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Conheça a trajetória de Lucilene Yukawa, de dekassegui a empreendedora visionária no Japão

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Natural de Catanduva, São Paulo, Lucilene Yukawa, ex-professora de inglês na sua cidade natal, é hoje uma mulher multifacetada com uma história inspiradora. Mãe de quatro filhos e avó, Lucilene chegou ao Japão há 31 anos, estabelecendo-se no Estado de Toyama.


Como muitos dekaseguis, começou sua trajetória em fábricas de produção, com a perspectiva de trabalhar duro, economizar dinheiro e retornar ao Brasil, mas logo percebeu que queria construir uma vida permanente no Japão, sem estar presa às fábricas de produção:


“Eu queria continuar aqui, mas não queria continuar trabalhando numa fábrica de produção. Não desmerecendo, mas eu achava que poderia fazer algo mais.”, ressalta Lucilene.


Foi em 1990 que a jornada de Lucilene começou, como a de muitos brasileiros: buscando melhores oportunidades econômicas.
“Na época, eu era professora de inglês em um colégio de freiras em Catanduva. Meu marido (descendente de japoneses) e eu vimos o Japão como uma oportunidade para melhorar nossa condição financeira,” lembra.

E como que foi esse início para você aqui? A ideia inicial sempre foi abrir um negócio aqui no Japão?
“Não, na época a intenção era mesmo trabalhar aqui, juntar o dinheirinho e voltar pro Brasil, né? Mas aí eu fui adorando essa cultura”, afirma Lucilene.
E assim deu-se início à sua jornada trabalhando no Japão, primeiro em uma madeireira e depois em uma fábrica de alumínio, onde teve seu primeiro contato com o setor de empreiteiras.


“Foi quando conheci um Tantosha de uma empreiteira que tinha muitos filipinos. Ele não dominava inglês e eu o ajudei na comunicação”, conta Yukawa. Essa experiência despertou nela a paixão pelo empreendedorismo e a vontade de ajudar outros estrangeiros a superar barreiras linguísticas e burocráticas.
Mas foi apenas seis anos depois de trabalho em fábricas que Lucilene começou a vislumbrar a possibilidade de ter seu próprio negócio:


“Eu sou muito comunicativa e sempre quis ajudar. Na época, muitos filipinos tinham dificuldade de se comunicar, e eu via que podia fazer a diferença”, explica. E complementa: “Fui me informando, comecei a estudar, tirando licenças que exigem para você ter uma empreiteira, e foi quando eu falei: Pronto, acho que agora eu posso seguir com minhas próprias pernas, se der errado é por minha culpa, se der certo também por minha culpa”.

Transformando desafios em oportunidades no Japão
No competitivo e tradicional ambiente empresarial japonês, encontrar espaço para inovação e inclusão pode ser um grande desafio, especialmente para estrangeiros, o que não foi diferente na jornada de Lucilene:


“Se aparecesse um carro torto ou riscado no estacionamento, corre lá que foi algum estrangeiro”, relembra Lucilene, no período em que trabalhava em uma grande empreiteira. E foram episódios como este, de preconceito e dificuldades, que a levaram a despertar para o lado empreendedor e buscar formas de deixar o serviço em fábricas.


Determinação foi o motor que impulsionou Lucilene a fundar sua própria empreiteira, mesmo sabendo que não seria um caminho fácil:
“Não é tão romântico como parece”, adverte. “Para abrir a firma, precisei de dinheiro, orientação de um contador e enfrentar vários desafios”, afirma a entrevistada.


Sem recursos financeiros imediatos, Lucilene enfrentou recusas consecutivas nos bancos, que questionavam sua capacidade de sucesso como mulher em um setor dominado por grandes empresas japonesas. Persistente, conseguiu o capital necessário com ajuda da família e finalmente abriu sua empresa, mas a luta estava apenas começando.


A batalha não foi apenas por reconhecimento profissional, mas também por igualdade de oportunidades em um setor dominado por empresas japonesas.
“Tiveram situações de eu agendar uma entrevista, chegar lá, e já perceberem que sou estrangeira só pela pronúncia do meu nome. Isso cria uma barreira inicial”, explica Lucilene.


À medida que sua empresa cresceu e se destacou na região, Lucilene começou a receber reconhecimento e apoio. “Depois que a gente cresceu, que começou a se destacar em várias coisas aqui na região, aí muitos ligaram, queriam fazer empréstimos, mas aí era minha vez de falar ‘não'”, destaca.

Neste modelo de negócio (terceirização de mão de obra) qual o maior desafio atual: Encontrar novas empresas ou trazer mão de obra para estas empresas?
“Hoje está mais difícil essa pecinha da mão de obra chegar até a empresa,” revela Lucilene. Segundo a empreendedora, o maior desafio atual das empreiteiras no Japão é encontrar a mão de obra especializada para as empresas.


Para Lucilene, isso se deve à dificuldade na aceitação de oportunidades para muitos trabalhadores estrangeiros. Yukawa exemplifica: “Eu tinha aula de japonês para os funcionários, mas vinham só uns gatos pingados. Aí, eu abri para o público e pedi para quem viesse que trouxesse um alimento para montar cestas para famílias carentes. Nisso, apareceram muitos de fora e, através dessa boa ação, nossos funcionários também começaram a participar”, relembra.


