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Randoseru, a mochila escolar no Japão

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Saiba o que levar em conta na hora da compra

 

O sistema de ensino do Japão é dividido basicamente em 6 anos de Escola Primária (Shogakko), 3 anos de Escola Ginasial (Chugakko), 3 anos de Colegial (Koko) e 4 anos de Universidade (Daigaku) ou 2 anos de Universidade de curto período (Tanki daigaku).

Os 9 anos de educação em escola primária e ginasial são obrigatórios. Mas para a entrada no colegial ou universidade, há uma prova de admissão.

Nesta primeira semana de abril, milhares de alunos voltarão às salas de aula em todo o Japão.

E alguns deles, pela primeira vez.

 

Mochilas em várias cores (Foto: Alexandre Ezaki)

 

Para aqueles que vão entrar na primeira série (ichinensei), além da expectativa natural de fazer novos amigos e aprender coisas novas, existe um objeto em comum que desperta vários sentimentos de alegria na criança: a tradicional mochila quadrada japonesa, chamada de Randoseru.

Confira a seguir a história da mochila e dicas de como escolher a ideal para seu filho.

Material

Randoseru (ランドセル) é uma mochila feita de couro ou material sintético semelhante ao couro.

Tradicionalmente, é dada à criança no início do primeiro ano escolar, quando ela usa a mesma bolsa até a 6ª série.

A explicação mais comum é que o nome vem do holandês ransel ou do alemão ränzel, que significa ¨mochila¨.

Uma randoseru típica mede aproximadamente 30 cm de altura, por 23 cm de largura, por 18 cm de profundidade. Quando vazia, pesa aproximadamente 1,2 kg.

As mochilas possuem laterais em couro rígido e compartimentos internos divididos. Fecham com uma longa aba que percorre todo o comprimento da bolsa e prende na parte inferior.

Para aumentar a segurança no trânsito das crianças que vão e voltam da escola caminhando, muitas cidades começaram a trabalhar com o Instituto de Segurança no Trânsito (交通安全協会, kōtsū anzen kyōkai ) para distribuir coberturas plásticas amarelas ou verde-limão, que cobrem a mochila para aumentar a visibilidade.

A maior parte da produção de randoseru é feita à mão.

Uma randoseru é construída com um corpo de peça única e cerca de 200 acessórios, uma combinação de materiais cortados e placas de suporte de uretano. A montagem envolve crimpagem, costura à máquina, perfuração de cada alça de ombro e rebitagem.

Embora as cores tradicionais de vermelho para meninas e preto para meninos sejam obrigatórias para algumas escolas (geralmente particulares), muitas instituições educacionais permitem que as famílias escolham a cor, marca e material que desejarem.

História

O uso da randoseru começou no final do período Edo.

Junto com uma onda de reformas ocidentais nas forças armadas japonesas, a mochila foi introduzida como uma nova maneira de os soldados de infantaria carregarem sua bagagem.

Em 1885, o governo japonês e o Gakushuin Elementary School tiveram a iniciativa de utilizar a randoseru como modelo de mochila padrão para todos os estudantes do ensino fundamental.

 

Preços são variados (Foto: Alexandre Ezaki)

 

Em Gakushuin foi proibida a prática de ir à escola em carros e riquixás, promovendo a ideia de que os alunos deveriam levar seus próprios equipamentos e ir à escola a pé. Neste momento, a bolsa parecia mais uma mochila normal.

Isso mudou em 1887. O príncipe herdeiro da época ganhou uma mochila ao entrar na escola primária. Para homenagear os soldados do país, o formato da mochila lembrava as mochilas usadas nas forças armadas. Isso imediatamente se tornou moda e a forma foi se adaptando ao modelo atual.

Embora fossem muito caras para a pessoa comum durante o início do século XX, com a ascensão econômica do Japão após a Segunda Guerra Mundial, o uso da randoseru se espalhou para estudantes de todo o país.

Cor

Em escolas mais conservadoras, a cor, a marca e o design são obrigatórios, geralmente com vermelho como cor tradicional para meninas e preto para meninos.

Versões mais coloridas como rosa, marrom, azul escuro, verde, azul e até bicolor também estão disponíveis. Essas variedades existem desde a década de 1960, mas venderam mal devido à mentalidade de bloqueio do sistema educacional que gradualmente começou a mudar no início dos anos 2000.

Numa pesquisa de 2021, o roxo foi a cor mais popular para as meninas, seguida pelo vermelho, rosa e azul claro. Para os meninos, o preto ficou em primeiro lugar, seguido pelo azul marinho, azul e verde.

Uma dica. Lembre-se também de pensar em como a cor provavelmente se desgastará com o tempo. As cores claras podem mostrar mais sujeira do que uma cor mais escura, enquanto as marcas de arranhões são mais visíveis em cores mais escuras.

Avalie também que a mochila deverá ser usada durante 6 anos. Mesmo que uma criança mais nova queira uma bolsa rosa bebê brilhante, talvez quando estiver um pouco mais velha não goste tanto.

Além disso, uma bolsa com um design simples, em vez de uma moderna ou excessivamente enfeitada, pode fazer uma transição mais perfeita.

Preço

A randoseru é vendida em lojas de departamento, como Aeon, e lojas especializadas em couro e até redes, como Nitori.

Dependendo de suas preferências e orçamento, há uma variedade de fatores a serem considerados ao comprar uma dessas bolsas.

 

Não faltam opções para os estudantes (Foto: Alexandre Ezaki)

 

A durabilidade e importância da mochila se refletem em seu custo.

O preço varia de ¥ 10.000 a ¥ 100.000 (geralmente para versões de luxo).É uma boa ideia definir seu orçamento para que você possa se concentrar no mercado de bolsas de sua escolha.

Além disso, não tenha medo, porque em todos os preços, há muitos estilos e cores para escolher.

Tradicionalmente, muitos avós no Japão compram randoseru como presentes para seus netos.

Mas se a grana está curta, tem uma saída. Frequentemente a randoseru pode ser encontrada em sites de leilão em condições novas ou usadas, a preços muito mais baixos, especialmente após o início do ano letivo japonês, em abril.

 

Fonte: Savvy Tokyo e Wikipedia

 

Jornalistas brasileiros recebem homenagem no Japão

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Noite foi de memórias e novos projetos

 

Quem sempre esteve na busca da informação, dessa vez virou notícia.

Na noite de sábado, 1º, foi realizada a ¨1ª Homenagem aos Jornalistas e Mídias da Comunidade Brasileira¨, evento idealizado pelo jornalista Silvio Mori e realizado pelo Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu (Shizuoka) em parceria com o Portal Japão.

A comemoração foi alusiva ao Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril e instituída pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Cerca de 80 pessoas participaram da festa, que aconteceu no Café Tournez La Page, em Hamamatsu. A apresentação foi de Vanessa Handa.

Os patrocinadores foram Eureka Japan, Casa da Sogra, Avance, Out-Sourcing, Aliena Corporation, Hiro World, Mundial Foods, Agência Ichiban, Linda Store, Infi 21, GK Service, Matsuura Giken, Oriente Film e Kowa.

MPB e Bossa Nova

A noite começou com a apresentação de música popular brasileira e bossa nova, com a dupla Michele Costa e Edison Maisatto.

A cantora Michele Costa é Bacharel em Música, Canto e Arte Lírica, formação pela USP no Brasil. Ela atua na área musical como Preparadora Vocal, Regente de Coro, Produtora Musical, Pianista e Arranjadora.

 

Michele e Edison se apresentaram no evento (Foto: Alexandre Ezaki)

 

Michele se mudou para o Japão há 9 meses e recentemente lançou seu novo álbum autoral nas plataformas digitais, chamado ¨Intuição¨.

E Edison Maisatto é músico autodidata, amante da Bossa Nova e da música popular brasileira. Atuou no Japão juntamente com a esposa, a cantora Cris Maisatto, durante mais de 20 anos.

