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Existem Chinatowns ao redor do mundo, em países como EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Australia, Singapura, India. Normalmente começam como a concentração de imigrantes na região e evolui com a abertura de restaurantes, comércio de produtos, até incorporar ao local um pouco da cultura Chinesa.

A Chinatown mais antiga é a de Binondo, em Manila, Filipinas, fundada em 1594. Por outro lado, a mais conhecida no Ocidente, provavelmente é a de São Francisco, California. A Chinatown californiana é a mais antiga das Américas e também foi cenário para filmes, sendo o mais conhecido para quem assistia “Sessão da Tarde”  o filme “Os Aventureiros do Bairro Proibido” (Big Trouble in Little China – 1986). A Chinatown de Yokohama é a maior da Ásia e sua história começa em 1859, com a abertura do porto da cidade para navios estrangeiros.

Para se chegar à Chinatown de Yokohama, pode-se continuar a caminhada a partir da estação Minato Mirai, são aproximadamente 30 minutos de caminhada até o bairro Chinês. Para quem prefere utilizar o metrô, a estação “Motomachi-Chukagai” possui uma saída em frente ao famoso Torii na entrada no bairro. Para conhecer o bairro, é necessário seguir a pé, já que muitas vias são exclusivas para pedestres. No total, são mais de 250 lojas e restaurantes.

 

O bairro possui lojas com souvenires que remetem à região e à cultura chinesa. O Panda não poderia faltar, tendo inclusive linhas de camisetas, bolsas e lenços com esta temática. Entre os itens mais comuns, estão bolsas femininas, bolsas para compras, carteiras, moedeiras, lenços, meias, camisetas, pequenos itens de decoração e chás. No corredor sentido China Square, existem barracas com brinquedos, máscaras, vestuário típico Chinês, amuletos, chaveiros, pulseiras. Existem também bolsas que remetem à história política chinesa, exemplificada na foto. Uma curiosidade, nesta região também está localizada uma churrascaria tipicamente brasileira, a “Travesso Grill”, que já recebeu a delegação do time de futebol Internacional de Porto Alegre para comemorar o título do Mundial da Fifa, conquistado em 2006.

 

O místico também é muito presente no bairro. Em muitos locais há a possibilidade de ler o futuro a partir da leitura das linhas das mãos. Estão representados com cartazes com o desenho da palma da mão em frente aos seus estabelcimentos, sejam tendas ou lojas.

 

É muito comum em templos por todo Japão tirar a sorte em pequenas tiras de papel. Para quem domina a leitura em japonês, em Chinatown existem máquinas na rua para jogar a sua sorte. Aleatoriamente é escolhido uma tira de papel em forma de canudo. Neste papel está a sua sorte, seja grande sorte, pequena sorte ou má sorte. Caso tenha azar no futuro ou queira melhorar ainda mais as chances de ter sorte, há um amuleto específico para ocasião.

 

Para os mais corajosos, outro local oferece a possibilidade de experimentar o tratamento com pequenos peixes vivos que limpam os pés, removendo a pele morta. São aquários no chão, em que os visitantes confortavelmente se sentam à beira e colocam seus pés na água enquanto os peixes realizam seus trabalhos.

 

A saúde não pode ser deixada de lado, a milenar medicina chinesa está presente em farmácias do bairro, em harmonia com a medicina convencional. A farmácia é dividida entre os remédios manipulados por empresas, em cápsulas, pílulas e também há uma área com ervas, raízes, extratos vegetais, chás. Além de remédios, a farmácia possui vitaminas e tônicos para quem precisa de energia para continuar a viagem.

 

Para quem gosta de experimentar novos sabores, Chinatown é um roteiro riquíssimo. Para começar, o Nikuman tradicional de carne e suas versões, com recheios variados, tanto salgados quanto doces. Estes pães cozidos no vapor, possuem até uma versão simulando formato e as cores do pêssego, chamado de Momoman, com recheio de Anko (pasta doce de feijão azuki). Existem muitos restaurantes oferecendo estes pães, principalmente na rua, preparados no vapor e sempre frescos. São tão famosos, que há restaurantes de campeões no preparo deste prato, e também em embalagens para viagem, que são vendidos até nas paradas da Kosoku doro (rodovia expressa) na região.