A resistência a novas oportunidades de capacitação é outro obstáculo que Lucilene observa “Temos um plano de carreira para ajudar na parte da solda, tirar licença de lift, de tamakake, de koren, mas ninguém quer fazer. Infelizmente, as reclamações de falta de hora extra ou excesso de trabalho surgem, mas quando há oportunidades de qualificação, muitos não aproveitam”, relata.

Diversificação de negócios e relações Brasil- Japão


Além de sua principal empresa de recrutamento, que conecta trabalhadores estrangeiros ao mercado japonês, Yukawa diversificou suas atividades empresariais, tanto no Japão quanto no Brasil, criando um ecossistema de negócios que abrange educação, esportes e serviços consulares.

A Yukawa Jinzai, com escritórios em São Paulo e Mato Grosso, está voltada para facilitar a migração de trabalhadores brasileiros para o Japão, especialmente os descendentes. “Nós cuidamos de todo o processo, desde visto, passaporte, elegibilidade até o financiamento de passagem”, explica Yukawa. Esse suporte integral garante que os trabalhadores estejam bem preparados e documentados para iniciar suas jornadas no Japão.


Além da Yukawa Jinzai, Lucilene fundou em 2016 o Yukaia Group, que inclui a Escola de Futebol Zico 10 em Toyama e Hamamatsu. “Começamos em fevereiro e já estamos com tudo em andamento” diz Yukawa, destacando o crescimento contínuo dessa iniciativa esportiva.


Outra vertente do Yukaia Group é a educação a distância (EAD), com programas para ensino médio e fundamental. No entanto, essa área não teve a adesão esperada. “Achei que ia ter muita procura, mas não tem. Mesmo jovens que poderiam concluir o ensino médio não o fazem”, observa Yukawa. A EAD visa oferecer flexibilidade para que os estudantes possam concluir seus estudos, mas a resistência à modalidade ainda é um desafio.


Yukawa também desmitifica a percepção negativa sobre os cursos online, compartilhando uma visão mais moderna e positiva: “Hoje, essa ideia de que cursos online são para quem não quer estudar já caiu por terra. Na verdade, os cursos online desenvolvem muito mais características, como disciplina e determinação, do que muitas vezes a faculdade presencial”.


Além dessas iniciativas, o Yukaia Group oferece serviços consulares e de passagem, facilitando processos burocráticos para os brasileiros no Japão. “Nós orientamos sobre vistos, elegibilidade e outros aspectos consulares, especialmente para aqueles que estão longe de Nagoya e precisam de apoio” comenta Lucilene.

Como começou esse contato com o Zico? Por que uma escola de futebol?
“Meu filho era fanático por futebol, mas as escolas de futebol eram distantes e muitas vezes não tinham professores capacitados, apenas pais brincando com as crianças”, relembra Lucilene.


A oportunidade de fundar a Escola de Futebol Zico 10 surgiu quando ela conheceu os filhos de Zico, Bruno e Thiago, durante uma viagem ao Brasil. “Foi uma conversa que durou três anos, até que o Zico disse que estava liberado para abrir a escola aqui”, conta.


Para Lucilene, a Escola de Futebol Zico 10 não é apenas sobre ensinar técnicas de futebol. O objetivo principal é resgatar crianças que, muitas vezes, estão imersas em telas de telefone e redes sociais, e proporcionar-lhes uma vida mais ativa e social.


“A base é ensinar futebol, mas também formar cidadãos. Queremos que as crianças aprendam a respeitar o próximo… Isso é algo que vão levar para a vida.”

Aberta a toda comunidade, a Escola Zico 10 conta hoje com uma mistura de japoneses, brasileiros, peruanos, paraguaios, dentre outras nacionalidades; porém, Lucilene relembra que o foco não é apenas descobrir talentos: “Não somos uma escola de ‘olheiros’. Nosso objetivo é orientar e formar, não apenas focar em quem tem potencial para ser um grande jogador”, explica Lucilene. A filosofia é que, enquanto nem todos se tornarão jogadores de futebol profissionais, todos podem aprender valiosas lições de vida através do esporte.


O projeto está crescendo rapidamente, com uma nova unidade aberta em Hamamatsu: “Fizemos uma inauguração e já começamos com as aulas desde fevereiro deste ano”, compartilha Lucilene, evidenciando o sucesso inicial e a recepção positiva da comunidade. “O futebol, o esporte em geral, tem o poder de unir as crianças e ensinar-lhes habilidades que vão além do campo.”


A iniciativa da Escola de Futebol Zico 10 é mais do que um negócio; é um projeto de vida que visa fazer uma diferença significativa no futuro das crianças, proporcionando-lhes uma base sólida tanto no esporte quanto na vida.
“O nosso intuito é ensinar através da brincadeira informal, onde as crianças se soltam e desenvolvem suas habilidades”, conclui Lucilene, reforçando a importância de um ambiente lúdico e educativo.


E fora do âmbito esportivo, existem novos projetos focados no auxílio à comunidade?
“Sim. Nós temos um training center onde vamos orientar as pessoas que querem aprender a soldar e ajudá-las a tirar as licenças necessárias”, compartilha Lucilene, sobre o novo projeto ambicioso: um centro de treinamento voltado para qualificação de mão de obra no Japão.


O centro, que já está em funcionamento, visa fornecer tanto conhecimento teórico quanto prático, atendendo às necessidades de diversos perfis de trabalhadores: “Tem pessoas que já têm a licença de solda, mas não têm a experiência. Outros têm a experiência, mas não têm a licença, ou têm experiência no Brasil, mas aqui é totalmente diferente”, explica Yukawa.


