Top 10 Hatsumōde – Parte 2

Top 10 Hatsumōde – Parte 2

Top 10 Hatsumōde – Parte 2

Ise Jingu (Naiku) 伊勢神宮 内宮

O Naiku, ou Santuário Interno, é um dos dois principais espaços que formam o Ise Jingu, considerado o mais sagrado dos santuários xintoístas do Japão. Dedicado à Amaterasu-Oomikami, a deusa do sol e do universo, o local tem mais de dois mil anos de história. A antiguidade do santuário pode ser comprovada na arquitetura dos seus prédios principais. Eles lembram silos de arroz e não contêm nenhuma influência técnica ou artística de outras partes da Ásia, algo que chega ao Japão somente com a introdução do budismo no século 6. No entanto, vale ressaltar, que nenhuma das construções mais importantes é tão antiga. Isso porque existe uma tradição, iniciada pelo imperador Tenmu no século 7, que faz com que os prédios do santuário sejam reconstruídos a cada 20 anos. A última inauguração foi em 2013.

As construções simples são cercadas por uma floresta cortada por um canal que recolhe água do sagrado Rio Isuzugawa. Esta é uma das opções dadas aos fiéis para o rito de purificação antes de visitar o espaço principal que fica no alto de uma escadaria de pedras. É bom lembrar aos instamaníacos que na área principal não é possível fotografar.

Apesar da importância histórica e religiosa, o santuário recebe relativamente poucos visitantes durante os três primeiros dias do ano. São cerca de 270 mil fiéis em busca de bem-estar para a família. O Santuário costuma ser procurado, também, por mulheres grávidas e seus maridos que vão rezar em prol de um parto seguro.

Mie-ken Ise-shi Ujitachicho 1
Estação mais próxima: Uji-yamada (Kintetsu linhas Toba e Yamada)
Obs.: Desta estação, um ônibus leva até o Naiku numa viagem de 10 minutos.
Caso você decida ir de carro, vindo de Nagoya, tome a Rodovia Nacional 23 e, em seguida, a Rodovia Provincial 32 até o Naiku.

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Itsukushima Jinja 厳島神社

Incluída no Nihon Sankei, a lista das três mais belas paisagens do Japão, Miyajima ganhou sua fama, sem dúvidas, por causa do Santuário Itsukushima. O portal torii vermelho que parece flutuar no mar é, sem dúvida, uma das imagens mais marcantes do Japão. Da mesma forma que o portal, o santuário foi construído em área ocupada pela água durante a maré cheia, provocando um belo efeito na paisagem.

Com um nome que significa “ilha santuário”, Miyajima e seu principal pico, o Monte Misen, têm sido alvo da adoração dos japoneses desde o século 6. No século 12, Taira no Kiyomori se tornou o homem mais poderoso do Japão e escolheu a ilha para construir o santuário do seu clã. Com o objetivo de manter a pureza do local, pessoas comuns foram proibidas de pisar em Miyajima por séculos.

Aliás, essa é a razão pela qual o templo e o torii foram construídos numa área ocupada pelo mar. Assim, os visitantes poderiam rezar no local sem tocar no solo. As restrições foram sendo limadas com o tempo mas não totalmente. Desde 1878 é proibido nascer ou morrer na ilha. Mulheres grávidas são levadas para dar à luz fora de Miyajima. Pessoas muito idosas ou com doenças graves, ou seja, cuja morte é iminente, também não podem permanecer na ilha que não possui cemitérios.

Dedicado às três filhas do deus Susanoo, o Santuário costuma receber cerca de 120 mil visitantes nos três primeiros dias do ano, em busca de graças como o bem-estar da família, a segurança no mar e no trânsito. Os fiéis que chegam nas horas iniciais da celebração recebem um amuleto em forma de shamoji, um utensílio entre uma colher e uma espátula usado para pegar arroz. Diz-se que esse importante item de cozinha japonês foi inventado na ilha e acabou se tornando um amuleto típico do local. O shamoji distribuído pelo templo na época do hatsumōde tem impresso, ainda, o animal do horóscopo chinês que representa o ano.

Hiroshima-ken Hatsukaichi-shi Miyajimacho 1-1
Estações mais próximas:
Hiroden Miyajimaguchi (Hiroden)
Miyajimaguchi (JR linha Sanyo)

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Kitano Tenmangu 北野天満宮

Dedicado ao pesquisador e poeta Sugawara-no-Michizane, o Kitano Tenmangu foi construído em 947. Um dos conselheiros do imperador Uda, Sugawara foi caluniado pelos seus pares e acabou exilado na ilha de Kyushu até a morte. Logo depois da sua passagem, uma série de terremotos e trovoadas assolou Heian (atual Quioto). Além disso, muitos dos seus difamadores acabaram tendo um fim trágico.

