10 coisas que você não pode deixar de fazer em Saitama – parte 2

10 coisas que você não pode deixar de fazer em Saitama – parte 2

Assistir a um jogo do Urawa Reds

Antes de mais nada, nós estamos sabendo do histórico dos Diamantes de Saitama com o racismo. Em 2014, a torcida do time protagonizou um dos mais vergonhosos momentos da história do futebol profissional japonês ao estender durante a partida uma faixa escrita “Japanese Only” (algo como ‘somente japoneses’, em inglês). Dois anos depois, outro torcedor foi ao Twitter desrespeitar o brasileiro Caio, na época meio-de-campo do rival Kashima Antlers. Vale ressaltar que, nos dois episódios, o time se manifestou veementemente contra a atitude desses torcedores. 

Com a chegada de Ewerton, emprestado pelo FC Porto, agora são três brasileiros no elenco do rubro-negro de Saitama. (Fabrício e Maurício são os outros dois.) Em outras palavras, dar uma força para os nossos compatriotas já seria, por si só, uma motivo forte para ver o Urawa jogar. Mas o time também tem outras glórias. É bicampeão da J-League, tri da Copa do Imperador, bi na Liga dos Campeões da AFC dentre outros títulos. 

Além disso, o time tem o mando de campo de um dos mais belos estádios do Japão, o Saitama Stadium 2002, onde o Brasil bateu a Turquia por 1 a 0, no penúltimo desafio da bem sucedida campanha do penta. Aliás, o estádio com capacidade para cerca de 63 mil torcedores também é aberto para visitas guiadas que podem ser agendadas por telefone.

Saitama Stadium 2002
Saitama-ken Saitama-shi Midori-ku Misono 2-1
埼玉県さいたま市緑区美園2丁目1
048-812-2002
www.stadium2002.com

Visitar a Pequena Edo

Edo é o antigo nome de Tóquio. Kawagoe, a primeira municipalidade a ganhar status de cidade na província de Saitama, não é chamada de Pequena Edo por acaso. Sua história é intimamente ligada à da capital japonesa. Durante o xogunato Tokugawa, a localidade era uma importante fornecedora de produtos para Edo. Kawagoe era tão valorizada pelo xogum que a cidade tinha um castelo e homens de sua confiança foram nomeados senhores da região.

No final do século 19, Kawagoe sofreu um grande incêndio e boa parte das estruturas foi destruída. As novas construções foram refeitas no estilo kurazukuri, com paredes e janelas reforçadas e pintura preta no exterior, proteção extra contra novos incêndios, incluindo aí as lojas que não costumavam ser construídas com tamanha proteção. Tudo isso graças à riqueza dos comerciantes da região.

Infelizmente, a rua com mais casas no estilo antigo é, também, uma importante via de circulação para a cidade que até chegou a testar a interrupção do tráfego de veículos por ela. Esse passa-passa de carros e ônibus acaba, de certo modo, tirando o charme e dificultando a apreciação das casas. Ainda assim, a arquitetura de Kawagoe é tão distintiva na região urbana de Kanto que a cidade recebe um fluxo considerável de turistas por ano.

Não muito distante da via principal, fica a Torre do Sino que toca quatro vezes por dia (às 6 da manhã, ao meio-dia, às três e às seis da tarde), mantendo a função que tinha desde o Período Edo que era informar as horas aos moradores da região. A torre original foi consumida no incêndio de 1893, sendo reconstruída um ano depois. Com três andares e 16 metros de altura, a construção se destaca na área antiga da cidade.

Nas cercanias da torre fica o Kashiya Yokocho, o Beco dos Doces, uma ruazinha estreita cheia de lojas de doces tradicionais japoneses. A ruazinha teve um papel interessante logo depois do Grande Terremoto de 1923, que devastou a capital japonesa. Devido à proximidade com Tóquio, as lojas do Kashiya Yokocho começaram a receber abruptamente pedidos de doces para abastecer a região em reconstrução. Com isso, o comércio começou a prosperar e, no início do Período Showa, mais de 70 estabelecimentos especializados em doces existiam na ruela. Hoje, são apenas cerca de 20 mas o local ainda é interessante para quem gosta de provar aqueles docinhos com gosto de avó.

Kawagoe também é a terra de origem de uma das mais conhecidas marcas de cerveja artesanal do Japão, a Coedo. Com interesse em produzir de forma sustentável, a empresa acabou criando a primeira cerveja de batata doce do mundo, usando justamente a raiz produzida na cidade. A receita dessa imperial amber foi sendo aprimorada e hoje a Beniaka é um dos destaques da carta de cervejas da Coedo e pode ser consumida em todo o Japão.

Kawagoe – Bairro das Casas no Estilo Kurazukuri
Saitama-ken Kawagoe-shi Teramachi 15-7
埼玉県川越市寺町15-7

 

 

Ver a florada dos shibazakura

O shibazakura é uma espécie de planta rasteira que floresce no Japão nos meses de abril e maio. O nome “sakura” não está ali por acaso. As flores do shibazakura são cor de rosa como as das cerejeiras e sua floração também é um espetáculo. O melhor local para apreciar essa florada é o Parque Hitsujiyama, na cidade de Chichibu. São mais de 40 mil pés, de 9 diferentes espécies, espalhados numa área de mais de 17 mil metros quadrados. Tudo rosinha e lilás. Além disso, o parque oferece, dentre outras atrações, uma bela vista para a cidade de Chichibu e um espaço onde as crianças podem conhecer como é uma criação de ovelhas, hitsuji em japonês.