Para garantir a melhor formação possível, o centro conta com professores brasileiros e japoneses, proporcionando uma abordagem multicultural que beneficia os alunos.


“O objetivo é criar uma mão de obra mais especializada e qualificada, o que beneficia tanto as empresas quanto os trabalhadores. Para a empresa, adquirir mão de obra qualificada traz tranquilidade, e para o profissional, isso significa receber o valor que realmente merece pela sua qualificação”, conclui a empreendedora.

Tem uma mensagem que você queira deixar para o mercado, para inspirar outras pessoas, empreendedores?
“Foca, corre atrás. Não importa se é mulher, se é homem, isso não importa. O que vale é ter o objetivo e o resto é resto”, finaliza Lucilene.

Filme japonês com protagonistas brasileiros estreia no Brasil

 “Como está a família, Dona Neusa?”, diz o quitandeiro sentado na porta de sua loja já na primeira sequência da nova película do diretor Izuru Narushima que chega às salas japonesas no dia 6 de janeiro, na primeira leva de estreias cinematográficas do ano. Batizado de “Família”, o filme é protagonizado por Koji Yakusho (Dias Perfeitos) que, aos 67 anos de idade e mais de quatro décadas de carreira, é considerado um dos maiores nomes da dramaturgia nipônica. O elenco conta, ainda, com nomes conhecidos do showbizz japonês como Ryo Yoshizawa (Kamen Rider Fourze) e Miyavi, músico e Embaixador da Boa Vontade da ACNUR, a agência da ONU para refugiados.

Junto às estrelas, os créditos do filme destacam dois nomes estrangeiros ainda desconhecidos do grande público. Lucas Sagae e Fadile Waked são brasileiros e, em suas estreias como atores, carregam o peso de representar a juventude brasileira no Japão numa história carregada de emoção e com altas doses de realismo. Ao trazê-los no elenco, “Família” se torna o primeiro filme japonês que chega ao grande circuito trazendo brasileiros que foram criados na Terra do Sol Nascente como protagonistas, um marco nas três décadas de história da comunidade brasileira no Japão.

 

Lucas Sagae e Fadile Waked em cena de “Família” (foto: cedida/©2022 “Familia” FILM PARTNERS)

Caminhos de luta
Lucas Sagae tem 18 anos e sua ancestralidade japonesa vem da mãe, que veio para o Japão com o pai do rapaz. Nascido no Japão, Sagae tem o sonho de conhecer pessoalmente seu país de origem. Ele, como muitos jovens na mesma situação, nunca foi ao Brasil. Poderia ser a mesma história de Marcos, seu personagem em “Família”, um adolescente brasileiro cheio de boa vontade que, para proteger a namorada e os amigos, acaba se envolvendo com um grupo de mafiosos perigosos da região onde mora. Lutador e praticante de artes marciais na vida real, Sagae teve que aprender a apanhar para dar vida ao personagem que leva surras homéricas ao longo das duas horas de película.

Prestativo, mas um pouco retraído. Assim é o Lucas que nos recebe na entrevista exclusiva que os protagonistas brasileiros deram para o GUIA JP dias depois das sessões para imprensa realizadas em Tóquio em dezembro de 2022. Essas foram duas coisas da própria personalidade que o jovem levou para o personagem. “Eu sou assim. Sinto essa vontade de ajudar as pessoas porque me ajudaram bastante. Sofri bullying na escola e meus amigos sempre me deram a mão”, conta ele.

 

O cantor Miyavi vive um gângster em “Família” (foto: cedida/©2022 “Familia” FILM PARTNERS)

A luta, para Lucas, foi uma forma de defesa — não contra os assediadores, mas no combate a um inimigo invisível: a diabetes. “Descobri a doença aos 11 anos, depois de um exame que fiz na escola”, lembra ele que, já na época, era apaixonado por esportes. “Eu jogava beisebol no time escolar e tive que parar tudo”, continua, relembrando o momento difícil, que chegou a levá-lo à depressão. Foi durante o tratamento contra a doença que Lucas se encontrou com o kickboxing. O tratamento levou o rapaz ao equilíbrio do corpo e a luta, trouxe paz para a alma.

Foi na academia em que treina que Lucas viu o anúncio que o levou ao elenco de “Família”. Morador de Kani, Gifu, ele diz ter ficado surpreso com a chamada para os testes do filme. “É uma cidade pequena. Não esperamos encontrar uma oportunidade como essas por lá”, explica, bem humorado. O anúncio buscava por jovens entre 16 e 22 anos. Lucas tinha 15. “Fui fazer o teste já achando que seria reprovado por causa da idade”, recorda. O resultado foi diferente e, depois de diversas etapas de seleção, o lutador que dominou a diabetes acabou protagonista de filme.

Das revistas para a tela
Na sessão para as lentes da nossa fotógrafa, já dá para perceber a familiaridade que ela tem com as câmeras. Fadile Waked, 23, atua como modelo desde os 12 anos de idade, quando vivia em Nagoya. O sucesso no mundo da moda não impediu que ela nutrisse outro sonho: o de ser atriz. Fadile não imaginava, no entanto, que pudesse realizá-lo aqui mesmo, no Japão. Filha de um libanês e uma brasileira, a jovem veio parar na Terra do Sol Nascente porque a mãe divorciou-se do pai e se casou novamente com um descendente de japoneses.

