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O Luto do Idoso

Ao longo da vida, o ser humano experiencia várias perdas ( luto ), a começar quando os filhos crescem e se casam, a perda de emprego, de namorado, de um ente querido, o distanciamento e/ou perdas de amigos, entre outras circunstâncias. A todo momento nós passamos pela experiência de perder, abandonar e/ou desistir de alguma coisa.

Cada perda produz um sofrimento e dores diferentes. Ela faz parte da vida e, mesmo assim, é dolorosa, e o processo de elaboração e de aceitação é difícil e lento.

No entanto, para as pessoas da terceira idade as perdas estão relacionadas à morte de entes queridos, amigos e colegas, ao fim do vínculo profissional, social e familiar. Para o idoso o maior desafio é como sobreviver a essas perdas. Embora a morte seja admitida como um fato, o idoso, principalmente, demonstra grande dificuldade em aceitá-la, bem como abordar o assunto com os familiares.

A perda de grande sofrimento para o idoso é a do cônjuge. É aquela pessoa com quem construiu e compartilhou toda a sua vida e, consequentemente, a sua ausência lhe traz inabilidade, insegurança e desamparo. O pesar e a dor são tão profundos por um tempo que a pessoa perde recursos de enfrentamento da situação, sentindo-se incapaz de encarar a vida.

O Luto do Idoso

O Luto do Idoso

Algumas características são comuns ao luto, como uma tristeza profunda, afastamento das atividades normais, o choro, a perda da vontade de saber sobre coisas que acontecem ao seu redor, distúrbio do sono e do apetite, a incapacidade de substituir ou assumir algo novo, etc. O período do luto compreende várias fases e difere de pessoa para pessoa, as fases não são rígidas e não têm uma sequência exata. Passando por esse processo, da descrença à aceitação, poderá ocorrer a elaboração do luto e a retomada de um novo equilíbrio.

É essencial que os familiares tenham paciência com o idoso enlutado, deixando-o falar seus sentimentos sobre a perda, suas dores e sofrimento, mesmo que seja repetitivo, pois auxilia na elaboração do luto e enfrentamento da sua realidade. Nesse momento, o idoso necessita de empatia, calma e atenção.
Alguns fatores como os aspectos religiosos e espirituais podem facilitar o enfrentamento. Muitas vezes, a espiritualidade pode ser um recurso para enfrentar a situação de perda, dor e frustação, proporcionando um novo significado para a vida. Participar de um grupo de apoio também é sempre positivo.

É saudável para o idoso que dê tempo ao tempo, que se esforce para conversar com as pessoas mais queridas, faça atividades relaxantes e construtivas, retomando gradativamente as atividades que lhe davam prazer acrescentando mudanças na rotina, pois pequenos detalhes podem fazer a diferença.

 

 

Psicóloga

Lucia Yulico Ishii Sato

CRP- 08/30659

Psicóloga do Projeto Sakura.

Projeto Sakura – Atendimento psicológico no Japão

www.projetosakura.com.br

Brasiliana- Pizzaria

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Nada como o sabor da comida da nossa terra natal, não é mesmo?

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Se sentir em casa nunca foi tão saboroso.

Segunda   Fechado

Terça        18:00 PM- 23:00 PM

Quarta      18:00 PM- 23:00 PM

Quinta      18:00 PM- 23:00 PM

Sexta        18:00 PM- 23:00 PM

Sábado     12:00 PM- 24:00 AM

Domingo  12:00 PM- 23:00 PM

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Hyogo – Uma província entre dois mares

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Hyogo

Uma província entre dois mares

Texto: Roberto Maxwell

 

Cortada pelas montanhas, Hyogo é uma das duas únicas províncias do Japão banhadas pelo Mar Interior de Seto e pelo Mar do Japão. (A outra é Yamaguchi.) Localizada estrategicamente, cresceu como uma espécie de periferia da antiga corte imperial, Kyoto, e como uma extensão da dinâmica Osaka. Mas não ficou à sombra delas. Hyogo tem como capital Kobe, uma das mais importantes cidades portuárias do país, diretamente relacionada à história dos brasileiros no Japão. Foi de seu porto que embarcaram grande parte dos imigrantes japoneses que se aventuraram na América do Sul desde o início do século 20.

Do Porto de Kobe saíam e chegavam não somente pessoas, mas também produtos. O local era escoadouro de boa parte da produção regional, fazendo uma conexão entre a ilha principal do arquipélago e Shikoku, no outro lado do Mar Interior de Seto. Daqui, a cultura do saquê também se difundiu pelo Japão a partir da região de Nada, a maior produtora da bebida em todo o país até os dias de hoje.

Hyogo

Porto de Kobe

Dada a importância da região, não é estranho que fique em Hyogo um dos maiores castelos japoneses. Um dos poucos originais remanescentes, Himeji é a fortificação histórica mais visitada do país e uma das mais belas e mais bem preservadas. Nesta edição, o GUIA JP te leva para um giro na província de Hyogo. Vem com a gente!

 

Irmã da Cidade Maravilhosa

Kobe é a capital da província de Hyogo e uma das 10 maiores cidades do Japão, com mais de 1,5 milhão de habitantes. Durante muitos séculos, Kobe vem prosperando como cidade portuária. Aliás, foi do porto de Kobe que saiu a primeira leva de imigrantes japoneses com direção ao Brasil, uma história que é contada no Museu da Imigração, um pequeno espaço dentro do Centro de Imigração Internacional e Intercâmbio Cultural. O prédio, inaugurado em 1928, abrigava um órgão de imigração do governo japonês e funcionava como uma espécie de dormitório e centro de treinamento. Candidatos a imigrantes vinham de todas as províncias do Japão, passando pelo local antes de embarcarem nos navios que os levavam para o Brasil e outros países da América do Sul.

Kobe

Porto de Kobe

Mas a relação de Kobe com a Pátria Canarinho não acaba aí. Espremida entre o mar e a montanha, a capital de Hyogo tem uma geografia semelhante à do Rio de Janeiro. Também compartilhando a história portuária, Kobe e Rio de Janeiro são reconhecidas como cidades-irmãs.

Bem conservada, a região do litoral de Kobe é um convite para o visitante e, também, um local de reflexão. É na área portuária que fica o Museu Memorial do Grande Terremoto de Hanshin-Awaji, construído depois do grande sismo de 1995, o qual matou mais de 5 mil pessoas e deixou como legado leis de construção mais duras. Aberto ao público, o espaço também tem um centro de treinamento, com atividades que ajudam os visitantes a entender o que fazer em caso de catástrofes naturais.

Próximo ao porto, fica o Parque Memorial do Terremoto, onde foram preservadas áreas atingidas pelo sismo de 1995, como rachaduras no chão e uma luminária, ainda em funcionamento, inclinada entre os pedaços de asfalto. Também ali fica a tag BE KOBE, um dos pontos mais instagramáveis da cidade.

