenção à rotina, dá pra passar a estação com tranquilidade.

E lembre-se: aqui, o JP Guide traduz o Japão pra você viver melhor — até nas horas mais irritantes do verão.

Por que o Japão leva sustentabilidade tão a sério? Spoiler: a gente deveria também.

Quando o assunto é meio ambiente, o Japão não brinca em serviço. Se você já mora aqui há um tempo, provavelmente percebeu que o país tem uma relação diferente com lixo, reciclagem, consumo e até com a natureza no dia a dia. Mas… por quê?

A verdade é que não é só questão de cultura — é também necessidade, consciência e compromisso coletivo. Vamos então entender juntos como (e por que) o Japão leva sustentabilidade tão a sério?

Um país pequeno, com grandes desafios
O Japão tem cerca de 126 milhões de habitantes vivendo em um território com pouco espaço útil, cheio de áreas montanhosas e sujeito a desastres naturais. Resultado? Recursos naturais são limitados e o espaço para aterros sanitários também.

Isso fez com que, desde muito tempo, o país desenvolvesse uma relação de respeito, reaproveitamento e cuidado com o que consome.

Lixo: aqui não existe “jogar fora”
Se você já teve que estudar os dias certos de coleta, separar queima, não queima, reciclável, latas, vidros, garrafas PET… bem-vindo! No Japão, gestão de resíduos é coisa séria.

O país tem uma das taxas de reciclagem mais altas do mundo, e grande parte do lixo não reciclável vira energia por meio da incineração — com processos altamente controlados pra reduzir impactos ambientais.

👉 Curiosidade: algumas cidades chegam a ter mais de 10 tipos de separação de lixo!

Tradição + tecnologia a favor do meio ambiente
A cultura japonesa sempre carregou valores como o mottainai (もったいない), que expressa a ideia de “não desperdiçar”. Isso se reflete até hoje na forma como a sociedade consome: reaproveitamento, conserto, reciclagem, consumo consciente.

Mas não para por aí. O Japão investe pesado em:

  • Energias renováveis, como solar e eólica.
  • Tecnologia limpa, como carros híbridos e elétricos.
  • Infraestrutura sustentável, com prédios que economizam energia e água.
  • Economia circular, onde resíduos de uma indústria são matéria-prima para outra.

Cidades verdes e bem cuidadas
Perceba: mesmo nas grandes cidades, há muito zelo pelos espaços públicos. Parques limpos, áreas verdes bem cuidadas, jardins comunitários e florestas urbanas fazem parte do cenário — e da qualidade de vida.

Isso não acontece por acaso: é resultado de uma cultura onde o coletivo importa, e onde o cuidado com o meio ambiente não é só responsabilidade do governo, mas de cada pessoa da comunidade.

E o que a gente aprende com isso?
Seja vivendo aqui ou em qualquer outro lugar do mundo, o Japão dá uma aula prática de que sustentabilidade não é tendência — é necessidade.

  • Consumir de forma consciente.
  • Cuidar dos espaços públicos como se fossem extensão da nossa casa.
  • Reduzir, reutilizar e reciclar de verdade.
  • Entender que pequenas ações, somadas, fazem um impacto gigante.

💚 Vamos fazer a nossa parte?
Se o Japão leva sustentabilidade a sério, a gente também pode — e deve. Afinal, não existe planeta reserva. 🌍

Gostou desse conteúdo?
Compartilhe com quem também acredita que cuidar do meio ambiente é coisa séria! E se quiser mais dicas, informações e curiosidades da vida no Japão, continua com a gente aqui no JP Guide.

#36 Ele traduz ciência quant em 6 línguas – Diego Stone

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Sergio Sacani conseguiu popularizar a ciência

no youtube, e hoje, milhões de brasileiros acompanham lançamento de foguetes ao vivo.

Mas nós encontramos um brasileiro que vai muito além, ele traduz a ciência brasileira de ponta (agro/pharma) para os gringos, e até em chinês.

Seu maior desafio é mostrar ao mundo o que é feito em deeptech (startups baseadas em investigação científica apoiadas por patentes que atuam com inovação comolexa) no Brasil.

O Brasil é líder em tecnologias no campo, mas poucas pessoas no mundo tem informações sobre esse setor. Diego Stone é um empreendedor serial e líder em inovação no setor de “Deeptech” que está a frente de startups e hubs que resolvem este enorme problema brasileiro.

Além de informar o público sobre esse diferencial tecnológico, Diego trabalha com apoio institucional e cria exemplos práticos que dão resultados como a Krilltech, que Diego co-fundou e está indo muito bem no agro brasileiro.

Por ser um engenheiro químico formado na UFRJ, com pós na USP, e carreira na indústria tradicional, Diego conseguiu entender a distância entre as pesquisas acadêmicas e suas aplicações práticas. Mas foi em Stanford que descobriu o mundo das startups e como traduzir a linguagem acadêmica para o mercado e vice-versa.

Com isso, além de ter co-fundado duas “deeptechs”, está do outro lado da mesa mentorando startups e fornecendo conselhos estratégicos para investidores e parceiros dos hubs de inovação pelo mundo.

Na semana que lançamos o episódio, Diego e seu time foram escolhidos pelo WEF top 10 mundial em inovação quântica (https://uplink.weforum.org/uplink/s/uplink-contribution/a01TE00000DP4QqYAL/Revolutionizing%20drug%20discovery%20with%20quantum-powered%20diagnostics) e foram representar o Brasil em Riyadh na Arábia Saudita.