A carreira de modelo acabou levando a moça para Tóquio, onde ela já fotografou para dezenas de marcas. Fadile acabou sabendo do teste através de contatos e pediu para a sua agência inscrevê-la na seleção. A aprovação veio e ela mergulhou nas filmagens, interrompidas pela pandemia e retomadas assim que os protocolos de segurança foram definidos, meses depois.

 

Festa no danchi: descontração de brasileiros ajudou Shoji Yakusho em cena (foto: cedida/©2022 “Familia” FILM PARTNERS)

Como o elenco brasileiro é formado por não-atores, Fadile e seus colegas  mergulharam num processo de preparação que levou três meses. Sob o olhar atento do diretor, ela foi trazendo elementos da sua própria personalidade para compor a Erika, uma jovem meiga e solar, que trabalha como hostess num clube noturno. “Ela é alegre e tagarela como eu. Mas, também, é bem expressiva nas emoções”, conta a jovem.

Maternal e amigável, Erika é o elo entre Marcos e o núcleo japonês da trama, a família Kamiya, cujo patriarca é Seiji, um ceramista em crise, personagem do veterano Koji Yakusho. O encontro entre os dois protagonistas masculinos ocorre de maneira inusitada, quando Marcos tenta fugir dos mafiosos chefiados pelo Kaito, um vilão frio vivido de forma quase caricatural pelo também cantor Miyavi.

Uma trama atual
É por uma ação de Erika que a família Kamiya acaba na roda de samba em um danchi — conjunto habitacional — cheio de brasileiros. A cena com os japoneses perdidos num pagode bem brasileiro é um dos momentos do filme com os quais os brasileiros no Japão certamente irão se identificar. Em entrevista divulgada pela assessoria de imprensa da película, Koji Yakusho relata as boas recordações que tem da gravação, realizada no Homi Danchi, em Toyota, Aichi. “Os figurantes brasileiros pareciam estar se divertindo no set”, diz ele. “Foi uma filmagem difícil, mas a alegria deles ajudou bastante. Sou muito grato”, completa.

No início do filme, a família Kamiya ganha um novo membro, Nadia, esposa de Manabu (Ryo Yoshizawa), filho de Seiji que trabalha numa empresa japonesa na Argélia. A personagem é vivida pela atriz paquistano-japonesa Malyka Ali. A partir daí, a história da família Kamiya e as desventuras do casal formado por Erika e Marcos vão se desenvolvendo de forma perturbadora até o clímax da obra que vai sendo conduzida com altos e baixos pelo diretor.

 

Ryo Yoshizawa vive Manabu, filho do personagem principal vivido por Koji Yakusho (foto: cedida/©2022 “Familia” FILM PARTNERS)

A película tem bons momentos, em especial nos encontros entre Seiji, Erika e Marcos. Ver como o personagem japonês acaba se envolvendo com uma história que aparentemente não diz respeito a ele fala muito sobre a relação entre os nipônicos e os estrangeiros residentes no Japão. Com suas feições de homem comum e uma atuação muito correta, Koji Yakusho traz credibilidade e verdade ao personagem, o que faz muita diferença.

Outro ponto forte é a participação de outros brasileiros em papéis menores, com destaque para Alan Shimada que vive Rui, amigo de Marcos, também perseguido pelos mafiosos locais. Shimada é membro do grupo de rap Green Kids, com o nome artístico de Flight-A. Formado por quatro brasileiros, um peruano e um japonês, o conjunto lançou  o clipe de “Datsugoku” (algo como ‘fuga’), música que o grupo apresenta em uma das cenas do filme. Flight-A liberou na época da estreia do filme no Japão o clipe de “Don’t Give Up”, uma incursão solo que também está na trilha sonora da obra. 

Descontando a inexperiência dos atores para papéis tão difíceis, “Família” é um retrato sincero de um momento em gestação para o Japão, um país cuja sociedade enxerga a si mesma como homogênea, mas que vive no século um desafio que vale a sua própria existência. Com uma população que já começou a encolher, ou o Japão acolhe o diferente ou tende a desaparecer.

 

Grupo Green Kids mostra a inserção de brasileiros na cena hip-hop local (foto: cedida/©2022 “Familia” FILM PARTNERS)

O filme cutuca o país na ferida já aberta da inclusão dos estrangeiros que aqui vivem. Protagonista da obra, Koji Yakusho faz uma observação que nem sempre é percebida pelos japoneses. “Acredito que quem não se pareça japonês realmente viva situações de discriminação e preconceito [no país]”, diz o ator. “Infelizmente, enquanto eu estiver vivo, provavelmente não vai ser possível ver o fim do preconceito e da desigualdade”, prossegue.

Enquanto tempos melhores não vêm, o ator deixa um recado. “Gostaria que as pessoas, ao verem o filme, sintam que, para nós seres humanos, os laços entre pessoas, dentre eles a família, são importantes”, diz. Entre erros e acertos, esta é a principal mensagem trazida pelo filme que estreia no Brasil no próximo dia 15 de agosto.