Com ela apresentou-se no programa Entrance Concert, na empresa de televisão Nara TV, um programa de uma hora de música brasileira. A participação no programa ¨24 Televison¨ é equivalente ao ¨Criança Esperança¨ do Brasil.

Com o produtor Sussumu Asakura sempre nos bastidores, culminou com a gravação de um CD da esposa Cris Maisatto, intitulado ¨Falando de Amor¨, apenas com músicas de Tom Jobim, com participação especial do Maestro e pianista francês Gilles Gambus,  da extinta Orquestra Paul Mauriat.

Vários projetos

O Cônsul Aldemo Garcia abriu os discursos da noite, lembrando que a iniciativa foi do jornalista Silvio Mori e de Elisa Nakakusu, do Portal Japão.

Ele disse que sempre procurou prestigiar a mídia comunitária. ¨É muito importante para a informação da nossa comunidade¨.

Há dois anos à frente do Consulado de Hamamatsu, agradecendo e elogiando a equipe ¨que resolve todos os problemas¨ do órgão governamental, Aldemo afirmou que pode fazer um algo mais.

¨Isso possibilita a gente criar e apoiar mesmo as ideias mais absurdas que aparecem. Em 2022, por exemplo, realizamos as Olimpíadas Escolares e o Brazilian Day Hamamatsu¨, relembrou.

Aldemo agradeceu a presença da mídia japonesa no evento, lembrando que antigamente havia muitas notícias ruins sobre os brasileiros, mas que atualmente são publicadas várias menções positivas.

 

Cônsul Aldemo Garcia agradeceu aos jornalistas (Foto: Alexandre Ezaki)

 

Também destacou projetos como o Espaço do Trabalhador Brasileiro; o Bossa Brasil, que procura trazer o melhor da música brasileira; os Jogos Escolares Brasileiros que vão acontecer em 22 de julho em Fukuroi; nos dias 16 e 17 de setembro haverá a segunda edição do Brazilian Day Hamamatsu, que já confirmou a presença de Lisa Ono no primeiro dia; a criação do coletivo Arte Brasil, com 30 artistas brasileiros participando de um catálogo que será lançado em dois meses; e o CD Bossa da Comunidade, cujo objetivo é promover os talentos brasileiros para o público japonês.

¨O mais ambicioso é o projeto Casa Brasil-Japão, um centro cultural. Os japoneses têm 400 centros culturais no Brasil, então vamos começar o nosso primeiro aqui, em Hamamatsu¨, comemorou Aldemo.

Mensagens

Em seguida, jornalistas que já passaram pelo Japão como correspondentes das principais emissoras do Brasil, mandaram mensagens em vídeo aos que ainda estão por aqui.

Márcio Gomes, ex-correspondente da Rede Globo e atualmente na CNN Brasil, falou da importância do trabalho jornalístico: ¨Levar cultura, informação, comunicação, dicas de sobrevivência. O trabalho do jornalista é transmitir o que é importante¨.

Cintia Godoy, correspondente da Record de 2013 a 2020, disse que tem saudades eternas do Japão e dos brasileiros. ¨As matérias que eu mais gostava de fazer eram as com a nossa comunidade, que me deram o privilégio de ouvir e aprender¨, agradeceu.

O jornalista Carlos Gil foi o próximo, correspondente da Globo no Japão que cobriu pautas importantes, como a pandemia do Coronavírus e os Jogos Olímpicos de 2020 (realizados em 2021). ¨Assim que possível voltaremos para abraçar todos os amigos que deixamos.¨

Entre 2011 e 2013, André Tal foi o correspondente da Record no país, e ele aproveitou para engrandecer a profissão. Fernando Jordão, do SBT News, enalteceu o trabalho dos jornalistas e da correspondente Erika Okazaki, uma das homenageadas.

 

Márcio Gomes falou da importância do trabalho jornalístico (Foto: Alexandre Ezaki)

 

Alberto Gaspar e outros três correspondentes lembraram das dificuldades do trabalho anos atrás, sem Google, sem telefone celular, com a internet primitiva. ¨Viva o Dia do Jornalista¨, concluiu.

Discursos e emoção

O primeiro jornalista homenageado foi Osny Arashiro, atualmente blogueiro do site Japão Aqui. Mais tarde, numa rede social, ele disse: ¨Foi uma oportunidade de reencontrar antigas amizades e colegas de trabalho. Agradeço também ao Cônsul Aldemo Garcia, o primeiro diplomata a lembrar da nossa profissão e nos homenagear, dando o exemplo de que trabalhamos por uma causa única e que a concorrência entre mídias é apenas sinônimo do bem informar¨.

O discurso mais emocionante da noite foi da correspondente Silvia Kikuchi, desde 2020 na Rede Record de Televisão. Veterana, passou pela mídia impressa e digital.

Ela agradeceu a homenagem e fez questão de falar, com lágrimas nos olhos, que não apenas os jornalistas deveriam ser lembrados neste dia. ¨Quem está lá sentado, quem administra, quem cuida da faxina, do dinheiro, da administração. Todo mundo faz parte desse jornalismo¨, finalizou Silvia.

Neide Hayama tem mais de 30 anos de atuação no jornalismo, com experiência em rádio, jornal, revista, agência de comunicação, mídia social, podcast e assessoria. Ela também emocionou os presentes, primeiro agradecendo ao Silvio Mori, que organizou a festa mas não pôde estar presente e lembrando da importância da comunicação: ¨A ideia foi dele, que batalhou bastante, um cara genial. Dedico essa homenagem para ele. Numa conversa falamos que poderíamos nos unir mais. E assim surgiu a ideia. Vamos nos comunicar¨, sugeriu.

 

Erika Okazaki, correspondente do SBT (Foto: Alexandre Ezaki)

 

Erika Okazaki, atual correspondente do SBT, se define como uma pessoa que nasceu com ¨asas¨ e que até agora conheceu 15 países. Em conversa com dois estudantes de jornalismo presentes à festa, eles falaram que uma pesquisa levantou que um dos cursos que as pessoas mais se arrependiam de fazer era o Jornalismo.

Erika sonhava em ser bioquímica, mas formou-se em Moda e depois em Jornalismo. ¨Nunca imaginei receber uma homenagem dessa, sabendo que posso ser ponte entre Brasil e Japão. É tão gratificante. Por isso tenho certeza que vocês (os estudantes) nunca vão se arrepender de se formarem jornalistas. Nunca esqueçam. O jornalismo é feito por pessoas e pode tocar o coração delas. Tenho certeza que vocês vão ter muita gratidão por essa profissão¨, previu a correspondente.

Mídia japonesa

A mídia japonesa que trata de assuntos brasileiros também foi lembrada.

E três deles estiveram presentes ao Café: Hibino Tsumugi (Shizuoka Shinbun), Ohira Kaname (Asahi Shinbun) e Watanabe Mayumi (Chunichi Shinbun).

Hibino confessou que, por causa da dificuldade da língua portuguesa, achou que não conseguiria cobrir a comunidade brasileira, mas foi bem acolhida e recebeu ajuda. ¨Gostaria de continuar ajudando a comunidade e mostrar aos japoneses a importância dos brasileiros¨, disse.

 

Jornalistas japoneses homenageados (Foto: Alexandre Ezaki)

 

A jornalista Watanabe, que agora está trabalhando em Tóquio, afirmou que mesmo longe quer continuar dando espaço para a comunidade de Hamamatsu e região.

E Ohira afirmou estar assustado com a homenagem. No final de fevereiro, o jornalista conseguiu emplacar uma série de 4 reportagens com a comunidade brasileira, intitulada ¨Vivendo no Japão¨.

Ele explicou: ¨Não coloquei Trabalhando no Japão porque com a baixa natalidade, os estrangeiros estão realmente ajudando o Japão a se erguer novamente. Não apenas trabalhando, mas vivendo aqui¨.