 

Existe uma variação de bolinhos, tão famosos quanto os anteriores, o Shenchenpao. Em vez de cozidos no vapor, são preparados em grandes panelas de ferro. As porções deste prato esgotam rapidamente a cada rodada de preparo, a ponto de formar grandes filas em restaurantes mais famosos.

Presente em muitos estabelecimentos, o Gomadango é um item comum em muitos restaurantes chineses, mesmo fora de Chinatown. É um bolinho doce, frito, de massa de arroz, com recheio de anko e cobertura de gergelim. Na versão de Chinatown, o tamanho impressiona, bem maior que o normal, geralmente bastante frescos. Porém, procure por estabelecimentos que fritam o bolinho na hora, que adiciona crocância aos grãos de gergelim, deixando a textura e o sabor irresistíveis.

 

Para quem gosta de castanhas Portuguesas caramelizadas, sempre há uma barraca e um vendedor por perto. A não ser que realmente vá comprar uma porção, evite pegar uma amostra grátis da castanha ou terá um insistente vendedor oferecendo o produto por alguns metros na rua.

 

Outro destaque são os famosos restaurantes que oferecem um rodízio com mais de 130 pratos por preço único em torno de ¥2,000. É uma grande oportunidade para experimentar diversos sabores da região, por um preço fixo. Desde pratos mais simples e até encontrados em konbinis, inclusive pratos mais requintados são oferecidos no rodízio. Para quem come bastante, é a melhor pedida.

Caso coma menos e já saiba exatamente o que quer experimentar, a opção de restaurantes por prato oferece porções de bom tamanho, com preparo mais cuidadoso e ingredientes melhores. Por outro lado, o preço é mais salgado, com o preço de cada prato próximo ao preço do rodízio.

 

Existem também restaurantes que servem pratos com pato, porco e frangos defumados em seus menus. Normalmente estão expostos na entrada da loja, revelando a qualidade do produto. Para os mais corajosos, estes locais também servem miúdos destes animais.

 

Mesmo restrito em alguns países, a barbatana de tubarão está presente em poucos restaurantes. A tradicional iguaria é servida em pratos que vão de ¥2,500 até ¥15,000.

Após comer, nada melhor do que um bom sorvete como sobremesa. Muito famoso na região e sempre presente em listas sobre a comida de Chinatown, o Annin soft cream é uma ótima pedida. Sorvete cremoso com sabor de Amêndoas e levemente doce, servido em casquinhas crocantes. Irresistível.
Yokohama é uma cidade rica em história e que vale mais de uma visita. É bastante agradável para passear à pé e há uma boa malha de trens e metrô para os pontos turísticos citados aqui. Existem atrações para todos as faixas etárias, até em dias sem eventos especiais. Mesmo com uma edição inteira voltada à cidade, ainda existem muitos pontos a serem explorados. Chinatown é um local praticamente obrigatório em uma visita à Yokohama.

 

 

Kafunsho – Experiência em Farmácia de Chinatown

 

Esse texto, é para compartilhar uma experiência deveras interessante, à quem sofre de um mal típico do Japão, o Kafunsho (alergia ao pólen):

Andando pelas ruas de Yokohama, por recomendação de um amigo, fui a  um famoso bairro chinês da cidade, chamado “China Town”. Que lugar interessante!

E fica ainda mais, quando você não está  com os olhos vermelhos, ardendo e lacrimejando, vontade de espirrar e nariz escorrendo, ou seja kafunshado (Sim eu sei que não existe essa palavra, mas é maneira mais prática de descrever o ato de estar sofrendo com as consequências do Kafunsho), pois você consegue enxergar as curiosidades locais.

Chegando ao local, com olhos semi aberto, avistei o portal frontal do local, que mesmo nunca visitado a China, parecia bem com o que eu imaginava de lá.

O cheiro de pratos típicos, misturado com o idioma local e as lojas e restaurantes enfeitados com a comunicação visual da 25 de março (Google – “rua 25 de março São Paulo, para entender a referência”), propiciam uma experiência imersiva a partir desse momento.

Por estar quase sendo guiado, devido a incapacidade de manter os olhos abertos, meu amigo  sugeriu uma pequena farmácia “local”. Desse ponto em diante, é que começa a ficar legal o passeio.