#29 Alvaro de Sa Freire Jr. – Economista Chefe e Gestor Versal Finance

Neste episódio do J1Talks, conversamos com Alvaro de Sa Freire Jr. e ele nos contou algums fatos que ocorreram no passado e tornaram a se repetir na economia dos países.
Ouça atentamente até o final para entender como funciona o sistema monetário e como isso influencia na sua vida diária. Sua experiência internacional é tão vasta que Alvaro já cuidou de clientes financeiros japoneses no Brasil além de bancos na Europa.
Foi um dos episódios mais longos, mas ao mesmo tempo, com mais densidade de informações que ultrapassam décadas de história das crises financeiras até os dias atuais.
Os temas abordados foram desde o império romano até o Bitcoin. E mais, como o BRICS+ está mudando a forma como os países utilizam moedas para fazer transações comerciais.
E para quem vive no Japão, entenda como pode ser seu futuro na ilha.
Muito obrigado! Responda nossa enquete e compartilhe a vontade.

Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu e Comunidade Brasileira – Parceria em prol do Empreendedorismo e do Empoderamento Feminino

Em virtude da significativa quantidade de nacionais brasileiros residentes no Japão com vocação empresarial, conferi alta prioridade ao fomento do empreendedorismo comunitário desde o início de minha gestão à frente do Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu. O Espaço do Empreendedor Brasileiro (EEB) do Consulado, o único da rede consular brasileira no exterior, presta consultoria presencial e individualizada a micro e pequenos empresários e leva a cabo diversos projetos e iniciativas para auxiliá-los a abrir ou expandir suas firmas e, dessa forma, a desenvolver plenamente seu potencial.

Merecem especial atenção as iniciativas do EEB dedicadas a mulheres. Muitas sonham com a abertura ou expansão de seus próprios negócios, mas são obrigadas a enfrentar longas jornadas de trabalho em fábricas para garantir o sustento familiar. Essa rotina provoca significativo cansaço físico e mental e, frequentemente, impede a transformação daqueles sonhos em salões de beleza, pet-shops, restaurantes e lojas de vestuário e calçados.

No dia 2 de junho passado, o Consulado em Hamamatsu lançou, no “Salão de Exposições de Hamamatsu” (ZIVA), dois novos projetos de incentivo ao empreendedorismo comunitário e ao empoderamento feminino: a “Feira do Micro e Pequeno Empreendedor Brasileiro no Japão” – Feira MIPE, e o catálogo “Artesanato Brasil”.

A cerimônia de lançamento dos projetos contou com a presença de diversas autoridades – do vice-prefeito de Hamamatsu, sr. Yutaka Yamana; do diretor-executivo da Fundação Internacional de Hamamatsu – HICE (vinculada à prefeitura desta cidade), sr. Hiroshi Anma; do presidente da Aliança de Intercâmbio Brasil-Japão, sr. Shozo Takagi; do vice-diretor da Agência de Cooperação Internacional do Japão – JICA Chubu, sr. Yoshihiro Miyamoto; e do presidente do “Brazilian Business Group” (BBG), sr. Marcelo Hironaka; de empresários; de outras personalidades; de mídias comunitárias brasileiras e da imprensa japonesa.

A Feira MIPE serviu de plataforma que propiciou a cerca de 140 expositores a inédita oportunidade de participação em diversas atividades essenciais para o êxito de qualquer empreendimento privado, a saber: reuniões para a exploração de novas propostas de negócios; encontros para criação e fortalecimento de redes de networking corporativo; e a divulgação de produtos e serviços junto a numeroso público visitante, estimado em cerca de 5 mil pessoas. Destaco a oportunidade de acesso direto dos expositores ao seleto grupo de tomadores de decisões que prestigiaram a Feira MIPE com suas presenças – políticos, líderes empresariais, personalidades, mídias comunitárias brasileiras e imprensa japonesa.

Tenho carinho muito especial pelo “Artesanato Brasil”, projeto de fomento do empreendedorismo e empoderamento femininos realizado em parceria com a “Metacom Communication”, cujo objetivo é apoiar e divulgar o trabalho de 65 talentosas artesãs brasileiras residentes no Japão por meio de exposições de seus trabalhos e da distribuição de exemplares do catálogo “Artesanato Brasil” a seleto público. Os trabalhos, caracterizados por diversidade de técnicas e materiais utilizados – tais como cerâmica, macramê, tricô e bordados –, retratam a riqueza da cultura artesanal de diversas regiões brasileiras.

Em razão de sua relevância e público-alvo, o “Artesanato Brasil” recebeu apoios institucionais ou financeiros de peso: do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – MEMPE; do “Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas “ – SEBRAE Nacional; e do Grupo Mulheres do Brasil, da Agência de Cooperação Internacional do Japão – JICA, cujas sedes regionais abrirão seus respectivos espaços para futuras exposições em outras cidades japonesa; de mais de 20 patrocinadores; da mídia comunitária brasileira no Japão e da imprensa japonesa.

Ambos os projetos constituem relevantes contribuições do Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu para a realização dos sonhos de micro e pequenos empresários e empresárias integrantes da nossa vibrante comunidade residente neste país. O sucesso de seus negócios lhes garantirá a renda necessária para a transformação de suas vidas e as de suas famílias.

Em síntese, a Feira MIPE e o catálogo ” Artesanato Brasil” demonstram a força e o potencial da comunidade brasileira em todo o Japão.

Associação Central Nipo-Brasileira promove encontro de intercâmbio entre empresas e universitários em Tóquio 

O Encontro de Intercâmbio entre Empresas e Estudantes, organizado pela Associação Central Nipo-Brasileira, está programado para acontecer em 5 de agosto de 2024, das 14h00 às 16h00, na Sala de Conferência da The Nippon-Foundation. Este evento pioneiro oferece uma plataforma única para estudantes universitários, formados e intercambistas sul-americanos, juntamente com japoneses que já vivenciaram intercâmbio na América do Sul, interagirem diretamente com representantes de diversas empresas japonesas.

Com o objetivo de promover conexões significativas e oportunidades de aprendizado prático, o encontro incluirá apresentações detalhadas das empresas participantes, seguidas de sessões de conversa livre em pequenos grupos. Os participantes terão a chance não apenas de praticar japonês para negócios, mas também de explorar potenciais colaborações e aprender sobre as operações das empresas em vários setores.

A participação no evento é gratuita, com inscrições abertas para aproximadamente 70 participantes, incluindo cerca de 30 estudantes de intercâmbio. Os interessados devem se registrar previamente e estar preparados para interagir com representantes empresariais, utilizando cartões de visita para facilitar o networking.

Para mais informações sobre inscrições e detalhes adicionais, visite os links abaixo:

QUESTIONAMENTOS PARA QUEM ESTÁ CONSIDERANDO SE MUDAR PARA O JAPÃO 

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Mudei-me para o Japão recentemente com a vontade de me abrir a uma nova experiência, a um novo aprendizado. Já estive no Japão algumas vezes, mas agora, estou com outra visão.
Percebi o quanto os brasileiros que estão no Japão trazem consigo um pedaço do Brasil e o quanto se esforçam para se adaptar à cultura japonesa. Alguns gostam mais do Brasil, outros, mais do Japão. Percebo que alguns fatores são importantes para uma boa vivência e adaptação. São questionamentos muito particulares para cada pessoa ou família, mas que são necessários para uma boa adaptação. Eles são:

  1. Por que as pessoas envolvidas querem sair da situação que se encontram para vir para outro país? Além do questionamento dos motivos emocionais que levaram a tomarem essa decisão (muitos estão tentando resolver problemas, mas, muitas vezes, criam outros problemas maiores).
  2. O objetivo de vir para o Japão: objetivos individuais, do casal e da família.
  3. O planejamento: quem virá, escolha da cidade, escola para filhos, possibilidades de trabalhos, redes de apoio, qual a melhor época para vir. Esse é um questionamento que engloba: de que forma suas decisões impactarão na educação (formal e social) de seus filhos, como vocês lidarão com o relacionamento conjugal estando em outro país, enfim, várias questões que vão além do dinheiro que ganharão em outro país.
  4. O preparo para cada etapa como documentação, adaptação à moradia, trabalho, aos costumes e aos conflitos que haverá inevitavelmente.
  5. E ter, claro, a meta, o foco e até onde cada um pode ir emocionalmente, sem criar conflitos internos de valores, preservando a saúde mental. Nesse item, podemos pensar sobre mudanças de metas – Muitas vezes, a meta era ficar 2 anos para conseguir algo no Brasil, mas as pessoas vão ficando e ficando, e a meta muda, mas não fica claro para as pessoas envolvidas, e, sem perceberem, se perdem nas metas e isso pode gerar conflitos.

Tenho refletido muito sobre a saúde mental, sobre como estamos resolvendo nossos problemas e o quanto conseguimos enxergar estando inundados de dúvidas e em descompasso com nossos parceiros de vida (esposo(a), filhos(as), pai, mãe, irmãos).

Por conta disso, a psicoterapia é um momento de parada para reflexão, identificação de si, do outro e do mundo, para um melhor direcionamento nas escolhas e metas de forma orgânica e dinâmica.

    LEILA HARU OKUDA MARCHEZEPE

    CRP: 06/36663.

    Psicóloga do Projeto Sakura

    SERVIÇOS CONSULARES: PROCURAÇÕES


    Um dos serviços mais requisitados ao Consulado é a procuração, documento pelo qual uma pessoa (chamada “outorgante”) transfere poderes a outra (chamada “outorgado”) para, em nome daquela, praticar determinados atos como assinar contratos, receber e retirar documentos ou representar perante órgãos públicos, bancos e empresas privadas. Esta transferência de poderes é chamada de “mandato”, e a procuração é o instrumento que o formaliza.


    Todos os atos lícitos, tendo como principais exceções o testamento, o depoimento pessoal e a adoção, podem ser objeto de procuração. Casamento, hipoteca ou compra e venda de imóvel e, de modo geral, atos referentes à transferência de bens e direitos, no entanto, exigem procurações públicas, lavradas no Consulado ou em cartório no território brasileiro. Do contrário, o documento não será válido e não poderá produzir efeitos jurídicos.


    Para solicitar uma procuração pública, é preciso enviar pelo sistema e-Consular o texto dos poderes e um documento de identificação do outorgante, como o passaporte válido ou carteira de identidade recente, além de informar o número do CPF – que é obrigatório para todo cidadão brasileiro e fundamental para a prestação de serviços consulares. Em alguns casos específicos, é necessário apresentar documentação adicional.

    Depois que o requerimento for validado no e-Consular, deve-se agendar atendimento e comparecer ao Consulado com a documentação original para conferência. A procuração é processada e impressa rapidamente no atendimento presencial. Não é possível obter procurações públicas pelos correios nem online.
    Quando o mandato público não é necessário, basta lavrar uma procuração particular, que é mais simples e barata.

    A documentação necessária é a mesma, mas, ao agendar o serviço no e-Consular, deve-se escolher a opção de reconhecimento de firma. No atendimento presencial, será necessário registrar a firma no Consulado, preenchendo cartão-autógrafo, e assinar a procuração diante do agente consular. Quem já tem firma registrada pode solicitar o reconhecimento de firma na procuração particular pelos correios.


    Cabem aqui duas observações importantes, que valem tanto para procurações públicas quanto para privadas. Primeiro, o Consulado só registra procurações para cidadãos brasileiros ou estrangeiros portadores de CRNM (antiga RNE) que não estejam fora do Brasil há mais de dois anos.

    Segundo, o texto com os poderes é sempre responsabilidade do outorgante. O Consulado disponibiliza, em seu site, modelos que podem ser usados, mas também recomenda que consulte previamente seu advogado e confirme o teor da procuração junto às autoridades pertinentes (cartório, INSS) e partes interessadas (comprador/vendedor, instituições bancárias) para evitar contratempos na produção do documento.


    Se o outorgante entender que o mandato não é mais de seu interesse, será possível revogar a procuração a qualquer momento. O procedimento é feito pelo e-Consular e requer envio de formulário, da procuração a ser revogada, documento de identificação e CPF. Também é preciso agendar atendimento e comparecer ao Consulado, não sendo possível revogar a procuração online nem pelos correios.


    Confira mais informações sobre procurações acessando nosso site: https://www.gov.br/mre/pt-br/consulado-toquio/servicos-consulares/procuracao

    Tanabata Matsuri – Origens, tradições e celebrações

    O Tanabata Matsuri, ou Festival das Estrelas, é uma celebração tradicional japonesa que remonta a lendas milenares. Originário da fusão entre mitologia chinesa e tradições japonesas, este festival é marcado pela reunião anual das divindades Orihime e Hikoboshi, representadas pelas estrelas Vega e Altair.

    Segundo a tradição, Orihime, a princesa tecelã das estrelas, se apaixonou por Hikoboshi, um pastor. Encantados um pelo outro, eles negligenciaram suas responsabilidades divinas. Isso enfureceu o pai de Orihme, o deus Tentei, que os separou na Via Láctea.

    Tanabata

    Com o tempo, comovido pela tristeza de sua filha, Tentei permitiu que Orihime e Hikoboshi se encontrassem uma vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês lunar. Nesse dia, se as condições climáticas permitirem, é possível ver uma reunião simbólica das estrelas Vega e Altair no céu, simbolizando o reencontro anual dos amantes.

    A data, 7 de julho (no calendário lunar), é celebrada com enfeites coloridos de papel, conhecidos como tanzaku, onde os desejos são escritos e pendurados em bambus decorados. Esta prática simboliza a esperança de que os desejos se realizem ao longo do ano.

    Tradicionalmente, o Tanabata Matsuri é uma festa de união e renovação, onde comunidades se reúnem para dançar, comer iguarias como sōmen (macarrão frio) e apreciar os fogos de artifício que iluminam o céu noturno. É uma celebração que une o espiritual ao cultural, transmitindo valores de esperança, amor e renovação.

    Tanabata

    Ao longo dos séculos, o Tanabata Matsuri evoluiu, mantendo-se como uma das festividades mais amadas no Japão e, cada vez mais, sendo celebrada ao redor do mundo. Uma oportunidade única de mergulhar na rica cultura japonesa e nas suas tradições que resistem ao tempo.

    Enoura Observatory: uma ode ao tempo e ao mar

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    Estar antenado na arte contemporânea japonesa é tarefa difícil para quem está no Brasil. Não somente pelo fato do país estar fora dos grandes centros mundiais de exposição como também porque os japoneses são relativamente lentos em se projetar fora do circuito óbvio. Por isso o nome de Sugimoto Hiroshi [sobrenome – prenome] soa desconhecido até para amantes de arte. Destacado na fotografia e na arquitetura, este japonês de 72 anos é um dos nomes da mostra STARS: Six Contemporary Artists from Japan to the World que está em cartaz no Mori Art Museum, em Tóquio.
     
    Localizado a cerca de uma hora e meia da capital japonesa, o Enoura Observatory pode ser considerado uma declaração da obra e do pensamento de Sugimoto Hiroshi. Construído numa falésia banhada pelas águas da Baía de Sagami, o espaço é uma espécie de reverência ao tempo. Sugimoto se apropriou de técnicas de construção antigas para construir o museu a céu aberto, no qual as obras são as próprias edificações.
     
    Além disso, o arquiteto-artista se apropriou de materiais e ruínas de outras construções para ressignificá-las no espaço do observatório. O portal Meigetsu, por exemplo, fica logo na entrada e é datado do Período Muromachi (1338-1573). Já a casa de chá Uchoten recebeu telhas de ferro corrugado de um antigo armazém da região. Construído em homenagem ao mestre Rikyu criador de vários projetos de casas de chá no Japão feudal —, o espaço ganhou um nome formado pelos caracteres para “chuva”, “audição” e “céu”. Quando a chuva cai, pode ser ouvido o som das gotas batendo no telhado. “Se o Rikyu estivesse vivo, algo me diz que um pedaço enferrujado de ferro corrugado seria exatamente o tipo de material que ele usaria”, conta Sugimoto no site que apresenta o projeto.
     