Terremoto de Kobe

Parque Memorial do Terremoto

A poucos quilômetros da área portuária, fica o centro de Kobe, no entorno da estação de Sannomiya. É nesta região que ficam os principais agitos da cidade, em especial no quesito gastronomia. Por causa do porto, Kobe se tornou atrativa para os milhares de estrangeiros que vieram para o Japão a negócios com a abertura do país, no Período Meiji (1868 – 1912). Comunidades de países europeus e asiáticos se formaram na cidade e isso se reflete na gastronomia. Não são poucos os cafés em estilo anglo-saxão e restaurantes chineses.

Kobe Sannomiya

Mas o grande assunto gastronômico da capital de Hyogo é o Kobe Beef, a mais conhecida marca de wagyu, com sua carne marmorizada e extremamente saborosa. Com mais de 200 anos de isolamento, o país ficou décadas sem importar gado, desenvolvendo raças locais próprias. Com a Restauração Meiji, animais vindos principalmente da Europa foram trazidos para o país e, do cuidadoso cruzamento, surgiu o wagyu. Apesar da confusão mundo afora, somente a carne bovina da raça tajima, produzida na província de Hyogo, pode ser chamada de Kobe Beef. Além disso, existem outras especificações técnicas que fazem da marca rara, e, por isso, cara. Em Kobe, vários restaurantes servem a iguaria, de simples casas de lámen até sofisticados estabelecimentos de teppan-yaki, a carne preparada na chapa.

Kobe Beef wagyu

A origem do saquê

Nada é o nome da região em que você pode aprender tudo — ou quase tudo — sobre a história do saquê no Japão. A área, que fica dividida entre as províncias de Hyogo e Osaka, é considerada o berço desta bebida fermentada, considerada a cara do país. Nada também é a maior área produtora de saquê do Japão, por isso vale muito a pena a visita.

Uma conjunção de fatores é responsável por tanto sucesso. No século 15, o saquê de Nada era reconhecido como superior ao das demais regiões do Japão. Registros mostram que, na tentativa de entender a razão disso, os próprios fabricantes faziam experimentos, como trocar o arroz e até o mestre de produção. O resultado, no entanto, era sempre o mesmo. Independentemente das condições, o saquê de Nada era melhor que todo o resto.

Hyogo Sake

Kobe Konan Muko no Sato

Foi só no século 19 que uma coincidência encontrou a resposta tão procurada. A família Yamamura tinha duas fábricas em localidades diferentes da mesma região: Nishinomiya e Uozaki. Os produtores perceberam que o saquê de Nishinomiya era infinitamente superior ao de Uozaki e, um belo dia, a ficha caiu. Eles decidiram levar água de Nishinomiya para a outra fábrica e bingo! A diferença estava na fonte! A água ganhou o nome de Miyamizu — a partir do nome da região mas que, por coincidência, também pode ser traduzido como “água sagrada”.

Mas não era só isso. A água, claro, garantia o bom saquê, mas era o porto que fazia com que a bebida chegasse a outras regiões do país, em especial Edo, que já no século 17, era a maior área urbanizada do mundo. Assim, o saquê de Nada deitou e rolou como o melhor do Japão, até o surgimento de áreas produtoras em regiões mais frias do país.

Diversas sakagura — fábricas de saquê, em japonês — podem ser visitadas na região. As maiores possuem museus que contam a sua história e áreas para a degustação da bebida. Como muitas são bem próximas entre si, é um passeio que pode ser feito a pé. Além das fábricas de saquê, vale visitar também o Kobe Konan Muko no Sato, um espaço voltado para alimentos produzidos com o sake kasu, a borra do saquê. Além da loja e de um pequeno museu, o local tem restaurantes onde se pode provar in loco as iguarias.

 

Fuga para as montanhas

Com uma geografia acidentada como a do Rio de Janeiro, Kobe é uma cidade “surf & turf”. Em outras palavras, pode ser aproveitada no litoral e na montanha, de onde é possível ter uma vista privilegiada de Kobe e de Osaka. Três serviços de teleférico partem de locais diferentes e levam alguns dos picos da região. O Monte Rokko é um deles. No entorno da estação, fica um jardim botânico, um museu de caixinhas de música e um complexo com restaurantes e lojas. Dali, também é possível pegar outro teleférico para Arima Onsen, uma estância de águas termais com mais de 1000 anos de história, muito frequentada pelos locais.

Kobe Rokko onsen

Arima Onsen

Arima tem dois tipos de águas termais. A Kinsen (algo como “água dourada”) tem cor acobreada por ser rica em ferro. É considerada boa para problemas na pele e dores musculares. Já a Ginsen (água prateada) é rica em rádio e carbonato e costuma ser procurada para quem tem problemas musculares e nas juntas. O visitante não precisa ficar hospedado em diferentes ryokan para conhecer os dois tipos de banho. Existem dois estabelecimentos públicos no local, cada um especializado numa das águas termais da localidade.

 

Província dos dois castelos

Apesar da grandeza de Kobe, não há dúvidas de que o grande cartão postal de Hyogo é o Castelo de Himeji, considerado por muitos a mais bela das 12 fortificações em estado original ainda existentes no Japão. Com a retomada do poder pela corte imperial, que deu o início à Era Meiji, uma das mais drásticas medidas do novo governante foi a destruição dos castelos, símbolos do xogunato, o regime militar. A decisão seria, anos mais tarde, motivo de arrependimento em diversas regiões do país, que acabaram reconstruindo as fortificações, em especial por conta do apelo turístico. Himeji não sofreu o mesmo destino por pouco.

Localizada a cerca de 60 km de Kobe, Himeji também é uma cidade de vocação portuária. Com seus quase 500 mil habitantes, é cidade-irmã da capital do estado do Paraná, Curitiba. Seu castelo era um dos maiores do país no século 19, quando foi abandonado. Uma parte da fortificação, inclusive, tinha sido derrubada para se tornar uma espécie de quartel para o novo exército imperial. Foi um coronel, no entanto, que impediu que a construção inteira viesse abaixo. Nakamura Shigeto fez forte campanha entre os residentes e governantes para que se preservasse o castelo, na época pertencente a um particular que o tinha comprado por cerca de 200 mil ienes, nos valores de hoje.

Castelo de Himeji

Castelo de Himeji

Na Segunda Guerra Mundial, a cidade de Himeji foi fortemente bombardeada pelas forças Aliadas, por causa de suas indústrias de base e infraestrutura. O castelo sobreviveu, mesmo depois de uma bomba cair sobre ele. O artefato acabou não explodindo. Nem mesmo o terremoto de 1995, o qual derrubou milhares de construções na província, foi capaz de abalar sua estrutura de mais de 400 anos. Recentemente renovado, o Castelo da Garça segue imponente e gracioso como o animal que lhe deu o nome.