Mídias brasileiras

O trabalho árduo e com dedicação dos jornalistas não teria tanto retorno se as empresas não abrissem espaço para a divulgação das matérias, vídeos, podcasts. Por isso, a mídia brasileira no país foi homenageada pelo Consulado.

 

A Guia JP também foi homenageada (Foto: Cris Ezaki)

 

Rosa Toyonaga, a diretora da Rede Record Japan, falou das dificuldades de manter uma mídia diária. ¨E mesmo assim, conseguimos levar gratuitamente para a comunidade as notícias do Brasil, entretenimento, superproduções¨, afirmou. E ela não agradeceu apenas aos jornalistas. Assim como Silvia, a colega de emissora destacou a importância dos técnicos, pessoal do marketing, R7, jornalistas e todos que fazem parte da Record.

O podcast, mídia que vem crescendo nos últimos anos, também foi lembrado. Carlinhos Vilaronga, da Nabecast Podcast & Multimedia e um dos líderes do Coletivo Podosfera Nipo-Brasileira no Japão, recebeu a homenagem. ¨Nossa galera é formada por mães, pais, pessoal que sai do trabalho noturno (yakin) e ainda grava conteúdo de manhã para entreter e informar a comunidade brasileira¨, pontuou.

A revista Guia JP também foi homenageada. Nossos diretores, Emmanuel Cáceres e Aline Higa, foram representados pelo jornalista Alexandre Ezaki, que recebeu o certificado das mãos do presidente da Kowa, Nelson Saito.

 

Alexandre recebe o Certificado em nome dos nossos diretores (Foto: Cris Ezaki)

 

Homenageados

A seguir, confira a lista completa dos prestigiados com o Certificado do Consulado.

Jornalistas: Silvia Kikuchi; Erika Okazaki; Gilberto Yoshinaga; Neide Hayama; Osny Arashiro; Fumio Almeida Hamasato; Alexandre Ezaki; Ewerthon Tobace; Anna Shudo; Roberto Maxwell; Fátima Kamata; e Thassia Ohphata.

Mídia brasileira: Emmanuel Cáceres e Aline Higa (Revista Guia JP); Hitomi Sano (Revista Boa Dica); Fernanda Tajima (Dia a Dia); Ricardo Tai (Alternativa); Celso Miguel Cardoso (Portal Mie); Rosa Toyonaga (Record TV Japan); Arthur Muranaga (IPC World); e Milton Muranaga (Japão Aqui).

 

Elisa Nakakusu, uma das organizadoras da festa (Foto: Alexandre Ezaki)

 

 

Mídia japonesa: Hibino Tsumugi (Shizuoka Shinbun); Ohira Kaname (Asahi Shinbun); e Watanabe Mayumi (Chunichi Shinbun).

Honra ao Mérito: Cristiano Shiono (CastBRothers Podcast); Carlinhos Vilaronga (Nabecast Podcast & Multimedia); Macsael Oda (Crônicas do Japão); Kiyoshi Miyano; e Robson Scarmanhã.

Patrocinadores: Gustavo Tobita (GK Service Center); Marcelo Hironaka (Hiro World); Paulo Lisboa (Mundial Foods); Jaqueline Mori (Linda Store); Luiz Tolesano (Eureka Japan); Nelson Saito (Presidente da Kowa); Geraldo Hirata (Kowa); Fernanda Moribayashi (Infi 21); Matsuura Masakazu (Matsuura Giken); Clayton Yugue (Aliena Corporation); Hasegawa Kazuo (Avance Corporation); e Takashi San (Out-Sourcing).

 

10 coisas que você não pode deixar de fazer em Saitama

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Quando se fala em Saitama, a maioria das pessoas se refere, de forma muitas vezes nada elogiosa, “àquela província que fica logo ali no norte de Tóquio”. É o preço que se paga por estar tão próximo a uma das maiores e mais fulgurantes “cidades” do mundo. Aliás, não é só uma mera proximidade. Saitama é uma parte tão natural do crescimento de Tóquio que, na prática, é impossível separar as duas províncias.

Uma intrincada rede de transporte público conecta diversas localidades de Saitama a Tóquio em menos de uma hora de viagem. Excelente notícia para quem trabalha nas áreas mais centrais, melhor ainda para quem faz o caminho inverso. Sim, porque cada vez mais toquiotas estão descobrindo que não faz sentido algum a expressão “dasaitama”, um infame trocadilho feito com as palavras “dasai” (brega, jeca, fora de moda) e o nome da província. Saitama não somente é perto de Tóquio como também oferece centenas de opções para quem pensa em turismo e lazer. Nesta edição, o GUIA JP fez uma lista de dez coisas que você não pode deixar de fazer em Saitama. E não pense que foi fácil. A província tem tantas opções de passeio, gastronomia, arte e lazer que foi difícil fechar a lista. Por isso, pegue essas dicas como um começo e abre os olhos para descobrir uma Saitama que muita gente ainda não sabe que existe!

 

 

1- Ver o Festival Noturno de Chichibu

Chichibu fica no extremo oeste da província e é o maior município de Saitama. A região já foi o centro de uma província histórica do Japão e, por isso, tem uma forte identidade local que se expressa em diversas tradições. A mais resplandecente delas é o Chichibu Yomatsuri, um festival noturno realizado todos os anos nos dias 2 e 3 de dezembro e que atrai mais de 400 mil visitantes por dia para a pacata cidade de pouco mais de 63 mil habitantes.

O centro do festival é o Santuário Chichibu que tem, pelo menos, 1000 anos de história. O prédio principal, por exemplo, foi construído em 1592 sob as graças do então xogum Tokugawa Ieyasu. As belíssimas esculturas de tigres, dragões e outros animais míticos lembram o Toshogu de Nikko. Não é um acaso. Muitas delas foram esculpidas pelos mesmos artesãos que fizeram a fama do santuário dedicado ao fundador do último xogunato da história japonesa. O templo também tem um espaço dedicado à história do evento noturno tradicional mais badalado da província, o Chichibu Matsuri Hall.

Festivais japoneses são conhecidos pelos mikoshi, os andores que são considerados santuários portáteis dentro da fé xintoísta. No Chichibu Yomatsuri, é como se os mikoshi tivessem tomado anabolizantes e ficados gigantescos como carros alegóricos do carnaval carioca. Chamados de dashi, esses carros são ricamente decorados com lanternas que fazem o visitante esquecer o frio das montanhas e acompanhar, embasbacado, o que uma cidade tão pequena pode fazer em nome da fé e da tradição. São seis carros, que representam os bairros da cidade e circulam em direção à praça central, do final da tarde até o início da noite do dia 3.

 

Além dos dashi, os fogos de artifício também se destacam no festival. São quase três horas de queima de fogos! Nem no verão, que é a temporada de hanabi, se vê tanto de uma vez só. Isso faz com que o evento de Chichibu, realizado no começo do inverno, seja uma oportunidade rara, e muito especial, de ver fogos de artifício fora de época. Não é à toa que o Chichibu Yomatsuri é considerado um dos três mais belos festivais japoneses com carros alegóricos, fazendo companhia ao badaladíssimo Gion Matsuri de Kyoto e ao Takayama Matsuri, nas montanhas da província de Gifu.

O festival também é um paraíso para quem curte comida de rua. Nas cercanias do Santuário Chichibu, as famosas barraquinhas estão sempre cheias de delícias como o yakissoba, o takoyaki, o karaagee as maçãs do amor. Não esqueça, também, de provar o porco no missô, uma especialidade da região.

