Paraíso dos equipamentos usados

Paraíso dos equipamentos usados

O Japão é um paraíso dos equipamentos fotográficos usados.

Há muitas lojas especializadas em compra e venda de equipamentos usados, além de novos, principalmente em capitais e cidades grandes. Não é incomum também pequenas e tradicionais lojas especializadas em cidades do interior também. Nos Estados Unidos é forte a cultura de aluguel de equipamentos – especialmente câmeras e objetivas – mas no Japão o aluguel é um pouco raro, exceto em lojas ou importadores de equipamentos de origem européia. Os usados são amados pelos japoneses e é comum ter seções ou colunas em revistas especializadas, que falam de usados, têm histórias de “garimpagem” de raridades, dicas de compras, curiosidades etc. E claro, tem também livros e revistas dedicadas especialmente aos usados, com direcionamento no sentido histórico.

Credibilidade das lojas

Equipamentos fotográficos – câmeras, objetivas, flashs etc. – precisam estar funcionando bem, independente da “idade” ou do tempo de uso. Porém, há o risco de comprar “gato por lebre”, pagando caro por um equipamento muito usado, que tem aparência de equipamento novo. Entretanto, no Japão as lojas são muito sérias e honestas, pois elas têm nome a zelar. Em lojas grandes ou pequenas de muito movimento, os equipamentos usados que chegam para venda, são rigorosamente inspecionados e pagam ao vendedor, o valor realmente justo, conforme o estado do item. Fazem a limpeza, revisão e ajustes necessários ou até enviam às fábricas para fazer reparos necessários ou quando o equipamento faz parte de um recall por algum defeito de fabricação. Após colocar em condições de funcionamento, portanto, também para a venda, são classificados (ranking) pelo estado e/ou aparência, quantidade de disparos etc. Depois recebem o preço de venda e vão para a vitrine, para seção de classificados de publicações especializadas ou para o site de vendas das próprias lojas.

Tabela de preços de compra

Todas as lojas têm uma tabela única de preços para compra, mas só pagam o valor pleno, se está realmente em bom estado. O preço cai muito em relação ao equipamento novo, obviamente, pois são comerciantes que vivem disso. Câmeras e objetivas que têm fama de boas em venda, são mais bem pagas. Uma boa forma de valorizar o seu equipamento usado na hora da venda, é dar como parte do pagamento de um equipamento novo. Geralmente pagam mais – ou melhor, dão desconto melhor – nesse tipo de negociação, especialmente quando estão em campanha de vendas de grande vulto. Outra forma de conseguir um preço um pouco melhor, é entregar a embalagem original e toda a documentação como manual de instruções, certificado de garantia – mesmo que tenha caducado – pois isso é valorizado pelo novo dono na hora da compra.

A classificação

Há duas formas de expressar a classificação – pelo menos as mais comuns – dos equipamentos: em forma de letras, seguidas de sinal (+) e em forma de “adjetivos”. Às vezes acontece de um equipamento usado de alta classificação, ser mais cara que um novo, devido ao tempo de espera, por exemplo. Há também a possibilidade de vir com algo mais, com preço compensador, como bateria extra, grip vertical, cartões de memória, bolsa etc. Além disso, em cada item são informados concretamente o que tem, como riscados, ralados, batidas etc. A classificação que usam letras são mais fáceis de entender, como AA+, AB, B+, C etc. Já os que usam palavras, necessitam o conhecimento da língua japonesa. Aqui estão as palavras (adjetivos) mais comuns:

 

新品 = shinpin = novo (artigo novo)

中古 = chūko = usado (literalmente “semi-velho)

新品同様 = shinpin dōyō = estado de novo

美品 = bihin = belo artigo

良品 = ryōhin = artigo superior

並品 = namihin = artigo de qualidade mediana

中程度 = chūteido = estado médio

 

Estudantes e principiantes

Para estudantes e principiantes, não há nada melhor do que os equipamentos usados. Basta investir pouco – muitas vezes não chega a 20% a 30% do valor de equipamentos novos. E no caso de câmeras DSLR e mirrorless ou até câmeras de filme, devido a intercambiabilidade de objetivas, flashs e outros acessórios, é possível ir incrementando aos poucos a capacidade da câmera, até que seja substituída por uma nova, com a vantagem da experiência adquirida, para saber exatamente o que vai precisar. E ainda assim, as primeiras câmeras podem servir muito bem, como câmeras de reserva (backup).

 

Raridades de colecionador

Muitos fãs de usados, vão “garimpar” equipamentos raros – relativamente comuns – em lojas, para comprar e usar “prá valer” ou para colecionar. E quando não está mais em condições de funcionar, são usados como peças de decoração. Há pessoas que nem sequer são fotógrafos, mas tem como hobby colecionar câmeras fotográficas antigas.

Sugestões de câmeras usadas

Algumas câmeras usadas são particularmente adequadas para estudantes de fotografia, principiantes e novatos. Uma categoria acima das Entry Level (Canon da família EOS Kiss, Nikon da família D3000 / D5000) e abaixo das profissionais, estão as Canon EOS 60D / 70D / 80D ou as Nikon D7000 / 7100 / 7200, que tem todas as facilidades das entry level, mas com muitas funções e recursos das câmeras profissionais. Todas essas câmeras têm sensor de imagem APS-C e os modelos equivalentes com sensor full size, são as Canon EOS 6D / 6D Mark II e as Nikon D600 / D610 / D750. Todas têm excelente relação custo benefício, uma vez que servem perfeitamente como segunda câmera ou câmera backup, após adquirir outra(s) câmera(s). Ótimas para aprender e treinar, antes de adquirir a “câmera dos sonhos” nova! As câmeras da Nikon em particular, têm uma grande vantagem a mais: a baioneta (montura) não mudou de padrão desde o primeiro modelo SLR de 1949, que permite usar as antigas objetivas mecânicas e as antigas mais recentes com auto focus  auto exposição e anel de diafragma (ótimas para câmeras mecânicas e claro, para câmeras com AE/AF mesmo antigas).

Conclusão

Enfim, vale a pena começar com equipamentos usados, sem gastar muito, pois além da câmera e da objetiva, tem muito mais coisas que o fotógrafo deve adquirir: flash, tripé, cartões de memória, computador, monitor apropriado e calibrador, software de processamento, discos externos etc., e mais os cursos, workshops, treinamentos, passeios fotográficos, que contribuem para acelerar o aprendizado. Se você é daqueles que só compram coisas novas, vale a pena repensar… e experimentar!