A cerca de 1 hora de trem de Himeji fica a base da montanha que um dia recebeu o Castelo de Takeda, um dos muitos que não tiveram a mesma sorte que seu colega mais famoso. Mas a ruína do chamado Castelo Flutuante — por causa de sua posição acima das nuvens — começou bem antes do Período Meiji. Takeda foi construído em 1411 e conquistado por Toyotomi Hideyoshi — um dos unificadores do Japão — na famosa Batalha de Sekigahara, no ano de 1600. Embora não tenha sido destruído na luta, o castelo foi abandonado e perdeu a guerra contra o maior dos inimigos: o tempo. Nenhum prédio ficou de pé para contar a história nos dias de hoje.

Castelo de Takeda - Hyogo

Castelo de Takeda

Nos anos 1970, as bases da fortificação foram restauradas e o platô onde o castelo ficava localizado começou a receber visitantes, todos encantados com a vista das montanhas e da cidade. Além disso, é possível ver o castelo coberto de nuvens nos meses de outubro e novembro, ao nascer do sol. As melhores vistas ficam na localidade conhecida como Ritsuunkyo, do outro lado do vale, em pontos que ficam a cerca de 40 minutos de caminhada a partir do estacionamento destinado aos visitantes.

 

Museu Memorial do Grande Terremoto de Hanshin-Awaji
Hyogo-ken Kobe-shi Chuo-ku Wakino Hamakaigandori 1-5-2.
Valor: ¥600.
https://goo.gl/maps/ZFuZASYrTXFktrFG9

Parque Memorial do Terremoto
Hyogo-ken Kobe-shi Chuo-ku Hatoba-cho 2.
https://goo.gl/maps/KHmCWwsTTy3onSMm7

Kobe Konan Muko no Sato
Hyogo-ken Kobe-shi Higashinada-ku Mikagetsuka-machi 4-4-8.
https://goo.gl/maps/a5QHpusoKais8TRi6

Castelo de Himeji
Hyogo-ken Himeji-shi Honmachi 68.
Vaçor: ¥1000 (adultos) e ¥300 (estudantes até o Ensino Médio).
https://goo.gl/maps/AN7mzjDo3UkPykFVA

Castelo de Takeda
Hyogo-ken Asago-shi Wadayama-cho Takeda Kojosan 169.
Valor: ¥500 (adultos), crianças até o ensino fundamental não pagam.
https://goo.gl/maps/qAo589BDDAs6fatu9

Ansiedade

A queixa mais comum daqueles que me procuram para aprender a meditar é a ansiedade. O desconforto causado por este sintoma pode se manifestar como: sensação contínua de agitação interna; impulsividade; intensidade; perda de foco; e deslocamento para o tempo futuro.

Em estágios mais avançados, encontramos insônia e fobias, além de manifestações físicas, como: pressão na cabeça; dores no corpo; tremores; sudorese, enfim, o ansioso sofre terrivelmente.

Muitos são os fatores que causam a ansiedade; na minha tese de doutorado, por exemplo, destaquei aqueles relacionados ao trabalho, como: exigência de alta performance; de hiperqualificação; de multitarefa; e de rapidez, o que leva o sujeito a um medo constante, a uma angústia que chamo de estigma da insuficiência.

Em nosso cotidiano, nós também somos influenciados por esses fatores na família, na escola e nas relações que estabelecemos. Os estímulos são absurdamente padronizados no campo ideal da beleza, do corpo e na negação da velhice e da morte. Sem perceber, estamos sempre cultivando essas insuficiências.

Na meditação, buscamos a atenção no momento presente, único tempo em que o contentamento pode ser percebido. Ao treinarmos esta estabilidade de presença, tornamo-nos menos suscetíveis aos estímulos externos.

Os aspectos internos percebidos através da quietude, da permissão para pausar e relaxar, promovem frescor na nossa mente, um autoconhecimento que nos aproxima daquilo que realmente importa: nossos valores mais profundos.

A conexão com nós mesmos é a prática da meditação. Se nos reunimos com tanta gente para encontrar soluções para problemas, por que não poderíamos ter esse encontro diário com nós mesmos? Na prática, a ansiedade é regulada porque organiza a nossa mente cansada, fazendo com que vejamos com mais clareza e nos tornemos menos suscetíveis à correria e ao caos.

 

Viviane Giroto

Especialista em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Sciences et Techniques du Corps – ISRP – Paris, France

Ph.D. em Psicologia pela UFRJ

https://vivianegiroto.com.br/

NAS ENTRANHAS DE SAGA

NAS ENTRANHAS DE SAGA

Das peças arqueológicas ao artesanato, uma província com forte relação com a terra

Texto: Roberto Maxwell

Uma das menos conhecidas províncias do Japão, Saga tem história. Muita história. Boa parte dela ficou por séculos escondida debaixo da terra. Trazidas à luz pelos especialistas, as descobertas contam que Saga pode ter sido um dos primeiros lugares do Japão a ter um governo propriamente dito. Tudo isso vem contado nos sítios arqueológicos do Período Yayoi encontrados na província, alguns deles considerados os mais importantes do país.

Da terra vem, também, a cerâmica que virou especialidade da província. De Saga vem o aritayaki, uma das principais escolas de produção de porcelana de um país em que vasos e potes ganharam status de arte em todo o planeta. Visitar as olarias da província é como um passeio na evolução das técnicas desse tipo de produção artesanal. A proximidade do continente também fez de Saga uma província de suma importância no comércio além-mar e mesmo nos planos expansionistas do Japão, desde o período feudal. Era do seu litoral que Toyotomi Hideyoshi se lançava na loucura de tentar conquistar a Coreia, algo que custou sua saúde física e mental. Conheça mais sobre Saga nesta edição do GUIA JP.

 

Os primeiros mandatários do Japão

Uma reviravolta tecnológica: é assim que os pesquisadores definem o Período Yayoi. Foi uma era de tantas mudanças que mesmo os historiadores têm dificuldades de delimitá-lo. A periodização mais aceita define o início no ano 1000 a.C. e 300 d.C. como o fim. Foi uma época de muitas migrações, com diversos grupos chegados do continente trazendo novas tecnologias, como a agricultura e novas técnicas de olaria. Assim, esses recém-chegados começaram a ocupar áreas e disputar terras com os nativos, da cultura Jomon.

A maioria desses migrantes vinham da Península da Coreia e, pela proximidade, a ilha de Kyushu foi o seu primeiro porto. Um dos mais importantes sítios arqueológicos do Período Yayoi fica justamente em Saga. O local era ocupado por uma vila cercada por um fosso e, muito provavelmente, era a sede do que se acredita que possa ter sido o governo da história japonesa.

Na área do sítio arqueológico foi criado o Parque Histórico de Yoshinogari, com reproduções de cabanas, depósitos, torres e santuários, além de bonecos e artefatos que mostram como era a vida na área há mais de um milênio. A maior parte das construções feitas de madeira é acessível aos visitantes.