Santuário Chichibu
2 e 3 de dezembro
Saitama-ken Chichibu-shi Banbamachi 1-3
埼玉県秩父市番場町1-3
0494-22-0262
www.chichibu-jinja.or.jp

2- Caçar morangos

Ichigo é morango em japonês. E quem já comeu os famosos morangos de Atibaia, no Brasil, sabe muito bem a diferença entre um morango produzido no Japão e os primos da nossa terra distante. Estando lá, a gente ama, claro. E tem mais que amar, mesmo. É o que tem. Mas, chegando aqui e comendo um morango japonês, toooooooda a percepção que a gente tem sobre a fruta muda. O morango japonês cai no paladar de forma diferente. Ele é mais doce, mais cheiroso e, ainda por cima, é mais bonito, fruto da seleção que os agricultores fazem.

 

Toda essa introdução é necessária porque não existe amante de morango — mesmo o humildezinho que a gente amava lá no Brasil — que nunca tenha sonhado em ter uma plantação à disposição para comer a fruta direto do pé, até cair no chão de satisfação. Bem, no Japão essa versão do paraíso se chama ‘ichigo-gari (いちご狩り), algo que pode ser traduzido como ‘caça aos morangos’.

Saitama é uma das províncias de Kanto com mais lugares para caçar morangos. A Sayama Berry Land é um desses locais, um sítio que há 18 gerações resiste à urbanização da província e segue produzindo alimentos. São sete estufas de morango distribuídas nos 80 mil metros quadrados da propriedade que produz, ainda, mirtilo e cogumelo shiitake, que também podem ser colhidos diretamente, em épocas distintas. As instalações são acessíveis a pessoas com dificuldades de locomoção, com espaço para cadeira de rodas, por exemplo. A temporada de morangos na Sayama Berry Land vai de dezembro a maio e a reserva, recomendável, pode ser feita no site do sítio.

Sayama Berry Land de dezembro a maio
Saitama-ken Sayama-shi Horigane 1262-5
埼玉県狭山市堀兼1262-5
04-2958-8000
www.sayama-sb.com

 

3- Ver os pingentes de gelo

Pingentes de gelo são aquelas formas produzidas a partir do congelamento da água quando esta escorre em gotas. O extremo oeste é a região mais fria da província de Saitama e é ali que a natureza criou um belo espetáculo conhecido como o Misotsuchi no Tsurara, algo como “os pingentes de gelo de Misotsuchi”. Nas encostas da parte mais montanhosa da cidade, às margens do Rio Arakawa, a água que mina vai congelando no inverno formando um belo espetáculo que atrai turistas de várias partes do Japão.

Com o sucesso do Misotsuchi no Tsurara, outras localidades próximas passaram a produzir artificialmente os pingentes de gelo. No Vale de Onouchi, já na vila vizinha de Ogano, a comunidade se organizou para criar um ambiente similar, na área em que uma ponte de madeira atravessa o rio. Os moradores montaram um sistema para borrifar a água nas encostas e, com o frio, as gotas vão se congelando, formando os pingentes. O efeito é incrível!

Tanto o Misotsuchi no Tsurara quanto o Vale de Onouchi são belos mas têm um problema quando o assunto é transporte: ficam em áreas afastadas nas montanhas. Na praticidade, ganham os Pingentes de Gelo de Ashigakubo, que ficam a 10 minutos da estação de mesmo nome, na cidade de Yokoze, vizinha de Chichibu. No local, os pingentes também são formados artificialmente, com o mesmo tipo de borrifadores de água.

Como em cada local as formações são diferentes, visitar os três não parece demais. Ainda mais que as três atrações têm iluminação noturna em dias específicos, o que traz ainda mais beleza e destaque para os pingentes. Quem disse que entrar numa fria não pode ser legal?

Misotsuchi no Tsurara (三十槌の氷柱)janeiro e fevereiro de cada ano (confira as datas antes de viajar)
Saitama-ken Chichibu-shi Otaki 4066
埼玉県秩父市大滝4066

Onouchi Keikoku Hyochu (尾の内渓谷氷柱) 
janeiro e fevereiro de cada ano (confira as datas antes de viajar)
Saitama-ken Chichibu-gun Ogano Kawarasawa
埼玉県秩父郡小鹿野町河原沢

Ashigakubo no Tsurara (あしがくぼの氷柱) janeiro e fevereiro de cada ano (confira as datas antes de viajar)
Saitama-ken Chichibu-gun Yokoze Ashigakubo
埼玉県秩父郡横瀬町芦ケ久保
0494-25-0450

4- Beber kombuchá

Sim, todo mundo fala dele como a mais nova receita milagrosa de saúde dos descolados. Mas, não, o kombuchá não é novidade. A bebida é milenar e tem origens na China e sua fama já corria continentes desde muito antes da internet ser inventada. Ela é citada até na Bíblia. No livro de Rute, há uma passagem em que a personagem que dá nome à obra é convidada pelo proprietário de terras Booz a convida para tomar um vinagre que os historiadores acreditam ser uma versão local do kombuchá.

A bebida probiótica é um fermentado feito a partir da planta do chá, com uma espécie de zoogeleia, ou seja, uma cultura de microorganismos. Pode-se incluir na receita, ainda, açúcar e frutas ou especiarias para saborizar. O resultado é uma bebida refrescante, frisante e cheia de nutrientes que fazem bem à flora intestinal, auxiliam a digestão.E o que tudo isso tem a ver com a província de Saitama?

É que, apesar do nome com tudo para ser japonês, o kombuchá que está bombando mundo afora não é muito popular por aqui. (Aliás, não confundir com o chá feito com a alga kombu que leva o mesmo nome.)  E a única empresa com licença para produzir o fermentado no Japão fica justamente na cidade de Kawaguchi, em Saitama. O Kombucha Ship é a parte da empresa encarregada de apresentar a bebida para o público. No seu tap room(uma espécie bar, onde se pode provar as bebidas), a empresa oferece os três tipos de kombuchá básicos produzidos em Saitama: Original, Yuzu Heads (saborizado com yuzu) e Pinksour Party, que leva hibisco e capim limão. Além disso, a empresa costuma oferecer no local versões sazonais e limitadas. Fino!

Kombucha Ship
Saitama-ken Kawaguchi-shi Ryoke 5-4-1
埼玉県川口市領家5-4-1
048-222-1171
oks-kombuchaship.com

 

5- Tomar saquê

Ogawa é uma pequena cidade no centro da província de Saitama, conhecida pela produção de washi, o tradicional papel japonês. A água é um elemento importante na produção do washi. Uma das características principais da água em Ogawa é a dureza, ou seja, a riqueza de minerais. A cidade fica na base das montanhas de Chichibu que têm como uma das rochas principais o calcário. Quando a água percola pelas rochas calcárias da região, ela fica cristalina o suficiente para servir para o papel e, ao mesmo tempo, rica em minerais. Essa é a água classificada como dura. A condição geológica de Ogawa é rara no Japão e foi o que atraiu Yuemon Matsuoka para a região, ainda no período Edo.

Matsuoka vinha de Echigo, na atual província de Niigata, onde a água também é classificada como dura.  Parte de uma família de produtores de saquê, o homem viu potencial para criar sua própria fábrica na cidade que florescia como entreposto comercial. Assim nasceu a Matsuoka que, anos mais tarde, passou a dar ao seu saquê o nome de Mikadomatsu, usando o caractere que indica nobreza (帝) e o “matsu/松”, ou pinheiro, símbolo de prosperidade.

Atualmente, a Matsuoka produz mais de 40 tipos de bebidas diferentes, algumas delas premiadas com medalhas de ouro em competições nacionais de saquê. Embarcando num movimento de renovação, a empresa tem investido em novos formatos, como saquês saborizados, frisantes e licores. Além disso, a marca tem procurado se aproximar de novos públicos, inclusive atraindo estrangeiros para visitar sua fábrica. As visitas, infelizmente, ainda são só em japonês e é necessário fazer reserva. Mas alguns guias têm organizado visitas com estrangeiros, que saem bastante satisfeitos com a atenção recebida.

 

As visitas guiadas começam com a prova da água da região e mostram, nas próprias instalações da fábrica, como é feita a produção do saquê. O passeio inclui uma olhada nas antigas instalações, da época em que toda a produção era feita de forma artesanal. Nostálgico, o armazém de tonéis antigos mostra como se armazenava o saquê. A fábrica manteve, ainda, uma sala administrativa com os cadernos de registro da produção que eram usados no passado. Após a visita, o mestre-produtor faz a apresentação dos principais saquês da empresa, numa degustação gratuita, e os produtos também estão disponíveis para compra no local. Difícil é sair com uma garrafa só. Ou, ainda, ir embora sem provar o sorvete de saquê.

Fábrica de Saquês Matsuoka
Saitama-ken Hiki-gun Ogawa-machi Oaza Shimofurutera 7-2
埼玉県比企郡小川町大字下古寺7-2
0493-72-1234
www.mikadomatsu.com

 

Consulado homenageia jornalistas brasileiros no Japão

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Veículos de imprensa também serão condecorados

 

Pela primeira vez, os jornalistas brasileiros que atuam no Japão, veículos de comunicação voltados para a comunidade brasileira no país e correspondentes internacionais das grandes emissoras do Brasil serão homenageados pelo Consulado Geral do Brasil em Hamamatsu (Shizuoka).

A condecoração é alusiva ao Dia do Jornalista, comemorado no Brasil em 7 de abril, data instituída pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em 1931.

Na ocasião, jornalistas japoneses que cobrem a comunidade brasileira no Japão, como Asahi Shimbum, NHK, Chunichi Shimbum e Shizuoka Shimbum, também serão homenageados.

 

Será o primeiro reconhecimento oficial à categoria (Arte: Divulgação)

 

A solenidade acontece no dia 1° de abril, no Tournez La Page, em Hamamatsu. O evento contará com a presença de jornalistas de diversas áreas, representantes das mídias brasileiras no Japão, empresários e convidados especiais.

O evento conta com apoio da Eureka Japan Produções, Kowa, Mahalo e Hiro World.

Serviço

Homenagem aos Jornalistas Brasileiros no Japão

Data: 1° de abril de 2023

Local: Tournez La Page

Mais informações: 090-9948-1741

 

* Com Silvio Mori

 

Ume – A Flor que Marca o Início da Primavera

Que os japoneses são apaixonados por flores, nós já sabemos. Isso porque elas são marcos da mudança das estações e da passagem do tempo. No Japão, a observação das flores é popular não somente pela beleza do espetáculo que proporcionam mas, também, porque os locais atribuem a elas significados. Esta simbologia, expressa em poemas, canções e outras obras de arte criam uma relação profunda entre a natureza e a vida humana. No Japão, este senso estético e filosófico é chamado de mono no aware, algo como “consciência da efemeridade das coisas”.

No Japão, as primeiras árvores a florir depois do inverno são as ameixeiras. Por isso, eles têm destaque especial na memória dos japoneses. Antes das cerejeiras conquistarem o coração dos japoneses, durante o Período Edo (1603 – 1808), eram as ameixeiras que mobilizavam os nobres nos hanami, os encontros para observar as flores. Elas estão presentes em milhares de poemas, pinturas, romances e outras obras de arte, produzidas no país ao longo dos séculos.

O nome da atual era do Japão, Reiwa, foi criado através de caracteres encontrados no Man’yō-shū, considerada a mais antiga coletânea poética em língua japonesa, compilada no ano de 759. Os caracteres que formam Reiwa (令和) fazem parte de um poema sobre a flor de ameixeira.

Neste mês promissor do início da primavera,
O tempo está ótimo e o vento, suave
A ameixeira desabrocha como se estivesse num camarim
e a orquídea lança um perfume doce, como um sachê

O nome da era foi tirado das palavras 令月/reigetsu (mês promissor) e 和/yawaragi (suave, gentil) e significa “beleza e harmonia”.

Em uma de suas obras sobre as flores do Japão, o pesquisador e professor Tanaka Osamu diz que não há coincidência na escolha de um poema sobre a flor de ameixeira para a criação do nome da Era Reiwa. A ameixeira é “parte integral das tradições japonesas”, conta ele no livro Nihon no hana wo itoshimu (algo como “o amor pelas flores japonesas”).

“Desde tempos imemoriais, os japoneses esperam com entusiasmo o desabrochar das ameixeiras que há muito vêm aparecendo com destaque nas artes e na poesia”, escreveu ele.

Flores voadoras

Significando “nobreza”, “devoção”, “perseverança” e “pureza de coração”, a flor de ameixeira aparece numa bela lenda que envolve o estudioso o santuário Kitano Tenmagu, um dos mais conhecidos de Kyoto. Sugawara no Michizane era um admirado poeta e pesquisador da segunda metade do século 9 quando caiu em desgraça com a corte imperial e foi mandado para o exílio em Kyushu, a centenas de quilômetros de distância, no sudoeste do Japão.

Na preparação para a partida, Sugawara escreveu uma poema em homenagem à uma ameixeira que ele adorava.

Quando soprarem os ventos do oeste
espalha o teu perfume, ó flor de ameixeira
Mesmo que teu mestre se tenha ido,
nunca te esqueças da primavera

Diz a lenda que a árvore sentiu tantas saudades de Sugawara que voou até ele até o local de seu exílio, onde criou raízes e cresceu. Esta árvore, hoje conhecida como Irotamagaki, pode ser vista no Santuário Dazaifu Tenmangu, na cidade de Fukuoka.

Sugawara, por sua vez, nunca mais voltou a Kyoto. Após a sua morte, no ano de 901, a cidade caiu em desgraça, com praga e seca. Na época, os fenômenos foram atribuídos à injustiça cometida pelo imperador contra ele. Para apaziguar a sua alma, os locais fundaram o Kitano Tenmangu e passaram a reverenciá-lo como a divindade do saber Tenman Tenjin.

O santuário é conhecido pelo belo jardim de ameixeiras e é muito visitado na temporada da floração. A árvore mais sagrada do santuário, chamada de Beni Wakon Bai, é uma ameixeira de 350 anos que, acredita-se, tenha sido plantada a partir de enxerto extraído da árvore amada por Sugawara e que o inspirou em seu poema.

Onde ver as ameixeiras no Japão

As ameixeiras costumam florescer no meado de fevereiro e podem ser vistas até o início de março em parques de várias partes do país. Confira algumas dicas.

IBARAKI
Kairaku-en
Ibaraki-ken Mito-shi Mikawa 1-1251 [mapa]

TÓQUIO
Yushima Tenjin
Tokyo-to Bunkyo-ku Yushima 3-30-1
[mapa]

KANAGAWA
Soga no Sato Bessho Bairin
Kanagawa-ken Odawara-shi Soga Bessho 282 [mapa]

MIE
Inabe-shi Nogyo Koen (Parque Agrícola Municipal de Inabe)
Mie-ken Inabe-shi Fujiwarachotei 717 [mapa]

KYOTO
Santuário Kitano Tenmangu
Kyoto-fu Kyoto-shi Kamigyo-ku Bakurocho [mapa]

FUKUOKA
Dazaifu Tenmangu
Fukuoka-ken Dazaifu-shi Saifu 4-7-1 [mapa]

É Primavera! Tempo de sakura!

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Todo ano é a mesma coisa. Chega fevereiro e os japoneses só pensam em… sakura! Sim, com o inverno se encaminhando para o final, o povo começa a se planejar para, finalmente, poder botar a cara na rua sem medo de levar uma pancada de ar frio na lata. Ano após ano aqui no Japão, a gente acaba adquirindo os hábitos locais e, quando menos espera, já está se perguntando se saiu a previsão da floração das cerejeiras, uma coisa que ninguém nem imaginava que existia enquanto morava no Brasil. 