    Aliás, a interação com elementos da natureza não para ali. Todo o espaço foi pensando para dialogar com a paisagem, em especial a posição do sol em épocas significativas do ano, como os solstícios e equinócios. No Light Well, um poço é construído no final de um apertado túnel através do qual a luz do sol chega. No solstício de inverno, o dia mais curto do ano, o sol forma um diamante na entrada do túnel que dá para o mar.
     
    Mas não é preciso estar no local num dia especial para entender a proposta do espaço. O anfiteatro romano, construído em conjunto com um tablado de madeira no estilo de pilares suspensos kakezukuri, o sol é a estrela a ser observada. Já o Stone Stage é um espaço aberto feito de pedras e que faz uma referência à lenda que conta que a deusa do sol, Amaterasu, devolve a luz ao mundo ao ser seduzida por uma dança que a retira de seu esconderijo dentro de uma caverna. Com as dimensões de um palco de nô, o espaço é outra reverência à natureza e aos ciclos.
     
    Além das construções, fotografias do artista podem ser vistas numa estreita galeria de 100 metros de comprimento, com as obras expostas na parede construída em pedra de oya, uma espécie de rocha ígnea de fácil modelação e muito usada em artesanato e construção. Oposta às obras, uma parede de vidro completa um diálogo, inevitável ao falarmos de Japão, entre passado e presente. Apresentadas na galeria, fotografias da série Seascapes, em que mar e céu são retratados, chegam a ser uma pitada de ironia com a paisagem vista do lado de fora e com a arte de um modo geral. Porque não é possível chegar a outra conclusão no Enoura Observatory: a gente só precisa olhar para o mar para ver toda a obra que é o planeta em que vivemos.
     

    Serviço

    ENOURA OBSERVATORY (江之浦測候所)
    espaço de arte
    Kanagawa-ken Odawara-shi Enoura 362-1

    Reserva de tickets 3,300 yen para admissões de manhã e tarde
    2,200 yen para admissão à noite

    Tickets na Hora
    3,850 yen para admissões de manhã e tarde
    2,750 yen para admissão à noite

    A venda de ingressos na hora é limitada e depende da quantidade de ingressos reservados para cada horário de admissão. Se os ingressos reservados atingirem o limite estabelecido, nenhum ingresso na hora será disponibilizado.

    O local é de difícil acesso por transporte público. No ato da compra da entrada, é possível reservar o serviço de transporte gratuito do local. Informações no site.
    Este texto foi publicado anteriormente no site Direto do Japão. Reprodução autorizada pelo autor.

    POR QUÊ? ou PARA QUÊ?

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    Frases parecidas com significados diferentes. Somos doutrinados desde criança a justificar nossas atitudes, a encontrar os “porquês” de tudo. Por que fizemos errado? Por que fizemos certo? Por que não fizemos? Por que deveríamos ter feito?

    A pergunta por que, remete ao passado, como se fôssemos encontrar os motivos pelo que fizemos ou pelo que não fizemos, causando na maioria das vezes muitos conflitos. As pessoas que buscam justificativas para tudo, geralmente entram em um processo de autossabotagem, no triângulo de culpa (quem é o agressor?), vítima (quem foi injustiçado?) e super-herói (quem vai salvar?). Quantas pessoas você conhece que ficam sempre se vitimizando? Ou, por outro lado, aquelas que acham que sabem de tudo? Ou que querem ajudar os outros a todo momento?

    Quando nos perguntamos “para quê?” remetemos ao futuro buscando o que nos motiva a fazermos o que fazemos. Se você quer parar de se justificar e encontrar o real motivo das suas atitudes, basta trocar as perguntas de “por quê?” por “para quê?”. Veja os exemplos abaixo.

    Por que comprei? Para que comprei?

    Por que eu como carne? Para que eu como carne?

    Por que ir? Para que ir?

    O questionamento “para quê” pode ser usado em qualquer tempo verbal, buscando sempre a visão para o futuro.

    Todos os nossos comportamentos estão ligados a um motivador interno. Se você acha que se motiva com uma questão externa, preste atenção no ganho interno que você tem com isso. É esse ganho que te move! Isso é chamado de ganho secundário, o ganho que realmente temos, acima daquele que achamos ter. Parece complicado, mas é bem simples. Acompanhe este raciocínio.

    João está na dúvida se compra um celular novo ou se fica com o atual e se pergunta POR QUE deve comprar o celular novo?  As respostas prováveis serão do tipo, “porque tem uma câmera melhor”, “porque a diferença de preço é pequena”, “porque é mais rápido” etc. Agora, João se pergunta PARA QUÊ comprar um celular novo? As respostas prováveis serão “para utilizar no trabalho”, “para gravar vídeos em 4K”, para otimizar o fluxo de trabalho etc.

    Perceba que a única forma de João não justificar a compra do aparelho novo, mas identificar se ele é realmente necessário é se perguntando “PARA QUÊ?”.

    Quando encontramos os motivos pelo que fazemos ou pelo que não fazemos as coisas tudo se torna mais claro. Saímos do mundo de ilusão onde buscamos suprir uma coisa pela outra e vamos para o mundo real identificando o que é necessário para sermos prósperos e felizes. A prosperidade está nos questionamentos do que é e não o que eu quero que seja.

    E você? Faz os ajustes da vida real ou está vivendo no mundo da ilusão?