O espaço principal é chamado de Minami Naikaku, um assentamento na área interna do fosso. Cercado por muros e fossos, acredita-se que esta era a área de onde os primeiros reis do país administravam seus domínios. Além dos assentamentos, existem áreas de exposição com artefatos e ferramentas mostrando as técnicas agrícolas da época, as urnas funerárias e outros itens. Os museus são muito bem pensados e têm explicações em japonês e inglês.

 

Com a mão na terra

Quando se fala em olaria no Japão, um dos primeiros nomes que vêm em mente é o arimayaki. Arima é uma localidade na província de Saga que, junto com a vizinha Imari, entraram para a história como o primeiro local do Japão a produzir porcelana a partir da caulinita, um mineral que eleva a produção dos vasos e potes a um nível superior de qualidade.

As técnicas de produção vieram da Coreia há cerca de 400 anos, quando o daimyo (senhor feudal) Toyotomi Hideyoshi tentou invadir a península. Na época, ele trouxe artesãos para o arquipélago e foi um deles que descobriu a caulinita na região. Com isso, Arita e Imari entraram rapidamente no mapa. A porcelana produzida nas localidades ganhou destaque em todo o planeta e, mesmo com o fechamento do Japão durante o Período Edo, o produto era exportado até para a Europa, através de Dejima, na vizinha Nagasaki.

Em Arita, o visitante pode conhecer a história da porcelana em Kyushu num museu especialmente dedicado ao tema. O espaço de exposição é excepcional mas, infelizmente, não há muita informação em inglês.


Outro ponto imperdível na cidade é o Santuário Tozan. Construído no meado do século 17, o espaço é dedicado a um importante ceramista coreano que viveu na região, e também homenageia os imigrantes que trouxeram as técnicas de cerâmica para Arita. O santuário xintoísta é um dos únicos do Japão em que o portal de entrada (torii) e os guardiões komainu são feitos de cerâmica.

Antigas residências dos artesãos podem ser visitadas na área chamada de Tonbai, formada por becos estreitos e residências muradas. Os muros, feitos com cacos e cascalho que sobravam das olarias, serviam como proteção contra a concorrência. Ou seja, era uma forma de impedir que o trabalho nas oficinas fosse visto e proteger as técnicas desenvolvidas por cada artesão.

 

Escondida nas montanhas

Outro ponto histórico para a produção de porcelana é a vila de Okawachiyama, construída numa região remota nas montanhas. Como a produção de vasos e outros itens tinha um grande valor de mercado, o clã de Nabeshima, que dominava a região, controlava diretamente as olarias.

Para proteger a produção e evitar vazamentos de dados e técnicas para a concorrência, eles construíram uma série de oficinas na área isolada. Sendo assim, Okawachiyama passou a ser conhecida como a “vila das olarias secretas” e seu produto, chamado de nabeshimayaki.

Atualmente, há cerca de 30 oficinas no local e algumas delas preservaram as antigas chaminés, e os visitantes podem conhecer melhor a história da vila através do Centro de Artesanato Tradicional de Imari-Arita. Atravessando a pequena ponte, toda ornada com azulejos, uma curta caminhada leva até o Parque Nabeshima Hanyo. Dali, é possível ter uma bela vista da vila incrustada na floresta.

 

Na ponta do Japão

Voltando para a costa, bem na ponta de um istmo que se projeta para o continente, fica a pequena cidade de Karatsu, com seu belo castelo posicionado numa colina banhada pelas águas da baía. Por conta da proximidade com o continente, Karatsu era um dos portos onde as embarcações a caminho da China e da Coreia faziam parada antes de entrar em alto-mar.
Construído em 1608 com material proveniente de uma outra fortificação que existiu na região, o Castelo de Karatsu se tornou a sede militar da cidade que cresceu em torno do porto.

A edificação atual é uma reconstrução feita nos anos 1960 e abriga um museu que conta a história da cidade, incluindo aí o antigo Castelo de Nagoya, cujo material foi utilizado na sua versão original. Vale ressaltar que o nome não tem relação com a também reconstruída fortificação localizada na capital de Aichi, Nagoya.

Aliás, as ruínas deste outro castelo, que ficava na península de Higashi Matsuura, também merecem uma visita. Bem próximo fica o Museu do Castelo de Nagoya, com uma exposição que mostra a grandiosidade da fortificação construída por Toyotomi Hideyoshi em sua campanha ensandecida para conquistar a península da Coreia. Diz-se, aliás, que uma das loucuras mais saudáveis que o daimyo cometeu na sua curta estadia no castelo foi decorar partes de espetáculos de teatro nô e encená-los, obrigando outros senhores feudais a contracenar com ele no palco. Fino.

 

Nova potência no saquê?

A ilha de Kyushu é conhecida pela produção de shochu, uma bebida destilada com teor alcoólico de mais de 30%. Várias destilarias da região são conhecidas nacionalmente. Mais recentemente, algumas fábricas de nihonshu, conhecido no ocidente como saquê, começaram a aparecer no mercado com produtos competitivos e de alto nível.

Uma delas é a Seto, fundada no final do século 18 no distrito de Shiotacho, parte do município de Ureshino. A área, na montante do Rio Shiota, é conhecida pela água pura e por ares frescos, excelentes para a produção de saquê. Um dos carros-chefes da produção é o Junmai Azumacho, um puro arroz com sabores que pendem para o adocicado. Produzido com o reihou, um tipo de arroz da província, combina bem com carnes e queijos e mostra que a pequena Saga não está na produção de saquê para brincadeira.

 

Parque Histórico de Yoshinogari
Saga-ken Kazaki-gun Yoshinogarimachi Tade 1843
https://goo.gl/maps/Nw7detK3HnRScNAQ8

Museu da Cerâmica de Kyushu
Saga-ken Nishimatsuura-gun Arita-cho Toshaku 3100-1
https://goo.gl/maps/iatRKkvStYUcAgPY7

Santuário Tozan
Saga-ken Nishimatsuura-gun Arita-cho Odaru 2-5-1
https://goo.gl/maps/8MehKp9HzPU5JEzw6

Centro de Artesanato Tradicional de Imari-Arita
Saga-ken Imari-shi Okawachichohei 221-2
https://goo.gl/maps/7QNMrC5Z4a6iJwyg9

Parque Nabeshima Hanyo
Saga-ken Imari-shi Okawachicho 26
https://goo.gl/maps/Gn6ACdE9PwZgTnDc9

Castelo de Karatsu
Saga-ken Karatsu-shi Higashijonai 8
https://goo.gl/maps/wmKGrdsEj5B5cV4z5

Museu do Castelo de Nagoya
Saga-ken Karatsu-shi Chinzeimachi Nagoya 1931-3
https://goo.gl/maps/CarnxLXewGP8VdJY8

Fábrica de Saquê Seto – Azumacho
http://www.azumacho.co.jp/
https://goo.gl/maps/d9XfBFydGWyK38gP8

História e natureza em Miyagi

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10 anos depois do tsunami, a província mostra suas belezas para o mundo

Março de 2021 marcou o décimo aniversário do maior terremoto já registrado na história japonesa. No dia 11, às 14:46, um sismo de magnitude 9 irrompeu das profundezas do oceano e gerou uma onda gigante que varreu boa parte da costa leste do país. Miyagi foi uma das províncias mais atingidas. Localidades cheias de vida como Ishinomaki e Kesennuma se viram cenário de uma tragédia. Dez anos depois, a reconstrução segue e o turismo é um dos carros-chefes da promoção do desenvolvimento da região.