Mas como não esperar ansiosamente pelo curto espaço de tempo em que as cerejeiras florescem? Tudo muda! Do nada, parece que o mundo inteiro ficou cor de rosa. E as prateleiras dos mercados? Tem doce de sakura, mel de sakura, cerveja de sakura, sal de sakura e qualquer-outra-coisa-que-a-gente-nem-sabia-que-existia, só que de sakura. As ruas, então… Qualquer shotengai, por mais mequetrefe que seja, fica todo florido. Flores de plástico, claro, daquelas que os Titãs diziam que não morrem. Mas não tem como negar que até as flores de mentira dão vida nova às ruas de comércio mais escondidas do país. Até a gente fica meio que, sei lá, molengão. Afinal, as cerejeiras floridas vão derretendo até o coração mais gelado e se mostrando um presente da natureza depois de um inverno que, para muitos, pode ser bem desanimador.

Bem, você deve imaginar que toda essa adoração pelas sakura não veio do nada. O costume de apreciar as cerejeiras em flor tem séculos de história dentre os japoneses. De costume restrito às aristocracias, o hanami (contemplação das flores) se tornou um festival extremamente popular e, ao longo dos séculos, inspirou artistas de todas as áreas: do ukiyo-e à música contemporânea, passando pela poesia haiku. Todas essas manifestações não são apenas porque a floração é linda. Ela tem um significado profundo para os japoneses, refinado ao longo dos séculos.

Nesta edição, o GUIA JP fala sobre a importância desse momento para os japoneses e te dá boas dicas para você aproveitar bem o curto momento da floração das cerejeiras. 

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Não é de hoje que os japoneses esperam o inverno acabar para sentar-se embaixo das cerejeiras e celebrar o início da primavera. Num país com quatro estações bem definidas, festividades para marcar essas mudanças não é algo incomum. Vinda da China, a celebração do Setsubun no início de fevereiro marca o fim do inverno e o início “oficial” da primavera. Porém, na época, ainda costuma ser frio em boa parte do país. 

As ameixeiras dão as primeiras flores a desabrochar na primavera japonesa. Chamadas de ume em japonês, essas plantas vieram da China para o Japão e suas flores eram adoradas pelos japoneses até o Período Nara (710-794). Até então, a influência da cultura chinesa no Japão era imensa e boa parte do que hoje consideramos como “cultura japonesa” tem sua base nos conhecimentos importados da China até essa época. 

O período histórico seguinte marca a mudança da capital do país para Heian, que depois ganhou o nome de Kyoto. Essa foi uma época de grandes mudanças na sociedade japonesa, com movimentos que procuravam se afastar da influência chinesa e criar uma cultura que representasse o país na sua essência. Foi nesse momento que a sakura começou a se tornar admirada pelas aristocracias do país. 

Essa obra, Yayoi Asukayama Hanami, foi criada por Shigemasa Kitao entre 1772 e 1776 e retrata um hanami no Parque Asukayama, cujas cerejeiras foram plantadas pelo xogum Tokugawa Yoshimune.

Somente alguns séculos depois que o hanami como a gente conhece passou a existir. Em 1598, o Toyotomi Hideyoshi, um dos mais poderosos senhores feudais da época, organizou uma festa da pesada à sombra das cerejeiras do Templo Daigoji, em Kyoto. Óbvio que o convescote reunia só “diretoria” mas, ao que parece, a festa ecoou longe e não demorou muito tempo para que o povão também fizesse suas estripulias.

O século 17 chega ao Japão com o Período Edo (1603-1868). Foi o início de uma longa época marcada pela paz, construída através da unificação do país em torno do clã Tokugawa. Edo, que séculos depois se tornaria Tóquio, era o centro desse novo poder instituído. Com menos brigas e tensões, as pessoas encontram mais tempo para o lazer, para arte. Essa amansada criou oportunidades para a realização de eventos como a apreciação das flores. Estando perto do poder, o Edo foi o cenário perfeito para isso. Acredita-se que os primeiros hanami populares tenham acontecido na cidade, em especial em Ueno, onde ficavam vários templos importantes. 

Oitavo governante do novo xogunato, Tokugawa Yoshimune (1684-1751) pode ser creditado como o maior incentivador da forma como admiramos as flores de cerejeira nos dias de hoje. Foi ele que plantou uma enorme quantidade de cerejeiras em Edo, o que muitos autores creditam como o movimento definitivo para que a cultura do hanami se espalhasse, primeiro por lá e, depois, pelo país. Mas naquela época, o colorido rosa não era o predominante porque a espécie de sakura que mais admiramos hoje ainda nem existia.

De uma queda, foi ao chão

Uma das principais características da floração das cerejeiras é a sua efemeridade. Da abertura total do botão até a queda das pétalas não se passa mais que uma semana. E o mais interessante é que as sakura de uma região trabalham de forma sincronizada, ou seja, florescem juntas e caem juntas. Não é coincidência. 

Existem dezenas de espécies de cerejeiras, mas acredita-se que entre 70 e 80 por cento das sakura do Japão são do tipo somei-yoshino, um híbrido criado artificialmente entre o final do Período Edo e o início do Período Meiji (1868-1912). As árvores dessa espécie são plantadas usando uma técnica chamada tsugiki (enxertia, em português). Através desta técnica, tecidos diferentes de plantas são conectados para que cresçam juntos. No caso das somei-yoshino, o uso da técnica garante que todos os pés tenham a mesma origem genética e, por isso, um ciclo de vida praticamente sincronizado. Por isso, é muito provável que o sucesso das somei-yoshino se deva ao fato de que os pés trabalhem ao mesmo tempo, causando o impacto na paisagem que vemos na época das floradas. Por cerca de uma semana, o espetáculo rosa domina a atenção de todo mundo. No final, as pétalas caindo como confetes encerram a temporada com chave de ouro. Curta, mas marcante.

Essa efemeridade, ou seja, a curta duração, é uma das ideias evocadas pelas sakura e que está por trás dessa adoração que os japoneses têm por esta pequena e delicada flor. Na cultura do país, a floração da cerejeira representa a própria vida humana, uma brevidade dentro da existência do planeta. Transitoriedade é uma outra ideia relacionada à planta. Em outras palavras, nada é eterno. Tudo passa, muitas vezes num curto período de tempo. São pensamentos herdados do budismo e, de acordo com eles, a temporada de floração das cerejeiras deve nos lembrar que é importante viver com esplendor e com foco no agora, sem medo do fim. Até porque, de acordo com os ensinamentos budistas, tudo é cíclico, como a floração das cerejeiras.

Como iniciar uma profissão?

Em geral todos querem começar a exercer a profissão ou um negócio próprio, apenas com o conhecimento técnico do ramo que elegeu. Ou então, já fez cursos especiais, participou de palestras, oficinas e treinamentos e adquiriu muitas informações. Provavelmente até domina bem o trabalho, o que confere autoconfiança e talvez até já tenha clientes informalmente. Este é um caso em que deve se tomar muito cuidado, principalmente no Japão, especialmente quem trabalha em fábricas e tem ótima renda. O trabalho informal nos fins de semana dá uma espécie de “licença” para a relação de negócios do profissional com o cliente e vice versa. Explicando: o profissional trabalha durante a semana em fábrica, os clientes também. Um compreende o outro e sabe da dureza desta vida com extenuantes jornadas de trabalho. Só que é impossível atender bem um cliente nessa condição. E o cliente não vai “pagar o que vale” (ou o que deveria valer), se tornando um “acordo mútuo” entre as partes: “eu não te atendo bem e você me paga pouco. Ok, de acordo!”. Um círculo vicioso perverso! Como quem trabalha em fábrica em geral tem ótima renda, essa relação comercial “funciona bem”.

Compreendendo a sua posição

O candidato a profissional – autônomo, free lancer ou mesmo dono de uma pequena empresa – deve pensar que tem no mínimo três “departamentos”, mesmo que seja um autônomo e trabalhe sozinho: Administração, Comercial (Atendimento) e Produção. A administração cuida da parte financeira, contábil, fiscal etc.; o comercial engloba além de vendas, o marketing, propaganda, o atendimento; a produção cuida da produção propriamente dita, da logística (embalagem, expedição, transportes, controle de qualidade, serviços gerais etc.). São os departamentos que têm as obrigações mínimas perante o cliente, fornecedor, colaboradores e empregados e, inclusive… o governo (federal, estadual e municipal). Pois é com todos eles que você vai “dividir” o seu faturamento!