Parque Hitsujiyama – Shibazakura no Oka
Saitama-ken Chichibu-shi Omiya 6360
埼玉県秩父市大宮6360
0494-26-6867
www.city.chichibu.lg.jp/1853.html

 

Fazer rafting entre paredões de pedra

Nos fins de semana e feriados entre os meses de abril e dezembro um apito diferente ecoa no ar. É o Paleo Express, uma locomotiva a vapor que relembra os tempos nostálgicos do pós-guerra. Esse é o transporte usado por muitos turistas para conhecer uma das mais belas áreas naturais da região de Kanto, o Parque Provincial Natural Nagatoro Tamayodo.

Cortada pelo Rio Arakawa, a pequena cidade de Nagatoro fica inteira dentro dos limites desta área de preservação ambiental. As belezas naturais atraem cerca de 200 mil visitantes por ano para a localidade de pouco mais de 7 mil habitantes. Passear num pequeno barco pelo rio é um dos passeios que mais encantam os turistas. Comandadas por dois experientes condutores, as pequenas embarcações correm rio abaixo, passando por corredeiras. Essa é a versão do passeio com pouca emoção. Os mais aventureiros podem escolher o rafting, indicado até mesmo para os menos experientes. A experiência é de tirar o fôlego e não é somente por conta das corredeiras. Em Nagatoro, o Rio Arakawa corre numa estreita formação com paredões de até 80 metros de altura. Na margem esquerda do rio, fica a área conhecida como Iwadatami, algo como “tatami de pedra”. Isso porque o assoalho do paredão é plano. O local parece um calçamento feito pelo homem e lembra os tatamis das casas japonesas, uns encaixados nos outros. No alto do Iwadatami, é impossível resistir àquele ímpeto de fazer aquela foto que vai direto para o Instagram.

Outro local completamente insta-bae é o pico do Monte Hodo, acessível pelo teleférico que fica ao lado do Santuário Hodosan. Este templo, aliás, tem uma lenda interessante. Conta-se que ele foi fundado por Yamato Takeru, filho do imperador Keiko que governou o Japão por algumas décadas entre o primeiro e o segundo séculos da nossa era. Takeru teria sido tão violento que seu pai o despachou para o interior para que ele pudesse botar para fora toda essa energia enfrentando tribos selvagens e fundando santuários. A lenda continua dizendo que o cara chegou até a base do Monte Hodo e encontrou um poço, justamente no local onde hoje fica o templo. Takeru bebeu água do local e decidiu subir o morro. Acontece que, no meio do caminho, um incêndio começou, ameaçando o príncipe e seus acompanhantes. De repente, um grupo de cães apareceu e apagou o fogo, salvando a vida do grupo. Depois do ato de coragem, os cães desapareceram no ar e Takeru entendeu que tinha sido um milagre. Assim, o homem decidiu criar na base da montanha o Santuário Hodosan e, nos dias de hoje, os fiéis fazem suas preces no local pedindo proteção para a família e, claro, contra incêndios.

No topo do Monte Hodo, fica um jardim que floresce no final do inverno com pés de pimenta-da-jamaica e ameixa. As pequenas flores amarelas das pimenteiras exalam um perfume doce e trazem elegância e um certo ar etéreo para a encosta da montanha. As pimentas florescem em fevereiro enquanto as ameixeiras ficam em flor entre o meado de fevereiro e o final de março.

Nagatoro
Saitama-ken Chichibu-gun Nagatoro
埼玉県秩父郡長瀞町長瀞

 

Conhecer a história das ferrovias no Japão

Os japoneses adoram trens e têm razão para isso. O país tem uma extensa malha ferroviária que foi um dos motores de sua integração e desenvolvimento. Poucos lugares do mundo podem se orgulhar de trens e ferrovias em tão bom estado de conservação e funcionamento. Pontualidade e eficiência são a marca registrada dos trens no Japão.

Por isso que uma visita ao Tetsudo Hakubutsukan Museu Histórico das Ferrovias em português — é um deleite. Primeiro pelo acervo. São 36 máquinas aposentadas em exposição, uma coisa de louco para quem é fã de trens. O visitante pode entrar, ver como os vagões eram na época em que estavam em atividade e sentir a nostalgia no ar. Além disso, podem acompanhar in loco a evolução dos trens, comparando design e outros itens. Sim, porque estão lá, cara a cara com você, da locomotiva a vapor até o Shinkansen. Uau!

Além disso, uma série de espaços de exposição conta a história, o agora e o futuro das ferrovias japonesas e do mundo. Infelizmente, não há nada em português, o que não seria novidade. Mas vale a pena ‘gambattear’ no japonês para não perder nada. Outro ponto de destaque é o diorama, uma maquete com trens em movimento. O diorama do museu é o maior do Japão e tem 23 metros de comprimento e 10 metros de extensão. Dá para ficar horas ali só vendo os trens em miniatura passarem.

Mas o ponto alto da viagem fica, sem dúvida, com os simuladores. São cinco em que você pode ser o maquinista e um no papel do condutor, a pessoa que abre e fecha as portas dos trens. Os simuladores são extremamente disputados e as filas costumam ser longas. De todos, somente o da locomotiva D-51 requer pagamento adicional de ¥500. Dá para passar um dia inteiro e não ver tudo. São tantas atrações que fazem do museu, literalmente, uma viagem.

The Railway Museum (鉄道博物館)
Saitama-ken Saitama-shi Omiya-ku Onari-cho 3-47
埼玉県さいたま市大宮区大成町3-47
048-651-0088
www.railway-museum.jp