Na época, os eventos passaram a ser creditados à inquietação do seu espírito. Então, a corte decidiu conceder a ele uma honraria póstuma e o nome de Karai Tenjin que pode ser traduzido como ‘deus do fogo e do trovão’. Foi quando o Kitano Tenmangu foi construído e a ele dedicado.

Com o tempo, Tenjin passou a ser relacionado aos estudos acadêmicos e seu santuário (que ganhou inúmeras ‘filiais’ Japão afora) começou a ser frequentado por estudantes que estão se preparando para as provas de admissão do ensino médio e superior. Cerca de 500 mil fiéis visitam o santuário anualmente para o hatsumōde.

Kyoto-fu Kyoto-shi Kamigyo-ku Bakurocho
Estação mais próxima:
Kitano-Hakubaicho (Keifuku linha Randen Kitano)

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Kawasaki Daishi Heikenji 川崎大師 平間寺

Considerado o primeiro templo a se tornar destino de massa na era moderna do hatsumōde, o Kawasaki Daishi tem quase mil anos de história. Chamado oficialmente de Heikenji, o templo é dedicado ao Yakuyoke Kobo Daishi, uma manifestação do monge japonês que fundou a escola Shingon do budismo. ‘Yakuyoke’ pode ser traduzido como ‘eliminação do mal’.

O mestre, conhecido antes da morte como Kukai, era fluente em chinês. Ele fez parte de uma expedição que o levou até a China onde foi introduzido ao budismo exotérico por um dos grandes ensinadores da época, o chinês Huiguo. De volta ao Japão, Kukai foi se tornando um nome importante dentro do budismo japonês até se tornar um mestre consagrado. Foi autor de diversas obras, entre poesias, documentos e registros de práticas religiosas.

Um dos mais visitados do país na época do hatsumōde, o Kawasaki Daishi recebe mais de 3 milhões de fiéis, nos três primeiros dias do ano, em busca de proteção contra todo o tipo do mal, em especial problemas de saúde. Na meia-noite do primeiro dia do ano, o templo realiza o Gancho Ōgomaku, um ritual de queima no qual são feitas preces para afastar o mal e trazer prosperidade, saúde e longevidade. Tudo isso durante o joya no kane, o badalar dos sinos que marca a despedida do ano que se encerra.

Kanagawa-ken Kawasaki-shi Kawasaki-ku Daisahi-cho 4-48
Estação mais próxima:
Kawasaki-daishi (Keikyu linha Daishi)

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Nikko Toshogu – 日光東照宮

Dedicado a Tokugawa Ieyasu, o fundador do último xogunato do Japão, o Toshogu é parte de um conjunto de espaços religiosos de Nikko reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade desde 1999. Datado de 1617, toda a sua construção foi pensada para se integrar com o ambiente natural ao seu redor, respeitando, inclusive, os níveis de elevação natural da encosta. No espaço do santuário também fica a tumba com os restos mortais do antigo xogum.

Absurdamente rico em elementos decorativos, o Toshogu é único e representa bem a importância de seu padroeiro para a história japonesa. Um dos estábulos, logo na entrada, tem esculpida no alto de uma de suas paredes a imagem conhecida como os Três Macacos Sábios, que não ouvem, não falam e não vêem o mal. Acredita-se que a imagem era usada na educação das crianças.

Já o Yomeimon é um portal com tantos detalhes que recebeu o codinome de Higurashi-no-mon, algo que pode ser traduzido como “o portal que pode ser apreciado ao longo de um dia inteiro sem cansar”. Não deixe de visitar, ainda, a parte onde fica a tumba de Tokugawa Ieyasu. O caminho montanha acima é feito por uma escadaria de pedra cercada de criptomérias e com um clima quase divino.

E a lista de destaques poderia seguir. São tantos espaços incríveis e detalhes imperdíveis que o santuário merece mais que uma visita. O espaço local está em restauração mas o impacto às visitas não tem sido grande. Já dá para perceber nas áreas finalizadas que o Toshogu santuário parece estar tinindo de novo.

Perto de templos mais concorridos, o Toshogu fica quase às moscas na época do hatsumōde. São esperados no santuário cerca de 23 mil visitantes nos três primeiros dias do ano que vão agradecer pelas bênçãos recebidas e rezar por uma vida longa e pelo bem estar da família.

Tochigi-ken Nikko-shi Yamanouchi 2301
Estações mais próximas:
Nikko (JR linha Nikko) e Tobu Nikko (linha Tobu Nikko)
obs.: Das estações, é preciso pegar um ônibus até a entrada do santuário. Caso você prefira ir de carro, siga pela expressa Tohoku até a Utsunomiya IC e entre na Rodovia Nikko-Utsunomiya até a Nikko IC. São mais dois quilômetros de viagem até o santuário.