Disciplina e organização

Ser “dono do seu próprio nariz”, como dizia antigamente, não quer dizer que tenha a liberdade acordar na hora que quiser, trabalhar quando bem entender, descansar ou tirar férias quando quiser etc. O autônomo não tem “patrão”, mas o “cliente” é o mais severo patrão. E tem o fornecedor que, se você não cumprir com as suas obrigações – e isso não é somente financeira – quebrando a relação comercial, e consequentemente a sua cadeia produtiva. Como dito acima, o seu dinheiro tem vários donos. Você é dono de apenas uma parte deste dinheiro, além disso você tem que desembolsar ANTES para receber depois e ainda tem o risco de receber atrasado, ou mesmo nem receber. Quem cuida de tudo isso? O autônomo ou o pequeno empresário não tem “Hello Work” nem tampouco ajuda financeira do governo, quando não tiver serviço. Então é necessário ter muita disciplina e senso de organização para que consiga contornar, ou melhor, se prevenir contra esses problemas. Por causa disso, muitas pessoas nem pensam em ser autônomo, achando que é muito difícil ou que é muito “burocrático” (no sentido pejorativo). E acabam preferindo trabalhar em fábricas até… bem, quase ninguém tem planos e dizem  “vamos ver no que vai dar… vou levando a vida…”. Então, para trabalhar como autônomo ou pequeno empresário, com o controle nas mãos, é preciso algumas providencias antes de começar.

O que é necessário

O que fazer ANTES para que tudo corra bem, principalmente nos primeiros passos como autônomo ou dono de um pequeno negócio? Antes de largar a ocupação atual com ótima renda, considerando que tem boa saúde, tome algumas providencias importantes, principalmente para conquistar credibilidade e confiabilidade perante clientes, fornecedores, empregados ou colaboradores e até dos concorrentes.

Apoio da família

Receba o apoio da família que é muito importante, até para superar alguns momentos difíceis. E claro, comemorar vitórias! Comece bem a nova etapa da vida, a partir da própria casa.

Controle financeiro

Operacionalmente, é uma das coisas mais importantes, pois a falta de controle financeiro pode afetar a sua qualidade de vida, mesmo que consiga equilibrar as contas. Tenha uma reserva financeira, o suficiente para superar os primeiros meses com baixo faturamento. Controle as finanças com fluxo de caixa, que é essencial para qualquer tipo de negócio, inclusive para quem é empregado. Jamais atrase um pagamento, seja para quem for. Para comprar equipamentos ou ferramentas de trabalho, leve sempre em consideração a relação custo benefício, nunca o preço em si. O controle de custos e o orçamento preciso,  também são partes importantes do controle financeiro.

O lado humano

Considerar o lado humano é um importante fator de sucesso nos negócios. Ter empatia e agir com inteligência emocional são primordiais para o relacionamento com todos. Do lado pessoal, é muito importante ter o controle de si próprio para aumentar a resiliência e superar os problemas com a cabeça tranqüila. Outra coisa importante que não deve ser deixado de lado, são as redes sociais. Tomem cuidado com o que posta, pois o perfil do profissional é mais visto pelas redes sociais do que pelo próprio curriculum vitæ ou o profile da empresa.

Comunicação

A comunicação é algo muito contraditório nos dias de hoje. Quanto mais a tecnologia avança e quanto mais facilidades de comunicação vão surgindo, pior vai ficando a ação da comunicação em si. A comunicação – ou a falta de – pode detonar a credibilidade, pois pode simplesmente parecer falta de respeito ao cliente ou qualquer pessoa que tenha relação com o seu negócio.

Administrar o tempo

Tão importante quanto a administração financeira, é a administração de tempo. Aquela velha máxima “tempo é dinheiro” é mais do que valida, principalmente nos dias de hoje, onde todos tem muita pressa – geralmente para cobrir justamente a má administração do tempo. Produtividade e eficiência são assuntos que o candidato a profissional autônomo ou empresário devem conhecer bem antes de começar o empreendimento.

Qualidade de serviço

Com esses cuidados essenciais, você pode realizar seus trabalhos com qualidade no sentido amplo, não só a qualidade do produto ou serviço (de seu negócio). O mais importante de tudo é a qualidade de atendimento, de forma global. É aquilo que o profissional não vai cobrar do cliente, é o que faz parte gratuitamente daquilo que ele cobra. Isso não se conquista de uma hora para outra, leva-se muito tempo. Mas é preciso dedicar muito e considerar como um padrão de atendimento. Assim, o profissional ganha respeito e confiança dos clientes e pode conquistar o sucesso no empreendimento.

 

 

 

JEBRA Japão acontece em julho

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JEBRA Japão acontece em julho.

O evento é a continuação da Olimpíada Escolar Brasileira realizada no ano passado.

O principal evento esportivo escolar da comunidade brasileira no Japão já tem data definida: será no dia 22 de julho. O JEBRA – Jogos Escolares Brasileiros – Japão substituem a “Olimpíada Escolar” realizada em julho do ano passado.

O novo nome para a competição foi alterado visando mais originalidade e ganhou uma nova logomarca, sendo denominado agora de JEBRA – Jogos Escolares Brasileiros – Japão.

O JEBRA é uma realização da NPO Sorriso de Criança e conta com o apoio do Consulado do Brasil em Hamamatsu. Tem por objetivo promover a integração e o intercâmbio dos estudantes brasileiros no Japão, incentivar a prática esportiva e favorecer a descoberta de novos talentos brasileiros dentro do esporte.

Modalidades

O JEBRA – Jogos Escolares Brasileiros incluem diversas modalidades, entre elas, atletismo, salto em distância, vôlei, tênis de mesa, futebol e xadrez. No ano passado, o evento teve a participação de 16 escolas, reunindo cerca de 650 jovens de 8 províncias do Japão. Este ano, é esperada a participação de um maior número de escolas brasileiras.

As competições foram realizadas no estádio Ecopa, em Shizuoka, e contou com a presença de diversas personalidades como o jogador de futebol Rui Ramos, o mesatenista Hugo Hoyama, o campeão peso-pesado do torneio Rizin de MMA, Roberto Satoshi.

Serviço:

JEBRA – Jogos Escolares Brasileiros no Japão
Dia: 22 de Julho
Horário: 8:00 às 17:00
Local: Ecopa – Fukuroi / Shizuoka
Website: https://jebrajapao.com/

 

 