Para o futuro, Diego reconhece o Brasil como um provedor de soluções sustentáveis, tecnológicas e rentáveis. Ah! Ele fala 6 línguas de forma fluente.

Seu Linkedin https://www.linkedin.com/in/diegostoneaires/

Arte Brasil: terceira edição reafirma protagonismo cultural da comunidade brasileira no Japão

Hamamatsu, Japão – De 6 a 11 de maio de 2025, a cidade de Hamamatsu será palco da terceira edição do Arte Brasil, evento que se consolida como uma das principais expressões artísticas da comunidade brasileira no Japão. Com mais de 140 artistas participantes, a programação será realizada no Create Hamamatsu, com entrada gratuita e aberta ao público.


Entre os destaques desta edição está a realização do primeiro leilão de obras de arte em formato 100% online, com peças disponíveis para lances via plataforma digital ao longo da semana do evento. A novidade busca ampliar o alcance das obras, permitindo que colecionadores, entusiastas e o público em geral participem de qualquer lugar do Japão.


Outra inovação é a estreia da galeria digital oficial do Arte Brasil, um ambiente online criado para valorizar e comercializar as obras expostas, conectando artistas a novos públicos e oportunidades de mercado.


A edição de 2025 também contará com a presença simbólica de dois nomes consagrados das artes plásticas brasileiras: Darlan Rosa e Omar Franco, que cederam obras exclusivas para a exposição. Suas contribuições reforçam o elo artístico entre Brasil e Japão e ampliam o prestígio do evento.


Mais do que uma exposição, o Arte Brasil é um projeto de resgate da identidade e valorização de talentos esquecidos. Muitos dos participantes são brasileiros que, após anos dedicados a trabalhos industriais no Japão, reencontraram na arte uma forma legítima de expressão e pertencimento. O evento funciona como uma plataforma de visibilidade e autoestima para esses criadores.


O projeto também investe nas novas gerações. O espaço Arte Brasil Kids apresentará obras desenvolvidas por crianças da comunidade, incentivando desde cedo a construção de carreiras criativas e o reconhecimento da arte como instrumento de desenvolvimento pessoal.


Aberto a brasileiros, japoneses e ao público internacional, o Arte Brasil reafirma a arte como elo entre culturas e como voz ativa da comunidade imigrante.


SERVIÇO
Arte Brasil – 3ª Edição
De 6 a 11 de maio de 2025
Das 10h às 20h
Local: Create Hamamatsu – Hamamatsu-shi
Exposição presencial | Galeria digital | Leilão de obras (online) | Arte Brasil Kids
Entrada: Entrada gratuita
Mais informações e catálogo: artebrasil.jp

Hora de trocar o guarda-roupa: chegou a koromogae!

Entenda como essa tradição japonesa vai muito além da organização — e descubra como aplicar o koromogae na sua rotina com praticidade e propósito.

Se você mora no Japão, já deve ter notado que o clima muda de verdade, né? Sai o frio cortante e entra aquele ventinho mais leve, flor de cerejeira caindo, guarda-chuva na mochila… e o guarda-roupa? Esse também precisa acompanhar o ritmo da estação. É aí que entra o koromogae (衣替え) — uma tradição japonesa que vai além da troca de roupas: é um ritual de renovação, cuidado e conexão com as estações.

O que é o koromogae?

Koromogae significa, literalmente, “troca de roupas”. A tradição existe há séculos no Japão, influenciada pela corte imperial e, mais tarde, pelos calendários escolares e corporativos. Oficialmente, a troca acontece duas vezes por ano:

1º de junho — entra a roupa de verão
1º de outubro — volta a roupa de inverno

Na prática, muita gente já começa a se preparar com a chegada da primavera, quando os dias ficam mais leves e o guarda-roupa começa a pedir tecidos mais frescos. É uma forma de ajustar não só o corpo, mas também o ritmo da rotina à mudança das estações.

Mas não é só tirar a blusa do armário e pronto. A ideia é fazer uma transição consciente, organizando o espaço, lavando e guardando bem as roupas da estação anterior, e aproveitando para avaliar o que você realmente usa.

Por que isso ainda é tão importante no Japão?

Em escolas, repartições públicas e empresas, o koromogae é seguido religiosamente. Os uniformes mudam conforme a estação, e isso reforça valores como ordem, cuidado pessoal e alinhamento com o coletivo — algo muito valorizado na cultura japonesa.

Fora isso, o Japão tem estações bem definidas, então guardar roupas pesadas durante o verão ou roupas leves no inverno faz total sentido tanto para otimizar espaço quanto para preservar os tecidos.

Como aplicar o koromogae na sua rotina?

Não precisa ser super formal — dá pra adaptar e trazer essa prática de forma prática e útil pro seu dia a dia:

Separe um dia para rever seu armário e fazer uma boa triagem
Lave, dobre e armazene com cuidado as roupas que sairão de cena
Doe ou repasse o que você não usa mais (que tal ajudar alguém com o que tá sobrando aí?)
Use a troca como uma oportunidade de organizar a mente e os planos — como se fosse um “reset” de estação

Dica local: onde armazenar roupas fora de temporada?

Se o seu apato é pequeno (quem nunca?), você pode usar aquelas caixas organizadoras a vácuo (fáceis de achar na Daiso, Seria ou Nitori) que economizam muito espaço. Outra dica são os self storages (mini depósitos) como o Hello Storage ou Kurazou, populares em grandes cidades japonesas.


A troca de estação no Japão é sobre como você escolhe seguir em frente, mais leve, mais consciente e de bem com o seu espaço (interno e externo).

Então, que tal aproveitar essa virada de tempo e fazer o seu koromogae com propósito?