 

O mesmo mar que trouxe a onda gigante é uma das mais belas atrações da província. Na costa bem recortada da província, cheia de penhascos e falésias, apenas parar para observar o mar já é uma atividade compensadora. Vide o sucesso que faz Matsushima desde os tempos imemoriais. Salpicada de ilhas e rochedos, a vista do mar é encantadora. Do oceano vem, também, as delícias que fazem de Miyagi um dos melhores lugares do Japão para quem gosta de ostras e outros frutos do mar que aparecem em receitas clássicas e contemporâneas em diversos restaurantes da província.

 

No interior da província, as montanhas dão o show. Miyagi divide com Yamagata um dos mais belos cenários do Japão, o Okama, uma cratera vulcânica no alto de uma cordilheira. A paisagem árida mostra a força dos fenômenos tectônicos na região — por causa dos minerais e da temperatura interna, além da altitude, a terra não dá mais do que gramíneas. Montanha abaixo, porém, as vilas se beneficiam das águas termais e atraem turistas em busca de momentos de descanso e relaxamento.

 

Tudo isso no entorno de Sendai, uma das maiores metrópoles do Japão, uma cidade dinâmica, repleta de oportunidades para quem gosta de arte, gastronomia, música e outras atividades que só uma cidade de grande porte pode oferecer. Nesta edição, o JP Guide traz sugestões para você curtir Miyagi com estilo. Vem, gente!

 

Na capital

Principal porto de entrada de Miyagi, Sendai é uma das mais desenvolvidas capitais do Japão. Com mais de 1 milhão de habitantes, a cidade é o centro da região desde o período feudal. Date Masamune, considerado um dos mais importantes daimyo da Era Edo, escolheu a localidade para ser a sede de seus domínios. Ali, ele construiu o Castelo de Aoba no ano de 1600.

O poder político e as simbologias em torno de Date permeiam toda a cidade e seus arredores até os dias de hoje. Sua figura, por exemplo, é tida como antológica. Date teve varíola na infância e, por isso, perdeu a visão do olho direito. Historiadores acreditam que isso o levou a arrancar o órgão com as próprias mãos, com receio de que um inimigo se apoderasse dele em batalha. Assim, o senhor feudal começou a construir sua imagem temível e implacável. Na época, chegou a ser chamado de “dragão de um olho só”.

 

Mas não foi só isso. Date criou para seu exército armaduras pretas. Ele próprio usava um capacete negro com uma lua crescente no topo, que se tornou símbolo de seu clã em batalhas. Transformado com o tempo em aliado de Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu — dois dos três unificadores do Japão —, foi conquistando o domínio da região de Tohoku com audácia e altivez. Boa parte das atrações turísticas mais importantes de Sendai são relacionadas com ele e com sua família.

 

O Castelo de Aoba, por exemplo, já não existe mais. Em seu lugar foi construído o Santuário Gokoku, uma filial do famoso Yasukuni, polêmico espaço dedicado aos heróis da Segunda Guerra Mundial no Japão. Localizado no alto de uma colina, o Gokoku também tem um museu de história militar, cuja exposição é interessante mas não tem informações em outras línguas além do japonês.

Próximo à antiga área do castelo fica o Museu Municipal de Sendai que é um dos principais espaços dedicados à história da cidade. No espaço de mais de 10 mil metros quadrados, o visitante pode ter acesso a relíquias da época feudal, boa parte delas doadas pelos herdeiros da família Date nos anos de 1950. São mais de 90 mil peças que ajudam a formar um panorama histórico de Sendai e da Região Tohoku.

 

Neste aspecto, outro local interessante é o Santuário Zuihoden, onde ficam as tumbas de Date Masamune e de Tadamune e Tsunamune, seu filho e neto, respectivamente. Criado no estilo Momoyama, o espaço é cheio de entalhes de madeira super coloridos. Já os cedros que cobrem a área do santuário representam a longa história do clã Date. O espaço conta, ainda, com um museu histórico com objetos pessoais, incluindo tufos de cabelo e ossos dos membros do clã.

 

Festival das Estrelas

 

No verão, Sendai fica colorida. Toda a cidade é invadida de adornos relacionados ao Tanabata, o Festival das Estrelas. Popular, o evento é considerado um dos três grandes festivais da Região Tohoku. A origem do festival é uma lenda que conta a história de dois jovens que se apaixonaram perdidamente. A tecelã Orihime e o pastor de ovelhas Kengyu se amam tanto que esquecem das obrigações do dia a dia. Indignado com a falta de responsabilidade do casal, o pai da moça os condena a viver cada um numa ponta da Via Láctea.

Penalizado com o sofrimento da filha, o homem permite o casal a se encontrar uma vez ao ano, no sétimo dia do mês sétimo do calendário lunar, desde que eles se comprometam a atender a todos os pedidos enviados pelo povo da Terra. Assim, o casal, representado no céu pelas estrelas Vega e Altair, celebra seu amor uma vez por ano. Na data, os pobres mortais colocam seus anseios em pequenas tiras de papel que são presas em bambus.

 

Em Sendai, os visitantes podem acompanhar os eventos que são realizados na Praça Shimin, no Parque Kotodai e no Calçadão Juzenji, com performances teatrais e musicais e comida de rua. No dia 5 de agosto, rola uma queima de fogos às margens do Rio Hirose.

 

Iguaria originária de Sendai, o gyutan é a língua do boi cortada em finas fatias e grelhada no carvão. Criado por um restaurante de Sendai em 1948, o prato rapidamente se popularizou na província e hoje é uma das marcas da gastronomia da cidade. O gyutan pode ser acompanhado de arroz, no formato donburi, ou servido como ingrediente em outros pratos como o karê. Diversos restaurantes na cidade servem a iguaria.

 

Ilha dos Pinheiros

 

A menos de uma hora de trem de Sendai fica uma das mais belas e conhecidas localidades da província de Miyagi, Matsushima. Apaixonados por listas desde a Antiguidade, os japoneses colocaram esta região litorânea na Nihon Sankei, que relaciona as três mais belas paisagens do Japão. (As outras duas são Miyajima e Amanohashidate, localizadas nas províncias de Hiroshima e Kyoto, respectivamente.)

Apesar do nome que quer dizer “ilha dos pinheiros”, Matsushima é uma enseada cheia de ilhotas e rochedos que, juntos, formam uma bela composição paisagística. O local é conhecido não somente pela sua beleza natural mas, também, por sua importância histórica e religiosa.

 

Oshima é uma das ilhas acessíveis a pé através de uma pequena ponte. Coberta de pinheiros, a ilhota era uma espécie de retiro espiritual para muitos monges que meditavam em cápsulas escavadas nas rochas. Dali é possível ter belas vistas da baía, também. Bem maior que sua vizinha, Fukuura fica um pouco mais afastada da costa. Ainda assim, é conectada através de uma ponte de cerca de 250 metros de extensão. Ao contrário de Oshima, a entrada em Fukuura não é gratuita. A ilha é considerada um dos locais mais bonitos da costa e o passeio por ela dura cerca de 40 minutos.

 

Com uma história que começa no século 9, o Godaido é um pequeno templo budista construído no topo de uma rocha, nas margens da enseada. A construção atual data do início do século 17, quando foi refeita sob as ordens de Date Masamune. Dentro da pequena capela ficam cinco estátuas sagradas, estas que são visíveis ao público uma vez a cada 33 anos. Mesmo que não seja o caso, o local vale a visita por conta das delicadas formas de animais esculpidas na madeira em várias partes do exterior da pequena capela.

 

A alguns metros de caminhada do Godaido fica o Kanrantei, uma pequena casa de chá. Construída em Kyoto por Toyotomi Hideyoshi, o prédio foi presenteado a Date Masamune que o remontou na localidade à beira-mar para servir como ponto de encontro e descanso para as esposas dos senhores feudais e dos visitantes ilustres de passagem por Miyagi. Por isso, as paredes ricamente decoradas em ouro e com belas pinturas. Kanrantei quer dizer “lugar para ver as ondas do mar” e o nome diz tudo sobre a vista privilegiada do local.

 

Relíquias sagradas

A poucas quadras da costa ficam duas joias de Matsushima: os templos Zuiganji e Entsuin. Fundado no século 9 na escola Tendai, o Zuiganji se converteu ao zen no século 12, durante o Período Kamakura, em que essa escola do budismo se difundiu pelo país. Depois de algum tempo em declínio, o espaço foi adotado por Date Masamune, que o transformou em seu templo familiar.

A entrada no espaço se dá pela imponente cozinha. Na porta de pé-direito alto, o visitante encontra um gongo que era usado para chamar os monges na hora do almoço. Das janelas dos corredores feitos de madeira, é possível ver o jardim de pedras muito bem cuidado e a entrada frontal do espaço de orações. Diversas salas e salões também fazem parte da construção, todos eles ricamente adornados com portas de correr cobertas por folhas de ouro e pinturas de diversas épocas. O espaço também conta com um museu de obras de arte e objetos históricos relacionados à família Date.

 

Não muito distante do Zuiganji fica o Entsuin, construído em 1647 para ser o mausoléu de Mitsumune, filho do daimyo Date Terumune, morto aos 19 anos de idade. Dedicado à deusa da misericórdia Kannon, o espaço conta com o prédio dedicado ao jovem, ornado com pinturas nas paredes cobertas com folhas de ouro, com destaque para símbolos cristãos como espadas, corações e cruzes, que mostram a proximidade do clã Date com o cristianismo. Patriarca do clã, Date Masamune chegou a enviar uma expedição à Europa, que chegou a se encontrar com o papa em Roma.

Mitsumune chegou a viver em Edo, onde representava os interesses de sua família junto ao xogum Tokugawa Ieyasu. Sua residência no que seria a atual Tóquio foi trazida por seu pai e remontada em Matsushima, no espaço onde fica o mausoléu, e ganhou o nome de Daihitei, ou “casa da misericórdia”. Dois jardins foram construídos no local. Na entrada, um espaço com forte influência zen, coberto de pedras e musgos. Já no interior, fica um jardim de rosas, inspirado nas pinturas feitas no interior do mausoléu e com fortes influências ocidentais.

 

Uma visita a Matsushima não fica completa sem um bom almoço com frutos do mar. Vários restaurantes da localidade servem as famosas ostras que chegam fresquíssimas e são usadas em diversas receitas ou comidas cruas.

 

A caldeira

Na divisa entre Miyagi e Yamagata fica o Monte Zao, um dos pontos mais altos da Região Tohoku. Partindo de Sendai e cortando a floresta de coníferas, a Zao Echo Road é uma bela estrada que leva ao alto da montanha. No outono, com o processo de caducagem, a folhagem das árvores vai ganhando tons de amarelo e vermelho, fazendo com que a paisagem ganhe um tom quase surreal. À medida que a estrada sobe, a vegetação robusta vai dando lugar a terrenos pedregosos. Estamos nos aproximando de uma das mais belas vistas do Japão, o Okama, uma cratera em forma de caldeira, parte de um dos vulcões ainda ativos da região.

Localizada a 1700 metros de altitude, a área do Kattadake é uma das opções para quem quer observar e fotografar a cratera. No local, fica a entrada para uma trilha que leva a um dos picos. São 45 minutos de caminhada montanha acima, com dificuldade média. Deste ponto, é possível caminhar por cerca de uma hora até a estação do teleférico, que desce em direção à estância de águas termais de Zao Onsen, já na província de Yamagata. Mais fácil, porém, é a subida que leva a um pequeno santuário de onde a vista da caldeira é ainda mais exuberante.

 

Retornando em direção a Sendai, a opção é fazer uma parada numa das estâncias de águas termais da região. Uma das mais conhecidas é Togatta Onsen, um vilarejo num platô cercado de montanhas e cortado por um rio. No centro da localidade fica o Kami no Yu (algo como “banho dos deuses”), um espaço público de águas termais muito frequentado pelos locais. O prédio de madeira no estilo antigo é um dos cartões postais da cidade. Um pouquinho mais afastado do centro fica o Mahoroba, um espaço recentemente renovado, que oferece hospedagem, banho de águas termais e um pequeno restaurante. Logo na entrada do ínfimo complexo, fica um belíssimo ashiyu, o banho para os pés, de acesso gratuito. Com entrada paga, o banho termal é acessível a não-hóspedes. Aqui, o destaque fica para o pequeno rotenburo, um banho a céu aberto. Relaxante e aconchegante, o espaço é, sem dúvidas, um bom encerramento para uma viagem numa província cheia de histórias e belezas naturais como Miyagi.

 

SERVIÇO

Santuário Gokoku

Miyagi-ken Miyagi-gun Sendai-shi Aoba-ku Kawauchi 1

https://goo.gl/maps/tsq5dWDx4yq16i378

 

Museu Municipal de Sendai

Miyagi-ken Miyagi-gun Sendai-shi Aoba-ku Kawauchi 26

https://goo.gl/maps/KcwC7DVYiqXcgoC19

 

Zuihoden

Miyagi-ken Miyagi-gun Sendai-shi Aoba-ku Otamayashita 23-2

https://goo.gl/maps/jc7eiZcCnA5HiiU26

 

Godaido

Miyagi-ken Miyagi-gun Matsushima-machi Matsushimachonai 111

https://goo.gl/maps/eZJA8PgLoD3YPQLH7

 

Kanrantei

Miyagi-ken Miyagi-gun Matsushima-machi Matsushimachonai 56

https://goo.gl/maps/DgdVU97vo4g3cBt29

 

Zuiganji

Miyagi-ken Miyagi-gun Matsushima-machi Matsushimachonai 91

https://goo.gl/maps/J416yY9E8evz5FgL7

 

Entsuin

Miyagi-ken Miyagi-gun Matsushima-machi Matsushimachonai 67

https://goo.gl/maps/w4Mck2SbnNDVhpGK8

 

Kami no Yu

Miyagi-ken Katta-gun Zao-machi Togatta Onsen Nakamachi 32

https://goo.gl/maps/GxqLKVExzovwfJwv5

 

Mahoroba

Miyagi-ken Katta-gun Zao-machi

https://goo.gl/maps/e1exhtXri4nY8Mds7

A importância de seguir a recomendação médica no uso de remédios psiquiátricos

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A importância de seguir a recomendação médica no uso de remédios psiquiátricos

Muitas vezes recebemos pacientes que estão tomando medicação psiquiátrica, como ansiolíticos, antidepressivos, etc., e ao serem questionados a respeito da prescrição do remédio, não sabem dizer qual foi a última vez que foram ao médico que os prescreveu, qual a dose exata foi recomendada, ou ainda informam que já tomaram alguma medicação, mas que resolveram parar por conta própria, ou seja, abandonam o tratamento indicado, antes da hora, por acharem que já se sentem melhor; contudo, a descontinuação repentina é muito perigosa.

Todo tratamento psiquiátrico é individual e varia muito de pessoa para pessoa. A medicação deve ter sido indicada por um médico psiquiatra e tem como objetivo atingir a melhora dos sintomas, em caso de depressão, ansiedade, hiperatividade, distúrbios do sono, dentre outras; contudo, tais medicamentos não curam as doenças relacionadas, e sim auxiliam no cuidado das mesmas. Não há um prazo para que esse objetivo seja concluído e deve-se manter, paralelamente, um acompanhamento terapêutico com psicólogo, que auxiliará na busca da causa das doenças e na prevenção e no reaparecimento do quadro, evitando assim uma recaída ou recorrência.

As medicações psiquiátricas são do grupo de substâncias químicas que trabalham no sistema nervoso central, e sua interrupção repentina aumenta as chances de recaída, com aumento das queixas que o levaram a procurar ajuda, especialmente no uso de antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos e remédios para dormir. Pode também desencadear sintomas de retirada, ou síndrome de descontinuação, como tontura, sensação de cabeça vazia, calafrios, irritação, insônia e alteração de humor, e ainda podem aparecer reações como sudorese, aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, alucinações e crises de convulsão. Por isso, é indispensável seguir à risca a recomendação médica e nunca deixar de tomar as medicações antes do prazo determinado pelo profissional, que é quem determina a hora de parar com o medicamento, o que deve ser feito de forma gradual.

Ressaltamos que o apoio da família é fundamental nesse processo, pois deixa a pessoa mais confiante e fortalecida para dar continuidade ao tratamento. Se perceber a suspensão da medicação, o ideal será conversar, ouvir os motivos dessa decisão e reforçar a importância de cumprir o planejamento feito pelo profissional da saúde. Também é necessário entrar em contato com o médico para comunicar a situação e discutir orientações específicas. Alguns transtornos mentais podem cursar com alteração na capacidade de tomada de decisão e na percepção da realidade, como em um episódio psicótico agudo, e podem gerar riscos graves; nesses casos, é indicado uma intervenção mais incisiva da família e do médico para garantir o bem-estar do paciente.

Psicóloga
Vanessa Lima
CRP 08/27797
Graduada em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP),
possui Pós-graduação em Gestalt Terapia,
realizada no I.G.C (Instituto Gestalt de Curitiba).

NÓS SOBREVIVEMOS!

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Se você está lendo esta mensagem hoje, significa que sobreviveu a 100% dos seus dias ruins e difíceis até aqui, independentemente de como e quando, você conseguiu e o mérito é todo seu!

O ano de 2020 veio pra reforçar o quão somos resilientes e capazes de lidar com adversidades que jamais imaginamos… foi um ano de perdas, mudanças, frustrações, angústias, medos e quando lembramos que muitos brasileiros no Japão estão longe de suas famílias, todas essas preocupações se elevam!

Com certeza foi um ano que todos finalizamos cansados e também com dúvidas em relação ao futuro. Essas dúvidas podiam já rondar seus pensamentos e se intensificaram com a situação da pandemia, ou outras novas podem ter surgido a partir deste novo cenário: devo continuar no Japão? Será que minha família está segura? Será que já peguei ou vou pegar o vírus? E se algo acontecer com alguém que mora longe? E se os empregos diminuírem aqui? Vou ficar desempregado? Vou precisar voltar para o Brasil?

Enfim, o que não faltam são inseguranças diante desta nova realidade e, infelizmente, a psicologia (e nenhuma outra ciência ainda) não pode responder a todas essas perguntas, mas tenho certeza de que a conversa com um profissional pode te acalmar e auxiliar nas tomadas de decisões nesses momentos em que nenhuma alternativa parece uma solução adequada.

Se você está se sentindo inseguro, com medo, preocupado com o futuro e cheio de dúvidas, saiba que:
– Você não está sozinho: muitas pessoas também estão se sentindo assim.
– Você não precisa resolver isso sozinho: nossos profissionais estão preparados para te auxiliar nesse processo.
– Você tem opções: por mais que você não enxergue agora.
2020 acabou, mas as decisões em momentos de crise estarão presentes em diferentes períodos de nossas vidas. Tudo é aprendizado. Não desista e continue superando as adversidades, mas caso precise de apoio e auxílio, conte comigo e com todos os psicólogos do Projeto Sakura.

Psicóloga
Yohana Barros Alécio
CRP 08/27803
Psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná
Mestranda no setor da Educação na Universidade Federal do Paraná

 

A importância de respeitar o processo

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Ao estabelecer um objetivo, seja ele emagrecer x quilos, juntar x de dinheiro ou aprender japonês, precisamos entender que passaremos por um processo. E na nossa imaginação sem limites, podemos nos imaginar já usufruindo dos resultados em um período de tempo que não necessariamente condiz com a realidade! Assim como algumas pessoas que começam a fazer dieta na segunda e já querem ter emagrecido pelo menos um pouco na sexta-feira! Começam a aprender japonês e depois de um mês desistem porque ainda não conseguem formar frases!

Como se houvesse uma obrigação sabe-se lá de quem de fornecer resultados só porque você tomou a decisão de começar. Claro que começar é o início de tudo! E é muito bom se você já tiver um objetivo claro na sua cabeça, mas respeitar o processo é o que vai fazer você chegar mais longe. A impaciência e a ansiedade só vão fazer com que você gere pensamentos negativos como: eu dou o meu melhor, mas mesmo assim eu não consigo; talvez agora não seja o momento; talvez isso não seja para mim. E por aí vai.

Respeitar o processo significa responder à sua altura, dar o seu melhor não por uma semana ou um mês, mas sim, até quando for necessário. Significa comemorar suas pequenas vitórias, significa sair do automático e se perguntar constantemente: As ações que estou realizando para atingir meus objetivos bastam? Os meios que estou usando para chegar onde eu quero estão adequados à minha realidade?
Você que está estudando japonês, sente que está respeitando o seu processo? Você tem consciência de que os resultados não são instantâneos?

As pessoas que vão refletir sobre isso vão ser divididas em dois grupos: os desistentes, aqueles que só de imaginar que o processo de fluência em uma língua é longo e já nem vão iniciar e aqueles que vão usar isso como força para continuar aproveitando cada etapa da jornada, de forma leve e com a noção real de que tudo na vida é um processo.
Se você pertence ao segundo grupo, siga em frente, siga sua jornada. Tenha em mente que todo o esforço valerá a pena.
Bons estudos

Cinco lugares para você petiscar em Kamakura

Kamakura é um dos destinos mais populares nos arredores de Tóquio. Em menos de 1 hora partindo do centro da capital japonesa, é possível visitar uma das mais importantes cidades históricas do Japão. No entanto, Kamakura vai além dos belíssimos templos e santuários, incluindo aí o Grande Buda, pelos quais se tornou mundialmente conhecida. A cidade litorânea da província de Kanagawa também atrai foodies de todo o país por causa de sua agitada cena gastronômica. Dos restaurantes mais clássicos à comida de rua, tem de tudo para você experimentar.

Há muito para ver em Kamakura e muita gente visita a cidade com uma agenda bem apertada. Por isso, o JP GUIDE selecionou para você cinco lugares para dar umas beliscadas enquanto você passeia pela área central de Kamakura. Confira.

KAMAKURA GYUBEI

O Kamakura Gyubei é especializado em belisquetes feitos com o hayamagyu  — o wagyu produzido na cidade de Hayama, próxima a Kamakura. Wagyu é a carne japonesa de alta qualidade, conhecida pelo marmoreio que a torna macia e suculenta. Iguarias com wagyu costumam ser caras, mas o Gyubei serve algumas por um preço acessível.

O mais atrativo para os estrangeiros costuma ser o sushi, com a carne crua sobre o arroz. Outro petisco bem popular é o menchi, uma tira feita com a carne picada, crocante por fora e bem molhadinha por dentro. O sabor delicado é  sem aquele gosto de gordura comum a coisas fritas por imersão. Simples e delicioso.

Kanagawa-ken Kamakura-shi Komachi 1-6-11 [mapa]

 

GIRAFFA

Karê é uma versão japonesa do curry indiano, introduzido no Japão pelos ingleses durante a Era Meiji (1868 – 1912). Mais adocicado que apimentado, o karê se tornou extremamente popular entre os japoneses, em especial em restaurantes de baixo custo e refeitórios universitários.

O karê pan é um pão recheado com karê, tão popular quanto o prato que lhe deu origem. No Giraffa o karê pan vem num tamanho generoso para os padrões japoneses. A casca é crocante e o pão é muito bem recheado com karê de carne moída e queijo. Agora, é preciso paciência. O local é popular e sempre tem fila na porta.

Kanagawa-ken Kamakura-shi Komachi 2-2-21 [mapa]

 

 

SAMURAI SAUSAGE

Linguiça não é exatamente o que você espera comer quando visita o Japão. Mas, cuidado! Não deixe o seu preconceito fechar portas de boas experiências gastronômicas na Terra do Sol Nascente. Diferente do que rola em outros países, os restaurantes no Japão são especializados, ou seja, eles costumam se dedicar a um único prato e, por isso, acabam fazendo o que se propõem com excelência. É o caso do Samurai Sausage, uma lojinha na entrada de um pequeno centro comercial na rua principal de acesso ao Santuário Tsurugaoka Hachimangu.

Além da carne de porco de boa qualidade, um dos destaques aqui é o uso de temperos japoneses na linguiça, o que torna a degustação ainda mais interessante. Ervas como o shissô e o nirá entram em cena junto com o molho shoyu e a pasta de soja missô para dar vida a linguiças de sabores delicados e surpreendentes.

Kanagawa-ken Kamakura-shi Yukinoshita 1−9−29 Shangrila Tsurugaoka – Térreo [mapa]

 

KYO

Adaptação japonesa do profiterole, o choux cream tem conquistado cada vez mais fãs mundo afora, inclusive no Brasil. No Kyo, a massa choux é recheada com o zunda, um creme feito de edamamê, o grão de soja verde muito consumido no Japão. A loja, aliás, é especializada nesta iguaria que tem sua origem em Sendai, a capital da província de Miyagi, no nordeste japonês.

Isso quer dizer que, além do choux cream, é possível provar outros doces feitos com zunda como o daifuku (bolinho de arroz glutinoso recheado), o manju (bolinho de farinhas cozido no vapor), o dorayaki (pão de ló em formato de sanduíche), o kushidango (bolinho de arroz glutinoso no palito) e, claro, o tradicional zunda mochi (bolinho de arroz glutinoso coberto com a pasta de edamamê).

Kanagawa-ken Kamakura-shi Komachi 2-10-24 [mapa]

 

GELATERIA IL BRIGANTE

Gelato no Japão? Sim, e de excelente qualidade. Aliás, não são poucas as pessoas que dizem que os sorvetes da Gelateria Il Brigante são os melhores que elas já tomaram na vida. Culpa da mão doce do proprietário Emiliano, um calabrês que esbanja simpatia e cativa o cliente com sua simpatia e hospitalidade. Quando o movimento permite, ele te convida para um café, para uma grappa, para uma limoneta e, quando você percebe, o tempo passou.

Usando ingredientes italianos de alta qualidade, a Il Brigante produz gelato e sorbet e vai bem nos dois estilos. Experimente o Nociolla di Piemonte, feito com avelãs certificadas da região do norte da Itália que lhe dá o nome. A textura do sorvete é excepcional, vai muito além do cremoso típico dos gelatos. Tudo por causa do uso da farinha de semente de alfarroba, um ingrediente tradicional da gelateria siciliana que estabiliza o sorvete por mais tempo e dá uma textura mais firme ao produto final. E o sabor, nem se fala. Cai super bem com um cafezinho

Caro? Tem gente que diria que sim. Mas vale cada iene. É praticamente uma viagem dentro da viagem!

Kanagawa-ken Kamakura-shi Komachi 2-9-6 [mapa]