Obrigatoriedade do CPF no Japão

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Em janeiro de 2023, foi promulgada a Lei nº 14.534, que estabelece o número de inscrição no CPF (Cadastro de Pessoas Físicas)“como número único e suficiente para identificar o cidadão nos bancos de dados de serviços públicos”. Na prática, o CPF passará ser o principal documento a ser exigido para uma série de serviços e finalidades. A nova legislação visa a unificar e tornar mais eficiente a identificação de cidadãos por meio do uso do CPF, reduzindo a possibilidade de erros ou fraudes.
Assim, a partir de 11 de janeiro de 2024todos os formulários de solicitação de serviços públicos e todos os documentos emitidos pelos Consulados, inclusive os de registro civil, como certidões de nascimento, casamento e óbito, passarão a ter de conter obrigatoriamente o número de CPF das pessoas envolvidas. Para adaptar-se às novas determinações, os Consulados do Brasil passaram a emitir e incluir o CPF nos novos registros de nascimento. Além disso, os responsáveis estão sendo orientados a providenciar a inscrição no CPF dos menores de idade que solicitem outros serviços.
Quanto aos maiores de idade que nunca tiveram CPF, será preciso que o interessado comprove a quitação comas obrigações eleitorais e militares antes de obter a inscrição no Cadastro. Para evitar dificuldades ao solicitar serviços consulares no futuro, é fundamental que o cidadão confira desde já a situação do seu CPF e os dos seus dependentes, providenciando a regularização nos casos em que conste alguma pendência, bem como a inscrição daqueles que ainda não foram cadastrados. Inscrições e pedidos de regularização podem ser feitos inteiramente pela internet, encaminhando a documentação para a Receita Federal, pelo e-mail cpf.residente.exterior@rfb.gov.br; ou mediante agendamento via e-Consular para atendimento presencial no Consulado.
Vale lembrar que os CPFs no exterior são emitidos de forma exclusivamente digital: trata-se de cartão com código QR, que pode ser impresso a qualquer tempo e, caso o titular deseje, plastificado. Não apenas os recém-inscritos, mas qualquer cidadão com CPF válido pode emitir o cartão digital no site da Receita Federal, na seção “Impressão do Comprovante de Inscrição no CPF”. Sendo assim, caso tenha perdido seu cartão de CPF, não é necessário requerer segunda via, basta acessar o site e imprimir o cartão digital.
Lista de documentos necessários e mais informações sobre o CPF podem ser encontradas no site do Consulado-Geral do Brasil em Tóquio, pelo link: https://www.gov.br/mre/pt-br/consulado-toquio/servicos-consulares/cpf.

Chaves para o sucesso – Entrevista exclusiva com o vencedor do Brazil Startup Pitch

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Chaves para o sucesso

Natural de Taubaté, interior do estado de São Paulo, Robson Kazuo Amano, 38 anos, é casado e pai de um casal de filhos.

Morador de Toyohashi (Aichi), está no Japão há 20 anos.

Nesse tempo, já exerceu muitas profissões. Atualmente é programador, empresário e um visionário.

Confira nesta entrevista exclusiva, um pouco da trajetória do ganhador do Brazil Startup Pitch 2023.

Robson Amano
Robson Amano, vencedor da premiação do Brazil Startup Pitch 2023

GUIA: Você chegou aproximadamente com 18 anos ao Japão. O que fazia no Brasil?

 

ROBSON: Eu trabalhava como pizzaiolo.

 

GUIA: E no Japão, já trabalhou em quais áreas?

 

ROBSON: Comecei trabalhando na linha de montagem em fábrica de autopeças. Mas aí fui para o ramo alimentício. Fiz arubaito em pizzaria, depois fui pizzaiolo e, por fim, gerente de pizzaria. Hoje sou um empreendedor de TI (desenvolvimento de software).

 

GUIA: Você também se define como programador. O que faz um programador?

 

ROBSON: Um programador é uma pessoa que desenvolve sistemas de computador, escreve códigos. Há também a definição de Desenvolvedor de Software, que é uma pessoa que desenvolve sistemas de computador, mas também é responsável por todo o processo de desenvolvimento, desde a concepção até a entrega do produto final. Isso vai desde entender o problema, definir a solução, desenvolver, testar, documentar, entregar e dar manutenção.

 

GUIA: Quando e por que decidiu empreender?

 

ROBSON: Foi um processo natural. Desde que nasci meus pais já trabalhavam com comércio. Então cresci em meio a isso. Nossa família veio de um passado de dificuldades, o que me fez ter uma visão diferente sobre valores e prioridades. Acho que isso me ajudou a ter uma visão mais empreendedora.

Quando vim para o Japão, trabalhei em várias áreas, mas sempre tive interesse em tecnologia. Na pizzaria, com o passar do tempo, fui assumindo mais responsabilidades na empresa e comecei a aplicar meus conhecimentos em tecnologia para resolver alguns problemas. Foi assim que tudo começou.

Atualmente, o meu maior incentivo para empreender é poder criar oportunidades para outras pessoas também empreenderem, seja criando seu negócio ou entrando em empresas como a minha.

 

GUIA: Aproveitando a deixa, fale sobre sua empresa.

 

ROBSON: Ela se chama SmartBit inc (スマートビット株式会社). Foi fundada em 2014 e nosso principal objetivo é ajudar empresas a crescerem usando a tecnologia.

 

GUIA: Agora vamos falar sobre o Brazil Startup Pitch. Qual o projeto que você apresentou que ganhou a maioria dos votos?

 

ROBSON: Ele se chama ezHaken (https://ezhaken.jp/). A explicação desse nome é a seguinte: ez é uma abreviação de easy, que significa fácil em inglês. E Haken é uma abreviação de Hakengaisha, que significa empreiteira em japonês.

 

GUIA: Pode dar detalhes sobre o projeto?

 

ROBSON: O ezHaken é um sistema de gestão de pequenas e médias empreiteiras. Atualmente ele possui a funcionalidade central que é de gestão de contratos de trabalho temporário e algumas funcionalidades secundárias: gestão de funcionários, gestão de documentos, gestão de clientes, captação de currículos de candidatos e notificações automáticas.

Em breve teremos novas funcionalidades: gestão de pagamentos, gestão de yukyu (férias), gestão de horas extras, gestão de horas trabalhadas, gestão de horas de treinamento e gestão de pedidos de adiantamento de salário (vale).

 

GUIA: Parece bem completo. E como surgiu a ideia?

 

ROBSON: Quando eu estava dando suporte a uma empreiteira. O responsável me explicou as dificuldades e os desafios que ele tinha para gerenciar a empresa e que isso aumentaria e dificultaria o crescimento da empresa.

Eu sabia que existiam sistemas para isso, mas que eram muito caros e que não atendiam às necessidades da empresa. Então pensei em desenvolver um sistema que atendesse a essas necessidades e que fosse acessível para pequenas e médias empresas.

Comecei a estudar as leis e regulamentos que regem o trabalho temporário no Japão e parti para o desenvolvimento do sistema.

 

GUIA: O projeto já existe ou está apenas em estudo?

 

ROBSON: O sistema vem sendo desenvolvido há mais de 4 anos e foi lançado em 2022. Atualmente, temos uma empresa que usa o sistema e mais duas em processo de implantação.

Temos 3 planos para melhor atender nosso cliente: de 30, 50 e 100 funcionários, cujos valores são diferentes.

 

GUIA: Entre 5 concorrentes, você foi o vencedor. O que achou do resultado?

 

ROBSON: Fiquei muito feliz, uma vez que participei sem nenhuma expectativa de ganhar. Conheço o trabalho da J1 há anos e sempre admirei. Então, somente por ter sido convidado para participar já foi uma grande honra.

 

GUIA: Como prêmio, você recebeu aporte de crédito de marketing oferecido pela J1Seeds no valor de ¥200.000 e um prêmio em dinheiro de ¥100.000. Já sabe como usá-los?

 

ROBSON: Sim. Com certeza. Vou usar para melhorar o sistema e na divulgação dele.

 

GUIA: Você foi muito bem no pitch e acabou no tempo exato. Qual sua dica para fazer um bom pitch, já que teremos novas edições do Brazil Startup e as pessoas podem usar como modelo?

 

ROBSON: Levando em conta que não me preparei direito para o pitch, não sei se posso ser uma boa referência (risos). Mas acho que o mais importante é ter uma boa apresentação, que seja clara, objetiva e ficar de olho no cronômetro.

Ter um bom conhecimento do seu produto e do mercado também é importante.

 

GUIA: Gostaria de deixar uma mensagem para a J1 e os patrocinadores do evento?

 

ROBSON: Este tipo de evento fomenta o empreendedorismo e a inovação no Japão, o que é muito importante para revelar novos talentos e novas empresas. Continuem com o ótimo trabalho.

 

GUIA: Para finalizar, você poderia deixar uma mensagem para o empreendedor brasileiro no Japão?

 

ROBSON: São várias as dificuldades que um empreendedor enfrenta no Japão.

Mas acredito que o aprendizado contínuo e a persistência são as chaves para o sucesso.