Ao adentrar o estabelecimento, com o pouco que me sobrou de capacidade olfativa, senti um cheiro suave de erva no ar, qual erva? Não sei, mas parecia erva. Caminhando até o final da pequena loja, coçando um olho e o outro meio aberto, consegui ver alguns pequenos sacos transparentes contendo algo parecido com raízes secas.

Nesse momento, uma senhora muito amável, nos aborda, perguntando se procurávamos algo? Confesso que meu sarcasmo imbecil no momento me fez pensar: “ Sim, Caiaques, mas sem os remos, pois já tenho dois em casa.” Porém, por entender convenções sociais, tentei ser o mais educado possível a esta simpática senhora e respondi: KAFUNSHO. Ela sorrindo me levou até o balcão mostrando dois tipos de remédios, um convencional, comprado em qualquer farmácia ( Desses que você toma e em 10 minutos precisa parar em algum kombini para dormir) ou um pozinho marrom que, pelo que entendi, era manipulado ali mesmo e funcionava melhor que todos os outros. Daqui a pouco falo do preço,  aqui abro uma janela para falar sobre um dos  princípios da persuasão, a Autoridade:

Definição:

Autoridade – de acordo com este princípio, a autoridade ou perícia percebida do comunicador é um fator importante para que as pessoas se sintam dispostas a concordar ou fazer algo;

Voltando na experiência do local e fazendo um link com o principio retórico citado acima. Nada convence mais do que uma senhora, aparentemente japonesa com um leve sotaque chinês, explicando o porque aquele pozinho marrom, com cara de raiz amassada é a melhor opção para o seu problema. E bota problema nisso naquele momento.

Quando ela acabou de explicar o que era, com o que consegui entender da explicação, perguntei:

Eu: Se eu tomar, vai dar sono? (Problema típico de anti-alérgico)

Ela: Não, inclusive estou utilizando agora. Mas, recomendo essa vitamina (pegando um pequeno vidrinho escuro, com embalagem preta e um liquido amarelo escuro, indicado ser a base de ginseng – procure no Google por favor).
Eu: Certeza, que não dá sono?

Ela: Hai (Que certeza! Que autoridade em apenas três letras!)

Eu: Onegaishimasu! (Então fechou! para quem não sabe japonês).

Ela: Arigatou gozaimashita (‘Demorô’ então! para de novo, quem não fala japonês)

 

Nem preciso lembrar sobre o porque estou acreditando em tudo que aquela encantadora senhora estava me falando, certo?

Nesse momento ela, levou me até uma pequena mesa, com um pequeno banco aquecido, isso mesmo – banco aquecido, preparou aquela vitamina, com água morna e abriu aquele pequeno saquinho com uma cor leitosa levemente transparente com um pozinho marrom, oferecendo me  a tomar.

Nesse momento pensei: Esses chineses sabem mesmo das coisas, além de fazer um remédio milenar para um problema deste século, ainda agregam experiência ao tomá-lo. Fantástico!

 

Agora chegou a “melhor” hora, pagar. Eu poderia ter saído dali com um remédio comum e pagar ¥900 e não ter nenhuma história para contar, ficando com muito sono ou ter a melhor experiência  com remédio da minha vida. Isso não tem preço.

O indicado por ela seria levar uma receita para 10 dias à ¥3,500 ou poderia dividir por porções diárias de três pacotinhos por ¥350 cada porção, mais a vitamina.

Perguntei a ela se poderia experimentar, antes de comprar para os dez dias. A senhora não pestanejou e respondeu: Claro, enviamos para todo o Japão.

Adivinha; Enquanto escrevia  sobre essa experiência, estava encomendando o segundo lote para dez dias.

Conclusão, aquele estereótipo que carrego comigo ao qual acreditei na autoridade de conhecimento da senhora japonesa, com sotaque levemente chinês e de avental branco, funcionou, ela realmente me ajudou. O preço ficou em segundo plano.

 

Saindo da farmácia, pude aproveitar as curiosidades da famosa China Town de Yokohama e experimentar um Goma Dango, vendido a cada esquina.

Endereço

Endereço:

Yamashitacho, Naka Ward, Yokohama, Kanagawa Prefecture 231-0023

Telefone: