Fontes ligadas ao governo disseram neste domingo, 27, que mais uma vez o Japão está avaliando estender o Estado de Quase Emergência do COVID-19 para determinadas províncias, além da data prevista de 6 de março.
Além de Tóquio, o governo está considerando uma extensão das medidas para Saitama, Chiba, Kanagawa, Gifu, Aichi, Mie, Kyoto, Osaka e Hyogo.
Tóquio e seis províncias tiveram o prazo adiado de 13 de fevereiro para 6 de março. Kyoto, Osaka e Hyogo estavam entre as 17 regiões cujas medidas de emergência foram estendidas de 27 de fevereiro a 6 de março.
Províncias atualmente em Quase Emergência (Arte: NHK)
Com mais da metade dos leitos hospitalares para pacientes com COVID-19 ocupados nessas áreas, o primeiro-ministro Fumio Kishida perguntará aos governadores dessas províncias sobre situações de pandemia locais e consultará especialistas em saúde antes de tomar uma decisão sobre a extensão por cerca de duas semanas.
Os números do Coronavírus continuam altos. As autoridades de saúde do Japão confirmaram 71.488 novos casos de Coronavírus e 158 mortes no domingo. E Tóquio registrou 12.935 novas infecções. A província de Osaka confirmou 8.400 e a de Kanagawa, 6.814 novos casos.
Vacinação
As vacinas contra o Coronavírus para crianças entre 5 e 11 anos começaram sábado, 26, em uma área de Tóquio.
Embora se espere que as vacinações para a faixa etária comecem em partes mais amplas do país em março, alguns municípios foram autorizados pelo governo a começar mais cedo, desde que estejam com a estrutura pronta.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina para crianças dessa faixa etária conterá um terço do volume da usada em crianças a partir de 12 anos. Elas receberão duas doses da vacina da Pfizer Inc., em um intervalo de três semanas.
Além do consentimento dos pais, eles também precisam estar acompanhados por seus responsáveis.
Dados de ensaios clínicos conduzidos pela Pfizer fora do Japão, antes do surgimento da variante, mostram que a administração de duas doses da vacina foi mais de 90% eficaz na prevenção de infecções em crianças de 5 a 11 anos.
Essa afirmativa, embora seja um fato, costuma gerar desconfianças, no que se refere à nossa responsabilidade de fazer as coisas acontecerem com planejamento, tentando evitar erros futuros, nossos e dos outros. Contudo, nada pode mudar o fato de que não controlamos nada. Na melhor das hipóteses, somos bons estrategistas.
Já parou para pensar que ao planejarmos uma nova conquista, projeto, enfim, estratégias para realizar nossos planos, levamos pouco em consideração as nossas limitações e das pessoas envolvidas? A consideração de que não depende só da gente costuma gerar um desconforto, porque queremos controlar e, de certo modo, temos expectativas de superar as nossas vulnerabilidades. Assim, ao invés de assumirmos responsabilidades, assumimos a ilusão de que podemos controlar.
O controlador sofre terrivelmente ao assumir a posição de ter que dar conta de tudo e de todos, e a expectativa de que isso está em suas mãos faz com que ele se sinta, repetida e continuamente, muito insatisfeito consigo mesmo e com os outros, afinal, os outros, na visão do controlador, também poderiam ser controlados por ele.
Abrir mão do controle não significa deixar de ser responsável ou de lutar para que as coisas funcionem, significa abrir espaço interno para acolher aquilo que fugiu ao nosso controle como algo que poderia acontecer. Talvez a diferença entre responsabilidade e controle seja a forma com a qual reagimos diante do inesperado, desconhecido e não planejado. Para nos recuperarmos rapidamente de uma frustração e seguirmos em frente com as nossas responsabilidades, sem ferir e nem nos ferirmos, precisamos ter a compaixão e a autocompaixão do nosso lado.
A compaixão e a autocompaixão são muito importantes porque nelas cabem nossas limitações e as limitações das pessoas, e esta aceitação amplia a capacidade de agir em direção daquilo que desejamos com muito mais lucidez e menos desgaste. Compreender que errar e não ter realizado algo como desejávamos faz parte o tempo todo. Além de nos tornar mais flexíveis, isso nos dá a liberdade para seguir adiante mantendo o nosso propósito de conquista, fazendo os ajustes que experiências anteriores e fracassadas nos ensinaram.
Já pensou no tempo que gastamos remoendo, ruminando o que não deu certo e carregando a culpa de nossas falhas, as quais nos punimos indefinidas vezes por uma mesma situação? Relaxe, libere o criticismo e acolha a gentileza e a autogentileza.
O início do ano pode ser muitas vezes um período de reflexão devido à observação do tempo passando, de mais um ano se esvair por nossas mãos, de perceber que estamos a envelhecer…
Se você não soubesse quantos anos tem, o que faria? Quais coisas gostaria de manter e quais mudaria em sua vida? Por vezes, podemos nos sentir velhos demais ou cansados demais para seguirmos nossos sonhos, para recomeçar de algum ponto e mudar a rota. A ida e a estadia fora do país exigem coragem e um bocado de sonhos na bagagem, mas, depois de algum tempo, podemos nos esquecer do que nos motivou a estar ali, nos deixando envolver pela rotina, pelo cansaço e pela necessidade financeira. Passamos a viver no piloto automático, esquecendo o quão incrível pode ser fazer algo por NÓS MESMOS!
Se não existisse essa preocupação com ser “cedo ou tarde demais”, todos seríamos mais livres, nos sentiríamos mais merecedores e assim, correríamos mais atrás daquilo que realmente faz sentido para nossas vidas! Claro que o trabalho é importante, mas será que não estamos dedicando tempo demais a isso e esquecendo outras coisas que são tão importantes quanto o trabalho? A família, o relacionamento, a saúde física e mental, o descanso, os sonhos e tantas outras coisas esquecidas no fundo de uma gaveta, para que assim sobre tempo para produzir, trabalhar, ganhar dinheiro, etc. A ideia de “tempo certo” para fazer as coisas nos faz sempre achar que estamos novos demais ou velhos demais para o que nós realmente queremos fazer.
Essa semana ouvi um relato que dizia o seguinte: “Minha avó, aos 60 anos, sofreu um pequeno acidente que a deixou com um problema no joelho que só seria resolvido com uma cirurgia, mas ela se negou a fazer o procedimento, pois disse que já estava velha e não valeria a pena; porém, ela viveu até depois dos 90 e passou mais de 30 anos mancando, pois aos 60 achou que a vida já estava ao fim.”. Aquilo me tocou profundamente. Pensei o quanto todos nós podemos pensar que não é o momento certo para fazermos algo que precisamos ou queremos, mas abrimos mão por acreditar que não vale a pena, perdendo, assim, a oportunidade de viver algo ainda melhor do que já temos!
Então este texto é um convite para você buscar o que está guardado na sua gaveta, esquecido na sua memória e fazer O HOJE ser o TEMPO CERTO para realizá-lo! Seja um autocuidado, um exame, um descanso, ou o primeiro passo para um grande sonho! Nunca é cedo ou tarde demais para o que é importante!
O governo do Japão anunciou que começará nesta semana a enviar vacinas contra o Coronavírus para municípios e instalações médicas, que serão aplicadas nas crianças entre 5 e 11 anos de idade.
E nesta segunda-feira, 21, as vacinas para essa faixa etária serão oficialmente incluídas no Programa de Vacinação Pública.
A previsão é que sejam entregues cerca de 12 milhões de doses da vacina contra o COVID-19 até o mês de maio. Em algumas regiões, as inoculações devem começar já neste mês.
Para crianças nessa faixa etária, a vacina conterá um terço da dose para pessoas com 12 anos ou mais. Serão duas aplicações, com um período de três semanas entre elas.
Elas não são obrigadas a serem vacinadas contra o Coronavírus, pois segundo o governo, ainda não existem dados suficientes para verificar sua eficácia contra a variante Ômicron. Por isso, o consentimento dos pais será necessário.
O Ministério da Saúde pede aos pais que conversem com os filhos, bem como que consultem seus médicos antes de tomar uma decisão.
No entanto, o Ministério orienta que as crianças com problemas respiratórios e outros problemas de saúde subjacentes sejam vacinadas, pois têm um risco maior de desenvolver sintomas graves de COVID-19.
Dose de reforço
O número de terceiras doses da vacina contra o Coronavírus administradas por dia, ultrapassou 750.000 no Japão.
O site da Agência Digital mostra que 12.601.114, ou 35,2% das pessoas com 65 anos ou mais receberam a terceira dose até sábado, 19.
O governo encurtou o intervalo entre a segunda dose e a de reforço de 8 meses para 6 meses, em fases a partir de dezembro, e pretende atingir 1 milhão de aplicações por dia.
Na quinta-feira, 17, 16.009.146 pessoas, ou 12,6% da população, haviam recebido suas doses de reforço. O número representa 42,7% das 37,52 milhões de pessoas que são elegíveis para receber a terceira vacina.
Muitos de nossos nacionais costumam afirmar: “estou vivendo temporariamente no Japão para organizar minha vida no Brasil”. Ainda que tenham o retorno em vista, as famílias costumam prolongar sua permanência no Japão, postergando, assim, uma decisão definitiva a respeito da eventual volta ao Brasil. Cria-se assim um descompasso entre a intenção expressa e a realidade que se constrói em terra estrangeira com o passar dos anos. Frequentemente, leva-se muito tempo para reconhecer-se como imigrante de residência fixa no Japão. E a falta de clareza quanto ao planejamento futuro gera impactos negativos sobre a vida de todos os membros da família, em especial sobre a situação dos menores estudantes.
Um dos modos de minimizar os efeitos negativos da oscilação da residência familiar entre dois países é a educação e a capacitação, com especial destaque ao bilinguismo. Nesse sentido, há ampla oferta de bons cursos gratuitos de japonês para estrangeiros. A NPO ABC Japan, por exemplo, instituição parceira do consulado em diversos projetos educacionais, disponibiliza ao público bons cursos de Japonês, para todos os níveis de proficiência. Há também iniciativas de outras instituições, empresas e autoridades japonesas que oferecem ao público cursos técnicos e do idioma local de forma gratuita. No ano passado, o Consulado publicou uma lista com diversos cursos de língua japonesa e de capacitação gratuitos ou a preços módicos. A lista completa, que vem sendo constantemente atualizada, pode ser acessada em: https://www.facebook.com/ConsuladoemToquio/photos/a.716090865111091/3995394990513979/
Além da divulgação de oportunidades de estudo de língua japonesa e de capacitação técnica, instrumentos capazes de gerar uma melhor inserção de nossa comunidade na sociedade local, o Consulado tem estimulado também o aprendizado da língua portuguesa por meio de concursos. Assim, no ano passado, foi realizada a primeira edição das Olimpíadas do Português como Língua de Herança, que permitiu a participação de crianças e adolescentes de nacionalidade brasileira ou de estrangeiros com pais de nacionalidade brasileira, desde que matriculados em escolas japonesas. Os participantes foram divididos em duas categorias: a primeira composta por crianças de 9 a 12 anos; e a segunda integrada por adolescentes de 13 a 15 anos de idade. O evento ocorreu em três etapas. Duas de caráter regional: oratória e prova objetiva; e uma etapa de âmbito nacional: prova de redação.
Para os alunos matriculados em escolas de currículo brasileiro no Japão, também no ano passado, o Consulado realizou a primeira edição do Campeonato de Língua Portuguesa. Participaram 169 alunos, de 9 escolas localizadas em diferentes prefeituras da jurisdição do posto. O campeonato foi dividido em duas etapas: prova objetiva (múltipla escolha) e redação. Aproveito a oportunidade para parabenizar os vencedores de ambos os concursos e todos os participantes das duas iniciativas.
Das provas e etapas avaliadas em ambas as ocasiões, percebeu-se que boa parte do material analisado revela o enorme potencial acadêmico dos jovens da nossa comunidade, haja vista a clareza e a força de seus argumentos e um notável domínio da norma padrão da língua portuguesa. Nada mais natural para eles do que seguir desenvolvendo seu potencial em instituições de ensino superior no Brasil ou no Japão, caso seja esta sua escolha.
Observa-se, no entanto, que muitos alunos de escolas brasileiras têm à sua frente obstáculos difíceis de serem superados. Vários têm pouco contato com a língua japonesa, uma vez que o português é o idioma utilizado em praticamente todos os domínios sociais onde convivem: casa, escola, igreja/templo, lazer. Sem oportunidades para praticar a língua local, as chances de ingresso em universidades japonesas tornam-se mínimas. Consequentemente, o potencial intelectual de jovens recém-saídos do nível médio acaba sendo desperdiçado em “arubaitos” e horas extras (zangyo).
Do outro lado, os alunos que frequentam as escolas japonesas acabam tendo uma integração tão intensa à sociedade local que, por vezes, não aprendem o idioma pátrio e perdem boas oportunidades de estudos superiores no Brasil ou de empregos nos quais poderiam se valer da habilidade de falar dois idiomas. Muitas vezes, isso acontece pela dificuldade dos pais de passar a seus filhos a língua portuguesa ou simplesmente pela falta de atenção da família a esse aspecto.
Portanto, não deixe de investir no futuro e nos estudos de seus filhos. Caso precise de mais informações, procure o Consulado e teremos prazer em esclarecer todas as dúvidas sobre educação superior e técnica, cursos à distância, cursos de idioma, ou qualquer outro tema relacionado à educação tanto no Brasil quanto no Japão. Você também pode enviar e-mail a informe.cgtoquio@itamaraty.gov.br que responderemos em seguida.
Dezessete por cento do território de Yamagata é protegido por lei através de parques nacionais. Isso já dá a dimensão da importância da natureza para o povo e a economia local. Com boa parte de seu território formado por montanhas cobertas de vegetação, a província é um convite para quem quer se desligar e relaxar, seja num passeio pelas florestas na estação quente ou, então, num banho de águas termais nas épocas mais frias. Aliás, dividir o clima de Yamagata dessa forma está longe de ser errado. A província fica numa área de transição climática com características interessantes: tem temperaturas na casa dos 30 durante o verão e mais de 8 metros de neve nas áreas montanhosas. Outono e primavera são curtos, o primeiro mais puxado para o frio e o último, para o calor. Assim, visitar Yamagata é sempre trafegar pelos extremos. Celeiro de bons ingredientes, dentre eles o arroz, a província também é um local a ser descoberto por quem curte gastronomia e saquês.
Monstros de gelo em Zao (foto: Pixta)
Numa fria com os monstros de gelo
A área de atração turística mais conhecida de Yamagata é, sem dúvidas, Zao Onsen. “Onsen” em japonês são as fontes de águas termais, e elas são uma atração da região. O Monte Zao fica na fronteira entre Yamagata e Miyagi e existem duas formas de chegar até lá. Por Miyagi, a viagem é linda no outono pela Zao Echo Road. A estrada, que sobe a serra, é coberta de vegetação, e a folhagem fica amarelada em boa parte de sua extensão.
Num dos picos da montanha, chamado de Kattadake, é possível ter uma bela vista do Okama, um lago de cratera vulcânica considerado um dos mais belos do Japão. Durante abril e novembro, quem vem da estação de Kamiyama pode usar um serviço gratuito de ônibus até o Zao Liza, um restaurante que serve como base para quem sobe montanha acima. De lá, é possível usar o Katta Lift, um teleférico aberto até um ponto de observação do Okama. No entanto, os serviços são limitados, com o máximo de dois horários por dia, e restrito aos fins de semana em algumas épocas do ano. Portanto, pesquise bem antes de usar.
O lago de cratera de Zao é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Tohoku (foto: Pixta)
O lago de cratera de Zao é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Tohoku
Zao Onsen, no entanto, é mais popular no inverno. A qualidade de neve transformou o local num resort de esqui que recebe visitantes de todo o país. A área é muito bem equipada para a prática de esportes da neve com lojas para locação de utensílios. A grande atração, porém, são os chamados monstros de gelo, árvores congeladas que “hibernam” cobertas de neve durante a estação fria. Os “monstros” ficam acima da cabeceira da pista de esqui e até podem ser acessados a pé. Na área do resort, é possível alugar uma sandália de neve, feita de madeira e usada pelos antepassados para caminhar na região. Os calçados são usados por cima da bota que, aliás, deve ser muito bem preparada. A caminhada na neve pode congelar o pé caso você não esteja usando um calçado adequado. À noite, os monstros de gelo são iluminados com luzes coloridas. O resort também oferece um passeio noturno, num veículo de neve, até os monstros.
Depois das aventuras, com neve ou não, sempre vale a pena dar uma relaxada nos banhos de águas termais da região. O Zao Onsen Dairotenburo é um banho a céu aberto que funciona entre os meses de abril e novembro. Já o Genshichi Roten no Yu também tem banhos internos e funciona o ano todo. Outra forma de conhecer o costume de se banhar em águas termais é visitar um dos banhos públicos da localidade. São três, chamados de Kawarayu, Kamiyu e Shimoyu. Eles ficam em pequenas construções de madeira com apenas um ofurô no formato de uma pequena piscina. Os banhos são segregados por gênero e a entrada em cada um deles custa ¥200.
Banho a céu aberto no Zao Onsen Dairotenburo (foto: Pixta)
Caminhos de fé
Repleta de montanhas, Yamagata também é um destino para pessoas que buscam tranquilidade nos templos e santuários construídos ao longo dos séculos em áreas mais remotas. No nordeste da capital, na cidade de Yamagata, fica o Risshakuji, um templo budista fundado no século 9 e conhecido popularmente como Yamadera. A área sagrada começa no sopé de uma colina, onde fica uma das construções mais antigas do complexo, o Konponchudo. No entanto, o caminho até o topo é uma das principais atrações, em especial por conta da bela vista que se pode ter da varanda do Godaido, um salão incrustado na montanha. No entanto, vale ressaltar que a subida, de cerca de 1000 degraus, pode ser pesada para alguns visitantes.
Godaido entre as folhas de outono em Yamagata (foto: Pixta)
Uma experiência mais radical é fazer o Dewa Sanzan, um caminho que conecta três santuários sagrados nas montanhas. Dewa é o nome de uma antiga província formada pelos atuais territórios de Akita e Yamagata. Os três santuários são dedicados a uma fé conhecida como shugendo, que mescla elementos do budismo e do xintoísmo, a religião nativa do Japão. Cada um deles é conhecido pelo nome do monte em que se localiza.
De acordo com os preceitos, para transcender é preciso levar o corpo ao limite. Por isso, os monges do shugendo realizam práticas radicais, como longos períodos de jejum ou alimentação muito restritiva e atividades físicas, além da meditação.
Pagoda no caminho que leva ao santuário no Monte Haguro: mais um milênio de história (foto: Pixta)
O Haguro-san (Monte Haguro) é o de mais fácil acesso dos três santuários. Ele representa a vida e o presente e fica aberto o ano todo, sendo acessível por um serviço de ônibus que parte da cidade de Tsuruoka. O transporte leva até a base da construção principal do complexo, mas, na verdade, fazer o caminho montanha acima também faz parte da experiência. A trilha na floresta de cedro é pavimentada com rochas e compreende cerca de 2100 degraus. Portanto, requer energia ou, pelo menos, paciência. No caminho, é possível ver uma das mais belas construções do santuário, uma pagoda de cinco andares, datada do século 10. Além da torre, a trilha ainda tem diversas esculturas e uma casa de chá. A visita ao santuário custa ¥300.
Quem quiser passar a noite no local, existe o Saikan, um espaço que oferece estadia simples, num quarto com piso de palha no estilo tatami e dormida num futon, uma espécie de colchonete tradicional. A reserva tem que ser feita antecipadamente. O Saikan também oferece o shojin ryori, um estilo de gastronomia vegano, com preparos baseados em ingredientes locais sazonais, desenvolvido nos monastérios. Quem acorda no local ainda pode assistir aos rituais matutinos dos monges.
Representando a morte, o Gas-san é o segundo santuário que deve ser visitado na rota do Dewa Sanzan. Ele fica localizado na área de maior altitude do caminho, a 1984 metros de altitude, e só é acessível a pé. Duas linhas de ônibus que circulam somente entre os meados dos meses de julho e setembro levam até a oitava estação, de onde é preciso fazer cinco quilômetros de caminhada morro acima. A rota é aberta e pavimentada, com as margens cobertas de gramíneas e árvores de pequeno porte. Muitas delas florescem na primavera e no verão trazendo beleza à jornada. É preciso, porém, ter cuidado na rota, já que a exposição aos fenômenos naturais pode fazer com que as rochas fiquem muito escorregadias depois de dias de chuva. Além disso, é bom se preparar caso vente muito. Ao chegar no santuário, o visitante passa por um ritual de purificação, que inclui acender um incenso e beber uma pequena dose de saquê. A entrada no santuário custa ¥500.
Do Gas-san é possível seguir em rota pela montanha até o Yudono-san, o terceiro e último dos Dewa Sanzan. São cerca de 3 horas montanha abaixo, num caminho relativamente íngreme e difícil para pessoas sem preparo e sem material adequado. O santuário representa o renascimento e é o mais sagrado (e secreto) dos três. Aqui, os visitantes também passam por um ritual de purificação na entrada, no qual precisam tirar os calçados. É expressamente proibido tirar fotos do Yudono-san, e tudo o que se vê dentro do santuário deve ser guardado em segredo pelo fiel. O espaço também fica fechado durante o inverno, embora seja relativamente de fácil acesso, já que fica próximo a uma rodovia.
Durante o verão e o outono, é possível visitar os três santuários usando o ônibus como deslocamento de apoio. Mas mesmo quem pretende caminhar entre os santuários a pé, pode fazê-lo com segurança. São necessários, porém, pelo menos dois dias e duas noites para a rota completa.
A meditação pode ser entendida como uma ferramenta para conseguir estabelecer a calma. O uso dessa ferramenta, contudo, pressupõe uma prática constante, sem a qual não é possível usá-la.
Nesse sentido, o treino é imprescindível. Quando paramos alguns minutos diários para meditar, mantemos em forma a atenção, que é a responsável para nos sustentar no momento presente durante a meditação. Quando deixamos de ter a regularidade da prática, perdemos qualidade de atenção e temos dificuldade de nos manter focados no presente.
O treino mental na meditação é comparado com o treino físico: quando estamos em forma fisicamente, desempenhamos nossa atividade física com menos esforço e mais resultado, ao passo que se estamos fora de forma, sentimos cansaço e dificuldade para executar a mesma atividade, e muitas vezes, nem conseguimos executá-la.
Com a meditação é parecido. Ao meditarmos diariamente sustentamos a familiaridade com os nossos aspectos mentais, que são os pensamentos, as imagens, as lembranças e as emoções. Através dessa familiaridade, é possível perceber a distração, momento no qual deixamos de estar presente no agora. Isso ocorre quando conversamos com os pensamentos, por exemplo. Agora, se estamos em forma, percebemos a distração e recuperamos facilmente a atenção plena. Meditar é esse constante monitoramento de perceber e liberar as distrações.
Esse movimento da mente é incessante, não conseguimos parar de pensar na meditação, como muitos imaginam, mas desenvolvemos a habilidade de nos diferenciar de nossos pensamentos, observá-los com atenção e sem interação, ou seja, sem construir histórias com eles. Com isso, os pensamentos perdem o poder de nos distrair e conseguimos ampliar os espaços entre um pensamento e outro, o que é extremamente prazeroso e revigorante.
Somente uma mente treinada consegue superar a distração na prática, caso contrário, estamos suscetíveis a nos misturar com nossos conteúdos mentais, criando realidade com eles o tempo todo e deixando de estar presente.
É um treino simples, no sentido de que são poucos minutos diários — 20 minutos é o suficiente —, e pode ser feito em qualquer lugar, basta se recolher atentamente, estabelecer uma postura ereta e confortável, fechar os olhos para favorecer a introspecção e usar a sua atenção para se manter inoperante em relação aos seus conteúdos mentais.
O que comumente é considerado difícil na meditação é não fazer nada. Sim, temos dificuldade de parar, mas para que a nossa mente funcione bem, precisamos desenvolver essa habilidade, senão estaremos sujeitos às intempéries da mente.
Com suas águas de cor de esmeralda e ilhas de natureza elegante, o Mar Interior de Seto é conhecido como o “Mediterrâneo Japonês”. Projetos de arte contemporânea se espalharam pelas ilhas da região nas últimas décadas, trazendo possibilidades econômicas além da indústria, que por décadas contribuiu para a degradação da natureza local.
Teshima, a ilha “rica”
Vista do mar a partir de Teshima (foto: Roberto Maxwell)
Cerca de 20 minutos de barco separam Naoshima de Teshima. Das três “ilhas de arte”, Teshima foi a que sofreu mais profundamente com a questão industrial. Uma parte da ilha foi utilizada como depósito de lixo altamente contaminante por muitos anos, resultando em sérios problemas ambientais, que chegaram a atingir o lençol freático e, por consequência, o recurso pelo qual a ilha é conhecida: a água.
Em japonês, Teshima quer dizer “ilha abastada”, justamente pela pureza e abundância da água. A população organizada conseguiu arrancar da província de Kagawa, da qual a ilha faz parte, um acordo de descontaminação. O processo durou décadas e ainda não foi encerrado totalmente. Foi nesse meio tempo que o projeto de arte chegou a Teshima, criando uma janela para o futuro, fora da atividade industrial, e propiciando visibilidade e recursos para projetos de retomada da atividade agrícola, que inclui plantio do arroz, de hortaliças e cítricos.
Natureza e arte
Teshima é considerada por muitos a mais bela das três ilhas de arte do Mar de Seto. Montanhosa, a ilha tem uma costa recortada, com belas paisagens em que a natureza se mescla com as casinhas dos pescadores.
O principal centro de arte da ilha é o Museu de Arte de Teshima. A construção é um projeto colaborativo entre o arquiteto Ando Tadao e a artista Naito Rei e é, em si mesmo, uma instalação artística. Naito criou um ambiente em que discretos jatos de água desafiam as leis da física na enorme arena de concreto que forma o prédio. É uma poderosa obra contemplativa.
Museu de Arte de Teshima (foto: Roberto Maxwell)
Outras obras se espalham pela pequena ilha. Na Zona do Porto de Ieura, entre as residências locais, fica a Casa Yokoo foi restaurada pela arquiteta Nagayama Yuko e abriga obras do artista Yokoo Tadanori. Elementos o cinismo pop do artista fazem um forte contraste com o projeto original da construção, gerando um estranhamento interessante.
Já na outra ponta da ilha, a cerca de 20 minutos de caminhada do Porto de Karato, ficam os Arquivos do Coração, uma instalação do francês Christian Boltanski com gravações de batimentos cardíacos de pessoas de diversas partes do mundo. Boltanski também contribui com outra obra, no caminho para o pico do Monte Dan, chamada A Floresta dos Sussurros.
No vilarejo que se formou na encosta da montanha que dá pro Porto de Karato ficam outras obras, dentre elas o Shima Kitchen, uma antiga casa restaurada que funciona como restaurante e serve uma comida no estilo bistrô com ingredientes da ilha.
Refeição no Shima Kitchen (foto: Roberto Maxwell)
Charmosa e acolhedora, a pequena ilha pode ser visitada de bicicleta. Mas, cuidado. Teshima é montanhosa e, mesmo com a bicicleta elétrica, as ladeiras podem ser pesadas para quem não têm o hábito de se exercitar.
Inujima, pequena pérola
Menor das três ilhas de arte, Inujima tem cerca de 100 habitantes. Como Naoshima e Teshima, a ilha também foi usada na exploração mineral e na produção industrial. Uma usina de fundição de cobre foi aberta no local no século 19, os primórdios da industrialização do Japão. Acontece que a instalação não conseguiu ser competitiva na produção do metal e acabou sendo abandonada. Depois de décadas, suas ruínas acabaram incluídas na lista de Patrimônio da Industrialização Japonesa e, por isso, preservadas. Em 2008, as ruínas passaram a fazer parte do projeto de arte capitaneado pela Benesse em outras ilhas e se transformou no Museu Inushima Seirensho.
Para não descaracterizar as ruínas, a área de exibição do museu fica no subsolo e traz obras do artista Yanagi Yukinori, com projeto do arquiteto Sambuichi Hiroshi. Uma das inspirações para o projeto foi o escritor Mishima Yukio (de “Cores Proibidas”). O autor era uma das vozes mais críticas ao processo de modernização do Japão e ganhou uma instalação em sua homenagem.
Inujima também tem uma área de arte nas antigas casas, como em Naoshima e Teshima. São 6 pontos de interesse dentro da pequena vila de pescadores, que podem ser visitados calmamente a pé. Além disso, o Inujima Life Garden, criado em torno de uma antiga estufa desativada, foi criado como um espaço para integrar visitantes e locais, com atividades sobre a natureza da ilha e agricultura, dentre outros temas.
TESHIMA
Como chegar? Teshima fica a cerca de 20 minutos de barco de Naoshima e de Shodoshima. Do Porto de Uno, de onde também partem barcos para Naoshima e Shodoshima, a viagem até Teshima dura cerca de 40 minutos. O Porto de Uno fica a cerca de 40 minutos de Okayama de trem, pelas linhas JR Setouchi e Uno.
INUJIMA
Como chegar? O acesso direto a Enoshima é feito pelo Porto de Hoden, que fica a menos de 90 minutos da estação de Okayama. Do Porto de Miyanoura, em Naoshima, alguns horários de barca conectam a ilha à Inushima, via Porto de Ieura, em Teshima.
Quando bate aqueeeela fome você pode contar com as pizzas e esfihas pré-assadas e congeladas da Fattione que garantem todo o sabor brasileiro a qualquer hora do dia.
Super práticos e saborosos, os produtos Fattione surpreendem a cada mordida, proporcionando uma experiência que vai muito além do paladar, com ingredientes selecionados e segredos culinários do nosso chef.
A sensação de estar em casa nunca foi tão saborosa!
Na província de Okayama, não muito distante da capital, fica uma das zonas comerciais antigas mais bem preservadas do Japão. Estamos falando do Centro Histórico de Kurashiki, uma cidade que floresceu durante o Período Edo (1601 -1868) como um entreposto de distribuição do arroz. Kurashiki cresceu tanto em importância que acabou sendo uma área sob controle direto do xogum, quase que uma Zona Especial como as que existem no mundo moderno.
Os canais são uma parte distintiva da paisagem do centro histórico. Eles tinham a função fundamental de facilitar o transporte dos produtos entre os centros de distribuição e o porto, de onde eram enviados para grandes cidades como Osaka e Edo (a atual Tóquio).
Completando a paisagem, os armazéns (kura, em japonês) que dão nome à cidade. Poucos lugares no Japão têm tantas construções do tipo concentradas no mesmo espaço e preservadas nas mesmas condições. Isso faz de Kurashiki um dos principais pontos de interesse para viajantes de curtem história e arquitetura.
Uma das ruas do Centro Histórico de Kurashiki (foto:Roberto Maxwell)
Alguns dos antigos armazéns são hoje utilizados como espaços públicos. Um deles é o Museu de Artes Populares de Kurashiki. Fundado em 1948, o espaço exibe importantes itens do dia a dia dos japoneses, como cerâmicas, tecidos e outros, vindos de todas as partes do país. Já o Museu dos Brinquedos é outra atração interessante implantada em antigos armazéns. Quem gosta de brinquedos antigos, vai se maravilhar com exemplares de várias épocas.
Boa parte das antigas construções acabou dando lugar a lojinhas e restaurantes. Um passeio pelas ruas e você poderá provar desde sorvetes do tipo gelato até a mais tradicional cozinha japonesa. O local também é ótimo para quem gosta de cerâmicas e porcelanas. O Bizenyaki Chikuhodo é uma loja especializada no estilo de porcelana local — o bizenyaki do nome da loja. As peças variam de preço, de acordo com o modo de produção. Mas tem produto para todos os bolsos, além da simpatia do sr. Uno, o proprietário da loja e tutor da tímida cadelinha Kutchan que, de vez em quando, dá as caras.
Bizenyaki, a cerâmica típica da região (foto: Roberto Maxwell)
Em uma das ruas fica, ainda, uma fábrica de saquê, a Morita. Visitas à fábrica podem ser agendadas com antecedência, mas a simples entrada na loja já é uma viagem. O salão de exposição dos produtos da casa é coberto dos diplomas concedidos ao saquê da casa ao longo dos anos… muitos anos. As garrafas em si também são um espetáculo, com seu design retrô. Vale a pena conferir.
São tantas coisas legais para ver que vale a pena passar o dia explorando o local. É uma viagem pela história do país, com simplicidade e elegância.
KURASHIKI
como chegar? A linha Tokaido do trem-bala Shinkansen leva até Okayama. De lá, uma viagem de aproximadamente 15 minutos no trem local da linha Sanyo da JR leva até a estação de Kurashiki. O Centro Histórico (Bikan Historical Center) fica a 10 minutos de caminhada da estação.